City of Angels
19 Capítulo 18
Notas iniciais

Eu nunca fui de acreditar em segundas chances. Sempre acreditei que a vida só te dava uma oportunidade para conquistar algo que você almeja, se você não aproveita no momento em que aparece... Você perde. Na primeira oportunidade que tive de dar o primeiro beijo em Felicity, eu dei. Na primeira oportunidade que tive de pedi-la em namoro, eu pedi. A primeira oportunidade de me casar com ela, eu casei. Mesmo depois de perdê-la, na primeira oportunidade que tive de conseguir algo melhor pra minha vida, de ter uma condição, eu mergulhei de cabeça. — Entendam, em nenhum momento eu disse que a minha forma de conseguir dinheiro era a forma certa. Mas mesmo assim foi a primeira que bateu em minha porta, e então eu a agarrei. Lutas em troca de uma condição melhor... Porque não, não é? — Eu nunca pensei que teria uma segunda chance com Felicity, eu acreditava que a oportunidade que tive de ficar com ela passou. Tive a oportunidade de escolher ir embora com ela e não o fiz. Nunca que eu ia imaginar que eu estaria com ela deitada em meus braços novamente. Talvez as segundas chances realmente existissem.
Ontem quando eu disse que a amava, eu nunca imaginei que ela diria “Eu sempre te amei, Oliver”. Essa frase mudava tudo. Eu não podia deixar ela ir embora de novo. Lutaríamos juntos e passaríamos por qualquer obstáculo. E dessa vez eu faria tudo certo.
O corpo inerte se remexeu em meus braços e eu a olhei. Abri um sorriso ao perceber que ela ainda franzia o cenho antes de acordar, acho que isso era algo que nem ela sabia que fazia. Felicity abriu os olhos e rapidamente se sentou assustada. O medo de que ela se arrependesse do que fizemos tomou conta de mim.
— Bom dia — falei com um pouco de receio a olhando.
Ela examinou o ambiente e depois me encarou.
— Bom dia — abriu um sorriso que me fez relaxar
— Me desculpa, só estranhei — deu uma risada
Estávamos no tatame da sala de arco e flecha da academia, não era um lugar onde as pessoas acordavam normalmente. Muito menos ela.
— Vem aqui — falei pegando em seu braço e ela veio deitar em meu peito.
Uma paz tomou conta de mim, a paz que eu precisava estava ali comigo.
— Precisamos ver nossa filha Oliver — ela falou esticando o rosto para me olhar. Eu simplesmente amava toda vez que Felicity dizia “nossa filha”.
— Essa hora ela ainda está dormindo — falei olhando o relógio da parede — E você pode dormir mais se quiser. Melanie está com a minha mãe e Thea.
— Como você sabe?
— Liguei pra elas depois que você pegou no sono.
— Ótimo! — falou se aconchegando em meu peito — Papai do ano!
— Sou sim — sorri
— Que bom, porque quando eu for... — a interrompi empurrando ela do meu peito e ficando sobre ela, selei nossos lábios e ela retribuiu
— Não vamos falar dos problemas agora, Felicity — falei depois que o beijo acabou — Somos só nós dois aqui, ok? — acariciei seu rosto
— Ok — falou abrindo um sorriso e capturando meus lábios novamente.
Ela prendeu suas pernas em minha cintura e penetrei nela lentamente ouvido-a arfar de prazer. Ela cravou as unhas em meu ombro e rosnei de prazer quando ela rebolou abaixou de mim. Capturei seus lábios estocando mais forte e ouvindo seus gemidos completamente sexy em meu ouvido.
Porra!
Ela gemendo daquele jeito me deixava ainda mais excitado.
— Oh, amor, isso! — ela falava enquanto mordia o lábio.
Beijei seu pescoço e desci para seu peito. Suguei, mordi, apertei. Ela gemia alto e eu estocava cada vez mais forte e fundo. Mudei de posição sem separar meu membro dela, colocando-a em cima de mim. Felicity cravou as unhas em meu peito e começou a rebolar lindamente em cima de mim.
Deus!
Essa mulher era a minha ruína.
Apertei sua bunda e a ergui, me movimentei embaixo dela estocando forte. Felicity jogou a cabeça para trás e gemeu alto antes de gozar e não demorou muito e eu me liberei dentro dela. Ela deixou seu corpo sair em cima do meu e me beijou.
— Obrigado — falei quando o beijo terminou
— Pelo o que?
— Por me amar de volta, Felicity — acariciei seu rosto
— Aprendi que por mais que eu fuja, o meu lugar é aqui — apontou para o meu peito, a direção do meu coração. — É aqui que eu tenho que estar, que eu preciso estar. — sorriu
— Não vou ter deixar fugir dos meus braços novamente, Srª Queen.
— Não há nenhum outro lugar onde eu queira estar, Sr Queen — beijou o meu nariz e se levantou — Aqui tem um chuveiro, não tem? — perguntou olhando em volta
— Não quer voltar a dormir? — perguntei me sentando
— Eu quero — falou se agachando na minha frente — Mas eu quero a minha filha. — assenti me levantando — Podemos dormir nos três — falou indo até uma porta e a abrindo — Vamos tomar um banho juntinhos — sorriu maliciosa — e buscar nossa filha, Sr Queen?
— Banho juntos? – sorri — Com certeza!
(...)
POV Felicity
Depois de mais uma rodada de sexo no banheiro da academia, eu e Oliver saímos para a casa dos Queen. Eu temia pelo fato dela ter dormido na casa dos avós, temia como Robert iria tratar a minha filha. Minha bebezinha não merecia ser tratada mal.
Oliver parou meu carro em frente à casa dos pais dele, era diferente da casa que eu me lembrava. Essa era mais bonita, maior. Demonstrava o quanto que os Queen cresceram. Aquela casa era a cara de Moira.
— Gostou? — ele perguntou saindo do carro e vindo abrir a porta para mim.
— Essa cara me lembra a sua mãe, com certeza — sorri saindo do carro
— Oh! Sim! — falou puxando minha cintura e subimos a escada que levada à varanda da casa — É a cara dela mesmo.
Subimos as escadas da varanda e Oliver abriu a porta com a chave dele. Entramos na casa e lá estava um silêncio total e as luzes desligadas.
— Acho que estão dormindo ainda — falei olhando ao redor, ele abriu um sorriso e pegou a minha mão me levanto para os fundos da casa. Passamos pela sala de jantar que tinha uma enorme porta de vidro e então eu ouvi os gritos felizes de Melanie, gritos que Oliver ouviu primeiro que eu. Ele abriu a porta de correr e demos de cara com uma enorme piscina, Moira estava deitada na cadeira de sol rústica, Thea e um homem que eu não conhecia brincavam de jogar Melanie de um lado para o outro na piscina.
— Vocês vão quebrar a minha filha — falou Oliver fingindo uma cara feia e recebendo a atenção de todos.
— Papai! — Melanie gritou se soltando dos braços do homem que eu não conhecia, mas acredito que seja namorado da Thea, e nadando até o pai que já a esperava na beira da piscina
— Só tem o papai aqui? — fiz beicinho para ela que me olhou culpada
— Depois que eu falasse com o papai, eu ia gritar mamãe — falou gritando a última palavra e todos riram.
Oliver pegou a menina, mesmo molhada, no colo e se levantou. Moira, Thea e Roy se aproximaram de nós.
— Querem tomar café, meus filhos? — Moira perguntou me abraçando e dando um beijo na bochecha do filho. — Vou lá dentro pegar um suco para vocês. — falou entrando na casa
— Estou morrendo de fome — Oliver falou se aproximando da mesa e pegando uma fruta
— Achei que tivesse comido a noite toda, maninho — Thea falou vindo me abraçar e eu ruborizei
— Comeu o que de noite papai? — Melanie perguntou inocente e eu lancei um olhar feio para Thea que apenas piscou
— Nada, meu amor, não liga para sua tia — Oliver disse indo sentar na cadeira para tomar café
— Lissy, quero te apresentar meu namorado — Thea puxou o braço do namorado que riu para mim
— Sou Roy Harper, Srª Queen — falou estendendo a mão e eu peguei apertando
— Senhora Queen é a Moira, pelo amor de Deus — falei rindo e ele assentiu — O chefe mandou todo mundo te chamar assim — disse apontado para Oliver que nos encarava com cara de travesso
— Seu chefe é um babaca — andei em direção à mesa e me sentei ao lado de Oliver e Melanie, Thea e Roy me acompanharam
— Onde está o papai? — Oliver perguntou
— O vovô foi ao mercado — Melanie disse como se fosse a coisa mais natural do mundo, e eu encarei Oliver receosa. Pelo visto Melanie tinha gostado do avô, eu não devia me preocupar.
— Ele se apaixonou pela neta no momento em que a olhou — Thea disse comendo pão de queijo — Melzita, vai lá pedir pra vovó trazer iogurte?
— Tá bom — a pequena assentiu e saiu correndo para dentro da casa — Ele não queria vê-lá, disse que era um golpe da Felicity pra conseguir os direitos que o dinheiro do meu irmão trazia, que tendo um filho, mais direitos Felicity teria.
— E porque trouxeram minha filha pra cá? — Oliver perguntou transtornado
— Porque ela pediu — Roy falou suspirando — Eu falei pra Thea não trazer ontem de noite, falei para dormirem na casa da Felicity
— Ela queria conhecer o avô, me desculpem — Thea olhou de Oliver para mim — Eu só fiz o que ela pediu e então o papai ficou sem palavras quando a viu — Thea sorriu — Foi lindo e mamãe chorou tanto. Ele disse que colocaram uma peruca loira em Oliver, ele abraçou a neta e fez questão de mostrar fotos da gente quando éramos pequenos. Ele até esqueceu que não gostava mais da Lissy
— Ele só tá se fazendo de turrão — Moira falou aparecendo com Melanie trazendo uma jarra de iogurte — A verdade é que Robert tem Felicity como uma filha e se Thea sumisse como ela sumiu, ele reagiria da mesma forma. — se sentou na cadeira vaga e Melanie veio para o meu colo
— Até que enfim lembrou que a mamãe existe — falei beijando-a e ela me abraçou enterrando a cabeça em meu pescoço — Eu não me importo com o que Robert diz, eu continuo amando-o como um pai, Moira
— Sei que sim, querida — ela riu
— Diga isso a ele quando se encontrarem e aquele coração de gelo se derretira
— Ela dirá — Oliver riu enchendo a boca de pão e sorrindo
Foi um sacrifício tirar Melanie da casa dos Queen quando o café da manhã acabou. Foi difícil, mas foi preciso. Prometemos voltar no jantar para que Robert e eu tivéssemos a tal conversa. Oliver tinha que ir pra academia e eu teria que resolver a minha vida. Muita coisa estava acontecendo pra eu ficar brincando de família feliz. E existia um risco real de eu ficar sem a minha família.
Eu precisava agir.
Eu corria o risco de ser presa, ou de ficar presa a um homem que eu demorei para ver o quanto era mesquinho.
Não tinha coragem de pedir demissão da Palmer Tech, essa empresa abriu horizontes para mim. O pai do Ray me deu oportunidades que ninguém jamais daria. Uma garota pobre, grávida e sem onde cair morta. Julius foi generoso, foi um pai para mim quando o meu próprio pai não sabia um terço do que estava acontecendo na minha vida. Porém agora me pergunto se cheguei onde cheguei por mérito próprio ou manipulação do Ray.
Nesse momento eu estava sentada na escrivaninha da sala do loft olhando minha filha brinca de Polly no tapete. Ali estava minha âncora, minha força, meu motivo pra fazer a coisa certa. Eu não podia deixar Melanie me ver sendo presa, mas também não podia deixar que ela convivesse com o Ray. Eu precisava achar uma saída, eu precisava achar uma solução. E meu coração sabia que a única forma era ceder a Ray e deixar minha filha com o pai. Mas eu não podia fazer isso, mas também não podia ser presa.
Eu tinha que pensar, tenho que achar uma solução.
Sai dos meus devaneios com Sara entrando sorridente no loft. Melanie pulou na madrinha que rodopiou com ela nos braços. Sorri diante da cena, minha filha não estava sozinha. Minha filha tinha uma família agora, uma família grande.
— Obrigada, Sara — falei quando ela se jogou no sofá
— Me sinto grata por ser útil — sorriu — Mas pelo que está agradecendo?
— Por ter brigado comigo e colocado Melanie na Liga — falei e ela ficou séria franzindo o cenho — Se não fosse por você, Melanie não conheceria a família dela, ela não teria tanta gente por ela — olhei para a menina alheia a nossa conversa — Eu posso ir embora e...
— Por muito tempo eu fiquei pensando que tinha feito a maior merda da minha vida e que você ia me odiar por isso.
— Não — me levantei e me sentei ao seu lado no sofá — Claro que não. — passei meus braços por seu ombro
— Se não fosse por você, eu não teria conhecido quem Ray é de verdade. Se Oliver não tivesse conhecido Melanie, eu ainda estaria presa ao meu ex-noivo. Obrigada por ter me dado o que eu precisava e não o que eu queria.
— Irmãs são pra essas coisas — piscou — E nós vamos arrumar um jeito de sair dessa, Lissy. Vai ficar tudo bem.
— Vai sim — falei tentando convencer a mim mesma — Mas me conta — mudei de assunto — Que sorrisinho bobo era esse quando você entrou aqui?
— Ah Felicity...
— Desembucha... — a empurrei de leve provocando
— Okay okay — suspirou — Eu conheci alguém — sorri abobalhado novamente
— Quem?
— Comecei umas aula na academia do Oliver e Nyssa me chamou para sair.
— Woow — falei surpresa — A filha do demônio!
— Ela não é igual o pai dela
— Claro que não – sorri me aconchegando no sofá – Nyssa é ótima!
— Eu sei – sorriu boba
— Trás ela aqui, vamos fazer um churrasco lá fora e você apresenta ela oficialmente.
— Tem certeza?
Quando eu ia responder a campainha tocou e Melanie saiu correndo para atender.
— Filha, não abre a porta sem ver quem é e... – tarde demais, ela já tinha aberto e eu estagnei ao ver quem era.
Ray estava lá parado com o seu maior sorriso sínico e junto dele tinha um buque com as minhas flores preferidas.
— Tio Ray? – minha filha falou confusa e Sara se levantou olhando feio para o moreno.
— O que você quer? – falei rosnando – Melanie vem pra cá.
A menina obedeceu e foi para o lado da madrinha.
— Você sabe que eu posso te prender por abuso, não sabe? – Sara rosnou
— Mas sobre qual acusação? – ele disse calmo – Pelo que eu saiba não existe nenhuma denuncia.
— Vai embora! – falei
— Meu amor – sorriu – Vim trazer o convite do nosso casamento, acho que você não vai querer vir aqui receber, então... – ele se abaixou e colocou o buque de orquídeas no chão e simplesmente deu as costas e foi embora.
Eu não consegui me mexer, Sara percebeu e foi até a porta fechando-a e recolhendo as flores. Ela tirou um cartão de dentro e leu em voz alta.
— “O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor... Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.” — deu uma pausa e me olhou, assenti para que continuasse – “Raymond Palmer e Felicity Smoak aguardam você para o dia tão esperado. Enfim o casal terá o seu para sempre. Será dia 1º de julho no Salão do Hotel Starling Palace às 19:00.” – ela arregalou os olhos – Ele deixou um recado a mão
— Leia.
— “Bom que compareça linda no vestido que te enviarei. Se não, já sabe as conseqüências. Venha sozinha.”
Um silencio pesado tomou conta da sala e minha cabeça apenas rodava no fato de que aquilo tudo era real. Eu só tinha duas opções. Eu precisava pensar em algo.
— Você vai casar mesmo com o Ray? – a voz embargada de Melanie tomou conta da sala e foi a minha vez de arregalar os olhos. Eu tinha esquecido que minha filha estava ali ouvindo tudo.
— Não – Sara respondeu – É só uma brincadeira de mau gosto, meu amor.
— Mas isso foi um convite – Melanie disse e Sara me olhou pedindo socorro
— O Ray não gostou que a mamãe terminou com ele – falei a primeira coisa que veio na minha cabeça – Esse seria o nosso convite, mas não vai ter mais nada. – andei até ela e a peguei no colo.
— Você promete?
— Sim. – falei querendo que esse “sim” fosse verdade.
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