Notas iniciais
Oiieee Gente obrigado pela receptividade da fic e queria agradecer os reviews ALERTA capítulo com cenas fortes, violência ENJOY

Mu Ngapoy acabava de sair do banho quando ouviu a campainha, soltou os cabelos do coque frouxo e vestiu apressadamente a camisa de linho longa e a cueca indo atender a porta. Àquela hora só poderia ser uma pessoa.

– Sempre atende a porta em trajes inapropriados Ngapoy? – o visitante indagou em sua voz de barítono, olhando o tibetano de cima abaixo, Mu apenas deu de ombros afastando-se para que ele entrasse.

Mu era jornalista de uma importante emissora de Atenas, recebera inúmeros prêmios por reportagens notórias. Apesar de ser tibetano de nascimento e preservar em sua vida muito de sua cultura original, o homem de cabelos claríssimos e duas pintas na testa amava a mãe Grécia como seu lar, pois lá estava a família que o acolheu e amou quando ninguém o fez. Quem o via agora bem sucedido, belo e de caráter tranquilo não imaginava a adolescência conturbada que tivera.

– Há essa hora só você faz visitas Aldebaran. – disse caminhando em direção ao quarto, voltaria ao seu ritual antes de dormir, era sagrado. Pegou a escova e começou a desembaraçar os cabelos longos e finos, para trançá-los em seguida com habilidade – Se está aqui é sinal que a operação começou. Quem é o traidor?

– Não viu o corpo dele nos jornais? Está em todo lugar.

Mu terminou o que fazia e enlaçou o homenzarrão pelo pescoço, precisou ficar na ponta dos pés para isso. Aldebaran não era chamado de O Touro, à toa.

– Trouxe instruções. – murmurou o gigante afundando o rosto na curva do pescoço macio do outro, aspirando o cheiro de banho recém-tomado e do sabonete de orquídeas. Mu era muito vaidoso.

– Depois, agora não. – Mu o puxou para um beijo, os lábios finos moldando os carnudos do brasileiro com perícia e carinho. Aldebaran estreitou o corpo delgado junto ao seu, precisava desse alento.

Ergueu Mu e este enlaçou sua cintura com as pernas longas enquanto se beijavam e iam em direção a cama, o tibetano se mantinha firme ao corpo do brasileiro. Caíram no colchão aos beijos e sorrisos, o corpo do lutador quase cobrindo o do jornalista.

– Ele era um traidor. Você não pode se culpar por causa de um traidor.

– O Mask disse que essa é nossa última operação. Quando tudo isso acabar, ele prometeu largar os negócios e colocar a Família dentro da lei. – Aldebaran acariciou o rosto alvo olhando aqueles lindos olhos esmeralda que amava tanto – Ele quer que Shun tenha uma chance de ser alguém de bem, que não tenha sangue nas mãos como nós. E não quer que Ikki acabe como ele.

– Ele está ficando o clone do Mask não? – Mu acomodou Aldebaran entre suas pernas, as mãos grandes do negociador acariciando as coxas macias – Máscara me disse isso também. Espero que ele cumpra porque eu não quero mais vê-lo assim Al! Não quero ver você se consumir em culpa sempre que tirar a vida de alguém.

Mu beijou Aldebaran de novo e por aquele momento os dois esqueceram seus problemas, suas culpas. Era no corpo de Mu que O Touro encontrava alento para o sentimento ruim que lhe assolava sempre que tinha que tirar uma vida, quando fazia aquelas coisas pela Família. Todavia era seu dever, para com a sua família, os seus que lhe eram tão caros.

***

Minos acordou com o risco de uma unha longa e negra na sua face, o cabelo platinado estava grudado nas costas suadas e empastadas de sangue. As mãos amarradas para trás evitavam qualquer movimento brusco, assim como os pés que estavam presos na cadeira.

Abriu os olhos e viu o sorriso tão belo quanto cruel de Afrodite a sua frente, o sueco estava vestido elegantemente em um terninho justo negro, os cabelos loiros em um rabo de cavalo alto. Um movimento ao lado e Minos percebeu que havia outra pessoa naquela sala mal iluminada. Era uma mulher.

– O que... O que significa isso?! – perguntou com dificuldades – Quem são vocês?

– Não é você que faz as perguntas aqui. – Pandora tomou a frente, o cabelo longo de azeviche estava trançado e um macacão de látex negro moldava o corpo belo – Vamos começar.

– Posso participar também? – Afrodite pediu com um sorriso inocente – Você não pode se divertir sozinha Pan.

– Tudo bem Afrodite. – Pandora abriu um estojo de couro com vários utensílios sobre uma bancada na parede – Gêmeos, quando quiserem.

"Pode prosseguir Pandora" uma voz ecoou pelo sistema de som da sala. No quarto contínuo Ikki acompanhado de Kanon e Saga, os gêmeos gregos que eram a ligação da Família na polícia.

– Voltem para a delegacia, quando tivermos a confissão do Griffon nós vamos liberar para o Mu fazer a matéria e em seguida liberar o Promotor na delegacia. Quero o Mask com vigilância vinte quatro horas Saga, sem falhas.

– Ele está na delegacia geral Ikki, mais protegido impossível! – Saga disse e Kanon assentiu.

– Quando começam os estouros dos pontos de drogas de Hades? – quis saber Kanon.

Saga e Kanon estavam na família desde sempre, junto com Mascarada Morte os Gêmeos construíram o que era hoje a maior facção da máfia em Atenas. Eram ladrões de ruas quando rapazotes, agora eram os donos daquela cidade.

– Está com os federais, pode ser a qualquer momento. O Dohko vai acionar vocês assim que a operação for montada na polícia federal.

– Vamos trabalhar com os Dragões na Federal? Desde quando? – Saga arqueou a sobrancelha para o meio-japonês.

– Quem quiser sobreviver nessa cidade sabe a quem deve se aliar. – Ikki bateu nos ombros dos companheiros – Estamos em guerra senhores. Agora é a hora de saber quem são nossos amigos e inimigos e nossos planos não pouparão ninguém.

***

Camus entrou em seu apartamento e nem teve tempo de fechar a porta, acabou com o corpo prensado contra ela por dois seguranças enormes.

– Onde ele está?! – a voz de Radamanthys ecoou na pequena sala – Sem subterfúgios Chateaubriand. Eu quero a verdade!

– Verdade sobre o que porra?! Qu'est-ce que tu racontes ? – Camus retrucou e os seguranças o bateram de novo na porta, sentia como se tivesse sendo esmagado. (*Do que você está falando?)

– O HYOGA CAMUS! ONDE ELE ESTÁ?! Sei que você está com aquele porco carcamano e que está defendendo ele. Mascherani pegou o Hyoga e você sabe onde ele está!

"Ele pegou o Hyoga" Camus sentiu o corpo fraquejar, só aquela frase ecoando na sua mente. "Não, pelos deuses não pode ser!" Em um esforço supremo ele conseguiu se desvencilhar de um dos seguranças e Radamanthys ordenou que eles o largassem. O advogado o fitou e havia tanto desespero no semblante do ruivo que o Juiz ficou confuso.

– Você deixou que o pegassem. O Colocou no meio cette merde Radamanthys?! – vociferou o ruivo, fazendo menção de partir pra cima do inglês, mas se refreou no meio do caminho. Camus passou a mão nos cabelos tentando controlar-se para pensar – O que eles querem? Non interessa! FAÇA! Seja lá qualquer coisa que queiram.

– Não posso! Se inocentar o "Padrone" quem perde a cabeça sou eu!

– Sabia. – Camus riu sarcástico – Você non liga! Tanto faz se Hyoga morrer, é até melhor!

– Ele é meu filho! EU O QUERO DE VOLTA! – Radamanthys estava desesperado e isso o francês percebeu, o que deixou Camus mudo de espanto. Então ele amava Hyoga de verdade? – Camus... Faça alguma coisa... Eu... Eu revogo a medida de restrição e você volta a ver o Hyoga, se você conseguir trazer ele são e salvo para casa.

–Non é tão simples. – mesmo em meio a sensação de triunfo ao ver Radamanthys se humilhando daquela maneira, a racionalidade de Camus funcionava a todo vapor –Hyoga morre se eles descobrirem que ele é meu filho, non seu. Sou apenas o advogado do Padrone, fui pago para cuidar do processo e só. Nem tenho contato direto com eles, Máscara só o vi na delegacia. – o que era uma grande mentira, mas seria ainda pior se revelasse sua ligação com a Família – É você que tem a vida dele nas mãos Radamanthys! Se você mandar o Máscara para o presídio federal, eles vão matá-lo. Ficou claro para mim espero que esteja para você.

***

Enquanto Camus e Radamanthys se encontravam em meio a um silêncio tenso, no outro lado da cidade, muito distante do centro, Hyoga acordava sentindo o corpo doer. A cabeça pesada por conta dos excessos tinha que parar, toda vez prometia isso a si mesmo em vão. Olhou em volta estranhando o lugar em que estava procurou por suas coisas, suas roupas e nada. Estava nu em cima de uma cama pequena em um quarto pequeno todo em branco. Não havia janelas, apenas um sistema de ventilação e estava frio. A última coisa que se lembrava era de Máscara e Shun trocando carícias a sua frente em uma cama enorme, agora estava ali sozinho e confuso.

– Meu pai vai me matar! – respirou fundo e enrolado no lençol começou a rodar pelo quarto a procura de suas coisas, seu celular. Havia apenas uma mesa no outro lado do quarto e mais nada! Onde diabos tinha se enfiado?!

Ouviu o barulho da porta e em seguida entraram Shina a "mãe" de Shun e o moreno que ele vira na Santuário.

– Que bom que acordou, achei que ia ter de levá-lo ao hospital. – Shina depositou a bandeja que trouxera sobre a mesa e em seguida jogou no loiro algumas roupas – Vamos vá lavar-se e depois vista isso e venha comer. Vai morrer de inanição se passar mais um dia dormindo apenas.

A italiana foi até uma porta e a abriu revelando um pequeno banheiro, também imaculadamente branco. Hyoga ficara parado sob o olhar atento de Ikki, que percebia o medo crescer no garoto enrolado no lençol.

– Venha, não seja tímido! Vai precisar de uma dose para se soltar loirinho? – e sorrindo Shina colocou um saquinho na mesa ao lado da bandeja de comida. Ao ver a droga Hyoga lambeu os lábios secos – Anda! Não tenho o dia todo.

– Depois disso poderei ir embora? Onde está o Shun senhora? Porque estou aqui?

– Benzinho você não é idiota então acho que já sabe que não vai poder sair daqui. — Shina cruzou os braços e se apoiou na parede, o corpo curvilíneo se destacando naquela brancura pela roupa escura que ela vestia – Faça o que a gente mandar e você vai ficar bem, terá até presentes como esse de novo.

Shina passou a mão sobre a bancada onde o saquinho com o pó branco estava, Hyoga olhou da mulher para a droga e segurou o crucifixo que usava no pescoço. "Por deus como é difícil!"

Começou a usar durante a doença da mãe, conseguiu as primeiras doses na escola com Isaak seu ex-namorado e muito antes de conhecer Shun. Na escola era tão fácil conseguir que parecia ser normal. O que diria Camus se soubesse?! Apesar da ordem restritiva se viam as escondidas na escola, amava o padrinho tanto quanto o pai e sabia que aquela confusão que permitira ao Juiz afastar Camus se resolveria. Camus jamais tentou nada com ele, o amava como um filho e Hyoga sabia.

– Se você ficar tranquilo nada acontece com você. – Ikki falou pela primeira vez desde que entrou no quarto, o tom era forte e rouco, a ameaça soando uma promessa.

– É por causa do meu pai? – Hyoga rebateu, era um adolescente e um tanto arrogante. Era a estrela de Radamanthys e tinha todas as suas vontades atendidas, isso o tornava um tanto irresponsável e tolo – Fale com ele! Ele pegará o que pedir, apenas faça.

– Estamos contando com isso garoto. – Ikki deu um meio sorriso frio – Agora vá lavar-se e faça o que Shina ordenou!

Hyoga estremeceu, mas não saiu do lugar então Ikki perdeu a paciência e ele mesmo pegou o loiro pelo braço arrastando para o pequeno banheiro, mesmo sob o esperneio do russo. A nudez de Hyoga foi exposta quando o lençol ficou pelo caminho e Ikki não deixou de percorrer com o olhar o corpo alvo e belo mesmo que ainda levemente marcado.

Quando jogou o adolescente embaixo do chuveiro continuou a olhá-lo detidamente, Hyoga permanecia olhando-o também em desafio.

– A sua habilidade com crianças me fascina. – Shina disse entrando no banheiro também e colocando algumas coisas na pia – Há shampoo e sabonete aqui, vou fazer a sua barba, apesar de que com essa cara de bebê loirinho nem vou ter muito trabalho. – a morena sorriu e abriu a navalha e mostrou ao rapaz – Sou ótima com lâminas benzinho, então nada de gracinhas.

– Não o aterrorize. – Ikki deixou o cômodo e Shina percebeu sua inquietação. Mas não disse nada, sabia que Ikki era frio e distante apenas por fora, por dentro ele sentia-se mal com aquelas coisas.

No corredor Aldebaran vinha em sua direção.

– Shun foi com a equipe entregar o pacote de Hades. Começou a descoberta dos pontos de drogas, é uma operação imensa. – falou o grandão acompanhando Ikki que continuava a andar – A confissão de Minos está na mão de Mu, vai sair na edição da noite do jornal principal. Estará em todos os jornais amanhã.

– Mu como sempre bem eficiente. Não haveria ninguém melhor para o serviço. Como ele está? – a expressão de Ikki se suavizou e Aldebaran sorriu meio sem graça – Ah grandão, sabe que não consegue disfarçar essa cara de bobo quando vai ver aquele ariano difícil.

– Ele é apenas uma pessoa complexa Ikki, não é difícil.

– Você está sendo legal. – eles riram saindo do complexo.

Hades via na televisão enorme da sua sala de TV seus pontos de distribuição de drogas e armas ser descobertos um a um, a polícia invadindo e prendendo seus homens, não houve tempo de salvar nada e livrar ninguém! Até Thanatos e Hypnos foram presos e se não fizesse algo, logo chegariam a ele. Não era possível! Tinha tudo nas mãos, tinha dinheiro e influência! O que poderia ter dado errado?

Ettore Mascherani óbvio.

Levantou a mesa jogando tudo sobre ela e a própria no chão, a raiva inflava seu temperamento sempre calmo e controlado. Ainda era absurdo que Mascherani estivesse fazendo sua jogada de dentro da prisão, a família tinha que estar desarticulada! Era uma mera quadrilha de rua, nada tinham de importante. Mascherani não era páreo para ele Hades Argelium.

Precisavam de uma resposta. Esperar por Radamanthys fora um erro, mas resolveria a vida daquele Juiz em breve, agora precisava remediar aquela crise e a única forma era tirar Mascherani definitivamente do caminho dele.

– Aiacos! – chamou o subordinado pelo celular – Eu quero aquele italiano morto! Nem que para isso seja preciso explodir aquela delegacia, mas faça! Quero a cabeça daquele carcamano até o fim da semana.