Circus
21 Memórias Perdidas
Notas iniciais
Aliás, a foto que o Tenma estava olhando... Eu ainda vou contar a história dela na fic!
Ele sentiu alguém o segurando. Os braços passavam por sua cintura e pareciam determinados a não soltá-lo. Realmente, Tenma não podia morrer naquele momento mesmo que quisesse.
Foi colocado novamente no chão e seja lá quem fosse que o salvou, essa pessoa o soltou e disse:
-Cuidado... Já perdi alguém importante assim.
Aquela voz... Tenma já ouvira. Não mudara muito, mas ele não se lembrava de onde ouvira a voz. Não teve coragem de virar-se para ver quem o salvou e simplesmente fez que sim com a cabeça.
Ouviu passos e quando eles estavam distantes o suficiente ele se virou. Não havia ninguém perto dele, a não ser um homem que virava a esquina. Seguindo os cálculos de Tenma, era ele quem o salvara... De um suicídio.
Ele mal pôde ver o homem, só viu os cabelos azulados e a jaqueta roxa. Lembranças. Ou pelo menos a sensação de que elas voltariam, mas não voltaram. Não naquele momento.
Tenma voltou a encarar a escada. Ele quase cometera suicídio. “Não acredito que eu fiz isso... Se eu caísse, morresse e fosse pro inferno... Taiyou ficaria realmente muito bravo comigo! Ele faria greve de sexo pela eternidade. O que pros mortos, não é impossível. Eu não aguentaria isso” Pensou.
Ele colocou a mão no bolso e tirou seu celular de lá. Tinha uma mensagem não lida. E a mensagem era de Taiyou.
“Tenma, eu fui no médico hoje... Parece que o tumor cresceu. Muito. Agora, supondo que eu morra logo (o que eu acho que vai acontecer) vamos combinar o seguinte. Eu quero que você viva normalmente! Não ouse fazer coisas idiotas (se matar é uma coisa extremamente idiota) e não me esqueça também. Só to te mandando isso porque eu não vou conseguir dizer isso pessoalmente. Não que eu espere que você cheque sua caixa de entrada! Viva sua vida e quando você morrer eu vou estar te esperando. Até porque eu estou sempre te esperando. No momento estou em casa te esperando pro jantar, o que está fazendo, hein?”.
Tenma sorriu e digitou: “Trabalhando, não sou inútil como você!”. Ele se lembrava do dia em que se atrasara. Taiyou disse que enviara uma mensagem de texto, mas ele nunca lera... Então era isso... Ele olhou para a opção enviar. A imagem começou a ficar embaçada, por causa das lágrimas se formando em seus olhos e ele apertou o botão e ficou olhando para a tela até aparecer “Mensagem enviada”.
Ele sabia que Taiyou não a leria. Sabia que ninguém nunca a leria, porque o celular de Taiyou foi colocado junto ao dono no caixão. É claro que ninguém sabia. Tenma colocou no bolso de Taiyou enquanto ninguém estava vendo.
O brilho do sol já não existia mais e só havia a escuridão da noite. Tenma olhou para as estrelas e pensou: “Isso seria muito romântico se ele estivesse aqui”. Tenma fechou o celular e o colocou novamente no bolso.
Voltou para casa e a primeira coisa que fez foi tirar suas roupas e jogá-las fora. Ele não guardaria as roupas que usara no funeral de Taiyou. Isso ele não iria fazer de jeito algum. Tomou um banho e colocou um pijama qualquer.
Deitou-se em sua cama. Ele não queria comer, mas estava com fome. Infelizmente, ele continuava vivo e por isso precisava se alimentar. No fim, ele acabou pedindo uma pizza. Ouviu a campainha.
Abriu a porta e viu um garoto de sua idade, mas muito mais baixo. Com uma faixa azul na testa.
-Sua pizza, senhor. – O garoto olhou para ele. – T-tenma!
-Shinsuke? – Tenma pegou a pizza e deu o dinheiro para Shinsuke.
-Isso, gênio! Você se lembra. E você está vivo.
-Sim... Nunca morri, Shinsuke. E eu até tentei te ligar, mas acho que você mudou de telefone. Estou acordado há quase três anos. Quer entrar?
-Ah... Não posso. – Disse infeliz. – Tenho que fazer algumas entregas ainda. Sabe como é, bico pra pagar a faculdade. Mas, a gente pode marcar! Acho que todo mundo mudou de telefone... Mas, eu ligo pra Aoi, Shindou, Kirino e talvez ele queira ir também.
Shindou, Kirino... Sim, os companheiros de time de Tenma. Ele se lembrava disso já fazia algum tempo. O futebol, o clube, só havia uma coisa que sua mente fazia questão de não revelar...
-Ele?
-É, o Tsurugi. Ele deve querer ir.
Shinsuke foi embora e Tenma foi comer sua pizza. Se sentou à mesa e pegou um pedaço. “Tsu... Rugi?” Pensou. Isso com certeza o lembrava de alguma coisa, mas sua mente ainda não permitia que ele tivesse essas memórias de volta. Não quando ele acabara de perder Taiyou.
Depois de jantar ele voltou para seu quarto e deitou-se na cama. A voz, o nome... Tudo indicava que o tal de Tsurugi era a pessoa que o assombrou por tanto tempo. O que era mesmo? O que a voz falava todas as noites antes de Tenma dormir, isso antes de Tenma conhecer Taiyou?
Ah, sim...
“Adeus, Matsukaze”. Era a mesma voz. Tenma sabia disso, mas mesmo sabendo que já fora apaixonado por aquela pessoa... Tenma procurou pela foto de Taiyou novamente. Ficou encarando o papel até que caiu no sono.
Ele amava muito Taiyou. E alguma parte dele ainda amava Tsurugi, a questão é que ele não se lembrava. Agora Taiyou estava morto, mas Tenma sentia que lembrar-se de Tsurugi seria... Um insulto à memória de Taiyou.
Ele estava muito enganado. Taiyou nunca iria querer que Tenma fosse infeliz só pelo fato dele ter morrido, mas Tenma não sabia disso.
Notas finais
Até o próximo, talvez eu poste amanhã, mas se não postar só sexta a noite mesmo (maldita escola ¬¬')
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