Eu não sabia o que fazer, não sabia como me portar, não sabia o que fala. A única coisa que eu conseguia fazer era olhar Melanie adormecida naquela cama de hospital. Meu coração apertado pensando que eu poderia ter feito mais.

Sim, eu poderia ter feito mais!

Poderia ter acreditado em Felicity quando ela disse que estava grávida, poderia ter insistido em falar com ela em Ivy Town quando a vi no parque. E então Melanie poderia ter tido uma família de verdade, um pai que a amaria acima de qualquer coisa.

Era estranho olhar para ela e sentir meu coração se aquecer de uma forma acolhedora, um sentimento que eu nunca senti antes. Amor. Amor de pai para uma filha, amor que nasceu sem eu ao menos perceber.

Minha filha... Um pedaço do amor que eu e Felicity um dia sentimos um pelo outro.

Minha filha... A maior prova do meu maior erro.

Era estranho pensar que da noite para o dia eu virei pai. Um pai disposto a fazer qualquer coisa pela sua filha.

Felicity estava sentada na poltrona ao lado da filha. Eu estava em pé perto da janela encarando as duas. Melanie já recebia meu sangue. Donna e Sara chegaram desesperadas querendo saber da menina. Laurel, Tommy e John estava com elas nesse momento na sala de espera, todos esperando Melanie acordar.

Antes de doar o sangue eles fizeram uma bateria de exames em mim, já que eu havia me “cortado” com uma faca os médicos tinham ficado com medo de meu sangue estar infectado por algum tipo de bactéria – tétano, por exemplo – mas eu estava limpo e isso foi um alívio para todos.

Graças a Deus Melanie não precisava de transplante de medula, a doença dói detectada no inicio e Amanda disse que isso seria suficiente para um tratamento. Porém, se o caso se agravasse, eu estaria aqui para o que minha filha precisasse.

Ela passou a ser minha prioridade em apenas um dia, percebo agora o quão imprudente fui com lutas clandestinas. E se eu tivesse me infectado? Eu não poderia salvar minha filha.

Meus pais e Thea iriam pirar quando souberem...

Flash back on

— Ela não tem ninguém, ninguém. Ouviram? – me irritei

— Como pode ter tanta certeza, bigbro? – ela se levantou e olhou pra mim com um olhar questionador

— Vai se ferrar, Speedy!

— Ninguém fala mais isso hoje em dia – deu língua, apontei pra ela e ri

— Então vai se fu...

— Eeeeei – minha mãe gritou e rimos — E você – olhou para o meu pai – Para de ser rabugento e implicar com Felicity. Fico muito feliz em saber que pelo menos ela conseguiu cumprir o objetivo dela. Meu sonho agora é vocês dois se acertarem.

— Sim – Thea bateu palmas – Poder conviver com a minha sobrinha.

— Que? – perguntei confuso – Sobrinha?

— Vocês me darão uma sobrinha – sorriu amarelo – Isso que eu falei.

Flash back off

Thea já sabia! Como ela foi capaz de esconder de mim que eu tinha uma filha? Esconder da minha mãe que ela tinha uma neta. Como Thea foi capaz?

— Minha irmã sabia, não sabia? – indaguei sem pensar olhando para Felicity que estava debruçada sobre a maca e levantou a cabeça para me olhar. – Thea sabia Melanie. Como foi capaz de pedir que ela mentisse para mim. Para os meus pais. Você pediu que minha irmã me escondesse que sou pai

— Pai é quem cria, Oliver – sustentou meu olhar – E eu nunca contei nada, nunca pedi nada,

— Pai é quem cria? Como eu iria criá-la se não tive a oportunidade? – passei a mão na minha barba, puro sinal de irritação – Como minha irmã sabia?

— Eu sei lá, pergunte a ela – bufou – E você teve sim a oportunidade – ela se levantou andando em minha direção – Você quem não quis acreditar na existência dela. – alterou a voz – Isso não é culpa minha.

— Nada justifica o que você fez, Felicity.

— E o que você fez tem justificativa? – riu sem humor cruzando os braços – Sai daqui, Oliver

— Eu nunca mais vou sair de perto da minha filha – rosnei

— Vai sim, Oliver – se aproximou – Sabe porque?

— Me diz.

— Porque Melanie não mora aqui, Melanie mora em Ivy Town. — provocou

Mas ela tinha razão, Melanie tinha uma vida em Ivy e não aqui em Starling, a único jeito de ter minha filha comigo era pedindo uma guarda compartilhada.

— Isso pode mudar – cruzei os braços – Você sabe, não sabe?

O olhar provocativo de Felicity mudou para desespero, desespero de perder a filha.

— Você não tira coragem de tirá-la de mim – falou com a voz embargada. Droga! Ela ia chorar. Já falei que odeio ver Felicity chorando?

— Você a tirou de mim primeiro – falei firme

— Oliver, ela é tudo que eu tenho – olhou para a filha dormindo e os olhos encheram de lágrimas. Eu não podia nem dizer que ela estava jogando sujo e forçando o choro, nunca contei a ela que seu choro me desestabilizava. Mas eu tinha que me manter firme, era minha filha na jogada.

—E eu não tinha nada, Felicity, até perceber que tinha uma filha.

— Você não pode tirar ela de mim – e com um soluço lágrimas começaram a rolar por seu rosto

Droga! Eu fiz ela chorar!

Fechei os olhos e suspirei, ia ser difícil. Muito difícil.

— Mamãe, porque está chorando? – uma vozinha fraca se mostrou presente. Felicity rapidamente correu até Melanie e a abraçou com força, eu apenas me aproximei cauteloso e lhe lancei meu melhor sorrido. – Oi, príncipe – a pequena falou

— Oi, princesa – acaricie seus cabelos loiros – Que belo susto você nos deu, ein!

— Filha, você está sentindo alguma coisa? – Felicity ainda chorava – Fiquei com tanto medo de te perder, meu amor, tanto, tanto – deu vários beijos no rosto da pequena

— Eu nunca vou te deixar, mamãe – Melanie acariciou o rosto da mãe

Olhei a cena em silencio, me sentia um intruso ali. Melanie nem ao menos sabia que eu era seu pai, e eu acredito que essa não seja a hora certa de contar. Ela ainda estava bem debilitada, ainda estava recebendo o meu sangue.

E vendo aquela cena eu percebi que se eu tirasse Melanie de Felicity, não seria só a mãe que iria sofrer.

Felicity se recompôs do choro e sorriu para a filha e depois apontou para a bolsa de sangue em formato de ursinho.

— Ta vendo isso aqui? – a menina seguiu o dedo da mãe e assentiu – Isso aqui é um liquido mágico que te fez melhorar, amor. Agora você tem que tomar todos os medicamentos que a mamãe der, e quando eu falar que é hora de comer algo...

— Tenho que te obedecer – interrompeu a mão e sorriu – Ta bom, eu não gostei do hospital não.

— Se não quiser voltar, terá que fazer tudo que a sua mãe falar. – falei

— Pode deixar – Melanie falou me olhando – Os príncipes são mágicos, o príncipe me salvou, não foi? – olhou para a mãe.

— Sim, meu amor – falou me olhando – Seu príncipe te salvou. – sustentei seu olhar por alguns segundos, fiquei perdido naquele mar azul.

Teve uma época da minha vida em que a minha maior felicidade era acordar e ver aquele par de olhos me encarando. Me encarando como Melanie me encarava nesse momento, como se eu fosse um super herói. Ela perdeu a guerra que nossos olhares travavam e encarou nossa filha, fiz o mesmo.

— Vou estar aqui pra te salvar sempre, minha princesa – me inclinei e beijei sua testa – Vou avisar aos outro que ela acordou.

— Chame a pediatra também – olhou para a bolsa de sangue – O liquido mágico está acabando – suspirou

Assenti e andei até a saída do quarto, antes de sair escutei elas conversando.

— O Senhor Merda está lá fora? – Melanie perguntou e eu ri baixinho.

— Melanie, é Merlyn! – Felicity repreendeu

— Merda é mais legal, mãe – a menina bufou

Essa garota realmente era a minha filha, não precisava de teste de DNA. Era só ver o quanto ela zoava o Tommy e iriam saber a resposta.

Fui até a bancada no corredor onde tinha uma enfermeira e avisei que o “líquido mágico” da Melanie estava acabando e que ela tinha acordado, a enfermeira rapidamente solicitou Amanda Waller ao quarto da pequena. Andei mais um pouco e encontrei um alvoroço na sala de espera. Minha mãe estava chorando abraçada a Thea. Laurel, Sara, Tommy, Donna e John olhavam para elas aflitos.

— O que está acontecendo? – perguntei encarando cada um ali

— Meu filho! – minha mãe veio até mim e me abraçou forte – Pensei que o pior tinha acontecido com você

— Comigo?

— Eu liguei pro Tommy mais cedo – Thea começou – Ele disse que estava com você e John no hospital e por telefone minha mãe perguntou como você estava, e o babaca do Tommy disse “Alem da facada, ele ta bem” – ela olhou feio para Tommy e fez uma imitação ridícula da voz dele

— Eu não falo assim – Tommy fez careta

— E quando chegamos aqui, perguntei por você a enfermeira e ela disse que você estava fazendo um transfusão de sangue, filho – minha mãe falou se recompondo – Eu só imaginava o pior

— Oliver, — Donna se aproximou — Não contamos sobre aquela situação. Você quem deve fazer isso. Então preferimos deixar elas assim. – olhou terna para a minha mãe – Desculpe.

— Não tem problema, Donna – coloquei a mão em seu ombro – Obrigado!

— O que está acontecendo? – Thea perguntou se aproximando

— Vocês podem ir encontrar Felicity, é o quarto 10 no final do corredor – apontei para a porta que dava para a ala de internação infantil – Ela já acordou.

Todos respiraram aliviados e seguiram para onde indiquei. Thea me olhou, e se tivéssemos em um desenho animado eu tenho certeza que uma lâmpada estaria acendendo em sua cabeça. Ela captava as coisas muito rápido.

— Felicity está internada? – mamãe perguntou olhando os outros sumirem pela porta

— Não, mãe – Thea tomou a frente – Essa é a ala infantil, Felicity não está ai. Sua neta que está.

— Eu queria contar para ela sabia, Speedy? – olhei feio pra minha irmã

— Você é muito lerdo, maninho, muito lerdo

— Ta! Mas o pai sou eu, eu tinha esse direito de contar pra minha mãe que ela é avó.

— Ollie...

— Cala a boca vocês dois! – minha mãe falou alto e uma médica que passava falou “shiu” para ela – Desculpe – pediu e olhou para mim e para Thea – Que história é essa de neta? Como assim internada? O que aconteceu? QUE NETA É ESSA?

— Vamos até a lanchonete – dei a mão para minha mãe e minha irmã e as reboquei até a rampa que levava a lanchonete do hospital.

(...)

— Bem feito, Oliver, bem feito — minha mãe se alterou depois de escutar sobre Melanie. Desde quando Felicity deixou escapar seu nome, até o momento em que a menina foi diagnosticada com anemia — Eu teria feito a mesma coisa!

— Mãe! Eu te falo que você tem uma neta de 6 anos, e que essa neta foi mantida escondida de nós por Felicity. E você ainda diz que teria feito o mesmo?

— Em partes sim. Ela contou a todos que estava grávida Oliver, você foi o primeiro a não acreditar

— É, você queria o que? — Thea falou — Queria que ela viesse até nós depois de meses pra mostrar que a barriga cresceu? Não é do feitio de Felicity se rebaixar

— E como você sabia que menina, Speedy? — perguntei me recordando da fala dela em casa no outro dia, ela bufou e fez casa de desentendida — Desembucha — ralhei

— Eu roubei uma correspondência dos Smoak, a correspondência telefônica, e procurei por ligações de Ivy Town. — sorriu arteira — Achei um número residencial e liguei. Uma menina atendeu e quando perguntei por Lissy ela disse “Mamãe é pra você”. Quando perguntei se era minha sobrinha, Felicity simplesmente desligou na minha cara. Foi óbvio demais.

— Por que não nos contou, querida? — mamãe perguntou

— Não era um segredo meu. — deu de ombros – Uma hora a verdade viria a tona, e eu já estava pronta para comprar passagens para lá.

— Você sempre puxou saco dela — fiz careta

— Para de ser um bebê chorão, Oliver — minha irmã falou

— Você sabia que eu tinha uma filha e não me contou.

— Você também sabia que tinha uma filha, Ollie, você só não quis acreditar.

— Vai ficar contra mim?

— Não é questão que estar contra você, maninho –cruzou os braços e se recostou na cadeira – A questão é que eu quero que você perceba que está tão errado quanto a Felicity.

— Ela nos avisou da gravidez, meu filho – mamãe tocou a minha mão – Nós que preferimos ser cegos. Julgamos ela por ter ido embora, mas ninguém se prontificou e ir vê-la

— Eu fui...

— Mas foi covarde – Thea pisou e dei o dedo pra ela

— Oliver, se comporta – minha irmã ralhou

— Eu acho que você e Felicity tem muito que conversar – minha mãe apertou a minha mão – Vocês ainda são casados, agora vocês tem uma filha. Quer ligação mais forte que essa? Essa menina pode ser a ponte para a reconciliação de vocês dois.

— Não seja cabeça dura, Ollie. Você ama Felicity. Lute por ela. – Thea falou colocando a mão em cima a mão da mamãe que já segurava a minha – Vocês podem ser uma família completa agora.

— Só tem um problema – suspirei

— Sim, eu ainda não conheço a minha neta, e quero vê-la. Saber como ela está.

— Não mãe, outro problema.

— Qual? – dessa vez foi Thea quem falou.

— Felicity está noiva, ela vai se casar.

— Olha pelo lado bom, maninho. – Thea sorriu arteira – Ela ainda não se casou e ele não está aqui.

— Reconquiste-a, meu filho. E em hipótese alguma fale de tirar a menina dela, isso a fará correr para a proteção do outro.

Abaixei a cabeça e suspirei.

— Ele já fez isso, mãe – Thea e olhou feio – Já falou de tirar a menina dela, não foi?

Eu simplesmente assenti e suspirei. Elas tinham razão, eu podia ter Felicity de volta, podia ter minha filha por perto. Ter minha família. As ações egoístas dela foram para se auto proteger, ela estava sozinha esse tempo todo e com uma criança para criar e eu passei esses anos todos agindo como um moleque que perdeu algo. Mas Felicity não era “algo”, ela era a mulher que eu amava e eu iria lutar por ela. E eu ia começar a fazer isso agora.

— Eu vou até lá e irei conversar com ela.

— Ah não! Primeiro eu quero conhecer a minha neta. – a mais velha falou se levantando

— Vamos! – me levantei – Apenas lembrem que ela ainda não me conhece como pai.

Saímos em direção ao quarto onde Melanie estava e do corredor conseguíamos ouvir Tommy falando e ela dando gargalhadas. Aquele som fez meu coração se aquecer de uma forma que eu nunca pensei ser possível.

Dei duas batidas na porta e a abri. Encontrei Felicity sentada na cama ao lado de Melanie que mexia em um celular, Laurel sentava aos pés da menina, Tommy em pé ao lado de seu mais novo amor, Donna estava na poltrona batendo fotos da neta, John não estava mais aqui e Sara estava mais afastada olhando para a afilhada com um semblante culpado. Assim que entrei no quarto Felicity me lançou um olhar mortal e depois seu semblante mudou quando viu Thea e minha mãe, ela simplesmente sorriu. O sorriso que ela sempre lançava pra mim todas as manhãs quando acordávamos juntos, seu sorriu de felicidade. Ela ficou feliz em ver mamãe e Speedy.

Pelo visto o problema dela era só comigo mesmo.

Minha mãe e Thea me empurraram e foram andando até a antiga nora e cunhada. Nada foi dito, elas apenas e abraçaram forte e falaram algo entre si que não deu para ouvir de onde eu estava, mas Melanie ouviu.

— O que você deu de presente pra ela, mãe? – falou franzindo o cenho, me aproximei de Melanie e sentei do outro lado vazio.

— Você, querida – minha mãe riu

— Mas você nem me conhece – olhou para Moira como se fosse a coisa mais óbvia

— Ela vieram para te conhecer, meu amor – Felicity para a filha e depois me olhou – Elas são a mãe e a irmã do Oliver.

Melanie sorriu encantada e acariciou o braço da avó.

— Então você é a rainha e ela – apontou para a Thea – é a princesa?

As três mulheres riram e então percebi que o quarto estava vazio, éramos apenas eu e as mulheres da minha vida.

— E a mamãe? – Felicity se fingiu e ofendida

— Mamãe, cada família tem uma rainha. Ela é a mãe, então ela é a rainha da família dela. – Melanie olhou pra mim – Você tem pai príncipe?

— Tenho. – sorri

— Viu? E o rei é o pai dele, mas é o rei da família dele. Você é a rainha da minha família mamãe. – todos gargalhamos e Melanie corou. Corar era um bom sinal no estado dela, ela estava falante e alegre. E eu ficava satisfeito em saber que eu fiz parte disso. – E quando meu pai chegar ele vai ser o rei, mamãe. – ela falou por fim, pegando novamente o celular e não encarou mais ninguém, seu semblante triste acabou com o pouco da sanidade que eu estava tento com aquela história toda.

O quarto ficou em silencio e eu simplesmente me levantei e sai.

— Oliver... – Felicity falou, mas ignorei.

— Eu falo com ele – Thea disse e não me preocupei em esperar, apenas andei em direção a rua.

Minha filha sentia falta de um pai, e eu estava aqui esse tempo todo. Felicity sabia onde me encontrar e ela preferiu deixar a filha sofrendo, preferia deixar uma outro pessoa preencher essa lacuna.

(...)

POV FELICITY

— Oliver ficou com raiva de mim? – Melanie perguntou olhando para mim com os olhos marejados. Odiei Oliver por ter ameaçado tirar milha filha de mim, agora odiei mais ainda por ter colocado lágrimas nos olhos da MINHA filha.

Não respondi a pergunta, apenas olhei para Moira que ainda encarava a porta por onde os filhos saíram. Mas as palavras da neta a fizeram despertar.

— Claro que não, querida – Moira riu e beijou o topo da cabeça dela – Oliver nunca ficaria com raiva de você

— Então porque ele saiu assim, ele quer ser rei também?

— Ele só está triste porque você está dodói – Moira falou po fim

— Não quero ver o príncipe triste, mamãe – choramingou

— Então terá que fazer tudo que a mamãe falar, ok? – ela assentiu – Quando for hora de comer, hora de tomar remédio, hora de dormir.

— Tudo bem, pode chamar o príncipe?

— Thea foi chamá-lo, Melanie – Moira falou

— Como você sabe meu nome? – ela franziu o cenho e olhou para Moira. Toda vez que essa menina franzi o cenho eu vejo Oliver na minha frente.

— Seu príncipe me contou – falou sorrindo

— Ele não me contou o seu e nem o da princesa.

— O meu nome é Moira Queen, e o da princesa é Thea.

— Queen? – ela franziu o cenho de novo e a mais velha riu encantada, provavelmente percebendo a mesma semelhança.

— Isso, menina esperta!

Eu tinha um carinho enorme por Moira e Thea. As duas sempre me ajudaram em momentos difíceis e nunca me deixaram de lado. Sofri pela falta delas em minha vida e eu tenho certeza que Melanie iria adorá-las. Quando perdi meu primeiro bebê, Moira me deu todo o apoio que eu precisava e Thea me paparicava o tempo todo.

Eu sabia que em nenhum momento as duas iriam me criticar pelo fato de ter escondido minha filha delas, eu sabia que elas me entendiam... O problema mesmo seria Robert. Ele era amável quando queria, mas minha mãe disse que depois que fui embora eu passei a ser odiada por ele. Eu tinha medo que esse ódio fosse transferido para a minha filha também.

— Meu nome todo é Melanie Anne Smoak sabia, rainha? – milha filha falou olhando para Moira e sorrindo. Moira me encarou por um segundo e então lágrimas brotaram em seus olhos.

— Obrigada, querida – me abraçou – Eu não poderia ser mais agradecida – retribui o abraço sorrindo

— O que aconteceu? – Melanie perguntou

— Seu nome é igual o meu, meu amor – Moira limpou as lágrimas – Moira Anne Dearden Queen

— Que legal! – ela bateu palmas ao mesmo tempo que batidas vinham da porta.

Por um momento meu coração se aqueceu em pensar que era Oliver, que ele tinha se acalmado e voltado para a filha. Então abri um sorriso e falei: — Entra!

— Deve ser o príncipe – Melanie sorriu olhando para a porta. E então apenas um braço vestido de terno apareceu segurando um canguru de pelúcia. Melanie odiava cangurus.

— Eu vim ver uma pequena que está doente – a pessoa tentou fazer uma voz ridícula e rapidamente enrijeci ao reconhecer a voz. Ray.

— Eu não gosto desse bicho, mamãe – Melanie falou me olhando

— Eu sei, meu amor – olhei dela para Moira e andei até a porta – Ray? – puxei a maçaneta e o vi sorrindo para mim. Sai do quarto e bati a porta. Ele me puxou para um abraço apertado.

— Não faz nem uma semana que eu estou sem te ver e já estou morrendo de saudades. – falou me soltando e beijando minha testa

— O que você está fazendo aqui? – perguntei impassível

— Nossa, amor, achei que estava com saudades de mim. – fingiu tristeza

— Eu estava – sorri – Só não...

— Só não esperava, eu sei – sorriu – Isso é a graça da surpresa.

— Só para te lembrar, Melanie odeia canguru – peguei o urso de pelúcia e sacudi.

— Porque isso a garota não gosta de mim, eu só erra – coçou a nuca.

— Um dia você acerta – lhe dei um selinho – Como sabia onde estávamos?

— Digamos que eu tenha rastreado seu telefone e encontrei sua mãe na recepção – suspirou e olhou pro pelúcia – De qualquer forma eu já estava trazendo esse canguru para Melanie.

Ele ter falado o nome da milha filha trouxe a tona de fato de Ray ter despistado Oliver quando ele foi a Ivy Town. Porque Ray fez isso? Se Ray já sabia que eu era casada, prque não me contou? Mas isso não era assunto para ser tratado em um corredor de hospital.

— Precisamos conversar, Ray. – suspirei

— Mas não aqui – falou se aproximando – Não agora – beijou meu nariz e eu já sabia o que vinha a seguir.

Ray selou nossos lábios para um beijo casto e cheio de saudades. Fechei meus olhos e me deixei levar por seu beijo.

(...)

POV OLIVER

Virei o corredor que dava para o quarto de Melanie e estagnei ao ver a cena em minha frente.

Felicity beijava Ray Palmer.

Conversei com Thea sobre me sentir mal com o fato de que não participei da vida da minha filha, sobre eu não ter dado ouvidos a Felicity quando ela disse sobre a gravidez.

Reconheci meu erro e Felicity só fugiu como um bicho acanhado e eu não fui até ela quando a vi em Ivy Town. Se eu tivesse falado com ela naquele dia, naquele dia que vi minha filha pela primeira vez nos braços de Laurel... Tudo seria diferente hoje.

Eu estava disposto a lutar por ela, pelas duas. Não só estava disposto como riria lutar. Reconheci a minha parcela de culpa nessa história e nessa história não tinha lugar para Ray.

Raymond tinha como seu trunfo um noivado apenas, eu tinha uma filha e um casamento legalizado.

Não sei o que deu em mim, mas quando percebi eu já estava andando até o casal e pigarreei e os dois me olharam.

— Atrapalho ou posso ir ver a minha filha?

Felicity me olhou em espantou por eu ter visto ela com Ray, Ray me olhou com espanto por ter me visto.

Felicity seria minha novamente, isso é uma certeza.

Notas finais
Outras fics: Em andamento - https://fanfiction.com.br/historia/748060/Dinastia/ Já concluída - https://fanfiction.com.br/historia/739373/Unidos_pelo_acaso/ Ray chatice Palmer chegou pra desestabilizar nossa paciência. Me digam... O que vocês acham que vai acontecer agora? Esse divórcio sai ou não? Oliver soca o Ray agora ou depois? Como Melanie vai reagir ao saber que o papai dela ta na área? Comenteeeeeeeeeeem! Recomendeeeeeeeeem!