Notas iniciais
Olá flores do jardim e fantasminhas Então aqui vai um capítulo curto é verdade, de transição para os FINALMENTES desta fic. Isso me deixa feliz por vários motivos e triste também por outros mais Agradecendo aos reviews lindos. Anfitire minha linda, Sheilinha amadinha voltou a ler as fics ^^

Na manhã seguinte Hyoga desceu para tomar café á hora de costume da escola, Camus estava à mesa tomando o seu e não esboçou qualquer reação ao ver o russo, Hyoga conhecia bem quando Chateaubriand queria ser o homem de gelo ele o conseguia com maestria. Depois que o pai saiu do seu quarto não se falaram. Hyoga não procurou Camus apesar de estar se sentindo mal por tudo e pelas coisas que disse, sabia que magoara o francês porque afinal Camus não contou a verdade porque não podia.

Sua vontade era confrontar Radamanthys e esclarecer tudo, ouvir a versão dele sobre aquela história e saber se o amor que ele dizia nutrir por si era uma mentira. Gostava verdadeiramente do pai inglês, apesar das estranhezas e do excesso de proteção.

Agora entendia o carinho e amor excepcional que Camus lhe dedicava, os poucos gestos que ele ousou demonstrar para consigo. Também amava o francês e queria que houvesse um jeito de conciliar os dois.

— Não precisa mais ir à escola, o ano está perdido de qualquer forma e não vale o risco de outro encontro com Isaak ou qualquer outro rato lá dentro do Instituto. – Camus quebrou o silencio ainda sem fita-lo e seu tom era monocórdio e sem vida, nenhum calor – Ano que vem procuraremos um novo colégio, você não vai morrer por repetir o ano. Fique em casa por hoje, preciso resolver algumas coisas, mas voltarei a tarde para decidirmos o que você pode fazer nesses meses que restam do ano. Lembre que o psicólogo sugeriu que você não fique ocioso.

— Eu sinto muito pelo trabalho. – Hyoga despedaçou um pãozinho, estava tão frustrado com tudo aquilo, se sentindo tão culpado.

— O importante é que você está vivo e limpo, agora é arrumar sua vida aos poucos e eu disse que ajudaria.

— Ainda bem que está aqui. –retrucou Hyoga sincero. Conhecia Radamanthys muito bem para saber que o pai não lidaria com a situação como Camus estava lidando.

O ruivo assentiu e se levantou da mesa sem falar mais nada deixando Hyoga a vontade. Acreditava que a partir de agora não imporia sua presença ao filho, deixaria que ele decidisse o quanto iriam conviver. Voltariam relação que tinham antes que era de padrinho e afilhado, que era melhor do que nada.

Hyoga entendeu o que Camus pretendia com aquilo e sentiu-se ainda pior, não devia ter falado aquelas coisas e deveria tentar ser mais razoável. Camus estava ali, Radamanthys não. Na primeira oportunidade o inglês escafedera-se e o deixou sozinho nas mãos da Família.

Por que não esquecer Radamanthys como ele o esqueceu?!

***

Shun chegou à estufa e encontrou Afrodite cuidando de uma nova leva de mudas de suas amadas rosas, a estufa era o seu recanto onde ele passava horas do dia cuidando de suas flores. As plantas pareciam receber todo amor e carinho que o irônico e indiferente sueco não dispensava a ninguém, talvez apenas Shun, mas o japonesinho acreditava que as rosas eram mais amadas.

— Quer ajuda? – ofereceu mais para se fazer anunciar porque nem se atrevia em mexer nas rosas.

— Já estou acabando. – Afrodite mexeu um pouco na terra e em seguida se virou para Shun – Está bem piccoli?

— Está. Pode me dizer por que Pandora está sendo vigiada?

— Por que ela está indo a um clube de fetiche e desconfiamos que Radamanthys esteja escondido lá. – Afrodite tirou as luvas de jardinagem – É bem engenhoso se for pensar nisso, ele está sendo procurado fora do país e ele está aqui o tempo todo. Agora está usando Pandora para chegar até o russinho, não tenho dúvidas disso e nem o Ikki. Assim que tivermos certeza que o Juiz está no clube...

— Precisamos ter certeza? – Shun arqueou a sobrancelha.

— Estamos tentando entrar no Clube, não é fácil e parece que ficou ainda mais difícil depois que Pandora começou a frequentar lá, a vigilância à Pandora termina em uma porta fechada. Ninguém o viu ninguém conhece Radamanthys de Wyvern e não há registros dele ali. Contudo tenho certeza de que ele está lá!

— Se você tem tanta certeza... – Afrodite viu Shun morder o lábio, ele era um garoto muito esperto e aquela dedução não era tão difícil assim. Pandora estava sendo manipulada por Radamanthys e não era segredo o motivo.

— Preocupado porque seu amigo pode estar servindo de isca? – Eles começaram a andar pela estufa, Afrodite colocou as mãos nos bolsos da jardineira que usava apenas ela sobre o corpo delgado de músculos firmes. Mesmo com a androgenia, Afrodite exalava uma força viril que poucos homens tinham.

— Eu pensei que como o nii-san está apaixonado, que ele fosse cuidar de verdade do Hyoga. Afrodite aquele russo não tá bem...

— Ikki está louco pelo garoto, só não admite e pegar Radamanthys é uma forma de proteger o loiro ou acha que ele está fazendo isso apenas por causa dos planos de Mask? – o sueco deixou que um suspiro de desalento saísse pelos lábios rosados – Ainda acho que devíamos apenas explodir aquele lugar e pronto! O Ikki vai acabar pagando caro por estar jogando com o russo assim, Camus vai matá-lo.

— Camus vai sair, eu o ouvi dizer a Aiolos e Shina sobre isso. O Milo não demonstrou, mas está com um medo danado de o francês ir embora. Hyoga me disse que ele quer muito voltar para a França para se livrar de tudo isso...

— Milo é outro que não sabe o que quer. Porque ele não casa logo com esse francês e vai embora com ele?! Escorpião difícil, tá há anos trabalhando nesse ruivo estranho e agora que tem vai deixar o outro ir embora assim.

— Você é cheio de conselhos amorosos para dar, porém eu sempre o vejo sozinho “Bello”. – Shun sorriu e olhou Afrodite de soslaio, o sueco riu de lado e o japonesinho viu a fachada aparente indiferente dele se desfazer aos poucos dando lugar a uma tristeza resignada.

— O amor é para aqueles que podem sentir de verdade Shun, eu sou apenas um observador atento.

— Nunca houve ninguém? – Shun o abraçou pelos ombros. Não acreditava que um homem tão bonito quanto Afrodite pudesse passar tanto tempo sem alguém, não se apaixonassem. Na sua infância crescera com Mascherani e Afrodite como casal referencia na família, em algum momento eles se separaram.

— Teve Ettore no passado. Mas como não se apaixonar por alguém que encarna o seu próprio salvador e tira você da prostituição? Ainda mais quando se é jovem e cheio de sonhos? — Afrodite tocou com os dedos longos o queixo de Shun.

— E por que...

— Éramos amantes e eu me sentia grato por tudo, estava deslumbrado e devoto a um homem que eu admirava. Mas amor eu só conheci com outra pessoa e quis o destino que fosse com a pessoa errada. – Afrodite desviou o olhar, não deveria estar contando aquelas coisas para Shun que já vivia tão triste pelos cantos – Há escolhas que temos de fazer Shun e nem sempre elas são fáceis de lidar. Entre o amor da minha vida e minha família eu escolhi a família, porque eu jamais permitiria que nossa família se prejudicasse.

Shun sem pensar muito abraçou Afrodite apertado e com carinho, entendendo o final da história. Nunca imaginou que Afrodite e Shura tivessem algo, talvez ninguém soubesse. Conseguia imaginar o que o sueco sentira ao perder aquele que amava, era sua dor também e agora os conselhos do médico ganhavam outro significado para Shun. Eram os conselhos de um sobrevivente.

— Eu sinto muito Dite. – se afastou apenas para olhar o rosto de Afrodite que permanecia sereno embora os olhos de água marinha estivessem tristes.

— Tudo bem querido, já passou. – o sueco deu um selinho na boquinha rosada como um afago tinha esse hábito com todos seus irmãos.

Shun retribuiu com outro, mais demorado e deixou Afrodite surpreso.

— Não faça isso Shun, irei decepcioná-lo.

— Não vai porque não há expectativas entre nós. Por que não cuidamos um do outro Dite? Você me parece tão sozinho e quem melhor do que eu para entender como dói perder alguém que se ama?

Afrodite acariciou o rosto alvo do japonesinho, ponderando a proposta dele. Será que Máscara teve o mesmo dilema que ele estava tendo agora? Nada era tão encantador e envolvente do que aquela franqueza desarmada de Shun, Afrodite já havia notado e talvez tenha sido aquilo que derrotara Mascherani em sua luta de resistir aquele menino.

— Também não quero ficar mais sozinho e ainda amo o Mask e você o Shura, mas eles não estão mais aqui.

— E porque eu? – Afrodite ergueu a sobrancelha.

— Porque eu não preciso procurar o Máscara em você! São completamente diferentes, não vou poder compará-los e o mesmo serve para você.

— Você é letal Shun. – Afrodite segurou o rosto do garoto olhando a boca rosada e bem feita — E desleal também — mas sorria ao inclinar-se para beijá-lo.

***

— Tudo está caminhando conforme o planejado e em breve não precisarão de um advogado com frequência, Aiolos e Shina são muito bons com os contratos e caso seja mesmo necessário, tenho uma excelente indicação. Conheço Dégel de longa data, é confiável.

— Pensei que soubesse separar as coisas Chateaubriand. – Ikki deixou o corpo apoiar-se na poltrona de couro olhando o ruivo.

— Eu sei, por isso não quero tocar mais no assunto com você. Precisamos ajustar essas novas clausulas que os sócios solicitaram, eu preciso me ausentar o resto da semana para resolver assuntos pessoais, mas prometo rever o contrato antes da próxima reunião.

— Camus eu já disse que você não precisa sair. Sobre eu e o Hyoga...

— Não há você e Hyoga! – Camus que estava arrumando seus papéis em sua pasta os largou para bater na mesa de mogno com força, perdendo a fleuma de vez ao ver Ikki insistir naquele assunto. Inclinou o corpo sobre a mesa até estar próximo do franco-japonês e seus olhos avermelhados crispavam tamanha era a sua ira – Acha que estou blefando quando digo que acabo com você caso não se afaste do meu filho?! Não me teste Amamiya! Você já fez muito mal a ele, não permitirei que faça de novo.

— Nunca fiz mal ao seu filho, o sequestro era apenas um blefe. Ele apenas...

— HYOGA TEVE UMA OVERDOSE! Podia ter morrido e você pensa exatamente como o seu pai, usar as pessoas a qualquer custo. Aprendeu uma bela lição com Mascherani que é manipular, mas não permitirei que manipule o Hyoga.

Milo e Aiolos permaneceram em silêncio entre o rompante do ruivo, Shina apertou os lábios esperando o que viria dali. O grego exultando ao ver o seu ruivo defender a cria com tanto ímpeto, acompanhara aqueles longos meses de reabilitação, a caçada à Radamanthys e da luta de Camus em revogar a medida restritiva e provar a paternidade real de Hyoga. Camus estava empenhado em resgatar o amor do filho e o tempo perdido com o garoto. Milo achava todo o esforço de Camus lindo e quase podia imaginar o pai amoroso que Camus era.

Lá estava ele imaginando Camus em um futuro inexistente. O francês em breve iria embora com o filho e Milo ficaria ali com a família, o que tinham não era forte o suficiente para o advogado incluir Milo em sua vida, pensava o grego. Principalmente porque Milo não deixaria a Família jamais.

— Revise o resto dos contratos com Aiolos, Dégel entrará em contato. – Camus se aprumou pegando a pasta e se preparando para sair.

— Você pode falar o que quiser Camus, mas não pode controlar o Hyoga nem o que ele quer ou o que eu sinto. Está tão preocupado comigo que esqueceu que há alguém que pode sim fazer muito mal ao loirinho, ainda mais do que imagina. – Camus voltou-se para aquele moleque debochado que achava poder brincar consigo para ele Ikki não passava de um moleque mesmo que fosse o novo chefe da Família. Ikki o fitava com um olhar carregado de cinismo – Fique com os olhos abertos Camus ou Wyvern pode lhe passar a perna de novo.

— Sabe onde ele está?

— Obvio. Acha que eu perderia alguém como O Juiz de vista?

— Porque não o entrega à polícia?

— Ainda não é o momento, a polícia saberá quando tivermos certeza! Estamos monitorando e ao contrário do que você pensa, eu não estou jogando com o Hyoga. – Ikki apertou os lábios e passou a mão nos cabelos num gesto cansado – Estou cuidando da segurança dele, eu me preocupo com tudo que possa acontecer com ele.

Aiolos e Milo trocaram um olhar ao ouvir as palavras sussurradas do líder da Família, nem Ikki se imaginaria tão sentimental. De certa forma Aiolos se sentia aliviado, era o grande motivador por trás das mudanças que Máscara sugeriu. Aiolos, assim como os gêmeos e Aldebaran, viu o inicio da Família e junto com os outros fez planos para um dia ter uma família sem crimes e forte que ajudava os mais necessitados. Não foram os rumos que tomaram e isso de certa forma o desapontava. Agora via enfim seus sonhos e de todos virar realidade, era quase uma redenção.

— Camus seja razoável, espere alguns dias até decidir definitivamente. – Aiolos interveio – Tenho tantas coisas ainda para acertar, queria discutir algumas diretrizes com você nos nossos novos projetos. Milo me deu muitas ideias que você ficaria surpreso.

— Vou precisar de pelo menos dois dias livre! – Camus cedeu depois de um momento ponderando, ainda não estava desistindo de sair da Família, mas pensava que precisava colocar tudo no lugar antes de deixar os negócios. – Preciso resolver a vida do Hyoga, a minha também.

— Espero que certo escorpião esteja incluindo nesses planos porque você não pode simplesmente fazer Milo se apaixonar e cair fora! – Ikki gracejou apoiando o cotovelo na mesa enquanto Aiolos e Shina riam Milo o olhou com uma expressão assassina – É verdade não diga que estou mentindo.

— Cala a boca Ikki!

Camus sorriu de lado, mas fitou Milo com intensidade e o grego desviou o olhar antes que Ikki falasse mais alguma coisa.

***

— Acho que você deveria esperar e ver o que acontece entre Hyoga e Ikki. Tenho uma boa intuição sobre esses dois. – Milo comentou na saída de Camus da mansão, acompanhava o francês até seu carro no pátio.

— Ah o famoso sexto sentido do escorpião. – Camus riu de lado – Vai me dizer que Ikki está agindo assim porque está apaixonado? Pelo Hyoga? Ele é só um garoto Milo.

— Ah os pais que não veem seus filhos crescerem! Você está subestimando o loirinho, ele não é mais um garoto se quer saber. – Milo mordeu o lábio olhando Camus de viés – Hyoga está lidando muito bem com Ikki se quer saber, o japonês está caidinho por ele! Eles vão acabar se entendendo mesmo que você não queira.

— Ah e não quero mesmo! Ele é um DOM, Hyoga tem os seus "problemas" – Camus suspirou cansado – Não acha que meu filho já tem coisas demais com que lidar?

— Camus você não pode trancar Hyoga em uma redoma. Dê uma chance a eles... – chegaram ao carro do francês que já o destrancava para ir embora – Como deu a nós.

— Sobre nós. Preciso conversar com você seriamente – o ruivo entrou no carro – Jantar hoje?

— Não precisa me levar pra jantar pra me dispensar Camus! – Milo revirou os olhos, mas por dentro sentia medo pela possibilidade de tudo terminar – O que tiver de falar fale, não tenho o dia todo.

— Pensei que você gostaria de um pedido formal, a luz de velas e vinho. Música de fundo... – Camus ligou o carro vendo a cara embasbacada do grego do lado de fora do carro – Você tem cara que é romântico, apesar do veneno. Desculpe achei que você queria casar comigo.

— Casar?! – quase um grito. Aldebaran e Aiolia que chegavam nesse momento olharam Milo que parecia catatônico ao lado de um carro esporte. Resolveram se aproximar do carro também e foi quando viram Camus.

— É Milo casar. Estou velho demais para ter casinhos.

— Você está pedindo ele em casamento? Mas assim de qualquer jeito? – ecoou Aldebaran espantado.

— Eu o convidei para jantar logo mais e ele me dispensou.

— Ele aceita! O jantar, casar, o que você quiser francês. – Aiolia deu uma tapa nos ombros de Milo que engasgou – O Milo não está podendo exigir muito não e se você o pedisse em casamento por sms, ele ia aceitar também porque é louco por você... Anda homem diz alguma coisa!

— Vai se foder Aiolia!

Os outros três homens gargalharam, Aiolia estava espantado de ver aquele ruivo carrancudo e sempre sério rir daquela maneira.

— Às sete na minha casa escorpião. – Camus ligou o carro e deixou que seus dedos acariciassem a mão de Milo que repousava na janela – Para o pedido formal, farei um jantar romântico como merece. Não me decepcione não indo e pode levar seus irmãos, afinal é um pedido de casamento.

Camus saiu com o carro e Milo ainda ficou parado olhando tudo tão chocado, que ele não conseguia fazer nada além de ficar paralisado enquanto sua mente frenética pensava em todas as maneiras daquilo ser verdade. Camus estava pedindo-o em casamento!

— Milo você vai casar! – foi Aldebaran que o retirou do torpor ao erguê-lo do chão e Aiolia começar a gritar que ele ia casar para todos na Mansão ouvir.