Ciranda

7 Capítulo 5 - Trégua.


Notas iniciais
Yo minna ♥
Eu não estou um amor esses dias? Estou postando certinho e nem estou demorando =3
hasuhashauhs
Bom temos aqui mais um chappie que eu espero que vocês gostem.
A betagem ficou a cargo da Meii e da Mallany dessa vez =3 Minhas duas lindas...AmO ♥
Dessa vez eu dei uma bela empacada no decorrer do Chappie e foi graças a Nina que consegui continuar...amo vc minha Seme. ♥
Sem mais boa leitura amores.
LEIAM AS NOTAS FINAIS HEIN....

Hizaki – Pov’s

Acordei ainda meio zonzo depois de um pesadelo. Abri meus olhos sem fazer muito alarde. Eu já não acordava mais gritando e arfando como antes.

Permaneci encarando a janela aberta, enquanto a cortina movia-se suavemente com o vento leve da manha.

Fitei meu relógio sobre o criado mudo. Eram seis e meia da manhã. Eu só entrava no café às oito e meia. Suspirei sentindo um peso em minha cintura, e só então me dei conta que um braço me rodeava.

Virei-me de lado na cama ficando de frente para Masashi que dormia tranquilamente.

Estávamos ambos nus, apenas cobertos pelo lençol rosa até a cintura.

Dediquei-me a fitar o rosto bonito de expressão tranquila. Nem parecia ele, fazia tanto tempo que eu não o via com uma expressão amena.

As ocasiões muito raras em que ele dormia a meu lado, me permitiam matar a saudade de meu irmão por alguns momentos.

Como é triste ter que contar apenas com esses instantes tão curtos. Deixei meus dedos finos vagarem por sua face, tocando-o com leveza suficiente para que ele não acordasse.

O tempo parecia sumir enquanto eu o olhava, o mundo também parecia parar. Que sensação estranha, essa saudade esquentando meu peito.

- O que eu não daria Masashi... — sussurrei tocando seus lábios com a ponta do dedo. — Pra ter você ao meu lado como antigamente.

Ele nem se moveu, continuava a dormir. Outra vez a miserável vontade de chorar retornou.

Afastei minha mão, desviando meus olhos de seu rosto. Livrei-me de seu braço sobre minha cintura, jogando o lençol de lado.

Levantei com dificuldade, contendo os gemidos de dor para não acordar meu irmão. Fui até o banheiro, tomando um banho rápido.

Logo Masashi acordaria, pois ele sempre saia para ir a escola às oito horas. Não queria estar no quarto quando ele acordasse.

Troquei-me rapidamente e rumei para a cozinha. Juntei alguns utensílios domésticos para fazer o café, enquanto coloquei a água para ferver, comecei a pensar em Teru. Eu já estava bolando tudo quanto é estratégia para convencer Aoi a reconsiderar.

Já estava até pensando em dar uns conselhos amorosos pra ele em troca da readmissão de Teru.

Suspirei longamente.

Há alguns meses que não tenho pensado tanto em Aoi como pensava de início. Eu era tão apaixonado por ele no começo de tudo.

Mais ainda assim era doloroso vê-lo todo feliz na presença daquele loiro esquisito do Uruha.

Bom, quem sou eu pra julgar as pessoas? Eu sou um cara que se veste como mulher. Acho que aos olhos dele também sou estranho.

Como se isso me importasse.

Retirei a água que borbulhava do fogão, apagando o fogo. Juntei o pó e o açúcar, misturando-os sem pressa enquanto ainda pensava no que fazer.

De fato eu não prestava muita atenção no que fazia. Talvez se eu apelasse para tio Kai — de novo -, quem sabe ele pode obrigar o Aoi a mudar de idéia.

Peguei uma caneca nas mãos, mas não coloquei o café, eu apenas brincava com a mesma nas mãos, pensando em uma solução.

- Já de pé? — a voz vinda da porta, me fez dar um pulo no lugar e soltar a caneca com o susto. A mesma espatifou-se no chão, me fazendo arregalar os olhos para os cacos.

- Ah, droga. — eu senti meu coração se apertar a medida que continuava a fitar os cacos.

- Devia tomar mais cuidado. — disse de modo despreocupado, e eu nem mesmo o olhei, não tirei os olhos do chão. — Relaxa é só uma caneca. — disse as palavras de modo calmo e deixou a cozinha.

Abaixei-me até os cacos, pegando um dos mesmos entre os dedos.

- Não! Não é só uma caneca. — disse para o nada, dedilhando o restante dos cacos no chão até encontrar o que eu procurava.

Juntei as duas partes que formavam a frase: "O melhor irmão do mundo." Duas lágrimas pingaram sobre a louça branca escorrendo pelas mesmas.

E assim a última lembrança que me ligava a ele se quebrou e tudo o que eu podia fazer era chorar, enquanto segurava os cacos.

♦♦♦

Após juntar todos os cacos e me livrar deles, preparei o café da manhã, colocando tudo que costumávamos comer sobre a mesa exageradamente grande da cozinha.

Eu ainda pensava em Teru, mas agora meus pensamentos eram divididos com a caneca que quebrei. Ainda bem que Masashi nem percebeu.

Quando eu já terminava de pôr a mesa, meu irmão adentrou a cozinha, já vestido em seu terno preto, e dando o nó na gravata.

Afastei-me da mesa indo à direção a pia. Ele sentou-se pegando a garrafa de café e enchendo sua caneca.

Eu estava parado diante da pia, segurando a jarra de suco enquanto olhava pela janela, lembrando-me do dia em que ganhei aquela caneca.

Pensar nessas coisas me deixava tão triste. Sinto falta daqueles tempos que sei que não voltarão mais.

Lembro-me perfeitamente do sorriso de minha mãe parada na porta, e da felicidade que invadiu meu coração naquele dia.

Nós éramos uma família perfeita.

- HIZAKI? — virei-me imediatamente para mesa com a expressão surpresa por ser tirado bruscamente dos meus devaneios. — Está surdo?

- Desculpe. — desviei os olhos caminhando para a mesa e colocando a jarra com suco de graviola sobre a mesma.

Sentei-me de frente pra meu irmão, mantendo silêncio, até por que eu não tinha nada a dizer.

Encarei as coisas sobre a mesa, eu não tinha fome, não tinha se quer vontade de me mover.

Suspirei sem perceber, atraindo a atenção de meu irmão.

- Não vai comer? — levantei meus olhos para ele que me encarava sem expressão.

- Não estou com fome. — forcei um sorriso.

- Aqui, tome. Coma isso. – estendeu-me a mão que segurava uma torrada com geléia de morangos. Encarei sua mão por um minuto. — Pegue logo.

Peguei a mesma, levando-a a boca e dando uma pequena mordida. Um pequeno sorriso deixou seus lábios, e imediatamente ele passou geléia em outra torrada, comendo-a calmamente.

E assim seguimos em silêncio.

- A propósito... — disse depois de um tempo, chamando minha atenção. — Você não vai trabalhar hoje.

- QUÊ? — levantei-me em um pulo, batendo ambas as mãos sobre a mesa e o encarando quase em desespero.

- Por que a surpresa? — disse tranquilamente enquanto colocava suco em seu copo. — Acha que Kai te deixaria trabalhar depois de um desmaio? — sorriu com desdém.

- Masashi, eu realmente preciso ir hoje...

- Eu já disse que não. — disse seriamente, sorvendo um gole do líquido no copo.

- Por favor... É importante... – droga! Só me faltava essa agora, eu preciso recuperar o emprego de Teru.

- A resposta ainda é não. — continuou tranquilo, apanhando o jornal e passando os olhos sobre a primeira página.

Calma Hizaki, agora é hora de ser racional.

- Eu já estou melhor... — disse por fim. Seus olhos se ergueram do jornal para meu rosto, ao passo que um sorriso se formava em seus lábios.

- Verdade? E quantos quilos de maquiagem você vai precisar pra esconder essas olheiras? Você está um caco Hizaki. — voltou à atenção para o jornal.

Por que ninguém me leva a sério?

- Masashi... Por favor, só dessa vez...

- NÃO É NÃO HIZAKI. — disse com firmeza me encarando sério. — Não me faça repetir.

Nossos olhares se cruzaram e então notei que não haveria nada que eu pudesse fazer.

Diante da minha impotência sobre a situação, eu apenas cerrei as mãos em punho.

Tentar convencer Masashi está fora dos parâmetros. Terei que pensar em outro jeito.

- Você vai para a Harmony hoje? — perguntei sério.

- Irei. Mas nem tente sair na minha ausência. — sorriu. — Embora eu duvide muito que você consiga.

Oh não! Ele está tramando alguma coisa. No momento em que pensei isso a campainha tocou.

Meu irmão lançou-me um sorriso, levantando-se e indo abrir a porta.

O que você está tramando Masashi? Fiquei parado na cozinha, de costas para porta.

- Hizaki. — ouvi a voz de meu irmão, virando-me para ele de imediato.

O que Kamijo está fazendo aqui? Perguntei-me, tentando não pensar na resposta que se passava em minha mente.

- Olá, Hiza-chan. — sorriu de modo gentil.

Falso do caralho.

- O Kamijo ficará responsável por você até eu voltar. — meu irmão me olhou de modo sério.

- Está brincando não está? — perguntei também sério.

- Por quê? Parece? — debochou fazendo Kamijo rir da minha cara. — Eu sei que se eu virar as costas, você vai fugir. Kamijo ficará aqui pra garantir que isso não aconteça.

- Parece que vou passar um tempo com você Hiza-chan. — Kamijo sorriu irritantemente, retribuí o ato na mesma falsidade.

- Cuide bem de mim Kamijo-san. — encarei meu irmão, mostrando meu desgosto. — Você realmente pensa em tudo Masashi.

Disse quando passei por ele, indo à direção a meu quarto.

- Eu te conheço. — sorriu debochado.

Comecei a subir as escadas elegantemente enquanto um sorriso se formava em meus lábios.

Não me conhece tão bem quanto antes, pois se queria me manter em casa era melhor ter chamado o Yuki, por que dar um perdido em Kamijo não será nem um desafio à altura.

Adentrei o quarto e sentei-me em minha cama, só aguardando o momento de meu irmão sair e Kamijo vir até meu quarto me infernizar.

Esperei pacientemente por uns cinco minutos. Ouvi passos apressados nas escadas e tentei esconder meu sorriso com uma expressão chateada e emburrada.

A porta foi escancarada em seguida e um Kamijo irritante se aproximou de mim.

- Ah, que lindo. A criancinha ainda fica dando trabalho pro irmão mais velho.

- Não enche Kamijo. — bufei fingindo irritação. Não que ele não me irritasse de fato.

- Fique tranquilo. Só estou aqui por causa dele. Por isso loirinha, vê se te comporta ok? Não estou a fim de dar uns tapas em criança hoje.

Quanto mais via Kamijo de pé em meu quarto mais agradecia a Deus ou qualquer outra entidade divina por meu irmão não ter pensado em chamar Yuki.

- Droga. — murmurei tirando os tênis e jogando-os aos pés de minha cama. — Vou dormir, então vê se pelo menos não me enche.

Me cobri até a cabeça, virando de costas para ele.

- Oun, que lindinho. O bebê é birrento. — riu debochadamente. — Vou te deixar dormir princesinha. Então vê se não me dá trabalho, ok.

Riu novamente deixando o quarto e fechando a porta.

- Fácil demais. — sorri vitorioso.

Rapidamente me levantei. Abri meu guarda roupas apanhando a boneca que minha mãe me deu de presente aos dez anos.

Era uma réplica minha feita com meus próprios cabelos.

Minha mãe amava esse tipo de artesanato, por isso sempre guardava meus cabelos quando eu os cortava.

Finalmente ela me seria útil. Apanhei algumas almofadas, colocando-as estrategicamente sobre a cama. Por último coloquei a boneca sobre meu travesseiro.

Cobri as almofadas com o edredom rosa, deixando para fora deste, apenas algumas mexas dos cabelos da boneca.

Sem fazer barulho eu fui até a porta, olhando para a cama. Após constatar que não havia defeito algum em minha "maracutaia", eu me apressei em direção a janela.

Não recolhi os tênis do chão. Kamijo era burro, mas talvez percebesse a falta deles, então os deixei onde estavam. Não mexi em nada.

Apenas saí do modo como estava. Fui até a janela. Meu quarto era no segundo andar.

Deixei-me rir com o pensamento que talvez tenha passado pela mente de meu irmão. Se o conheço bem foi mais ou menos assim: Só tem duas saídas de casa. As duas no andar de baixo, onde Kamijo está. Então ele não terá como fugir sem passar por Kamijo.

Talvez seja por eu parecer uma garota indefesa, mas as pessoas me subestimam demais.

Passei uma perna sobre o batente da janela. Agarrei-me a um sipó real, planta que minha mãe adorava e que por sorte, plantou-a próxima a janela de meu quarto.

A devida planta crescera agarrada a uma grade posta à parede, era muito forte e sustentava meu peso sem dificuldade.

Desci pela mesma, mas devido a minha pressa, acabei por enroscar um dos pés e acabei caindo de uma altura de um metro e meio.

Não era uma altura suficiente pra eu me matar, mas foi mais do que necessária pra cortar meu braço.

Merda. Levantei-me rapidamente, olhei pela janela da sala e vi Kamijo assistindo TV tranquilamente.

É uma anta mesmo.

Caí fora o mais rápido possível. Mesmo com o braço doendo, eu ri. Foi muito fácil.

Essa era a primeira vez em dois anos que ao ir trabalhar eu não era perseguido por um Koron enfurecido. E esta também era a primeira vez que ia trabalhar sem Teru.

Apressei o passo, eu já estava bem atrasado, já deviam ser umas oito e meia da manhã. Por sorte eu não morava muito longe.

Voltei a pensar em como convencer Aoi a recontratar Teru. Não vai ser facil convencer aquela cabeça dura.

Eu sempre tive o costume de andar olhando para meus pés, e nem percebi que estava fazendo isso, só notei quando sem querer esbarrei em alguém.

- Gomen. — disse de imediato levantando a cabeça.

QUE MERDA. Foi à primeira coisa que se passou por minha cabeça quando vi que esse alguém era Yuki.

- Não foi nada... — disse para a pessoa com quem falava no celular, enquanto me encarava sério. — Apenas trombei com alguém, nada grave... Masashi.

Perdi a respiração ao ouvir o nome e imediatamente levei ambas as mãos à boca. Agora sim eu tô perdido.

Vi os lábios de Yuki se repuxarem em um sorriso, com minha reação.

- Eu já estou indo. Não irei me atrasar. Até logo. — desligou o aparelho enfiando-o no bolso do sobretudo. Me olhando em seguida com um sorriso divertido. — Kamijo é mesmo um merda.

- Por que não contou a ele? — perguntei sem olhar em seus olhos. Cara, eu estava tremendo. Tenho mais medo de Yuki do que do Masashi.

- Simples, não é da minha conta. — passou por mim, parando brevemente ao meu lado. — Mas quando for pego, esqueça que me viu. — riu soprado começando a andar para longe.

- Kowaiio. — sussurrei pra mim mesmo antes de correr feito o diabo fujindo da cruz para aquele café.

Adentrei o estabelecimento de meu tio ofegante. Ruki atendia uma das mesas desanimadamente ao passo que Aoi estava parado atrás do balcão.

Fui direto até o balcão onde Aoi estava.

- Yuu. — chamei-o enquanto me aproximava rapidamente, o ato também chamou a atenção de Ruki, que me olhou assustado.

- Você não estava de folga hoje? — disse o moreno despreocupado, preparando um café.

- Recontrate o Teru, por favor.

- Hizaki eu já conversei com Kai sobre isso...

- Por favor. — pedi novamente.

- Esqueça Hizaki. Aoi é um idiota sem coração. — disse Ruki, aproximando com a face fechada.

Primeira vez que via Ruki tão sério.

- Não se meta Matsumoto. — disse Aoi sério.

- Por quê? Vai me demitir também? — provocou o baixinho, fazendo o maior estreitar os olhos sobre si e partir pra cima.

Imediatamente me coloquei entre eles, segurando Aoi.

- Solte-o Hiza, deixe ele vir. — disse Ruki despreocupado.

- CALA A BOCA RUKI. — disse enquanto segurava um Aoi puto.

- EU JÁ ESTOU CHEIO DE VOCÊS. — gritou o moreno. Usei o pouco de força que tinha para empurrá-lo, o fazendo bater as costas no balcão.

Yuu me olhou surpreso ao passo que Ruki me olhava assustado. Conversar não ia adiantar.

Deixei que meus joelhos dobrassem, me levando ao chão. Você considera isso humilhação?

Essa era a única maneira.

- Aoi... Onegai... Volte atrás. — mantive-me de joelhos a sua frente, abaixando a cabeça.

- O que você está fazendo? Se levante Hizaki. — disse firme, mas não o obedeci.

- Eu pensei em muitas maneiras para te convencer. Mas nenhuma delas fazia sentido, então essa é a única solução. Se for pra ajudar um amigo, eu não me importo de me ajoelhar em sua frente e implorar.

- Pare com isso... — ouvi sua voz séria novamente. Seguido disso, Ruki se aproximou de mim. Eu sabia que ele iria me colocar de pé, e eu estava tão cansado que nem conseguiria resistir.

- Hizaki... — ouvi a voz calma de meu amigo soar ao meu lado.

- Ruki... Por fav...

- Yuu-san... Recontrate o Teru. Onegai.

Meus olhos lacrimejaram quando olhei para o lado e vi que Ruki também estava de cabeça baixa e de joelhos.

Ruki era a pessoa mais orgulhosa que já havia conhecido, ele era o tipo de pessoa que nunca abaixava a cabeça, e muito menos aceitava ficar de joelhos.

Vê-lo daquela maneira realmente me fez entender o quão forte era nossa amizade.

- Obrigado. – sussurrei, mas para mim do que para ele.

- Por favor, se levantem. Eu já disse não tem necessidade disso, Teru já foi recontratado. — disse Aoi ainda de maneira séria.

- Hã? – Ruki e eu estávamos realmente surpresos.

- Eu me excedi ontem. Conversei com Kai-san hoje de manhã. Teru-chan volta a trabalhar amanhã mesmo. — Aoi manteve-se sério.

Em um movimento muito rápido Ruki e eu nos levantamos nos atirando sobre Aoi e o derrubando no chão com o peso de nossos corpos.

- AAAAH ARIGATOU YUU... — Ruki e eu o abraçávamos ao passo que ele se debatia abaixo de nós.

- O que diabos vocês estão fazendo? Seus loucos me soltem agora. — esbravejou Aoi. Porém logo o maior parou de se debater quando ouvimos um soluço por parte de Ruki.

- Ruki... — chamou-o preocupado, mas o loirinho manteve o rosto escondido na curva do pescoço do moreno.

- Seu idiota... – soluçou. — Eu... Eu realmente achei que não voltaria atrás. — continuou a chorar me preocupando.

Saí de cima de Aoi me sentando ao seu lado, sendo imitado pelo moreno que repetiu o ato trazendo o loiro para seu colo.

- Gomen Ruki-chan... — disse com um leve sorriso, acariciando os cabelos loiros.

Eu só vira Ruki chorar duas vezes. A primeira foi quando sua mãe morreu. Ele chorou por horas no ombro de Aoi.

E agora ele está chorando por Teru, novamente no ombro de Aoi.

Desde que os conheci, nunca os vi se darem bem. Era sempre o Ruki o provocando ou vice versa. Eles são primos.

Ruki mora com Aoi desde que sua mãe morreu. Raramente vejo cenas assim, mas fico feliz, pois sei que Aoi se importa, mesmo que ele se faça de despreocupado.

Será que Masashi também é assim?

- Recompanha-se Ruki. Achei que você só tivesse o tamanho de uma criança. — riu.

- Cale a boca. — o loirinho deu um tapa em seu ombro, secando os olhos e se levantando.

Copiamos o ato do mais novo, nos colocando de pé.

- Aoi eu preciso que você... HIZAKI? — ouvi a voz de tio Kai me lembrando de que eu não poderia ter sido visto por ele.

- Fudeu. — murmurei fechando os olhos.

- O que você está fazendo aqui? — pensa rápido Hizaki.

- Etto... — gaguejei sem saber por onde começar.

- Onde está o Masashi?

- Trabalhando.

- O QUE? EU DISSE PARA AQUELE IDIOTA FICAR CUIDANDO DE VOCÊ. — alguém me mata, por favor. — Eu vou ligar para aquele irresponsável.

Ok. Agora ferrou.

- TIO ESPERA... Eu saí sem ele saber... — tentei consertar.

- MASASHI... — sabe quando você sente o fim de sua vida em uma palavra? É exatamente isso. — Não pedi pra que você cuidasse de Hizaki?

Masashi — Pov's

- Eu indico Yuki. Ele é o nosso melhor violinista, e em minha opinião o que está mais apto a representar nossa escola. — disse para nossos oito professores responsáveis pelo evento que tornaria nossa escola ainda mais conhecida.

- Eu concordo Masashi-san. Yuki é o melhor violinista dessa escola. — concordou a professora responsável pelas aulas de violino.

- Se todos estão de acordo, o que você tem a dizer Yuki? — olhei para meu amigo sentado ao meu lado.

- Aceito. — sorriu.

Meu celular começou a tocar chamando a atenção de todos.

- Desculpem. — sorri para todos levantando-me e indo atender. — O que quer Kai?

- MASASHI... Eu não pedi pra que cuidasse de Hizaki?

- Fique tranquilo Kai, Hizaki está muito bem cuidado. — disse sem o mínimo saco pra escutar seus pitis.

- É tão bem cuidado que está aqui no café, descalço e ainda com o braço sangrando. – surpreendi-me.

- Braço sangrando? Como assim sangrando? — esbanjei a preocupação que eu queria esconder. Logo percebi Yuki parar ao meu lado.

- Estou indo para aí Kai. — disse irritado desligando o celular. — Eu mato o Kamijo.

- Problemas com Hizaki? — perguntou Yuki de maneira divertida.

- Sim.

- Não é de se surpreender que ele tenha conseguido fugir. A culpa foi sua por deixar alguém como Kamijo cuidando dele.

- É... Eu se... Espere... — o olhei. — Eu não lhe disse que ele fugiu. Como sabe disso? — estreitei meus olhos sobre ele.

- Eu não sei de nada. — riu novamente saindo de minha frente e caminhando pelo corredor.

- Ei, espera! A pessoa com que você esbarrou hoje...

- Já disse que não sei de nada. — me cortou sem me dar a mínima atenção.

♦♦♦

Estava dirigindo em direção aquele café. Eu sabia que escutaria horrores de Kai por isso.

Como aquele idiota do Kamijo não o viu fugir?

Hoje eu mato você Hizaki. Eu já estava puto. Estacionei o carro na frente do maldito café e desci do mesmo indo em direção ao estabelecimento pouco movimentado.

Abri a porta de maneira brusca assustando os três a minha frente.

Um loiro com o tamanho de uma criança de 10 anos, um moreno com a boca da Angelina Joolie e uma pessoa cuja sentença de morte estava assinada. Meu irmão.

Aproximei-me a passos rápidos, vendo os outros dois darem um passo para trás ao passo que meu irmão continuou fixo no lugar.

Nem bem me fixei a sua frente e já lhe desferi um tapa na face com a força de minha raiva.

- Não te mandei ficar em casa? — controlei minha voz para que não saísse berrada.

Ele manteve o rosto virado enquanto os cabelos loiros cobriam parte do mesmo.

O loiro tentou vir ao socorro de Hizaki, mas o outro segurou seu braço, mantendo-o no lugar. Sábia decisão.

- Gomen. — sua voz soou sussurrada.

- Suas desculpas não vão adiantar. — mas não iam mesmo. Por causa dele tive que cancelar uma reunião muito importante e ainda iria ouvir merdas de Kai.

- Masashi... — falando no diabo. Virei-me de frente para ele o encarando.

- Estamos indo pra casa. — puxei o braço de meu irmão sem o mínimo cuidado, o arrastando para perto de mim de maneira estúpida.

- Você não vai fugir da nossa conversa. — Kai veio para cima de mim e eu não saí do lugar. — TEM MUITAS COISAS QUE QUERO JOGAR NA SUA CARA.

- Eu não tenho por que te ouvir. Você não é meu pai. — disse de maneira grossa, vendo meu tio morder os lábios. Ele se afetava com tão pouco.

- Dou graças a Deus por isso. Só tenho dó de minha irmã por ter colocado no mundo uma pessoa como você. — as palavras me afetaram de uma maneira tão descontrolada que antes que eu percebesse meu punho já havia se chocado contra o rosto de meu tio o mandando longe.

- TIO... — Hizaki se livrou de minha mão indo de encontro a ele. O mesmo foi feito pelos outros dois, que o ajudaram a levantar.

Permaneci o encarando.

- Está tudo bem? — ouvi a voz preocupada de meu irmão. Meu tio sorriu acariciando seus cabelos, ao passo que a outra mão limpava os resquícios de sangue em seus lábios.

- Se doeu tanto, é por que tem consciência de que isso é verdade. — disse seriamente.

- O que você não suporta foi ter sido substituído por mim. É por isso que tem tanta raiva de mim titio? Por que minha mãe te deixou de lado pra ficar mais tempo comigo?

- Sua mãe nunca me deixou de lado.

- Então por que você brigava tanto com ela? Ou vai negar que dias antes dela morrer você a deixou tão nervosa que só a fez piorar? — mexi em uma lembrança que eu sabia ser dolorosa. — Minha mãe morreu mais rápido graças a você... Kai-san.

Desdenhei vendo as lágrimas se formarem nos olhos de meu tio. Desta vez fui eu a levar um murro na cara.

- Não fale de coisas que você não sabe. — disse com a voz trêmula pelo choro.

- Agora estamos empatados. — disse calmamente, passando o polegar por meus lábios ensanguentados.

- Vamos embora Hizaki. — disse já lhes dando as costas.

- Masashi...

- NÃO ME FAÇA REPETIR. — gritei já sem a mínima paciência e de imediato ele já estava ao meu lado.

Caminhamos até o carro, ele entrou no lado do passageiro e eu no lado do motorista. Ambos em silêncio.

Respirei fundo olhando para o retrovisor e vendo o corte nos meus lábios.

- DROGA. — esmurrei o volante fazendo meu irmão quase pular ao meu lado. — Você tem alguma coisa contra ficar sem causar problemas por umas duas horas? — o olhei possesso pela raiva.

- Gomen...

- PARE DE PEDIR DESCULPAS PORRA. — gritei novamente o fazendo fechar os olhos. Ele também parecia exausto. Pálido, parecia mais magro e com a expressão cansada.

Acabei ficando preocupado por um momento. Desviei meus olhos dando partida e indo para casa.

Dirigi por cerca de uns 3 minutos até a nossa casa. Fomos o caminho todo em silêncio.

Parei o carro em frente a nossa casa e desci, acompanhado por meu irmão que dava pulinhos no asfalto quente. É o que da sair de casa descalço.

Puxei seu braço pegando-o no colo. O ato pareceu surpreendê-lo.

- Masashi eu posso...

- Cale a boca. — disse sério carregando-o para dentro da casa.

Abri a porta com ele ainda em meus braços, e logo Kamijo se aproximou de nós dois.

A expressão do filho da puta me fez perceber que ele nem se quer se deu conta de que meu irmão tinha fugido.

- O que? Como foi que você...? — apontava Hizaki em meus braços boquiaberto.

- Isso é o que eu também queria saber. Não te mandei ficar de olho nele? — esbravejei colocando meu irmão no chão.

- Não... Isso não faz o mínimo sentindo, eu acabei de vir do quarto dele, e ele estava dormindo. — falou totalmente confuso, olhando para Hizaki como se ele fosse um fantasma.

- Não é preciso truques mirabolantes pra passar a perna em você Kamijo-san. — disse meu irmão com a face tranquila.

- Não... Isso tem que ter alguma explicação. — Kamijo nos deu as costas seguindo para as escadas de modo apressado. Hizaki o seguiu com elegância, tão devagar que pensei que talvez suas forças não lhe permitissem ir mais rápido.

Segui-os também. Quando cheguei ao andar superior Kamijo encarava a cama de modo apavorado. E Hizaki mantinha-se parado ao seu lado.

- VOCÊ... — apontou meu irmão. — COMO PODE ESTAR EM DOIS LUGARES AO MESMO TEMPO? — eu estava possesso de raiva, mas tive vontade de rir.

Hizaki suspirou balançando a cabeça negativamente e a passos curtos caminhou até a cama, puxando o lençol e descobrindo as varias almofadas, revelando seu segredo.

- Simples assim. — disse de maneira séria e cansada.

Tive que me controlar muito para não rir da cara de Kamijo.

- Kamijo... Você já pode ir, preciso ter uma conversa com meu irmão. — disse novamente sério.

- Ok. — Kamijo ainda saiu confuso, prestei atenção a todos os barulhos, e quando ouvi a porta ser fechada, imediatamente fechei a porta do quarto de Hizaki.

Aproximei-me devagar, aguardando ele recuar. Não o fez.

- Me desobedeceu de novo. — disse de modo falsamente contido. — Por quê? — o encarei sério aguardando a resposta.

- Teru foi demitido... — sussurrou.

- E por isso pisou em cima de uma de minhas ordens e foi até lá? Fazendo-me ouvir tudo aquilo desnecessariamente? — deixei minha raiva transparecer.

Ele apenas balançou a cabeça positivamente.

- Não faça mais isso. — disse por fim, eu também estava cansado.

- Isso o que? — me olhou surpreso.

- Não me desobedeça. Vou deixar passar desta vez. Tenho muito trabalho acumulado graças a certo alguém. — lancei-lhe um olhar sugestivo.

- Hai. — abaixou a cabeça.

- Durma um pouco, eu vou estar lá embaixo. — disse calmo, já me afastando dele.

- Hai... — ele realmente devia estar cansado, pois até sua voz estava arrastada.

Eu realmente estava preocupado. Mas do que de fato queria estar.

Hizaki – Pov’s

Nem sei por quanto tempo eu dormi, só sei que quando acordei já havia anoitecido.

Me levantei com calma indo até o banheiro, escovei meus dentes e desci as escadas devagar.

Parei em meio a esta observando meu irmão concentrado na tela do notebook posto em seu colo.

Ele parecia entretido naquilo. Fitei seus lábios notando o pouco inchaço e vendo que ele nem ao menos havia passado algo naquele corte.

Era mesmo uma pessoa descuidada. Terminei os degraus e então ele me olhou.

- Já está de pé? — voltou à atenção para o pequeno computador. — Sente-se melhor?

- Hai... E você? — a pergunta o fez me olhar confuso. Passei os dedos sobre meus lábios fazendo um gesto sugestivo.

- Ah! Isso. — passou o polegar pelo corte. — Isso não foi nada. — voltou a digitar rapidamente.

Depois de um minuto em silêncio, fui até a cozinha. Abri o armário apanhando a pequena caixa de curativos.

Desinfetei o corte em meu braço, colocando a gaze e o esparadrapo em seguida.

Fiquei olhando para os curativos, e pensando nas coisas que aconteceram hoje.

Não era meu Sashi-nii-san de antes, mas pelo menos não era o monstro de agora.

Hoje ele estava diferente.

Apanhei a caixa sobre a mesma indo até a sala onde ele estava. Aproximei-me da poltrona e ele me olhou por um momento em silêncio.

Cuidadosamente peguei o notebook de seu colo, colocando-o sobre o sofá.

- O que está fazendo? — perguntou confuso, mas logo notou a caixinha em minha mão. – Ah, pare com isso. Não precisa de algo assim.

Não lhe dei ouvidos, e de imediato me sentei em seu colo, apoiando um joelho de cada lado de sua cintura, ficando assim de frente para ele.

O ato o surpreendeu e ele se calou. Ainda em silêncio, retirei os oculos de seu rosto, colocando-os sobre o braço da poltrona.

Abri a caixa apanhando um cotonete e um vidrinho de álcool.

Abri o pequeno vidro, molhando a ponta do cotonete no mesmo. Segurei o rosto calmo e ao mesmo tempo confuso de meu irmão com cuidado, virando-o minimamente para que eu pudesse ter melhor visão do corte.

Com a maior delicadeza possível, comecei a desinfetar o corte, percebendo meu irmão franzir o cenho e cerrar os olhos com força devido à ardência. De imediato me aproximei mais de seu rosto, assoprando a região machucada com leveza.

Os olhos de meu irmão foram abrindo-se lentamente e ele voltou seus olhos para mim, me olhando de um modo como nunca olhou antes.

Meu coração batia desesperado e eu não conseguia entender o calor que invadia meu peito.

As mãos grandes de Masashi pousaram em minhas coxas, acariciando as mesmas até chegar à barra do pequeno shorts que eu vestia.

Eu não estava com medo. Ao contrário, senti minha respiração falhar e meu corpo todo se arrepiou.

Não me mexi e nem pedi para ele parar. Fique onde estava e como estava. Uma de suas mãos subiu pela lateral de minha cintura, sob o fino pano da regata roxa.

Nossos olhos ainda estavam cruzados. A mão subiu ao meu pescoço, indo até minha nuca e emaranhando-se em meus cabelos soltos.

Puxou os fios com delicadeza, inclinando minha cabeça para trás. Os lábios tocaram meu pescoço de maneira calma, fazendo-me suspirar.

Meu corpo estava leve e eu sentia uma vontade enorme de ser tocado por ele. Vontade essa que eu não entendia.

Levei minhas mãos até seus ombros, cravando minhas unhas nos mesmos.

Um desejo sem explicação me invadia por completo, tomando conta de todos os meus sentidos.

Sua língua percorreu a pele de meu pescoço, até chegar a meu maxilar. Soltou meus cabelos, e eu abaixei minha cabeça, ficando a centímetros de seu rosto.

Sua respiração chocava-se contra minha. Meu corpo tremia sobre suas mãos e meu coração parecia querer rasgar meu peito.

Que sensação é essa?

Percebi seus lábios se aproximarem dos meus, suspirei fechando os olhos. Eu não estou com medo...

Senti-o mais perto... Nossos lábios roçando um ao outro. Eu realmente... Não estou com medo.

Notas finais
NÃO ME MATEM T~T
Seguinte pessoal, a dias atras andei relendo os review's e vi que o povo tava revoltado com o constante sofrimento do Hizaki...Nesse Chappie resolvi amenizar as coisas pro lado dele, MAIS NÃO SE ILUDAM...o Masashi não vai começar a tratá-lo bem agora, isso foi apenas uma trégua que vc's entenderão em breve. Sei que vc's esperavam por esse beijo e devem estar querendo me trucidar por eu ter parado assim...Mais então...Mesmo que ela não esteja aqui, essa fic está sendo feita a pedido da Lumi, então ainda terei que complicar as coisas pro Hizaki Ç_Ç
Mais enfim...Não desistam de ler tá...
Proximo chappie teremos grandes surpresas ♥
Bjos amores ♥