Circo dos Amores

2 O Bêbado e a Equilibrista


E ela lá estava novamente, mantendo o equilíbrio em cima da corda bamba

As lágrimas nos olhos enquanto ela caminha segurando pesos que não são dela.

Passos lentos,

Os olhos dele em si.


E ali está o bêbado.

Talvez ele tenha dito demais?

Talvez ele tenha dito de menos?

E mais uma garrafa em suas mãos.

Será que ele sabe que essa garrafa âmbar é o motivo das lágrimas da equilibrista?

Ou será que ele imagina que suas palavras doeram mais que o corte do caco de vidro?


Mas a equilibrista ainda acha que ele vai mudar.

Caminhando pela corda bamba de suas esperanças,

Torcendo para não pisar nos cacos de vidro de seu próprio coração.

Por um breve segundo, ela olha pra baixo, verificando se há uma rede de segurança lá embaixo.

Será que os cacos irão rasgar a rede assim como rasgaram sua pele?


O bêbado olha para a garrafa e para a equilibrista

Os pesos que ela carrega

As lágrimas em seus olhos

E a esperança de chegar ao outro lado sem cair nas mentiras e falsas promessas do bêbado outra vez.


Doce e inocente equilibrista, sonhando com suas fantasias

Ela ainda acha que ele vai mudar.

Ela ainda acha que vai chegar do outro lado sem cair.


E enquanto isso, o bêbado abre outra garrafa.