Notas iniciais
Tivemos algumas alterações de pessoas nas salas bjsss

Era um dia escaldante de verão, plenas duas e meia da tarde. Quem havia sido o ser completamente irracional que havia decidido que as aulas de educação física deveriam ser de tarde, logo depois do almoço? Sem contar que aquele calor do verão que complicava mais ainda tudo.

Era exatamente isso que passava pela cabeça de Isabela. Enquanto batia a bola de basquete se perguntava pela milésima vez quando que poderia enfim ir embora. Estava simplesmente tudo horrível! Tinha prova de matemática e física no dia seguinte, e estava perdendo seu tempo de estudo (e um pouco da sua saúde mental também) ali, jogando bola!

Começou a rebater ainda mais forte com uma careta, completamente frustrada.

—Isa, dá pra parar de dar chilique? — Júlia gritou, despertando-a. — É pra gente aprender a andar na quadra com a bola, e não descontar a raiva nela. Eu quero jogar também, dá licença.

Sem nenhuma resposta da amiga, tomou a bola e correu pela quadra, tentando rebatê-la sem derrubar. Isabela apenas a observou, sem saber muito o que fazer.

"Preciso de água" — Pensou, enfim. Caminhou até o bebedouro no canto da quadra e abaixou a cabeça para bebericar o jato que saia; finalmente alguma coisa gelada pra compensar aquele inferno terrestre que estava aquele dia. Sentiu alguém chegando e começar a esperar para beber também, mas pela primeira vez, não se importou com o outro. Passou mais meio minuto abaixada, aproveitando aquela sensação de refresco.

—Isabela, ainda vai demorar muito? — Ouviu uma voz atrás de si.

Deu um salto de imediato. Podia ser qualquer um dizendo isso, menos o Ciro.

—Ah, não, não! Desculpa. É que está muito calor. — Olhou para baixo, desconcertada. Ficou parada em frente ao bebedouro, estática.

—Então... você vai...? — Ele perguntou, um pouco sem jeito.

—V-vou sim, desculpe. — Gaguejou, ficando um pouco tonta.

Saiu andando rapidamente para próximo da arquibancada, voltando a olhar para o nada. O calor fervente a deixada extremamente cansada, porém pensativa. Pensou no que acabara de acontecer, e ficou um pouco aborrecida com seu susto, e a duvida continuou plantada na sua cabeça. Por que se sentia tão vulnerável na frente do Ciro? Por que aquela sensação de insegurança e desconforto vinha cada vez que ele se aproximava dela, nem que fosse para andar para outra direção? Aquele sentimento à deixava um tanto irritada; sabia que era algo irracional, infundado, mas algo dentro dela não a deixava evitar.

Por causa desses pensamentos e do calor, a sua tontura prosseguiu.

Ao seu lado, o professor apitou, chamando a atenção de todos.

—Pessoal, acho que vocês já estão suficientemente preparados para tentar um jogo experimental. Se dividam rapidamente em times, e se espalhem na quadra. Ao meu apito, vocês começam a jogar. — Bateu uma palma alta. — Vamos lá.

Os alunos começaram a se juntar em círculos, falando alto sobre seus times. Em alguns minutos, se dividiram e esperaram o apito do professor. Como desejado, ele deu o sinal estridente e a partida começou.

Isabela ficou próxima à cesta, correndo para os lados quando algum adversário se aproximava. Ela se focava mas se distanciava ao mesmo tempo. Calor. Sua visão ficava turva quase todos os segundos, a alta temperatura era demais. Muito calor. Não conseguia pensar direito, somente sabia que tinha um objetivo; proteger a cesta. Mas era pra proteger do quê mesmo? Era algo laranja, de fato. Muito quente... Tinha muita gente correndo atrás desse ponto laranja, aquilo devia ser importante. Aquela cor se aproximava mais, ficava mais detalhada. Ah, sim, é um bola. Uma bola que estava muito próxima, por sinal...

—Debroi, cuidado!

—Ahn?

Antes de saber o que estava acontecendo, esticou o braço a sua frente, para proteger-se e tentar agarrar a bola. Entretanto ela infortunadamente estava muito rápida, e os finos braços de Isabela não conseguiram conter a força que a atingiu. Gemeu de dor, curvando-se e caindo no chão, segurando o pulso firmemente.

—Você está bem? — O professor apitou, parando o jogo. Se aproximou da garota, impedindo com os largos braços que os colegas preocupados se aproximassem muito. Todos começaram a conversar alto, querendo saber quem havia lançado a bola com tamanha força.

—Sim, sim. — Isabela levantou o rosto, tentando forçar um sorriso, mas sem conter uma careta de dor.

—Consegue fazer isso? — Fez um gesto de rotação com o pulso, e ela acompanhou. Não doeu muito, o que era um bom sinal. — Ótimo. Vai se sentar um pouco na arquibancada, depois se você se sentir melhor, pode voltar a jogar.

Isso era o que ela definitivamente queria. Por um ínfimo momento, agradeceu por poder sair da partida. O calor, e agora, a sua dor, deixaram-na mais estonteada ainda. Enquanto cruzava a quadra, Gustavo se aproximou dela.

—Você tá bem mesmo, né Isabela? — Perguntou, sério.

—Ah, sim, estou. Tá doendo um pouco, mas estou. — Diminuiu o tom de voz, aproximando-se do amigo. — Graças a Deus consegui sair desse jogo, eu tô suando que nem um porco, não aguento mais ficar de pé.

Ele riu do comentário dela e a seguiu com o olhar enquanto ela se acomodava no banco. Ainda massageava o pulso, suspirando aliviada por a dor começar a passar; ia esperar diminuir mais um pouco para poder beber mais água.

Observou uma pequena roda de alunos que estavam na frente do professor, eles estavam aparentemente discutindo. Os outros estavam dispersos, conversando, enquanto o jogo não retomava. Alguns segundos se passaram, até um dos meninos que estava lá sair de perto, com uma expressão contrariada, indo em direção a ela. Na verdade, ao lugar ao lado dela. Sua visão demorou a perceber quem era, e quando percebeu, mais uma vez sentiu aquela sensação chata.

—O que aconteceu? — Ela questionou para Ciro, que se jogou no banco.

—Eu que lhe acertei. Desculpa. — Não dirigiu o olhar para ela. Estava se sentindo injustiçado; adorava jogar basquete, e quando enfim podia praticar esse esporte nas aulas de Educação Física, era expulso por falta. Também se sentia assim por perceber que claramente a colega não estava tão machucada como havia parecido, e saber que sua saída do jogo não tinha sido por muita coisa não ajudava.

O tom de voz que ele usou chateou-a um pouco; sentia que ele fora obrigado a dizer isso. Por que parecia que agora ele odiava ela? Não tinha feito nada, foi justamente o contrário! Ao pensar nisso, não o respondeu, deixando o pedido ao ar.

O jogo havia voltado sem que Isabela percebesse. Tentou acompanhar, mas estava tudo acontecendo tão rapidamente! Rápido demais para ela processar com o retardo mental que o calor lhe provocava. Ela simplesmente parou de tentar entender qualquer coisa, e continuou focando em reclamar internamente o quão quente aquele dia estava, ou chutar pela quantidade de gotas de suor na sua testa quantos graus estavam fazendo.

Para piorar tudo, seu rabo-de-cavalo começou a se desfazer. Ao notar isso, sua mente entrou em colapso. Tentou arrumar, puxando algumas mechas para firmar tudo novamente, mas guinchou de dor pelo pulso dolorido. Não se sabe se foi pelo barulho esquisito que ela fez ou se foi pela tentativa falha de arrumar o cabelo, mas Ciro olhou para ela e riu baixo.

—O que foi? — Ela perguntou, num tom de voz alto. Tinham muitos motivos para ela ficar irritada, e aquela risada de deboche virou mais um deles. O que aquele moleque via de engraçado na total desgraça alheia??

—Você parece estar precisando de ajuda. — Ele sorriu.

—Eu não estaria, se alguém não tivesse me acertado com uma bola de 2 quilos... — Falou baixinho, esperando que ele não escutasse.

—Eu ouvi isso! — Ciro forçou uma falsa voz de ofensa. — As bolas de basquete tem pouco mais de meio quilo pra sua informação.

—Ok... — Ela olhou para frente, completamente incomodada com seu penteado frouxo. Sabia que nada poderia fazer em relação a isso, e não era discutindo com ele que melhoraria sua situação.

—Olha pra lá. — Ele pediu, depois de alguns segundos de silêncio.

—O que?

—Vira pra lá logo!

Um tanto apreensiva, Isabela virou a cabeça para o lado contrário que estava; sentiu as mãos dele tocando seu prendedor, soltando todos os fios de vez. Os dedos dele puxaram os cabelos desde a raiz, e o toque desavisado dele a fez arrepiar um pouco. Rapidamente ele volveu os longos cachos dela em um rabo-de-cavalo mais forte que o que ela tinha feito antes, o que a fez ficar aliviada — a noção de que aquele momento estranho nunca voltaria a acontecer tão cedo era muito boa. Por uma coincidência maravilhosa, assim que Ciro soltou-a, uma rajada de vento fresco passou. Fechou os olhos e abriu os braços, sorrindo, curtindo aquela sensação de frescor por alguns segundos.

—Pronto. Tá melhor agora? — Ele perguntou.

—Sim, sim! — Isabela ficou tão mais leve pelo vento que tinha passado que não sentia mais aquela sensação de desconforto ao lado dele, muito menos aquela tontura de antes. — Obrigada! — Sorriu, profundamente agradecida.

—De nada. — Ele sorriu de volta, virando-se para continuar acompanhando o resto da partida.

Notas finais
Foco em Ciróisa pq sim (e meu shipp favorito mas releva kk) Prometo que nos próximos não vai ser mais isso :) amo vcs
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.