Notas iniciais
Ainda não sei onde arrumei coragem pra fazer isso... ¬¬ (Essa frase devia ganhar um prêmio!)

Tenma abriu a porta de seu quarto e entrou. Fez um gesto para que Tsurugi o seguisse. O outro entrou junto ao moreno e encostou a porta. Tenma pegou um colchonete que guardava em seu armário e colocou no chão.

Pegou um travesseiro do chão e colocou na ponta do colchonete.

-Vai querer algo para se cobrir também?

-Tanto faz...

Tsurugi observou o quarto de Tenma. Nada realmente atraíra sua atenção, mas queria guardar uma imagem daquele local em sua mente. Como se estivesse fazendo o reconhecimento do lugar.

Tsurugi deitou-se no colchonete. Era até que bem confortável, se você ignorasse o fato de que parecia que você estava deitado no chão. O azulado preferiu não reclamar de nada, afinal, Tenma já estava dando a ele um lugar para dormir (além de deixar ele entrar, emprestar roupas secas a ele e deixá-lo comer parte de sua comida).

Tenma pegou uma coberta fina e jogou em cima de Tsurugi. Logo Tenma estava se deitando em sua cama para poder dormir. Ele ligou o abajur que ficava no criado mudo.

Fechou seus olhos para dormir, mas não conseguiu, pois naquele exato segundo uma luz branca iluminou o quarto, seguida por um estrondo muito alto. E então a luz do abajur se apagou.

Tenma levantou-se e foi até o interruptor. Tentou acender a luz de seu quarto, mas não funcionava. A luz tinha acabado. Tsurugi estava no colchonete de olhos fechados até então. Ele abriu levemente os olhos e disse:

-Algum problema, Matsukaze?

-A luz... Acabou. Droga...

Tenma caminhou até sua cama e sentou-se na beirada dela. Apoiou sua cabeça em uma das mãos. Tsurugi voltou a fechar os olhos.

-E daí? Você não ia dormir agora?

-Eu ia... Mas...

-Vai dizer que está com medo de ficar no escuro.

-Não é isso. Eu só prefiro não estar no escuro. Só isso. – Disse emburrado, coisa que Tsurugi não viu por dois motivos: não tinha luz e ele não tinha se dado o trabalho de abrir os olhos para falar com Tenma.

-Matsukaze, não tinha ideia de que você fosse tão medroso!

Tenma não respondeu nada. Ele não sabia o que dizer. Deitou-se na cama novamente e tentou dormir.

Quando estava quase pegando no sono, sentiu algo agarrando seu tornozelo. Era uma mão. Como estava meio desnorteado por quase dormir, nem passou pela sua cabeça que aquela era a mão de Tsurugi. Ele se sentou rapidamente na cama e colocou uma mão em frente a sua boca.

Seus olhos foram direto de encontro àquilo que estava segurando seu tornozelo. Logo percebeu que era Tsurugi. O garoto disse:

-Pensei que não estivesse com medo, Matsukaze...

Tenma não tinha se recuperado o suficiente do susto para falar alguma coisa. Tsurugi subiu na cama de Tenma e começou a se aproximar. Tenma não podia vê-lo se aproximando, mas sentiu sua respiração próxima.

Próxima demais. O que Tsurugi estava tentando fazer? O azulado chegou mais perto. Agora ele devia estar a alguns centímetros de Tenma, já que este podia sentir muito bem sua respiração em seu rosto.

Sem qualquer aviso prévio, Tsurugi encostou seus lábios nos de Tenma. O moreno arregalou os olhos e não soube o que fazer. Seu coração disparou na hora. Bateu tanto que ele não conseguia sentir direito, era muito rápido.

Por algum motivo, Tenma fez o contrário do que queria fazer naquele momento. Ele afastou seu rosto de Tsurugi e deu um tapa na cara do mesmo.

Tenma não pôde ver a expressão que Tsurugi fizera. Sorte dele, Tsurugi fez uma cara de dar pena. Ele pareceu tão desnorteado e bem no fundo magoado. Ele não queria ter feito aquilo para começar, o cheiro de Tenma o atraiu e não conseguiu mais parar.

Tsurugi deu um pulo para fora da cama de Tenma e deitou-se novamente no colchonete. Se cobriu até a cabeça e fechou os olhos.

A mente de Tenma não parava: “Eu não acredito nisso... Como pude bater nele? Como pude machucar o Tsurugi?”. Ele olhava para a própria mão, incrédulo.

-T-tsurugi... Me des-

-Boa noite, Matsukaze. – Interrompeu Tsurugi.

Tenma caiu em seu travesseiro. Passou o polegar sobre seus lábios. “Tsurugi” foi tudo o se passou por sua mente. Ele dormiu.

No dia seguinte, quando acordou, o colchonete havia sumido e as roupas que ele emprestara para Tsurugi estavam dobradas em cima da cama. Junto delas um pequeno papel onde se lia “Obrigado”.

Tenma queria ter tido a chance de falar com ele, mas não teve. Queria ter pedido desculpas para ele. Mas não pediu. Tentou, mas Tsurugi o interrompera. Ele queria ter feito alguma coisa, mas não fez.

Tsurugi o deixou ali, sem chances de se desculpar. O que Tenma diria quando visse o outro novamente?

Bem, a chuva não caia mais. E o dia estava lindo. Em termos... Estava “lindo” o suficiente para não cancelarem o treino. O céu estava branco, cheio de nuvens e o chão com várias poças d’água.

Estava bem frio. Tenma olhou em seu relógio para ver que horas eram. Oito da manhã, se ele não se levantasse agora perderia hora para ir para a escola. Ele pegou seu uniforme e vestiu-se. Escovou seus dentes e desceu – ironicamente – para tomar seu café da manhã.

Aki não havia voltado ainda e tudo o que ele tinha para comer era cereal. Cereal com leite não era exatamente como Tenma gostaria de começar o dia, mas mesmo assim comeu o cereal e pegou sua bolsa. Saiu de casa e foi até a casinha de cachorro ao lado, onde Sasuke estava deitado.

-E aí! Tomou muita chuva ontem, Sasuke?

Sasuke emitiu um leve som. Tenma afagou a cabeça do cão e voltou a pensar no que acontecera na noite anterior. “Eu fui um completo idiota... Não acredito que eu bati nele! É claro que é culpa dele também, mas... Mesmo assim eu não deveria ter batido nele” Pensava Tenma.

Ele deixou Sasuke de lado e saiu pelo portão. Começou seu caminho em direção à escola. No meio do caminho se encontrou com Aoi. Perguntou-se porque Shinsuke não estava ali, logo depois recebeu uma mensagem de texto do garotinho. Ela dizia: “Tenma, oi! É só pra avisar q eu to doente. Com febre na vdd. Peguei chuva ontem, avisa o sensei q eu n pude ir. Até mais”

Aoi se aproximou de Tenma e disse:

-Ei, você não me parece muito bem. Aconteceu alguma coisa?

Aoi era a melhor amiga de Tenma e ele nunca havia escondido nada dela, mas contar que Tsurugi aparecera em sua casa, o beijara e que ele deu um tapa na cara de Tsurugi por isso era... Demais. Até porque, por meio segundo, ele pensou em não fazer nada e simplesmente deixar que Tsurugi continuasse.

-Não aconteceu nada.

-Tenma... Não minta para mim!

-OK! Aconteceu uma coisa, ta! Mas, não sei se eu quero falar sobre isso.

-Tudo bem. Se um dia se sentir pronto para falar sobre o que quer que seja, pode falar, mas nunca diga que não aconteceu nada quando aconteceu alguma coisa. – Disse, compreensiva.

Tenma concordou com a cabeça. Logo chegaram à Raimon. Aoi se separou de Tenma, pois disse que iria procurar Akane e Midori. Não muito tempo depois da saída de Aoi, aconteceu algo que Tenma temia.

Ele viu Tsurugi passeando pelos arredores da escola, por um breve segundo sentiu que o azulado olhou para ele, mas... Mas não o viu olhando e se viu preferiu acreditar que não viu. Se na noite anterior o silêncio tinha sido insuportável, imagine agora, então.

O dia se passou normalmente, mas Tsurugi e Tenma não trocaram uma palavra. No treino também. E um mês se passou desse jeito. Logo começariam as férias de inverno e eles não haviam trocado uma única palavra significativa. Eu quero dizer, os “bom dia” ou “oi” e até algumas coisas sobre futebol não haviam sido cortados, mas não tinha conversa. Não era igual ao que era antes. E olha que antes também não era muito bom, mas agora estava pior que nunca.

Notas finais
Eu sei! Foi uma crueldade o que eu fiz com o Tsurugi, mas... Tem um motivo... Não é muito bom, mas é um motivo! Se chama: se isso não acontecesse, eu não teria como desenvolver o resto da fic...