Circus
27 Circo
Notas iniciais
-É verdade, Tenma... Eu só posso falar com você em seus sonhos... Por isso... Eu devo te contar que... Você é um idiota!
-Hein?! – Perguntou Tenma confuso.
-Exatamente! Eu estou num sonho seu, ou seja, você caiu no sono no cemitério!
-Sério?!
-Sim! Agora acorde. Você não pode ficar dormindo no cemitério, vão achar que você morreu e você já vai estar no lugar certo.
-Mas... Eu quero falar com você.
-Vá até um parque e durma debaixo de uma árvore, mas saia do cemitério.
-Como eu faço pra acordar, Taiyou?
Taiyou chegou perto de Tenma, beliscou seu pulso e o moreno acordou.
-Ai! Nossa... Ele estava certo... Não é que eu dormi mesmo no cemitério!
Tenma levantou-se e saiu do cemitério. Pegou Sasuke e caminhou até uma praça na cidade. Ele prendeu Sasuke num poste e sentou-se debaixo de uma árvore. Por fim acabou dormindo.
Abriu seus olhos na praça em que ele foi com Taiyou no dia de seu aniversário de dezesseis anos. Taiyou apareceu sentado ao seu lado.
-Tenma... Pelo que eu vejo você ainda se recusa a ficar com o Tsurugi por minha causa...
-Isso é porque... Eu também te amo... E não sei mais o que fazer, Taiyou... Eu sinto sua falta, eu quero vê-lo de novo! Mas, eu não posso porque você morreu.
-Tenma diga sim. Seja feliz! Não estou pedindo que me esqueça. Não faça isso, Tenma! Apenas conviva com o fato de que eu morri. Quando você morrer eu vou estar te esperando, eu juro.
-Mas quando eu morrer eu provavelmente vou ser velho e feio, como fantasma.
-Eu duvido, normalmente os fantasmas tem a aparência que quiserem ter... Se você quiser voltar a ter sua idade atual você pode.
Tenma olhou para Taiyou.
-Então você não tem problema em eu namorar o Tsurugi?
-Eu tenho, Tenma... Eu tenho, mas isso não é importante, desde que você entenda que eu estou te esperando e quero que você demore bastante para chegar, mas quero que chegue! Você pode fazer o que te deixar feliz até então.
-Obrigado... Taiyou.
-Então acho que isso é um adeus...
Taiyou baixou a cabeça. Tenma levou sua mão até o queixo de Taiyou e o fez olhar para ele.
- Não baixe a cabeça, Taiyou! Eu quero poder olhar pra você. Taiyou, eu quero... Eu quero ficar olhando você pra sempre.
Taiyou arregalou os olhos e lágrimas brotaram em seus olhos. “São as mesmas palavras...” Pensou. Ele disse sorrindo levemente, porém com a voz rouca, como se estivesse segurando as lágrimas:
-Só olhando?
Taiyou deixou a primeira lágrima escapar e Tenma não se conteve também e derramou suas lágrimas. As lágrimas que ele estava mantendo desde a morte de Taiyou. Ele podia ter chorado antes, mas ali... Ali ele estava derramando as lágrimas de sua alma. Ele abriu um sorriso, mesmo em meio às lágrimas, e disse:
-É... Porque o resto do que eu quero fazer você não me deixaria fazer.
Taiyou sorriu.
-Como sempre, não é, Tenma? Pervertido! Dessa vez, teremos que ir ao circo primeiro e então você pode brincar comigo.
Tenma assentiu com a cabeça e puxou Taiyou para si. Ele beijou Taiyou pela a última vez em sua vida. Quando eles se separaram Taiyou disse:
-Eu te amo, Tenma.
-Eu também te amo, Taiyou.
-Não se esqueça... Estou te esperando! Demore o quanto quiser, mas venha. Eu já comprei os ingressos.
O sonho se dissipou e Tenma acordou na praça. Ele levou sua mão até seus olhos e limpou uma lágrima que escorria pelo seu rosto. “Taiyou, você está errado... Aquilo não era um adeus. Era um até logo.” Pensou e procurou seu celular no bolso.
Digitou uma mensagem para Tsurugi. Não precisava de muitas palavras, por isso colocou um simples “Sim”.
Tenma não pôde ver a reação de Tsurugi ao receber a mensagem, mas tenho certeza de que ele gostaria de ter visto, pois pela primeira vez em sua vida, Tsurugi deu um grande sorriso transbordando felicidade.
Tenma estava sentado na sombra de uma árvore no parque. Ele se lembra de ter recebido uma mensagem de Tsurugi perguntando onde ele estava. Quinze minutos após a resposta de Tenma, ele viu Tsurugi correndo em sua direção.
O azulado não disse uma palavra. Ele se ajoelhou para ficar na altura de Tenma e o abraçou com força. Tenma fez o mesmo.
A partir daquele momento, Tsurugi e Tenma ficaram juntos. Afinal, eles se amavam e sempre desejaram isso. Uma vez por ano, Tenma se ausentava para visitar o túmulo de Taiyou. Esse dia era o dia do aniversário do ruivo. Naquele dia, era como se Tsurugi não existisse. Somente naquele dia.
50 anos depois...
-Tenma! – Disse Tsurugi, mas ele sabia que era tarde demais. Tenma morreu tranquilamente, enquanto dormia e ele não pôde fazer nada. Mas, sabia que o moreno também tinha mais o que fazer após a morte. Uma promessa a cumprir. E também, logo chegaria sua vez. Talvez reencontrasse Tenma mais tarde.
Tenma acordou num campo verde. Assustou-se quando conseguiu se levantar normalmente, sem as dores nas costas habituais. Ele já era um senhor de mais de setenta anos, afinal...
Não havia nada por perto, pelo menos foi o que pensou no início. Ouviu o barulho de água correndo e viu que a dez passos a sua direita havia um rio. Ele caminhou até lá e olhou seu reflexo na água. Ele era um jovem de vinte anos novamente.
“Isso quer dizer que eu morri...”. Ele olhou em volta e percebeu que não havia ninguém o esperando.
-Taiyou... Você não se esqueceu de mim... Esqueceu? – Perguntou para o ar.
-Não.
Ele ouviu uma voz extremamente nostálgica falando atrás de si. Quando se virou ele teve a chance de vê-lo novamente. Taiyou estava lá, com ele...
-Taiyou...
-Tenma! Eu estive esperando por você.
Tenma estava em estado de choque. Depois de cinquenta anos ele ainda o amava... Taiyou o abraçou.
-Você esteve esperando por mim? Por todo esse tempo?
-É claro que sim! Você é a pessoa que eu amo, Tenma. Não custou nada esperar por você. – Taiyou segurou a mão de Tenma, sorrindo. – Vamos! Temos lindos palhaços para aplaudir!
Taiyou levou Tenma a um circo. Tenma não achou que ele tivesse falando tão seriamente sobre o circo, mas, fora os palhaços, foi bom. E muito nostálgico também. Por fim, acabaram indo ao circo juntos. Como haviam prometido.
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