O sonho de Tenma era confuso. Ele estava na sala de jogos do hospital novamente. Aquilo trazia muitas lembranças infelizes para Tenma.

Percebeu que havia uma pessoa jogando e quando se aproximou, viu que era Taiyou. Novamente sonhando com Taiyou? Só podia ser brincadeira. Nos últimos dias, Tenma sonhava constantemente com a imagem de Taiyou, mas quando tentava falar, o outro não respondia.

-Oi, Tenma! Faz um tempo que eu to tentando falar com você! A conexão é simplesmente difícil de manter. – Disse Taiyou. – Vem jogar comigo.

-OK, meu sonho está mais completo dessa vez. O que meu subconsciente na forma de Taiyou quer?

Tenma sentou-se ao lado do outro garoto e começou a jogar.

-Não sou seu subconsciente! Sou eu! Taiyou!

-Eu não acredito. E sabe por quê? Porque eu estou sonhando.

-Exatamente. Assim é o único jeito de me comunicar com você.

Tenma pausou o jogo e olhou para o outro.

-Quer dizer que você é um fantasma?

-Algo do tipo. Precisava mesmo pausar?

-Claro que sim! – Tenma desligou a televisão. – O que você está fazendo no meu sonho?

-Falando com você.

Tenma levou sua mão até o rosto de Taiyou e alguns segundos antes de tocá-lo ele parou. Será que sua mão atravessaria Taiyou? O ruivo pegou a mão de Tenma e a colocou em seu rosto, provando que a resposta era não.

Tenma sorriu e abraçou Taiyou.

-Seu idiota! Quem te deu permissão pra morrer?!

-Tenma... Você sente minha falta?

-Não... Sinto sua falta não.

-Sério?

-É claro que eu sinto sua falta! Como eu não sentiria falta da pessoa que eu amo?

-Tenma... Eu infelizmente não tenho muito tempo. Eu vou embora agora, mas vou te dizer uma coisa. Se você ama o Tsurugi, não se impeça de ficar com ele por minha causa.

-Essa é a última vez que eu vou te ver?

-Não! É claro que não. Vamos ao circo juntos, lembra?

Tenma concordou com a cabeça.

-Mas, Taiyou, você não tem nada contra eu ficar com Tsurugi?

Taiyou ia falar algo, mas antes que pudesse fazer isso o sonho se desfez. Agora Tenma estava no hospital de Inazuma e podia sentir Tsurugi segurando sua mão. Ele sabia o que sentia pelo outro, mas também sabia o que sentia por Taiyou.

Ele acordou. Já havia amanhecido, mas Tsurugi ainda estava dormindo ao seu lado. Depois da conversa com Taiyou ele não estava completamente certo do que queria, mas estava certo do que iria fazer. Ele amava Taiyou. Isso era um fato, mas Taiyou estava morto e nada mudaria isso. Por outro lado, ele também amava Tsurugi e este estava ao seu lado.

Tinha se decidido, mas tinha mais uma coisa. Ele estava com saudades de Taiyou e aquele sonho... Normalmente, ele pioraria tudo, mas só de saber que Taiyou estava em algum lugar, que ele ainda se preocupava com ele, Tenma ficava mais forte. Ele estava pronto para continuar. Seguir em frente. E quando seu tempo nesse mundo acabasse, ele iria ao circo com Taiyou, como prometera.

Ele olhou para sua foto com Taiyou. Ele se lembrava exatamente como havia sido tirada.

Foi no último Natal. Quando Tenma e Taiyou decidiram juntar Aki, Ichinose e Fuyuki com a avó de Taiyou e comemorar todos juntos.

Flashback ON

-Tenma, você tem certeza de que é uma boa ideia? – Perguntou Taiyou.

-Sim, sim! Claro que é uma boa ideia. Se não comemorarmos todos juntos vai acontecer a mesma coisa que aconteceu no ano passado! Não vamos nem na sua avó e nem na Aki e temos que ouvir as duas falando disso o ano todo!

Faltavam três dias para o Natal e Tenma teve a sensacional ideia de chamar Aki (e família) para passar o Natal com ele e Taiyou. E chamar também a avó do ruivo.

-Então você vai ligar pra elas?

-Já liguei e combinei tudo! Elas concordaram. Chame-me de gênio, se tiver vontade.

-Não tenho.

Tenma lançou um olhar mortal falso para Taiyou.

-Que seja... Estou magoado agora. – Tenma cruzou os braços e fez uma cara emburrada.

-Não faça essa cara, Tenma! Você fica muito fofo assim.

Eles estavam na sala do apartamento de Tenma, por volta de duas da tarde, 22 de dezembro. Tenma estava sentado no sofá e Taiyou de pé logo a sua frente. O moreno puxou Taiyou pelo pulso e fez com que ele se sentasse ao seu lado.

-Eu sei que eu sou fofo. Agora, o mais importante é: eu combinei que faríamos um “amigo secreto” e você tem que comprar um presente!

-Mas... Pra quem?

-A gente só vai saber na hora, então pense bem antes de comprar.

-OK... Agora dá pra você desfazer essa carinha?

-Por que eu deveria?

-Porque... Isso me dá uma vontade de fazer isso...

Taiyou se aproximou de Tenma e o beijou.

No dia 24...

Era véspera de Natal. Havia o pequeno detalhe que Tenma esquecera: não comemoramos o Natal no dia 25 e sim na véspera. Graças às comidas, preparativos e limpeza da casa, ele acabou sem comprar o presente de amigo secreto. Ele mesmo havia planejado e esquecera-se de comprar um presente... Que estranho.

Mesmo assim ele pediu para Taiyou cortar os papeis e escrever o nome de todos, inclusive Fuyuki. Depois que todos já haviam chegado e comido a ceia de Natal chegou a hora da troca de presentes.

No final... Tenma tirou Taiyou. “Graças a Deus! Pra ele eu posso dar um presente mais tarde.” Pensou. E então começou a brincadeira.

O Ichinose tirou o próprio filho, Fuyuki. O garotinho ganhou uma caneta. Ichinose disse:

-Ele vai usar, daqui a alguns anos.

Todos riram. Ichinose ficou segurando Fuyuki e falou que quem ele havia tirado era a avó de Taiyou, que acabou recebendo um cachecol branco de presente.

Ela tirou Aki, que ganhou uma flor... O que era bastante fácil para a avó de Taiyou de conseguir. E no fim, Aki tirou Ichinose. Bem, Ichinose ganhou um porta-retratos. Aki olhou para Tenma e Taiyou.

-Parece que vocês se tiraram! Que coincidência, garotos. Venham aqui para trocarem os presentes.

Os dois foram para o centro da sala. Taiyou começou a falar:

-Tenma, eu...

-Taiyou... Eu sinto muito... A verdade é que...

-Eu não tenho presente algum! – Disseram ao mesmo tempo.

Os dois começaram a rir, mas Aki fez uma cara de brava.

-Não pode acabar assim! – Ela tirou uma câmera da bolsa. – Vamos! Precisam dar um presente um para o outro.

Tenma e Taiyou se entreolharam e Tenma falou:

-Mas, Aki-san, nem eu nem ele temos nada para dar um para o outro.

Aki sorriu.

-Não importa! Vocês se amam, certo? Qualquer coisinha vale. Nunca foi dito que precisava ser uma coisa de fato.

Taiyou corou e Tenma pensou por alguns segundos. Aki posicionou a câmera e Tenma teve uma ideia. Ele pegou Taiyou pela cintura e o beijou. Taiyou de inicio não fez nada, mas logo depois ele passou seus braços pelo pescoço de Tenma e fechou os olhos. Ouviu-se a câmera e depois eles viram o flash dela, mesmo de olhos fechados.

Ichinose cobriu os olhos de Fuyuki e sorriu.

-Isso não é algo que criancinhas devam ver.

Apesar de não ter feito sentido, já que Fuyuki era um bebê, foi muito engraçado.

Flashback OFF

Aquela fora a origem da foto. Tenma ficou encarando o papel por algum tempo e depois olhou para seu criado mudo. Abriu a última gaveta, virou a foto para o lado contrário e a guardou bem no fundo. Ele tinha se decidido, então deveria manter a decisão... Mesmo que isso significasse...

Mesmo que isso significasse pensar menos em Taiyou. Aquilo para ele era inaceitável e completamente cruel, mas... Sim, era aquilo o que faria.

Ele voltou a se deitar na cama. Olhou para Tsurugi. Ele ainda estava dormindo. Tenma esticou sua mão até o rosto do outro e o tocou suavemente. Tsurugi abriu levemente os olhos.

-Matsukaze?

Tenma se aproximou de Tsurugi e o beijou. Depois ele se afastou e deu um sorriso.

-Eu finalmente decidi o que vou fazer, Kyousuke.

-Como assim?

-É verdade que eu amo o Taiyou. Nada nunca vai mudar isso, mas... Tem mais uma coisa que nunca vai mudar não importa no quanto eu penso nisso...

-Que é?

-Eu amo você, Kyousuke.

Tsurugi arregalou os olhos. Matsukaze estava mesmo se declarando para ele? Depois de seis anos ele estava ouvindo as palavras que ele mais queria ouvir?! Parecia um sonho. O que ele faria agora? Talvez ele finalmente pudesse dizer que sentia o mesmo.

-Eu também...

-Diga! Palavra por palavra. Você nunca disse, só chegou perto naquele dia no hospital, então diga!

-Eu te amo, Tenma.

-Melhor que ame mesmo.

Tenma beijou Tsurugi novamente. Bem no fundo, sabia que estava magoando metade de si mesmo, mas estava na hora de pensar na outra metade.

Notas finais
É.... Eu falei tanto da foto que achei melhor explicar de onde ela vinha... Até amanhã! A fic ta quase acabando e eu não morri! Se alguém me dissesse que eu não morreria no dia em que eu postei o primeiro cap eu não teria acreditado!