Cinzas de Prata
19 Capítulo 18 - Fantasmas do Passado
Notas iniciais
Ashley ainda não acreditava no que estava vendo. Não poderia ser o Alfred, aquele Rattata todo destroçado diante daquele Ratecate. Como um Pokémon pode simplesmente matar um de sua espécie. Ela ouvia uma voz dizendo “Ele estava com você? Eu não sabia! Ele invadiu meu território!”. Porém a garota estava tão desorientada que essas frases não lhe faziam sentido.
Ela começou a andar sem rumo pelo matagal da rota 38. Ela queria de uma forma fugir. Fugir na tentativa de esquecer aquela cena terrível que acabou de presenciar. Ela apressou seus passos e mal percebeu que uma neblina estava se formando...
Repentinamente, a garota não sabia qual rumo tomar, não estava encontrando o caminho de volta. Será que essa rota é tão grande assim? Ela continuava a correr, mas tudo que via era o gramado. Não estava mais vendo nenhuma criatura ou construção para ajudá-la a se localizar. É como se estivesse andando em círculos. Continuou caminhando durante alguns minutos até que uma voz familiar lhe chama atenção.
— Ashley... Ashley...
— Quem está ai? – a garota ficou assustada.
— Ashley, lembra de mim?
Ela sabia muito bem de quem era essa voz.
— Não! Não pode ser! Mas você tinha... – lagrimas escorriam pelo seu rosto.
A névoa diminuiu um pouco, revelando a silhueta de uma pequena criatura. Esse ser se aproxima e se revela ser um Pikachu. Uma fêmea, como é notado no formato cordiforme da cauda. Ashley a conhecia. Logo ela se debulhou em prantos.
— Sasha!
— Ashley! – disse a pequena Pokémon – lembra da nossa promessa? De que sempre estaremos juntas.
A garota ainda não acreditava que estava diante de seu primeiro Pokémon que recebera do Professor Carvalho na cidade de Pallet. Por impulso ela queria pegar a Pikachu e da lhe um forte abraço. Mas quando sua mão chega nela, a Pikachu simplesmente se desfaz... como se fosse uma fantasma.
“Ashley!” ela ainda escutava a voz da Pikachu “Por que? Por que me deixou naquela luta? Era para eu vencer esse Pokémon aquático não é?”
A garota reviveu o momento em que presenciou a morte de Sasha. Ela foi seu primeiro Pokémon e foi a primeira a perecer durante a jornada. Elas estavam desafiando uma líder de ginásio especializada em Pokémon aquáticos. Achava que Sasha daria conta dos combatentes dela, mas não foi páreo para um deles.
“Isso foi sufocante... eu estava sem ar... meu peito doía...”
— PARE! PARE COM ISSO! – Ashley ficou aterrorizada ao ser relembrada dessas circunstâncias. Ela tentou tapar os ouvidos e se desabou no chão ficando de joelhos. Ela chorava intensamente. Fechou os olhos por um instante na tentativa de acordar desse pesadelo. Mas quando os abriu novamente. Ela avista a figura de um Charmeleon. Também o reconhece. Era a sua Charmeleon conhecida como Lara.
“Sei que posso vencer esse Magnemite! Não sou tão fraca assim! Ele vai ver só!” A voz dela entrava diretamente em sua mente.
Estavam a bordo do navio Saint’Anne quando aquilo aconteceu. Lara estava em um acesso de Fúria. Com isso ela se envolveu em uma batalha contra um Magnemite e não saiu viva dela.
Mais uma voz ecoa na mente dela:
“Por que você tinha que se meter com os Rockets! Quer bancar a heroína, é? Não se importa com a gente?” Era Will, seu Pidgeot. Ele era o primeiro Pokémon que ela capturou.
“Queria me vingar desses malditos! Graças a você eu consegui minha vingança! Mas a que preço? Por cauda disso surgiu uma criatura que direcionou sua vingança contra todos nós!” Era a voz do seu Starmie, Garnet.
“Ashley, por que fugiu naquela hora que o Mewtwo nos atacou?” questionava uma Butterfree que surgia bem diante de seus olhos. Era a Melissa.
“Talvez ela não fosse muito diferente deles!” dizia o Miguel, que era seu Blastoise.
“A vingança acabou pairando sobre nós!” essa frase veio de um Venusaur, o Bernardo.
“Isso foi culpa sua Ashley!” acusou Lucy, a Nidoqueen.
Ashley estava cercada de vultos que vão tomando forma de seus antigos companheiros que pereceram naquele fatídico dia. E ouvia os lamentos deles dizendo que ela era a culpada de tudo isso. Ela sabe muito bem disso. Se não fosse por seus desejos egoístas, seus companheiros ainda estariam com ela. Mas ela já não estava aguentando ouvir aquilo e resolveu correr daí na tentativa de fugir deles. Mas ela se depara com mais três vultos. Eles se materializam nas formas de Honet, Silver e Alfred.
“Ashley! Você disse que ia me proteger!” lamentava a pequena Weedle.
“Ashley! Estou com medo!” a voz do Eeevee estava chorosa.
“Pelo visto, não foi com você que tive segurança!” dizia o Rattata.
— AAAAAAAHHHHH! SUMAM! SUMAM DA MINHA FRENTE! – a garota estava perdendo a sanidade – POR FAVOR! ME PERDOEM! NÃO QUERIA QUE AQUILO ACONTECESSE COM VOCÊS! MAS POR FAVOR ME DEIXEM EM PAAAAAZ!
A culpa estava novamente pesando no peito de Ashley. Ela estava se sentindo miserável. Ela merecia toda punição que tiver, seja divina ou mundana, pois não havia perdão no que ela fez. Várias vidas foram perdidas por sua causa. Mas não se sabe por quanto tempo sua mente iria aguentar.
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
Os outros Pokémon se dirigiram a Rota 38 para impedir a fuga de Alfred e Ashley. Mas todos eles ficaram aterrorizados ao depararem que já é tarde demais para o Rattata.
— ALFRED! – Francisca fica com os olhos marejados – o que houve com você?
— Por onde anda a Ashley! Será que ela sabe desse... do que houve com o Alfred? – Rochelle começa a se preocupar.
— Que névoa estranha é essa? – Caninana estranha os fenômenos desse lugar.
— Vai ser difícil enxergar nessas condições! – fala André – mas estou detectando uns movimentos estranhos. Parece ação de certos Pokémon.
— Mas posso escutar os passos da Ashley! – Rouge usa sua aguçada audição para localizar sua treinadora. Ela não está muito longe daqui.
— Vou ajudar com meu faro! – Francisca limpa as lágrimas com sua folha da cabeça – aguente firme Ashley!
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
A situação de Ashley é desesperadora. Ela estava com as mãos nos ouvidos para não escutar os murmúrios dos seus companheiros já falecidos, mas as vozes de cada um deles ecoavam nitidamente em sua cabeça. Ela estava de joelhos e não controlava as lágrimas.
— PESSOAL! EU... EU SINTO MUITO PELO QUE ACONTECEU POR VOCÊS! Snif... Snif... O que eu devo fazer para vocês me deixarem em paz!
O grande remorso que estava guardado em seu coração durante anos volta à tona e tortura a consciência de Ashley. Tudo que ela pode fazer e chorar e se desculpar com eles, afinal, foi por causa dela que suas vidas foram abreviadas. Por conta disso, ela sente que pode perder a razão a qualquer momento.
— Não aguento mais... – suplica Ashley – o que eu devo fazer para essa tormenta terminar... se quiserem... – ela começa a chorar mais alto – SE QUISEREM PODEM TOMAR MINHA VI...
“Não diga uma coisa dessas!”
Uma voz ecoa mais forte que as outras.
— Quem... quem está aí?
“Ashley, aqueles não somos nós! Nenhum deles... e nem eu queremos que você sofra!”
Gradativamente, os lamentos dos seus companheiros vão se transformando em risadas sinistras.
“Hi hihi! He He!Ha hahahahaaaaaaa!”
“Ashley, você pode ter sim ter responsabilidade em relação ao nosso perecimento. A morte é algo irreversível e você não pode fazer mais nada para mudar isso! Mas o melhor que pode fazer por nós é seguir em frente, carregar essa culpa que será o seu fardo daqui em diante, mas seguindo para que continue com sua vida e se dê uma nova chance. Essa é a sua punição!”
A garota começa a se acalmar. Essa misteriosa voz está guiando de volta para a sua realidade. Ela tem razão, simplesmente se livrar do sofrimento de uma vez por todas seria muito fácil para ela. O ideal que ela deve fazer é guardar a sua culpa e a memória de seus amigos em seu coração. É como foi dito, essa é a sua punição.
Agora, os lamentos de seus companheiros se misturavam com as gargalhadas aterrorizantes. A garota ainda não estava distinguindo o que é ilusão ou realidade. Mas agora ela estava ouvindo vozes baixas e abafadas que tentavam acordá-la para a realidade:
— Ashley... Ashley... Por favor, volte para nós!
— Ashley... Sai disso!
Ela sente um doce aroma...
— Fran... cisca?!
— Sou eu Ashley! Acorda por favor!
— Francisca!
Ela logo ver que Francisca e Rochelle estavam próximas a ela. Suas faces transbordavam preocupação, mas também expressam alívio ao verem que a garota finalmente saiu de seu transe.
— Que susto que nos deu! – suspirou Rochelle – o que deu para você ficar desse jeito?
— Eu... não sei... – Ashley ainda estava atordoada, ela mesma não sabia o que ocorrera com ela. Mas ela vê um Butterfree estirado no chão e o desespero volta a tomar conta de si – ANDRÉ!!!!!
— Zzzzzzzzzzz!
— Não se preocupe, o André só está no seu segundo sono! – disse Rochelle para acalmá-la.
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
(Alguns minutos antes...)
Os Pokémon finalmente encontram Ashley, mas veem que algo está de errado com ela. A garota estava no chão de joelhos e coxas flexionadas para trás, se apoiando nos pés. Seu olhar estava vazio e sem brilho e seu rosto estava encharcado de lágrimas e estava balbuciando palavras como “desculpem-me” e “sinto muito”.
— Ashley o que houve? — Francisca se desespera ao ver o estado da treinadora.
— Parece que ela está em um tipo de transe! – deduz Rochelle.
— O que pode estar acontecendo! – Caninana estava meio exaltada.
Enquanto isso, André observa atentamente pelo nevoeiro.
— O que houve André? – questiona Rouge.
— Parece que esse lugar está entupido de Pokémon fantasma! – responde o Butterfree – eles devem ser a causa da Ashley está desse jeito!
— Que vamos fazer?
— Teremos que dar um jeito neles! Francisca e Rochelle, fiquem com Ashley e tentem trazê-la de volta! – comanda o inseto – vou tentar procurar por esses fantasmas. Caninana e Rouge, me deem cobertura.
— Que isso agora? Você querendo de pagar de macho alfa agora? – debochou Caninana.
— Lógico! Sou o único por aqui agora e pelo visto, ninguém tem um plano melhor! – afirmou André.
— Gente, não vamos começar por isso! – suplicava Rouge – devemos ajudar a Ashley, e o plano do André é o melhor que temos!
— Valeu Rouge! Então não vamos perder mais tempo! – o Butterfree já começava a rastrear a névoa com seus olhos compostos de inseto.
— Tsc... que seja! – a Gyarados finalmente concorda em colaborar.
O inseto vai localizando os fantasmas com sua visão aguçada. Ele consegue detectar alguns Gastly e aproveita deles também serem do tipo venenoso para disparar Raios de Confusão para abatê-los.
— Pragas para trazerem desgraças! – exclamou André – sumam daqui agora!
Os fantasmas estavam se revelando aos poucos. Agora apareciam Haunter também. Mas isso não intimidava o Butterfree que dava cabo com os fantasmas, juntamente com Rouge e Caninana que desferiam Mordidas, movimento noturno que é efetivo contra eles.
O número de inimigos vai diminuindo, mas André detecta um vulto maior que vai se aproximando deles com uma risada sinistra.
— He hehe! Vai ser bem divertido brincar com vocês! – ecoava-se uma voz risonha. E revela-se um Gengar na frente deles.
— Finalmente apareceu um peixe grande! – disse o Butterfree surpreendido por está diante de um Pokémon mais poderoso.
O inseto não pensou duas vezes e disparou um Raio de Confusão no Gengar. O fantasma é acertado, mas ele se desfaz e reaparece na frente do Butterfree.
— Nada mau para uma borboletinha! – debocha o fantasma – mas que tal dormir um pouquinho?
Ele começa a emitir umas ondas hipnóticas em André. O inseto começa a sentir seu corpo pesar e suas pálpebras insistem em se fecharem.
— Que isso?! Devo resistir... – o inseto não resiste à Hipnose e acaba adormecendo.
— ANDRÉ! – grita Rouge demonstrando preocupação.
— Espero que ele tenha uns bons sonhos! – falou o fantasma malicioso – pois agora vou tomar parte deles! Hi hi hi!
Gengar se aproximou do Buterfree para sugar lhe a energia através do Sugador de Sonhos. Mas Rouge se coloque diante do companheiro, impedindo que o fantasma se apodere das forças de André.
— Caninana! Leve o André para um lugar seguro! – pede a morcego.
— O cara já arregou!? – a Gyarados carrega o inseto e o afasta do perigo.
Ela o coloca próximo de Francisca e Rochelle, que ainda tentavam acordar Ashley.
— E ai? Nada?
— Ela não reage! – Francisca estava muito preocupada.
— Só falta um. Vou lá ajudar a Rouge! Cuidem da borboletinha aí! — Caninana deixa o André no chão, próximo das Pokémon e retorna para a batalha.
— Ei Chica! Parece que Ashley está esboçando uma reação! – Rochelle vê que as mãos da garota estão se fechado com mais força.
— Ashley! Ashley, por favor, volta pra nós! – pedia Francisca desesperada.
— Ashley, sai disso! – Rochelle tentava chamar sua atenção.
Nisso Francisca teve uma ideia: ela resolveu usar seu aroma na tentativa de fazê-la voltar a si. Sua doce fragrância se espalha no ar e a garota novamente reage. Seu olhar se revitaliza e finalmente a treinadora recobra sua consciência.
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
(Momento atual)
— Quer dizer que ainda falta um Pokémon fantasma! – disse Ashley recuperando a compostura – temos que ir lá imediatamente.
Enquanto isso, o Gengar tentava colocar a Crobat para dormir, mas com sua velocidade, Rouge conseguia se desviar das ondas hipnóticas, e então, voou para mais próximo dele para lhe desferir uma Mordida. O fantasma ficou atordoado de pavor e parte de si se desmanchou por um instante.
— É agora Caninana!
A Gyarados rapidamente o atacou utilizando suas mandíbulas também. Isso causou muito dano no Gengar que, instintivamente recuou para longe delas.
— Afff... vocês vão ver... – disse o fantasma debilitado – vou lhes dar o pior pesadelo que vocês jamais imagina...
— Já chega Daniel! – escuta-se uma voz masculina comandando o fantasma.
Ashley e os outros se aproximaram e presenciaram a conclusão da batalha. A neblina vai se desfazendo pouco a pouco. E revelou se que era Morty quem se aproximava do Gengar que acabara de ser derrotado.
— Morty?! – a garota se perguntava o que ele estava fazendo aí.
— Então é ele que estava comandando esses fantasmas?! – Caninana rosnava raivosa.
— Gente, não me levem a mau! Isso é só para testar a Ashley! – disse o líder.
— Que espécie de teste é esse?! – disse a garota constrangida – como... como sabia deles?
— Deles? – indagou o loiro – bem, pra começo de conversa, as ilusões que meus parceiros criam são baseadas nas memórias e nos medos das vítimas. Obviamente não precisamos saber previamente de seus medos. Esses pesados são criados a partir dos temores que já estão em seu cérebro. Tudo que os fantasmas fizeram foram induzi-los de forma mais intensa.
— Isso... isso foi cruel... – disse a treinadora cabisbaixa.
— Mas acho que passar por isso foi necessário! – continua Morty – percebi que você carrega muitas mortes consigo. E você passou por esse momento mais uma vez agora!
Ashley se lembrou de seu Rattata! – ALFRED!
Ela correu em direção a ele. Morty continuava com seu sermão:
— Não sei o que houve com você no passado, mas você tem dois caminhos: ou aprenda a lidar com a perda de seus companheiros, ou tome caminhos mais seguros para que mais nada possa acontecer com eles. Você por si só não conseguiu superar o meu teste. Foi graças aos seus companheiros é que não acabou tendo a mente corrompida. E ainda, parece que um espírito de seus companheiros ainda a protege.
“Espírito de um dos meus companheiros?” pensava Ashley “Será que é Garnet? A voz é muito parecida coma a dele...” mas depois reclamou ao Morty com um voz chorosa — Parece que você não mede as consequências!
— Olha só quem fala! – retrucou o líder – só sei que você é responsável por essas mortes que já presenciou e se eu fosse você eu refletiria sobre isso! Você já não pode agir de modo inconsequente.
Silenciosamente, Ashley recolhe o Alfred em um lençol. André finalmente acorda.
— Vejo que finalmente voltou a si! – o Butterfree se mostra aliviado ao ver que sua treinadora está bem.
Já estava de noite, todos voltaram para o Centro Pokémon. Morty foi tratar seus Pokémon e Ashley foi providenciar o Serviço Funerário para o Alfred.
A garota da funerária veio em alguns minutos e levou o corpo do Rattata para Lavander.
— E isso por que já tínhamos nos vistos ontem! – ela comentou – espero que realmente não nos vejamos novamente!
Após isso André se aproxima da garota.
— Ashley! Me desculpe por antes... – o inseto estava envergonhado – se eu tivesse ficado calado, isso não teria acontecido...
A garota subitamente se aproximou dele e o abraçou, chorando.
— Por favor! Não quero que ninguém mais se martirize ou se machuque por minha causa. Não sei se sou uma boa treinadora para vocês, mas... snif... prometo que vou fazer o meu melhor! – e continuou abraçando ele por alguns minutos.
— Tudo bem! Tudo bem! Agora pode me soltar! – disse o Butterfree constrangido – e chega de chororô por hoje tá bom! – ele limpa as lágrimas da garota com as asas.
Morty, que ainda estava no recinto, presta atenção na cena “Essa garota realmente tem um bom coração. Mas pessoas como ela são as que mais sofrem nesse mundo!” Ele então vai para perto da garota.
— Ashley, me esqueci de algo. Seus Pokémon venceram os meus, então você tem o direito de ficar com isso aqui! – ele lhe oferece a Insígnia da Névoa.
— O que? Mas nem foi luta oficial nem nada!
— Pelo menos os seus Pokémon mereceram! – insistia o líder — Aceite como uma lembrança do que aconteceu hoje.
Relutante e sem expressão no rosto, à garota pega a insígnia.
— Um dia você vai me agradecer por isso! – declarou Morty.
Mas uma Raticate entrou Centro Pokémon procurando pela Ashley. Logo que a viu, ela corre em direção a garota.
— Ei, você é a tal da Ashley, não é? – perguntou a rata.
— Sim, por quê? – perguntou a treinadora.
— Bem, fui eu que matei aquele Rattata. Eu pensei que era um invasor de um bando inimigo.
Mas ao ouvir isso, Francisca fez menção de atacá-lo.
— Muita coragem a tua aparecer aqui depois do que fez! – disse ela sendo segurada por Rochelle.
— Calma aí plantinha! – a Geodude tentava acalmá-la.
— Realmente o que eu fiz não tem volta! Mas para te compensar, eu me ofereço para entrar no lugar dele. Eu irei realizar exatamente as funções deles! – a rata pedia humildemente.
— Como se a gente fosse deixa... – Francisca interrompe sua fala ao ver a Ashley acenando com a mão.
— Bem, sei que enquanto vivem de modo selvagem, às vezes os Pokémon precisam matar para sobreviverem – fala a garota – uma das coisas que eu aprendi em minha vida de treinadora é que a vingança não leva ao lugar nenhum. Isso só pioraria as coisas. Então eu decido aceitar sua proposta, você entra no time e realiza as funções do Alfred como usuária de HM, pode ser?
— Usuária de HM? – a Raticate ficou em dúvida.
— Não é nada perigoso! Mas pode ser meio trabalhoso! – explica Ashley – basicamente vai nos ajudar cortando gramado e esmagando pedras. Pode ser assim?
— O QUE? ELA VAI ENTRAR NO TIME?! A ASSASSINA DO ALFRED?! – Francisca não acredita na decisão de Ashley.
— Vixe! Será que isso é uma boa idéia? – André estava relutante em relação à entrada da Raticate no time.
— Bem, ela só estava fazendo o que todo selvagem faz, que é atacar para se defender! – pondera Rochelle.
Ashley ergue a pokebola.
— Qual é o seu nome ratinha!
— Nazaré!
Ela joga a pokebola e a Raticate entra no dispositivo.
— Bem vinda ao time Nazaré!
XXXXXXXXXXXXX
Glossário
Fúria — Rage
Hipnose — Hypnosis
Sugador de Sonhos — Dream Eater
XXXXXXXXXXXXX
Nazaré
Espécie: Raticate
Lv 16
Fêmea
Encontrada na Rota 38
Natureza Ingênua (Naive)
Altamente curiosa
Fale com o autor