Notas iniciais
OIIIEEE ALGUÉM AÍ Na verdade eu estou chorando, estou postando esse caps, mas confesso que queria estar postando dois pq o próximo vai ser onde o bicho começa a pegar, esse é mais introdutório. Desculpa a demora, lá vai e eu amo vocês e todo o carinho que ando recebendo.

*Dia anterior

Assim que soube da notícia do tiroteio Shun correu para a delegacia central para ver pessoalmente o caos que se instalou lá, chegou a tempo de ver a retirada dos últimos corpos, dentre eles o de Máscara da Morte. O jovem sentiu seu coração se estilhaçar e uma fúria muda se apossar dele.

Ficou ali a espreita na esperança de ver algo mais que lhe indicasse o próximo passo e sua recompensa foi ver Aiacos de Garuda passar em frente à delegacia explodida, para averiguar pessoalmente se a missão foi concluída. Não era um membro ligado à Hades conhecido da policia, mas era da Família e Shun tinha seu rosto gravado em sua mente. Seguiu Aiacos de longe de moto, sem ser notado e isso o levou para os limites da cidade, no cais onde o nepalês pegou um barco que o levou pelo Mediterrâneo pela noite inteira até a ilha de Chipre, ao sul da Turquia. Se infiltrar no barco foi mais fácil do que Shun imaginava e franzino e pequeno como era, passou sem ser notado se escondendo em um dos porões do barco luxuoso que levou o japonesinho até Hades...

Shun andava pela multidão no aeroporto de Milão esperando o embarque do vôo para Atenas, depois de tudo resolvido só precisou de alguns telefonemas para conseguir dinheiro e passagem aérea para voltar para casa. Resolveu que passaria por Milão a terra natal de seu amor ao invés de seguir logo para Atenas e chegar a tempo do enterro, ver aquele caixão e constatar que não havia volta. Seria doloroso demais e Shun se recusava.

***

O sol lançava seus primeiros raios sob as onze pessoas reunidas em volta da cova aberta embaixo da macieira na parte norte do terreno da Mansão. Todos vestiam ternos negros, até Pandora e Shina. O da alemã moldava o corpo delgado e ela não usava nada além dele no corpo, a abertura mostrando a pele de alabastro e uma pequena parte dos seios pequenos, o cabelo amarrado em um rabo de cavalo alto. Shina vestia uma blusa de cetim verde com o seu. Ikki, Aldebaran e Aiolos estavam totalmente de negro. Kanon era o único que destoava do resto com as suas bandagens e curativos, mas ele fizera questão de comparecer ao enterro.

O Padre fazia as últimas preces enquanto Ikki olhava em volta na esperança de que Shun aparecesse. Ainda adiou o enterro o quanto pode e apesar dos problemas não hesitou em procurar o irmão. No dia anterior tiveram a noticia que Hades fora encontrado morto em uma casa na ilha de Chipre.

Não havia dúvidas que Shun era o responsável por isso.

E então na última prece do padre quando os homens começavam a jogar terra na cova Ikki viu a sombra do irmão ao longe e o Amamiya mais velho pediu que parassem, os outros acompanharam seu olhar e Afrodite arquejou em alivio por finalmente estar vendo Shun. Fora para ele que o mais novo ligara e o sueco estava em desespero por não saber ao certo se o virginiano voltaria para casa.

Shun se aproximou aos poucos, vestia-se a rigor e parecia um jovem italianinho com seu terno bem cortado de risca de giz e gravata branca sobre a blusa de cetim negro. O mais jovem da Família jogou suas correntes dentro da cova soluçando forte, Ikki fez sinal para os coveiros voltarem a encher o buraco de terra enquanto Pandora e Afrodite se acercavam de Shun. Todos estavam emocionados e aliviados por Shun ter voltado para casa, mas Ikki não fez qualquer gesto de ternura para o irmão continuando impassível durante todo o tempo até que a cova foi coberta com terra e os outros começaram a se dispersar. Menos ele e Shun.

— Ele aprovaria se estivesse aqui. Não adianta me recriminar foi justiça! Você ia acabar fazendo a mesma coisa. – Shun limpou as lágrimas com as costas das mãos, Ikki se aproximou calmamente do mais novo – Ele era um covarde Ikki! Hades merecia!

— Mascherani jamais ia permitir que você sujasse suas mãos dessa maneira, isso ele nunca ia querer eu tenho certeza. Você se precipitou e acabou arruinando os planos do Ettore com a sua impulsividade, ele queria que pelo menos você tivesse a consciência limpa e nenhuma morte nas costas Shun.

— Ele se foi Ikki!Eu morri com ele... – Shun se jogou sobre Ikki que o apertou forte contra si, doía em si o sofrimento do irmão e tinha prometido ao pai que cuidaria dele.

— Não! Você vai viver, por ele e por você. Tem que dar essa última alegria a ele foi seu último pedido.

Shun chorou mais forte, parecia que aquela dor nunca passaria.

***

Hyoga abriu os olhos para encontrar o olhar aflito do “padrinho” sobre si, estava em um quarto de hospital pelo que podia ver.

— Dieu merci, il est réveillé ! – sussurrou Camus acariciando as mãos geladas do filho. (* graças a deus ele acordou!)

Assim que pôs os olhos no filho na Mansão exigiu que Hyoga fosse transferido para um hospital no mesmo dia. O russo estava internado há uma semana em que sua vida oscilou perigosamente em uma série de complicações e síndromes de abstinência, para os médicos a recuperação do garoto beirava o milagre, mas ainda havia muito a ser feito.

— Camus! – murmurou Hyoga com dificuldade, sentando-se para abraçar o “padrinho”, estava fraco e ter um rosto conhecido junto de si era quase um alivio – Você... Como conseguiu? Onde está meu pai?

A menção do Juiz Camus se retesou e devagar se afastou para olhar o filho. Hyoga percebeu a atitude de cólera fria que o francês adotou assim que o ouviu perguntar do pai, mas precisava saber dele e como fora para sair do cativeiro. Era claro que Camus estava envolvido nisso, mas precisava de explicações.

— Radamanthys é um foragido da policia nesse momento e ainda não o localizaram em lugar nenhum, há dias que fugiu e deixou você para morrer nas mãos da Família! – para provar suas palavras Camus pegou seu celular e abriu no navegador, diversas noticias falando sobre o escândalo no judiciário envolvendo o Juiz Wyvern.

— Sei que ainda está fraco e confuso, mas leia atentamente essas manchetes porque precisamos conversar antes que você vá para a clínica de reabilitação e será uma conversa longa.

— Clinica?Então você... – Hyoga baixou os olhos, a vergonha o inundando! Camus descobrira sobre o vício e agora devia estar muito decepcionado com ele, isso o entristecia tanto quanto se fosse com o pai.

— Leia, vou chamar uma enfermeira para vê-lo.

Uma semana depois Hyoga entrava em uma clinica de reabilitação e Camus afirmava seu laço com A Família. Graças a Ikki e seus inúmeros contatos o advogado conseguiu agilizar o processo de retomada da guarda de Hyoga e a liberação dos bens que compunham a herança do russinho, tendo meios de custear o melhor tratamento para o garoto. Enquanto se desdobrava com os novos negócios da Família, Camus retomava as rédeas da própria vida.

— Uma bela casa, um bairro bom e seguro. Tenho ótimas referencias a respeito da segurança do condomínio, embora eu ache que vocês estariam melhores na Mansão.

— Agradeço a oferta Milo, mas declino do convite. Non quero Hyoga no meio da Família e como acha que ele vai lidar com o fato de morar em um lugar que foi seu cativeiro por um tempo? – Camus torceu os lábios de coração em desagrado. Milo apenas riu de lado ainda andando pela bela e espaçosa sala de estar da casa nova do francês.

— Alguma notícia do Juiz?

— Nenhuma, mas estou atento. – Camus andou até a varanda abrindo as portas de correr para deixara brisa entrar, a vista era um belo jardim de rosas e trepadeiras que emprestavam uma sombra refrescante a casa.

Milo observou o perfil do ruivo emoldurado pelo sol do entardecer, os cabelos rubros que pareciam uma cascata de vinho. Eram impressionantes como devia ser o corpo por baixo daquele terno claro bem cortado, o grego se pegou mais de uma vez imaginando como seria a textura daquela pele de alabastro.

Camus estranhou o silencio de Milo e se virou para olhá-lo deparando-se com o olhar faminto do grego sobre si, não era a primeira vez e ainda o desconcertava como se assim fosse. Haviam trocado um beijo na noite em que Milo o vira chorar,na ocasião ele estava fragilizado em seu desespero em saber que o filho era um viciado em cocaína. Todavia Camus nunca esquecera aquele beijo.

— Não vai me mostrar seu quarto? – perguntou Milo com os olhos fixos no outro, a voz grave e rouca não escondia a segunda intenção por trás da pergunta.

— Eu mesmo ainda non o vi.

— Então o que estamos esperando?

Sem esperar a resposta do ruivo, Milo subiu as escadas indo em direção aos quartos. Por dedução acabou no quarto no fim do corredor que era o maior e mais bonito, logo imaginou que fosse o quarto de Camus e ao ver as malas dele lá seu sorriso era triunfante. O quarto era elegante e sóbrio como o dono, a king size no centro do cômodo acendia-lhe o sangue.

Ao chegar ao quarto Camus não encontrou Milo e parou um segundo na frente da cama, olhando para os lados para verse o grego estava por perto. E então sentiu a respiração do outro na sua nuca, Milo tomara o cuidado de seu corpo não encostar-se a Camus embora a proximidade fosse máxima.

— Parece aconchegante. – sussurrou no ouvido do francês. Era torturante aquele jogo de sedução, mas queria que Camus pedisse.

— Você gosta de provocar escorpião, depois non diga que não avisei. – a voz de Camus estava tão grave e profunda que Milo sentiu todos os pelos de seu corpo se arrepiar – Tem certeza que é isso que quer? Vous ne pouvez pas tomber en amour grec !(Não pode se apaixonar grego!)

— Não seja presunçoso a esse ponto, nem é como se você fosse tão irresistível assim. – Milo colou os corpos e contradizendo suas palavras a ereção despontava dolorida contra as nádegas do francês.

— Quer pagar pra ver grec?

Milo virou Camus e tomou a boca do francês na sua, a língua já pedindo passagem pelos lábios de coração para provar o gosto que nunca se esquecera desde o beijo angustiado que trocaram. Era um beijo voraz que tinha, sobretudo o objetivo de minar a resistência do ruivo, tudo que Milo queria era que Camus pensasse nele, apenas nele!

O grego desceu os lábios pelo pescoço do ruivo enquanto as mãos puxavam para os lados a camisa social clara fazendo os botões voarem, o francês enveredou as mãos pelos cachos dourados jogando a cabeça para trás e gemendo, perdendo-se no ardor que aquela boca libidinosa lhe provocava.

Um gemido ecoou pelo quarto quando Camus sentiu a boca de Milo cobrir seu membro até o meio enquanto os dedos habilidosos do outro escavavam e massageavam as bolas, por fim teve de se apoiar nos ombros largos do grego porque suas pernas viraram uma gelatina. Milo segurou Camus no lugar e continuou a felação intensa, indo e vindo sobre o membro túrgido do ruivo e exultando com os gemidos dele.

Camus afastou Milo, não poderiam continuar assim ou ele rápido chegaria ao ápice, ele mesmo também queria sua oportunidade de provar o grego. O francês empurrou o grego na cama e em seguida começou a tirar a roupa, Milo o imitou rapidamente ofegante e ansioso pelo que estaria por vir.

Com uma lentidão torturante na opinião de Milo, Camus se deitou sobre ele e o beijou, devagar e com carinho aproveitando para explorar a maciês dos lábios carnudos e o calor da boca aveludada. Milo deixou-se levar por aquela tranqüilidade sedutora, sentia as mãos de Camus pelo seu corpo tocando e massageando lentamente, acendendo pontos de prazer em seu corpo já excitado. Logo Milo era uma chama viva de desejo sob as mãos e lábios de Camus.

Depois de explorar todo o belo corpo abaixo de si Camus se encaixou entre as pernas de Milo e olhando-o nos olhos começou a prepará-lo para recebê-lo, antes encaixou a camisinha no membro ereto. O ruivo inclinou a cabeça para beijar o pescoço de Milo e os fios rubros se misturaram aos anéis dourados espalhados na cama, a impressão era que havia uma labareda de fogo sobre os lençóis de seda. E assim como uma fogueira que começa com brasas tímidas, a penetração se deu lenta e tranquila com o mínimo de dor, Milo segurou nos braços fortes de Camus e fechou os olhos mordendo os lábios quando sentiu o francês o invadir. O prazer começou a crescer e se expandir nos corpos que se movimentavam cada vez mais exigentes e vorazes até que o ápice veio como uma explosão de fogos de artifício! Tão forte e arrasador que Milo se arqueou na cama segurando Camus pelas nádegas tão forte que os dedos deixaram marcas na carne branca, seu prazer se derramando entre os corpos. Camus grunhiu e se derramou dentro de Milo se deixando cair em seguida sobre o grego quase desfalecido.

— Você parece acabado Milo. – comentou o francês com deboche quando se recuperou o suficiente para se retirar de dentro do amante, tratando de se livrar da camisinha também e jogá-la na lixeira ao lado da cama.

— Cinco minutos francês e você vai ver quem está acabado. – Milo falou um murmúrio e Camus apenas sorriu.

— Você é muito competitivo.

— Cinco minutos e Camus você vai ver.

***

Alguns dias depois.

— Essas reuniões são entediantes.

— Acostume-se Amamiya, é assim trabalhar com gente honesta. – Camus arrumou seus papéis e o notebook. Estavam em uma reunião na recém adquirida empresa de logística representando A Família, além deles estavam Aiolos e Shina.

— Agora que estamos sozinhos, em família. Como vai o Hyoga Camus?

Camus olhou para Ikki de esguelha que continuava a bater a caneta de forma despreocupada sobre os papéis na mesa, sem olhar o ruivo.

— Está bem.

— Prestes a receber alta, certo? – Ikki riu de lado à cara de espanto do francês que ia retrucar, mas o moreno não deu chance continuando a falar – Ora Camus, você é da família agora, então é normal que nós cuidemos uns dos outros. Não do modo como Milo cuida de você, vá lá... – Shina e Aiolos riram e Camus ruborizou fechando a cara – Mas ainda sim cuidamos então como um bom irmão e alguém atento. Sugiro que tome cuidado.

— Radamanthys?

— Está de volta a cidade e sabemos quem veio procurar ou não sabemos?

Chateaubriand trincou o queixo ao ouvir aquilo. Estava atento era verdade, mas Ikki tinha meios de saber e ele não deixaria escapar Wyvern, ele ainda era uma ponta solta da operação “Padrone”. Isso significava eliminar Radamanthys uma vez que Aiacos fora morto junto com Hades e Minos preso, os gêmeos que trabalhavam para Hades também estavam na cadeia.

— Como disse antes, posso ajudá-lo Camus. É só permitir que alguém tome conta do loiro de mais perto, para ficar atento a qualquer aproximação de Wyvern.

— Contanto que não seja você ou Milo. – Camus fez uma careta.

— Milo já cuida de você ruivo. – Shina piscou para Aiolos – Acredito que Ikki está mais do que disposto a vigiar o seu russinho...

— Shina... – Aiolos alertou a morena que apenas deu de ombros.

— Shun está na escola, mesmo que não seja uma operação ele vai ficar atento ao Hyoga – Ikki cortou a conversa paralela – Depois em casa podemos cobrir a segurança.

— Eu farei isso.

— Como Camus? O garoto passa a maior parte do dia sozinho, não seja ingrato e deixe-me ajudá-lo.

— E deixar que use meu filho de isca? Já deve saber que não sou tolo Amamiya.

— Você tem que admitir que o Juíz espera apenas uma oportunidade, está claro que ele voltou pelo garoto. – Ikki deu de ombros.

— Estou atento. – Camus pegou a pasta e com um aceno de cabeça se despediu deixando a sala de reunião.

Ikki deixou-se largar um pouco na cadeira e afrouxou a gravata, olhando os outros dois que começavam a arrumar suas coisas.

— Bem teimoso o advogado. Como vai fazer para dobrá-lo?

— Nada Shina! Vou colocar a vigilância por minha conta e continuar a monitorar Pandora. Ela está freqüentando o Clube de Fetiches de novo e já deve saber que Wyvern está na cidade ou não se daria ao trabalho de ir lá, ele foi DOM para ela antes. Agora porque não nos disse?

— Acha que ela se tornou submissa dele outra vez? – Aiolos perguntou e pela cara de Ikki era óbvio que já lhe passara aquilo pela cabeça também. A idéia de que Pandora pudesse estar acobertando Radamanthys era absurda, mas nas atuais circunstancias uma mulher preterida podia fazer qualquer coisa.

— Quero cobertura completa na escola, na casa do francês e quero o Afrodite colado na Pandora. Se tem alguém que pode descobrir se ela está mentindo esse alguém é aquele sueco.

— Certo. – Aiolos como chefe de segurança da família assentiu.