Cisne Branco (em Revisão)
3 Um novo começo
Notas iniciais
Dance.
Foi a primeira palavra que ouvi dizer na mente, de uma voz distinta, enquanto eu estava encolhida no chão cercada pela névoa. Não sabia se atendia ao pedido da misteriosa voz, ou, se eu continuava como estava e esperava a névoa se dissipar. Mas parecia que quanto mais eu relutava em fazer o que me pediam, mais espessa a névoa se tornava.
Dance, Nina, dance; a voz insistia para que eu dançasse.
– Para quê afinal de contas?
Dance.
Aquilo já estava me enchendo a paciência, e era bem difícil eu ficar estressada. Com certeza, deveria haver um motivo para essa "voz" querer que eu dançasse.
Levantei-me e dancei o prólogo do Lago do Cisnes até onde eu podia ir sem acompanhante, eu pude notar que durante a minha performance a névoa ia se dissipando.
Ahhh, então é dançando que a névoa some.
Me dediquei mais e mais em cada passo enquanto observava névoa sumir cada vez mais, até que...
Eu conseguia ver. Conseguia ver o que a névoa guardava.
Uma floresta um pouco fechada sem nenhum sinal de civilização. Parei de dançar e com cautela explorei o novo mundo a minha volta, mantendo minha mente alerta para qualquer coisa que pudesse representar perigo. Olhei para mim mesma e eu tinha mudado. O vestido da Rainha dos Cisnes continuava em mim, mas agora um casaco branco e quente me protegia do frio da floresta sombria, que parecia guardar segredos.
Vaguei por um bom tempo, a pouca luz do sol, marcava o chão aqui e ali, de resto a floresta ficava mergulhada em sombras. Depois de tanto andar esbarrei em uma pessoa. Uma mulher. Era uma jovem loira e de pele clara, seus olhos castanhos brilhantes, que possuíam pontos azuis, pareciam acompanhar o sorriso exposto em seus lábios.
– Olá — disse-me. — Tudo bem com você? Parece que está perdida — falou se aproximando de mim. De pronto, recuei. Não conhecia aquela mulher para confiar tanto assim.
– Quem é você? — perguntei tímida.
– Oh, onde estão minhas boas maneiras... Prazer, sou Odette — respondeu fazendo uma breve reverência. — E você quem é...?
Quem ela disse que era?, pensei. Ela não pode ser a Odette, pelo ao menos, não a Odette do Lago dos Cisnes.
– Ummm, s-sou Nina Sayers, m-muito prazer em conhecê-la Odette — falei retribuindo a reverência.
– O prazer é meu Nina. Você não é daqui, não é? — ela falou tocando meu ombro.
Sorri para ela, que não parecia estar tão espantada com a informação.
– Não, não sou — disse baixando o olhar.
Ela retribuiu o sorriso.
– Tudo bem, isso é normal por aqui.
– Como assim normal? – perguntei muito confusa.
– É que estamos acostumados a receber novos bailarinos e pessoas que amam e, se entregam à essa "peça" de tal maneira que quando morrem vêm para cá. Para a realidade onde o Lago dos Cisnes não tem fim, de certa forma. Óbvio que aqui é um tipo de outra dimensão. De tempos em tempos, revivemos o ballet, mas não fazemos isso tem um bom tempo, sabe... — ela faz uma careta engraçada. — Esse lance de reviver a peça, se é que você me entende.
– Acho que entendo — era estranho ouvir Odette falando daquele jeito tão informal.
– Venha, vamos arranjar uma casa para você.
–
–
–
Passado um determinado tempo, eu já tinha uma casa perto do palácio de Odette — que era uma princesa — e também um trabalho. Eu dançava. O que era uma coisa muito boa, porque era o que eu fazia de melhor . Imagina se me colocassem em uma cozinha, sinceramente... Fodeu, tudo pega fogo, porque tirando o básico... eu não sei cozinhar e eu, realmente, achava que devia aprender.
Odette e eu nos tornamos muito amigas e ela me mostrou as belezas de Heaven Plumes. Mostrou-me que aqui, havia alguns seres peculiares; como fadas, elfos, etc; ela me contava histórias sobre sua vida, me dizia sobre a névoa escolher apenas poucas pessoas para virem para cá. Me explicou que minha alma havia transcendido as barreiras da vida e fora atraída para esta dimensão. Minha alma vibrava numa frequência mais alta que a das pessoas da Terra. Eu estava além.
Diferente do que passei antes de chegar aqui, por todo o tormento de ser excluída, tachada de frágil, covarde, solitária, inflexível, entre muitas outras coisas. Agora eu tinha uma amiga, além de Lily. Odette era especial, assim como Lily, mas tinhas algo que minha antiga amiga não tinha. Pureza, fragilidade, inocência, eram umas dessas coisas. Eu tinha uma vida bastante feliz agora, havia me tornado conhecida, as pessoas falavam comigo, coisa que antes ninguém se dava ao trabalho de fazer, exceto poucas pessoas. O resto... bem praticamente não falavam mesmo.
– Nina — disse Odette em seu vestido lilás e envolvida em um casaquinho de veludo creme.
– Sim, o que foi? — falei deitando-me ao seu lado no jardim dos fundos de seu enorme palácio.
– Quero te convidar para sair.
– Hein? — eu iria passar pelo que supostamente passei com Lily novamente? Isso não podia estar acontecendo. — Sair? Para onde? O que você quer dizer com isso?
– Acalme-se! Sei o que você está pensando, mas não é nada disso - pronunciou tudo calmamente para o meu alívio. - É um baile no palácio de um amigo meu, o que você me diz? Combinado?
Pensei bastante. Um baile, parece ser bom distrair a mente. E a minha mente precisava de muito descanso. Assenti para Odette e pegando sua mão a levantei da grama andando em direção ao palácio, enquanto dizia alegremente:
– Combinado.
Não havia mais razão para timidez. Isso era algo que eu acabara de decidir.
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