Ciúmes?
1 Capítulo 1
Notas iniciais
O som de um trovão acordou Percy de seus sonhos. Ele ouviu a fúria da tempestade do lado de fora como as batidas de seu próprio coração, e prende-se a realidade. Ele estava em um sonho bom, mas as imagens estão sumindo, e ainda mais rápido agora que as está perseguindo, mas ele tinha certeza que sonhara com o oceano. A névoa do mar roçara em seu rosto quando ele se recostou na grade do barco, a risada estrondosa de seu pai e sua mãe estava lá, segurando sua mão e descrevendo o horizonte para ele.
É. Já se fazia poucas semanas desde que lutara contra aquele monstro, e Quiron dissera que sua cegueira provavelmente não seria permanente. Ele ainda sentia uma pontada de vergonha daquele dia, dos ciúmes infundados que sentira.
Ele queria, mais do que tudo, voltar para aquele sonho, mesmo que ele já tivesse desaparecido.
– Percy?
Mas Annabeth estava ali. Annabeth que tinha ido até ali para estudar com ele mas tinha acabado dormindo em sua cama, que tinha o cheiro de protetor de coco, papel e morango e que tem um gosto suave de suor quando ele se aproxima dela e planta um beixo em seu pescoço.
– Que horas são? — ele murmura na pele dela, torcendo seus dedos no cabelo dela.
Ela se vira para ver a hora.
– Três horas. Sonho ruim?
– Não — disse. Ruim no sentido de deixá-lo doendo por um passado que ele nunca teve, sim, mas ele esteve feliz. Seus pais estavam juntos. O navio balançava suavemente, embalado pelo Atlântico. As palavras de sua mãe pintando um quadro do céu que ele não sabia se seria capaz de ver novamente.
– As cortinas estão abertas?
– Aham.
– Como a tempestade se parece?
Era estranho. Ele já tinha enxergado a tempestade. E o nascer do Sol. Mas tudo isso parecia distante, e ele não conseguia mais se lembrar de como tudo se parecia. Mesmo quando ele fazia força para tentar imaginá-la, as imagens das coisas que ele já tinha visto não voltavam.
Annabeth passou os dedos pelo cabelo dele, e deu um beijo em sua testa. Ele já estava familiarizado com aquele silencio (quase silencio, ja que ele estava sempre consciente de sua respiração estável, a batida de sua pulsação em seus ouvidos, o toque dos dedos dela em seus cabelos, a mudança dos quadris contra os lençóis, a maneira como ela engole e ele desliza a mão sobre a camiseta dela para descansar sobre a onda crescente de suas costelas) — e ele sabia que ela estava olhando pela janela, juntando as palavras e ele consegue ver, nesses silêncios a profundidade do seu amor por ela.
Ela morde o lábio pensativamente antes de dizer alguma coisa.
– É triste — ela diz, os lábios movendo-se finalmente contra sua testa.
– O céu está negro e pesado e cansado — ela continuou — As nuvens são longas e garfos de luz partem delas como raízes de uma árvore, e só há um segundo, elas iluminam o acampamento com se fosse dia.
Percy fechou os olhos. A escuridão é a mesma se ele estivesse com os olhos abertos, mas fechá-los lhe dá a liberdade de fingir. Ele esfrega o polegar para cima e para baixo, nos cumes de suas costelas e respira ao mesmo tempo que ela, ouvindo a cadencia de suas palavras e o tamborilar da chuva contra a janela. Quando ela fala sobre como os ma e para baixo em seu braço, fazendo cócegas do ombro ao cotovelo. pingos batem e deslizam contra o vidro, ela tamborilava gentilmente a ponta dos dedos para ci
– Elas brilham — ela diz — pequenos mundos próprios.
E Percy espera que eles se pareçam com seus olhos, claros, brilhantes e sem fim.
*** *** *** *** *** *** ***
*Algumas semanas antes*
Annabeth estava ficando cansada. Sem dúvida.
Desferiu um golpe com a adaga do ombro esquerdo até o quadril. Rolou para a direita e abriu um talho no braço de outro inimigo. Pulou e acertou-o no capacete.
Saltou para trás e apoiou-se rapidamente na mão esquerda, para dar impulso com esta e ficar de pé novamente cerca de dois metros de distância de onde estava.
Correu até outro adversário, abaixou-se e cortou-lhe a barriga, rolando em seguida para a esquerda e para frente, enquanto mudava o jeito de segurar a adaga, de forma que parecesse um punhal. Apoiou-se sobre um dos joelhos e cravou-a nas costas fazendo com que toda a palha que restava do recheio do boneco saísse por ali.
Annabeth se levantou e retirou a adaga que tinha ficado presa na madeira de sustentação do boneco. Olhou ao redor: cerca de sete bonecos estavam empilhados a um canto e outros três estavam aos seus pés. Palha cobria todo o chão da arena.
Sacou a adaga do cinto e arremessou-a de encontro ao único boneco que ainda estava de pé no meio das serragens. Ela enterrou-se entre os olhos imaginários do boneco. Annabeth suspirou e foi buscar a arma. A captura da bandeira estava próxima.
*** *** *** *** *** *** ***
Sexta-feira. Todos estavam agitados. A captura da bandeira seria depois do jantar. Percy estava sentado em sua mesa do chalé de Poseidon sozinho. Comia um pedaço de pizza e sua Diet Coke azul já estava pela metade.
Percy observava as mesas dos outros chalés, mas sua visão sempre se voltava para a mesa das crianças de Atena. Annabeth discutia animadamente com um irmão, enquanto girava a adaga entre os dedos da mão direita.
Esta noite, os chalés de Apolo e Ares estavam com a bandeira, e o chalé de Poseidon, infelizmente, fora recrutado para o time de Clarisse, junto com o de Hermes, Afrodite, Deméter, Íris e Hebe. Apolo tinha conseguido o apoio de Atena, Hefesto, Nêmesis e Hécate. Certamente seria uma batalha emocionante de se assistir, mas não de se participar. Principalmente porque Annabeth estava no outro time. E todos sabiam como era competitiva.
Clarisse entrou segurando a bandeira escarlate, com outras duas companheiras, seguidos de Will Solace e outros dos filhos de Apolo. Quíron bateu o casco no chão.
– Serei juiz e médico em campo de batalha. Não se matem.
Foram para o Arsenal. Pegou um escudo e prendi o peitoral de bronze. Uma das filhas de Afrodite veio oferecer ajuda a Percy, que recusou com o rosto corado. Olhou de relance para Annabeth que colocava o capacete com a crina azul. Ela escolheu um escudo e um campista loiro a ajudou a prender o peitoral de bronze. Eles sorriram e ele colocou o capacete. O campista pegou uma aljava de flechas, além de uma adaga. Ele e Annabeth saíram conversando animados, enquanto Percy fervia de ciúmes.
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