City of Angels

1 Hope is Just a Sunrise Away


Notas iniciais
Espero que esteja bom para vocês!

Sentia-se em dúvida. Faria aquilo de fato ou ficaria hesitante para sempre? Poderia fazê-lo, terminar com tudo rapidamente, e limpar qualquer rastro que desce indícios de sua pausa lá. Suas mãos tremiam e suavam, suas pernas estavam bambas. Sentia o sangue esvaindo-se de sua face e a boca ficando seca.

Pronto. Havia decidido. Não pegaria seu lanche noturno. Permaneceu deitada em sua confortável cama, vendo os flocos de neves, tão suaves quanto açúcar descendo do céu, como um presente de divindade, e chegando a terra, posicionando-se perfeitamente entre um monte de neve.

Sakura então percebeu o quanto estivera sendo ridícula. Tentada a assaltar a cozinha, fazendo tanto escândalo por apenas uma fome passageira de meio de noite. Chegado a se levantar no meio na noite, em um frio de fazer os ossos tremerem, apenas por uma maçã. Uma mísera maçã.

Esfregou as têmporas. A mesma enxaqueca viera dar-lhe boa-noite. Não sabia mais o que fazer. Não chamaria suas irmãs, não queria perturbá-las, já que todas tinham muito que fazer no dia seguinte, elas não poderiam deixar seu tempo de sono necessário esvair-se por uma bobagem.

Também não chamaria seu pai. O coitado trabalhava o dia todo, sem o descanso digno. Ao menos, seu esforço fora plenamente recompensado. Rico, oh homem rico. Não sabia nem ao certo o que fazer com o DINHEIRO. Por isso três filhas.

Sakura contorceu-se desajeitadamente em sua cama macia. Sua cabeça parecia prestes a explodir. Gemidos saiam de sua boca, mesmo que contra sua vontade; desse jeito, acordaria todos na casa. Calou-se, mesmo que agora estivesse quase que irritada.

Não gostava de sofrer, muito menos sofrer em silêncio. Era o fardo horrível, ela sabia. Mas era o fardo que teria que carregar sozinha.

Cobriu o rosto com um travesseiro de plumas. Macio e cheiroso. Pena que isso não fosse o bastante para curá-la dessa enxaqueca horrenda. Pensou em qualquer coisa que a fizesse dormir. Qualquer coisa. Contar carneirinhos? Não, jamais funcionara antes. Por que agora? Lembrar-se das histórias dos livros que havia lido mais cedo? Isso normalmente a auxiliava a uma boa noite de sono.

Entreter-se com os personagens, imaginar seus finais, seus finais que guardaria apenas para si. Imaginar suas histórias, tudo antes de chegar a onde estavam, tudo detalhado, novamente, algo que reservaria apenas para si mesma. Ninguém precisava saber desse seu lado.

Bastava apenas sua natureza comum, uma doce garota, inteligente, na verdade, quase que superdotada. Cabelos fortemente nacarados, bonitos e cheirosos. Longos e completamente negros, como carvão. Mas eram brilhosos, lisos e tão perfeitos caindo com uma suavidade inacreditável sobre suas costas. Os lábios bem desenhados e róseos, como os lábios pertencentes às bonecas que alguns anos atrás preenchiam por completo seus aposentos. Uma pele tão clara e lisa que mais parecia porcelana. A porcelana chinesa, a mais fina, as mais alva, a mais cara e refinada de todas as porcelanas que já havia visto que destacavam os opulentes olhos de um verde como as folhas mais joviais das árvores em plena primavera, com as pequenas gotas de orvalho acumuladas como seu brilho no olhar afiado, destacando-se nos cílios, longos e grossos, chamando total atenção para seus olhos levemente diferenciados. Sempre questionando tudo, lendo e estudando. Era assim que era vista pela família e vizinhos.

Entretendo-se na trama de um dos melhores livros que já havia lido antes, caiu em um sono profundo, como uma falta de consciência, um desmaio. Tão suave e leve, assim como a neve que lá fora caía. Caía sem parar, e pelo resto da noite, essa seria sua única função.

Estava caída em um sono profundo e bom, queria ficar ali para sempre, repousada em sua deliciosa cama. E ficaria, ao menos, pelo resto da noite. Até uma voz perturbadora e aguda lançar-se como grito no breu da noite, fazendo-a quase saltar de sua cama. Seu coração estava acelerado, e sua respiração rapidamente tornou-se irregular. Aquele grito fora breve, horroroso, agudo e ao mesmo tempo rouco. Mesmo que com muito frio, levantou-se de sua cama, cobriu suas vestimentas com um roupão de seda branco e saiu de seu quarto.

Aquela voz apavorada manifestou-se na rua, e mesmo que Sakura fosse completamente corajosa, aquele grito arrepiou até sua alma. No corredor escuro, ouviu a porta do quarto de seu pai abrindo. Sabia que aquilo não acabaria bem. Seu pai era carinhoso com as filhas, tratava-as como jarros de vidro raros, mas quando algo o acordava de seu sono, o homem tornava-se o cão.

Ouviu os passos pesados do pai entre o corredor, e imediatamente se encolheu. Para sua sorte, sua irmã mais velha, Hinata, abriu a porta de seu quarto no mesmo instante.

Ao ver a mais nova, Hinata indagou.

– Que houve? – Perguntou a mais velha. Os cabelos anis e olhos de um alabastrino casto, profundo e marcante. Mais velha e alta que a outra, Hinata parecia realmente preocupada, enquanto seu pai parecia enraivecido com ambas, e Sakura, que apesar de em pânico por dentro, sua face era simplesmente inexpressiva.

– Vocês duas, o que fazem fora dos aposentos? – Perguntou o mais velho fitando-as.

– Oras, ouvimos o grito lá fora, o que esperava que fizéssemos? – Perguntou sarcasticamente fitando o pai com os intensos olhos verdes. O mais velho a olhou, questionando-se de onde a pequena tirou tanta ousadia. Percebendo que ultrapassou os limites, pediu desculpas em forma de murmúrio. – Desculpe.

Seu pai a ignorou, e perguntou a Hinata.

– Onde Ino está?

Ino, a irmã do meio. Em ordem de mais velha a mais nova, teríamos Hinata, Ino e finalmente, Sakura. Mesmo sendo a mais nova, com dezessete anos, era a mais madura do trio.

– Ino dormiu na casa da amiga hoje, esqueceu-se, querido pai? – Respondeu formalmente Hinata.

– Hum, é verdade. Eu vou lá embaixo ver o que aconteceu. Quero que fiquem aqui. Fui claro, Sakura? – Perguntou o homem, fitando a garota. Ela abaixou o olhar para suas mãos.

– Sim, papai.

Ele murmurou algo e desceu as escadas de madeira. As duas irmãs trocaram olhares e sorriram. Ambas correram para o quarto de Hinata, que tinha uma grande varanda que dava uma ampla vista para a rua de onde viera o grito. Em tão pouco tempo passado, já havia uma multidão em um círculo em comum. Hinata e Sakura tentaram olhar além das pessoas, mas era impossível. Elas formavam uma barreira impenetrável a olhares curiosos como os delas.

– Não vejo nada. E você? – Perguntou Hinata. Sakura balançou a cabeça.

– Nada.

Mesmo que neutra Sakura estava louca para gritar. Gritar como a mulher que acabara de gritar. Estava assustada, tantas pessoas lá, todas pálidas de medo. E se aquela mulher morreu? E se ali estivesse seu corpo? Talvez o simples pânico não fosse o bastante para descrevê-la naquele instante pavoroso.

Notas finais
Então? Gostaram? Se conseguir cinco comentários hoje já atualizo!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.