Ciranda
12 Capítulo 10 - Declaração.
Notas iniciais
Mas eu realmente não tive muito tempo esses dias, de modo que foi muito dificil conseguir um tempo e escrever.
Acho que terei menos problemas em postar com frequencia agora, então não se preocupem.
O Chappie não esta muito interessante e talvez esteja curto, mas o que virá a seguir é que conta.
Espero que ainda estejam afim de ler.
Desculpem pela demora absurda. ♥
Sem betagem por conta da pressa... '-'
~~ Hizaki Pov ~~
- Deixe-me ver se entendi. O Yuki desistiu de tocar por que você disse que não queria tocar a musica, mas nós chegamos do nada? – Olhei o pequeno Teru se debulhando em lágrimas sobre minha cama.
- Sim.
- Não faz sentido. – Continuei a fitá-lo sentado a seu lado.
- Claro que faz Hiza. O que acha que ele quis dizer com “ Não era pra vocês terem ouvido esta musica”. A culpa é minha eu estraguei tudo de novo. – Novamente começou a chorar feito louco.
- Não fique assim Teru não foi culpa sua...
- FOI SIM. – Soluçou.
- Ai meu Kami o que eu faço? – Esfreguei o rosto de modo frenético, enquanto meu travesseiro estava sendo encharcado com as lágrimas de Teru.
Mas por mais que eu odiasse admitir, as palavras de Teru fizeram as ações de Yuki ter sentido.
- Te-Chan, vamos descer. Eles ainda estão nos esperando. – Sacudi seu ombro tentando convencê-lo a voltar pra sala. Quando Yuki disse que não voltaria atrás meu amigo se pôs a correr feito louco para meu quarto.
Já fazem uns vinte minutos que ele não para de chorar.
- Não! Eu não vou sair daqui. – Fez birra acabando com minha paciência.
- AH VOCÊ VAI SIM. – Agarrei suas pernas tentando puxá-lo para fora da cama, mas ele agarrou-se a guarda da mesma. – EU NÃO PASSEI A TARDE TODA COZINHANDO PRA VOCÊ SE TRANCAR AQUI.
- NÃO! EU NÃO QUERO. – Gritou esgoelado.
- Você tem dois minutos para soltar essa cama antes que eu te arraste pelos cabelos. – Esbravejei puxando-o com mais força.
- TÁ BOM, TÁ BOM EU VOU! – Gritou soltando a guarda da cama e colocando-se de pé ao meu lado.
- Isso. Agora vamos lo...- Nem terminei de falar e o filho da puta começou a correr em direção ao meu banheiro. – NÃO SE ATREVA TERU.
Consegui alcançá-lo e puxei-o pelas costas do sobretudo, tirando-o do rumo do banheiro.
- EU NÃO VOU DESCER LÁ POR NADA NESSE MUNDO. – Gritou correndo pelo quarto enquanto eu tentava pegá-lo e arrastá-lo até a sala.
- DEIXE DE SER INFANTIL... – Pulei em cima dele e ambos caímos deitados sobre minha cama.
- NÃO...NÃO... – Teru se debatia enquanto eu me sentei sobre seu quadril tentando segurar seus braços.
- CALA ESSA BOCA SEU ESCANDALOSO. ISSO SERÁ MUITO MAIS FACIL SE VOCÊ COLABORAR... – Eu não era tão rápido em segurar Teru, já que o filho da mãe pulava mais que salsicha na frigideira.
- NÃO, EU NÃO QUERO... PARA... — Ele me estapeava enquanto gritava com a voz chorosa.
— Mas que porra é essa? – Nossa atenção foi imediatamente direcionada a porta onde encaramos as três figuras estáticas.
Masashi segurando a porta com a maior cara de tonto, Yuki com uma sobrancelha arqueada e Kaya com o olhar maliciosamente divertido enquanto o leque cobria seu sorriso.
Depois de uns dois minutos me dei conta que quem visse aquela cena sem ter a noção do contexto pensaria coisas absurdamente maliciosas.
- Masashi? – Sai de cima de Teru de forma desengonçada ajeitando a saia de meu vestido amassado.
Teru também se levantou desesperadamente, caindo aos pés da cama. Puxei seu braço de uma vez o levantando ao meu lado. Ajeitou os shorts mantendo o rosto abaixado pela vergonha.
- Interrompemos algo importante? – A pergunta maliciosa por parte de Kaya nos deixou ainda mais envergonhados e desconcertados.
- NÃO... – Respondemos em uníssono deixando ainda mais evidente o nervosismo. Masashi me olhava de maneira mortal.
Por que esse sentimento de que estou fodido está me dominando?
Até eu convencê-lo de que estava tentando arrastar Teru para baixo e não tentando estuprá-lo, vai levar um bom tempo.
- Bem de qualquer modo eu estou me despedindo. – Kaya caminhou até mim. – Obrigado pelo jantar Hizaki. Fazia tempo que não apreciava uma refeição tão maravilhosa em tão boa companhia. – Sorriu de forma delicada.
Ele realmente sabia ser uma pessoa gentil.
- Foi um prazer Kaya-sama. – Sorri. – Por favor, venha nos visitar mais vezes.
- Virei, se Yuki deixar de ser tão orgulhoso e aceitar meu convite. – Olhamos para o homem mais velho que rolou os olhos de maneira nervosa. – Mas parece que isso não vai acontecer. – Kaya sussurrou de maneira divertida para mim.
- Bem... Quanto a isso. – Voltei a olhar para Yuki. – Yuki-san, você poderia dar uma carona pra Teru, ele quer conversar com você.
- NÃO QUERO, NÃO. – Teru gritou ao meu lado e o tapa que dei em sua cabeça foi um movimento automático.
- Quer sim e cala a boca. – Fuzilei-o com meus olhos o fazendo coçar a nuca de maneira discreta.
Os olhos do mais velho estavam presos em nós dois, como se quisesse encontrar um motivo para meu pedido.
- Por mim tudo bem. Mas vamos logo. Vou deixar Kaya-sama em casa também. – Disse com descaso.
Teru me olhou com uma carinha de piedade tão fofa, que não pude evitar passar um braço por seus ombros e abraçá-lo.
- Vai ficar tudo bem Te-chan. Use esta oportunidade para se desculpar. – Aconselhei-o em voz baixa e seguimos para a sala.
- Desculpe não te ajudar com a louça Hiza. – Disse Teru com voz fofa.
- Tudo bem. Eu posso me virar. Só faça sua parte. – Sussurrei em seu ouvido e ele fez um sinal positivo, parando ao lado de Kaya que nos fez uma breve reverencia, e saiu junto aos dois.
Masashi fechou a porta e de repente a idéia de ficar sozinho com ele fez meu coração saltar. Desespero aumentou ainda mais quando ele me olhou daquela maneira séria.
- Antes que você pense um monte de merdas, eu só estava tentando arrastar o Teru pra sala pra obrigá-lo a convencer Yuki a tocar a musica da mamãe. – Tratei de me explicar.
- Eu não disse nada. – Comentou em um meio sorriso. Ato que fez com que me sentisse estúpido. – Tenho um trabalho para terminar. Se estiver cansado vá dormir e deixe a bagunça para amanhã.
- Tudo bem, consigo arrumar agora. – Disse de certa forma, envergonhado. Não estava acostumado com a gentileza dele.
- Você que sabe. – Deu-me as costas subindo as escadas vagarosamente.
Acreditem, só o fato de ele não me bater já é gentileza.
Comecei a organizar as coisas. Tirei a mesa de jantar. Guardei a comida que havia sobrado. Limpei o fogão.
Tudo isso me levou umas duas horas.
Já estava quase acabando de lavar a louça. Não tinha muitos pensamentos. Evitava a todo custo pensar no beijo de Yuu e Uruha.
Mesmo que ele não me levasse a sério, eu gostava dele.
Quando me dei conta já estava secando a pia. Finalmente havia acabado.
- Chega a ser interessante quando você entra no modo automático. – A voz de Masashi, cuja presença eu nem notara até ele abrir a boca, me fez pular.
- Eu... Eu não o vi chegar. – Gaguejei apoiando as costas na pia.
- Não diga. – Disse de modo irônico e com um sorriso. Aproximou-se de mim vagarosamente, parando a minha frente e colocando o copo em suas mãos sobre a pia. – Já terminou?
- Já. – Continuei com os olhos voltados para o chão. – Vou dormir. Boa noite. – Tentei sair de perto dele, mas é obvio que ele não deixaria.
- Espere. – Segurou meu braço com força me obrigando a parar. Em seguida me puxou de volta para onde eu estava, novamente me pressionando contra a pia. – Não vai me dizer?
- Dizer? – Levantei meus olhos para ele. A verdadeira confusão estava estampada neles.
- Não se faça de besta. – Me olhou com seriedade. – Ontem deixei passar por que você realmente não parecia bem. Hoje mal tive tempo para falar com você. Mas agora você pode dizer.
- Dizer o que? – Eu realmente não o entendia.
- Hizaki... Para de brincar comigo. Você melhor que ninguém sabe que não fui agraciado com o dom da paciência. – Opa. Alerta vermelho. Comecei a forçar minha fraca memória a se lembrar do que diabos eu havia esquecido de “dizer”.
- Masashi eu realmen... – Senti algo estalar em minha memória e como um flash a resposta me veio à mente me obrigando a travar e arregalar os olhos. – Yuki...
Sussurrei seu nome. Obvio que ele teria dito a meu irmão que me encontrara chorando e perdido debaixo de chuva. Além do mais mesmo que ele não houvesse dito uma palavra, cheguei em estado deplorável na noite anterior.
- Yuki não me disse nada. E não foi por falta de insistência. – Disse com a seriedade típica dele. Claro que Yuki não havia dito nada, nada demais pelo menos.
- Ele não sabia. – Disse com o rosto um pouco baixo.
- Então o que lhe fez chorar daquela maneira na noite anterior? Você nunca chora, o que houve com você? – Perguntou com seriedade, mas era obvia a preocupação dele por detrás das palavras. Tão obvia que o encarei confuso assim que ele terminou a frase.
Meu ato o fez desviar um pouco os olhos, talvez envergonhado por ter demonstrado o que não queria.
- Bem é que... – Comecei hesitante, eu não queria contar o que houve. Não queria nem ao menos lembrar. – Algo aconteceu no trabalho.
- Kai brigou com você? Algum cliente lhe deu bronca? – Perguntou aleatoriamente me fazendo entender que talvez eu não conseguisse me livrar do ponto chave.
- Não... Não teve nada a ver com tio Kai ou com os clientes. O problema é comigo. – Suspirei longamente, eu estava cansado, não queria me lembrar, não queria falar nada sobre isso.
- O problema é o gerente não é? – A pergunta séria me fez enrijecer ao mesmo tempo em que sentia meu interior tremer desgraçadamente. – Você disfarça muito mal Hizaki. – Riu soprado ao passo que segurou meus braços com um pouco de força.
- Como você...? – Levantei meus olhos para ele buscando entender como ele podia saber de algo assim.
- Já notei como você o olha. – Podia jurar que aquilo nos olhos dele era ciúme. – O que aconteceu? Ele não aceitou seu amor? – Disse em tom de deboche e eu quase chorei em sua frente novamente.
- Yuu nunca olhou para mim... – Disse em tom entristecido, forçando minha alma para não chorar.
- Claro que não. Quem olharia Hizaki? – As palavras frias me fizeram olhá-lo e seus olhos agora demonstravam raiva. – Você não é um garoto comum. Acha que os outros não notam? – Perguntou com um sorriso de soslaio.
- Notam o que? – Perguntei já com o tom choroso, por que doía tanto?
- Vou te mostrar. – De imediato ele soltou meus braços agarrando meu pulso e me puxando para a sala onde havia um enorme espelho posto a parede.
Jogou-me de frente para o mesmo colando minhas costas em seu peito e envolvendo minha cintura com um dos braços.
- O que...? – Tentei olhá-lo por cima de meus ombros mais a mão rude agarrou meu maxilar forçando meu rosto para frente, obrigando-me a encarar meu reflexo.
- Veja... – Sussurrou em meu ouvido e eu encarei meu reflexo, envolto pela figura maior de Masashi parado atrás de mim. – Você não é mais um garoto puro e comum Hizaki, eu manchei você, eu me marquei fundo na sua alma. Você é meu agora, por isso NINGUEM chegará perto de você.
A lágrima que me forcei a segurar rolou por minha face atônita diante daquele espelho e daquela declaração.
Por mais doloroso que fosse Masashi tinha razão, eu não tinha o direito de estar com outra pessoa, por que eu não era mais quem eu fui.
- Eu não passo de um brinquedo quebrado. – Sussurrei para mim mesmo perdido em meus pensamentos. Dura a realidade.
- Eu o fiz assim... – O braço em minha cintura me puxou com força me obrigando a virar e ficar de frente para meu irmão. – Por isso apenas eu posso ter-lhe. Entregue seu coração para mim Hizaki, pois você sabe que não tem escolha.
Novamente minhas lágrimas desceram pesadas por meu rosto sem expressão que era voltado para Masashi devido sua mão em meu maxilar.
Ele aproximou os lábios dos meus e eu nem ao menos me movi, apenas fechei os olhos deixando que ele me beijasse novamente.
Eu sabia que jamais teria Yuu... Mas de repente a idéia de ter Masashi não me pareceu tão ruim.
Será que tudo que eu queria era não me sentir sozinho?
Fale com o autor