Notas iniciais
Capítulo sete.
Nada a dizer, apenas aproveitem.

O séquito estava reunido. Meu séquito estava reunido. Quem nos vê não nota a diferença entre um e outro, mas nós sabemos quem é quem. Éramos quinze belos cisnes na luz da manhã, mas agora a noite já chagara e nós havíamos voltado a nossas formas humanas. Eu usava o mesmo vestido branco que Odette, quando esta entrou no bosque e as demais usavam o mesmo modelo de vestido só que em um tom branco azulado.

- Isso não é culpa de nenhuma de vocês — comecei a dizer.

- Como não é? — falou Melinda, a garota ruiva que Rothbart molestou. — Além do mais, quem é você?

- Sou Nina Sayers, e estou aqui substituindo minha amiga Odette como uma promessa que fizemos.

Todas me olharam e me reverenciaram, uma mesura perfeita. Pedi para que se levantassem e uma delas de cabelos pretos e olhos azuis disse.

- Mas nós devemos reverenciá-la, você é nossa Rainha. A propósito meu nome é Linda.

- Tudo bem Linda. Bem, como eu ia dizendo, não é culpa de ninguém estarmos aqui e, sim de Rothbart — elas tremeram ao ouvir o nome da besta em forma de homem. — Tenho um depoimento a fazer.

Olhei para cada um dos catorze rostos ali presentes, todos mostravam curiosidade pelo o que eu ia dizer. Mas não era nada que se pudesse comemorar.

- O Lago dos Cisnes não é o mesmo esse ano. Sei disso por que Odette foi ferida e como vocês todas sabem ela não é ferida na peça. Alguém queria matá-la e agora querem me matar, já queriam me matar antes mesmo de eu assumir o lugar dela. Particularmente eu achava que o príncipe era o culpado, mas ele não tenta matar Odette na história. Certo?

- Certo — todas disseram.

- Quem você acha que pode ser? — Mel, a outra garota que estava no castelo de Rothbart, perguntou. — Eu arriscaria Rothbart, mas ele não saiu do castelo, a não ser para jogar a maldição em Odette após o Baile de Inverno que também era o aniversário do príncipe Siegfried. Ah, esses dias antes de me amaldiçoar, ele estava tão estranho, forçando a mim a Melinda a fazer coisas inconcebíveis.

Por mais que doesse eu disse.

- Eu sei... Eu vi o que ele fez a vocês — falei apreensiva.

Mel me olhou abismada, mas nada falou.

- Concluindo — falei com um tom de voz mais sério -, vamos fazer a peça com a ciência de que ela pode ser constantemente alterada e... vamos, em segredo, procurar a fundo quem causou tudo isso.

------ Dois dias depois ------

O dia estava acabando e aos poucos nos transformamos em belas jovens novamentes. O que será que está nos esperando esta noite? andei com minhas pernas normais de humana, seguida pelo séquito de donzelas.

- É o seguinte. Durante esses dois dias que passaram aconteceu muita coisa, e reunimos muita informação. — Feliz com as descobertas falei. — Bem, sabemos que é alguém que não está no digamos "elenco" da história — fiz aspas no ar -, também sabemos que é alguém que odeia Odette e a mim, mas já descartamos Odile, afinal ela faz parte da história. Outra, é uma pessoa que inveja a minha amizade com Odette, vocês... suspeitam de alguém?

Não obtive respostas. Mas o rosto de todas me diziam que tinham um ou uma suspeito(a).

- Quem é? — perguntei em tom inquisitivo.

- Uma menina que morreu um pouco antes de você, mas ela é tão estranha... não gostou de ter vindo para cá, disse que queria fazer uma pessoa sofrer por ter tirado tudo dela, mas... Qual era o nome dela? — falou a menina de cabelos quase brancos, se apresentou como Lilian. — Meninas vocês lembram o nome dela?

- Beth — foi o que ouvi Mel dizer.

- É ela é definitivamente uma suspeita — falei séria. — Bem deixe-me ir, está quase na hora do meu segundo encontro com o príncipe. Adeus, até o amanhecer.

Em uma clareira distante do lago e o vi. Lindo como sempre, eu já sabia o que fazer e como uma presa anda calmamente pela floresta, andei os braços a minha frente a fim de me proteger, até que ele me viu. Correu em minha direção e tomou-me em seus braços.

- Olá Nina, quer dizer, Odette. — Ele sorriu, era óbvio que naquele lugar eu desempenhava o papel de Odette, e, modestia a parte eu era muito boa. — Não sabe quanto tempo esperei para te encontrar novamente.

- Eu sei. Também espero por este momento novamente sempre que ele acaba. Sieg... — Um pequeno espaço de dois centímetros separa nossos lábios.

Estamos quase nos beijando quando o céu começa a clarear e o primeiro raio da aurora começa a brilhar. A luz rosa me envolve, tenho pouco tempo como humana.

- Odette, prometa que você vai no Baile de Compromisso. Lá que terei que escolher uma esposa e quero que seja você. Daqui a três dias.

- Estarei lá meu amor, mas o faça acontecer a noite. Não durante a ma...

Eu voltei a ser um cisne. Droga. Ele me tocou na cabeça e beijou a ponta do meu bico e partiu. Partiu olhando para trás, querendo ter mais um momento a sós comigo.

Voei de volta ao lago. Todas as minhas companheiras formavam um círculo no lago, desci em espiral e pousei no centro do círculo de cabeça baixa. Mesmo na forma de cisne podíamos conversar normalmente.

- Então? — quis saber Lilian. — O que aconteceu?

- Ah, ele me convidou para o Baile do Compromisso daqui a três dias.

- Ohh. Temos que resolver esse mistério logo. Tivemos voado por toda a área da floresta e do bosque e vimos Beth tentando atrapalhar ainda mais a história. Sem dúvida foi ela que atirou as duas flechas na Odette. Ela carregava uma besta idêntica a do príncipe.

- Já sei o que vamos fazer. Vamos matá-la — falei normalmente.

- O quê? Não pode! — disse Melinda. — Sempre há um motivo para essa história se repitir. E eu acho que Beth que tem que aprender desse vez. Depois que ela aprender, ela pode escolher entre passar a eternidade aqui ou seguir para o paraíso, como muitos dizem.

Fomo para a margem do lago e fizemos muitas coisas como, fazer um plano para que Beth entendesse o motivo de estar aqui, entre outras coisas.

Estamos no caminho certo e, sei que vamos conseguir realizar a peça com perfeição, não importa quantos impecilhos estejam no nosso caminho.

Notas finais
Bem é isso espero que tenham gostado S2.