Circus

18 Paternidade


Notas iniciais
OK! Eu tenho plena consciência que eu demorei pra postar, mas eu tinha muita coisa da escola pra fazer (muita coisa = primeira dissertação), enfim... Eu tenho uma coisa pra falar, mas deixa pro final.

O pai de Tenma estava dentro do elevador, sentindo-se ansioso. Não se lembrava bem de qual fora a última vez em que vira seu filho, mas naquele momento (mais que qualquer outro na vida) ele não iria querer vê-lo.

Matsukaze não era exatamente uma das pessoas mais liberais do mundo. Não aceitaria o que Tenma tinha acabado de fazer. De jeito algum ele aceitaria, a não ser que o próprio Tenma desse um jeito de convencê-lo.

Os números iam passando rapidamente e logo ele chegou ao vigésimo terceiro andar. Ele caminhou até a porta do apartamento de Tenma e percebeu que ela estava aberta.

Ele entrou no apartamento e quando olhou para baixo viu uma poça de água. “Entendo, ele tomou aquela chuva”. Matsukaze usava um terno preto e sapatos sociais, ele estava voltando de algum tipo de reunião de negócios. Ninguém imaginou que ele realmente saíra do Japão e fora aos Estados Unidos só para visitar Tenma, não é?

Ele foi ao corredor e conseguiu encontrar a porta do quarto de Tenma, que estava entreaberta. Quando ele a empurrou percebeu que seu filho não estava sozinho na cama. E quando se aproximou percebeu que a outra pessoa era um garoto.

Ele não sabia o que fazer. Seu filho, dormindo com um homem. Aquilo era demais para ele. Beliscou o ombro de Tenma. O moreno acordou e viu uma figura de terno preto a sua frente. Primeiro ficou muito assustado, pois uma figura de terno preto, durante a noite nos lembra da Morte. Mas quando percebeu que era seu pai... Bem, ele desejou que fosse a Morte.

Soltou Taiyou. E se levantou da cama, ainda sem roupa. A reação do pai dele a isso foi basicamente um ar tão denso de reprovação que era possível senti-lo.

Tenma colocou uma calça que estava jogada pelo chão do quarto e guiou seu pai até a sala, é claro que fechando a porta do quarto e do corredor. Queria fazer o mínimo de barulho possível para não acordar Taiyou.

Seu pai se sentou no sofá e ele sentou-se do outro lado do sofá, o mais distante possível. Um silêncio muito estranho pairou no ar naquele momento. Tenma quis quebrá-lo e disse:

-Então... Pai, por que está aqui?

-Reunião de negócios.

Silêncio novamente.

-Interessante... Como entrou na minha casa e como sabia onde eu morava?

-A porta estava aberta e eu perguntei à Aki.

“Que droga! Como pudemos esquecer a porcaria da porta aberta? Era tão simples, fechar e trancar!” Pensou Tenma.

-Entendo...

Um pouco mais de silêncio e Tenma disse:

-Obrigado pela sua visita. Sua companhia é sempre muito... Boa, pai. Então, eu sei que você deve ir embora logo e merece dormir num hotel, então pode ir. Aki-san me contou que a mamãe está doente, gripe, não é? Melhoras, diga que eu a amo e boa viagem. Feliz Natal e Ano Novo, não precisa me mandar presente de aniversário e... A porta é logo ali. – Disse apontando para a porta.

-TENMA! – Gritou – Como ousa falar assim com o seu pai?

-Eu não devo responder isso, certo?

-Cale a boca, garoto. Agora me diga, quem é aquele?

-Taiyou. Amemiya Taiyou.

-Qual sua relação com ele?

-Ele é meu melhor amigo e... Namorado.

Tenma viu ódio passar pelos olhos de seu pai e depois viu que ele se acalmou. Mas não o suficiente para conhecer a porta.

-Já te ocorreu que ele é um garoto?

“Que tipo de pergunta é essa, pai? Eu transei com ele, é claro que já me ocorreu que ele é um garoto.”.

-Pai, o Taiyou é-

-Um garoto! – Interrompeu o senhor Matsukaze. – E você também! Você sabe o quão imoral, feio, sujo, impuro, entre outras coisas isso é?

-Por que diz isso, pai? Só porque somos dois garotos não é tudo isso que você disse.

-Claro que é! Deus criou o homem e a mulher. Não dois homens, Tenma. Isso é contra as leis de Deus!

-Pai... Eu acredito que isso não é contra as leis de Deus. Entenda, Deus nos criou assim como nós somos e-

-Deus te criou gay? E espera que eu acredite nisso?!

Tenma baixou a cabeça. Não gostava de ouvir seu pai falando daquele jeito sobre o que sentia por Taiyou. Era algo tão ridiculamente puro e bom para os dois que chegava a doer. A verdade era que (mesmo depois de tudo que haviam feito) a pureza ainda permanecia, bom... No puro amor que sentiam um pelo outro, pelo menos.

-Não, pai. Deus... Vamos tirar Deus dessa história. Ele já tem problemas maiores. Eu não diria que eu sou gay, eu diria que eu amo o Taiyou.

-Nunca mais diga isso. Me enoja. Você é um filho que me arrependo de ter.

-Eu sou seu único filho.

-O erro da minha vida.

As lágrimas estavam prestes a cair dos olhos de Tenma, mas ele precisava ser forte. Precisava aguentar.

-Pai, me escute. Não importa se ele é um garoto ou não, o importante é o que eu sinto por ele. Eu o amo, pai.

-Me responda, quantos anos ele tem? Onde o conheceu? Ele estuda? E a família dele?

-Ele fez dezesseis anos hoje, o conheci no hospital, ele estuda em casa. O pai está morto desde que ele tinha dois anos de idade, a mãe está sempre viajando e ele foi criado pela a avó.

-Então não teve exemplo masculino, deve ser por isso. Ele é jovem, apenas dezesseis anos. O que ele tinha pra estar no hospital?

-Ele... Tem... Câncer no coração. Inoperável e irá morrer dentro dos próximos cinco anos.

-Você não percebe que isso só magoará você, seu idiota? Esse garoto vai morrer! Ele é doente! Por que você diz que o ama? Não foi assim que eu o criei! Isso é pena?

-NÃO! Não é pena, pai. Eu o amo pelo que ele é e não porque ele vai morrer.

O pai de Tenma ficou em silêncio por alguns momentos.

-É isso! Eu estou te proibindo de vê-lo novamente. Mande-o sair e depois você nunca mais fala com ele. Acabou essa história.

-Não! Pai, isso eu não vou fazer. Eu tenho dezoito anos, por mais incrível que isso seja, posso decidir as coisas e dessa vez decidi que não vou seguir as suas ordens. Agora o senhor pode ir embora.

O senhor Matsukaze segurou o pulso de Tenma e começou a puxá-lo para fora do apartamento, por mais que tentasse, Tenma não conseguia se livrar das mãos de seu pai. Ele pedia para que o soltasse, mas seu pai parecia determinado em tirá-lo de lá.

Quando estavam perto da porta, Tenma disse:

-Isso... Não é algo que a mamãe faria!

O pai de Tenma soltou seu pulso e olhou para o garoto.

-Não, não é... E é por ela que eu irei embora, mas ouça bem, Tenma, não ouse mais voltar para aquela casa, a partir de hoje você não é mais meu filho.

Tenma arregalou os olhos e viu seu pai fechando a porta. Encarou a porta fechada por alguns momentos e voltou para seu quarto. Taiyou ainda dormia, parecia cansado. Mas não era para menos...

Tenma deitou-se novamente, apoiou a cabeça nas mãos e olhou para cima.

-Tenma, tudo bem? – Ouviu a voz de Taiyou ao seu lado. “Ai, pensei que ele estava dormindo...”.

-Te acordei?

-Do momento em que você levantou, tenho sono leve.

-Você ouviu alguma coisa?

-Tudo. Eu sinto muito se causei desentendimentos entre você e sua família. Talvez fosse melhor se eu fosse embora...

Tenma abraçou Taiyou.

-Não! Não se esqueça, você ainda é a única pessoa que eu tenho. Não ouse ir embora.

-Eu não vou. Agora, mudando um pouco de assunto para amenizar as coisas... Ou não. Amanhã, quando conhecer minha avó, me desculpe pelas coisas que ela provavelmente vai falar, ela é meio... Direta. E eu sei que tem um circo na cidade. Quer ir comigo?

-Você fala como se eu tivesse escolha. E então, está doendo?

-Não.

-Certeza? Porque estava sangrando.

-Não ta doendo não.

Tenma levou um de seus dedos à entrada de Taiyou e procurou algum líquido lá.

-Tenma! O que você está fazendo?! Tire o dedo daí! – Disse Taiyou tentando se livrar de Tenma, sem sucesso.

-Nope. Você não reclamou assim mais cedo, não é?

Taiyou corou. Tenma tirou o dedo de Taiyou e o levou até a altura de seus olhos. Não tinha nada. Tenma colocou o dedo na boca.

-Tenma! Não faça isso! Eu estou vendo!

Tenma tirou o dedo da boca e colocou nos lábios de Taiyou.

-Quer também?

Taiyou empurrou o dedo de Tenma e depois o beijou.

-Não que eu me importe se compartilhar comigo um pouco da sua boca. – Disse Taiyou. – Agora, vamos dormir.

Tenma concordou com a cabeça e abraçou Taiyou.

-E, Tenma, não se importe com o que seu pai disse. Com certeza foi só da boca pra fora.

“Eu não teria tanta certeza” Tenma pensou e depois os dois caíram no sono. Mas também, na opinião de Tenma, ele não estava perdendo alguma coisa, afinal teria Taiyou até o fim... Dele.

Notas finais
Pronto, aqui é o final (ok, ok todos sabemos disso, mas eu precisava falar). Eu só vou poder postar de novo........ (eu fazendo cálculos) ou domingo a noite ou segunda (80% que vai ser na segunda), porque eu vou viajar.
Aliás, espero que tenham gostado do capítulo e até o próximo.