Cinzas de Prata
18 Capítulo 17 - Poderei ser útil?
Notas iniciais
Passaram três dias após o evento na Torre Queimada. Os ferimentos das costas de Ashley se cicatrizaram. Caninana e Francisca também se recuperaram de suas injúrias. O grupo finalmente voltou a treinar, e viajava por entre as cidades de Ecruteak, Violet e Goldenrod. Eles tinham como objetivo de se prepararem para a batalha contra o Morty.
O Eevee Silver finalmente começou a treinar. Ele queria se transformar em um Espeon. Para garota, isso poderia ser bem útil contra o líder de Ecruteak, já que há fantasmas que também possuem o tipo venenoso. Eles se dedicavam com afinco o treinamento, mas no momento, a treinadora deixava o pequeno Pokémon normal com as rotas e adversários mais fáceis.
No segundo dia de treinamento, quando o sol estava se pondo, Ashley leva o Silver para um spa especializado em Pokémon, que se localiza na área de subsolo de Goldenrod, para uma sessão de massagem. Ela entrega o pequeno Pokémon para uma jovem que começa a massageá-lo delicadamente. O Eevee se sente bem relaxado com esse tratamento. Ao termino da sessão, ele se mostra bem alegre, com seu rabo felpudo abanando.
— Gostou da massagem Silver! – pergunta a treinadora.
— Foi ótima! — Respondeu o Pokémon normal.
Francisca e Rochelle, que estavam fora de suas Pokebolas, viram como isso foi bom para Silver e queriam experimentar também.
— Também quero massagem! – pedia a Bayleef.
Não podendo lhe negar o pedido, Ashley solicita massagem nas duas também. Francisca se sente tão relaxada que acaba emitindo doces fragrâncias pela loja:
— Isso é tão relaxante!
Mas quando chegou a vez de Rochelle, a massagista chamou um jovem rapaz, que tinha um corpo musculoso, usava uma regata preta e seus braços eram bem grossos como os de um bom crossfiteiro.
— Esse é o melhor massagista desse salão! – fala a moça.
Ele pega a Geodude e a coloca no balcão. Logo, pega um pesado aparelho polidor, insere um lixador e o liga, fazendo um forte barulho de broca, no qual assustou Ashley.
— Não tema querida! Esse tipo de procedimento é ideal para Geodude! – tranquiliza o massagista.
Ele vai passando o aparelho em Rochelle. A terrestre estava gostando desse tratamento inusitado:
— Ai... isso é tão bom... um pouco mais pra cima meu amigo... isso...
Em alguns minutos, a sessão é terminada. Rochelle ficou com seu corpo polido.
— Gostei! Acho que devemos frequentar esse lugar mais vezes! – disse a terrestre, admirada com sua pele rochosa mais polida.
— Não tão frequentemente! A sua massagem saiu mais cara! – Ashley contava minuciosamente o dinheiro que sobrou.
Após isso, eles se dirigiram ao centro Pokémon de Goldenrod para passar a noite. No saguão, ela dava alimento aos seus companheiros. Todos eles iam comendo animadamente, exceto Alfred, que estava comendo bem mais devagar que o normal e tinha um semblante de desânimo. Notando isso, a garota se dirige ao Rattata:
— Alfred, o que houve?
— Ashley, eu estive pensando... – o rato faz uma pausa e suspira, reunindo coragem para expor os seus anseios – bom, é que eu acho que não estou sendo de grande utilidade para o seu time.
— Você acha que não está sendo útil? – questiona a treinadora – Por quê?
— Bom, no último confronto que nos envolvemos, eu não pude fazer nada. E mesmo se eu tentasse, eu só me colocaria em perigo, assim como poderia colocar os outros. Eu não gosto muito de batalhar, mas se eu não tiver força, posso não conseguir me defender ou aos outros quando for necessário!
Ashley escuta com atenção a explicação de Alfred – sei como se sente! Mas realmente não precisa se arriscar em uma batalha se não quiser! Você já ajuda bastante abrindo os caminhos para nós com os movimentos de HM!
— Sim, eu faço meu melhor! – fala o Rattata – mas ainda sinto que devo me fortalecer um pouco mais! Ao menos o bastante para me defender.
— Bom! Não quero que se force em participar das batalhas! – responde a treinadora – na verdade, se quiser ir para o laboratório de Elm, é só me dizer, pois lá é bem seguro para os Pokémon. Mas se realmente quer treinar para se tornar mais forte, eu posso te ajudar com isso!
— Então você vai me ajudar nos treinos? – Alfred fica mais empolgado.
— Se isso for importante para você? – a garota abre um sorriso amigável.
— Muito obrigado Ashley! – disse o Rattata agradecido.
Os outros Pokémon estavam escutando a conversa e se surpreenderam pela repentina vontade do Alfred de treinar.
— Quer dizer que também vai entrar na rotina de treinos? – fala Rouge.
— Já vou dizendo que não vai ser fácil! Será que você encara essa? – questiona Francisca.
— Ele pode treinar junto com o Silver! – aponta Rochelle.
— Hum... sei não! – pondera André – não parece que tem jeito de combatente.
— Sei que não aparento ser muito forte – disse Alfred olhando para o André – mas deixe lhe avisar que apesar de Pokémon de nossa espécie não serem muito fortes, seria um erro nos subestimar, pois podemos utilizar bons golpes que podem retaliar Pokémon ditos mais poderosos. Os Rattatas e Raticates podem ser muitos ariscos quando são acuados. Podemos aprender movimentos noturnos poderosos como Soco Surpresa e Perseguição.
— Movimentos noturnos? Ei Ashley, isso pode ser útil contra os fantasmas de Morty, não é? – aponta Rochelle.
— Pois é! – pondera a garota com a mão no queixo – além disso, você é do tipo normal, que é imune contra golpes fantasmas! Isso já é de grande ajuda contra os Pokémon dele!
— É, mas ele ainda tá muito atrás da gente em relação à experiência de combate! – aponta o Butterfree – será que ele vai conseguir nivelar com a gente?
— Sim, vamos precisar de muita paciência pra isso! – responde Ashley – mas o Silver está na mesma condição. Se eles treinarem juntos, creio que será mais fácil para eles.
— Ok! Boa sorte nessa empreitada! – André decide apoiar o treinamento também.
— Ótimo! Vamos começar amanhã! – determina a treinadora.
No dia seguinte, eles vão para Rota 34, dando continuidade ao treino. Alfred e Silver estão próximos de Ashley. O Rattata fareja em busca de Pokémon para enfrentar.
— Silver! Realmente aquilo que eu disse sobre os Rattatas é verdade! Eles podem ser muitos imprevisíveis. Uma dica que dou pra você é nunca lhe dar as costas! – aconselha Alfred.
— Então esse negócio de treinar é mais perigoso do que eu pensei! – o pequeno Eevee estava trêmulo de nervosismo.
— Não tema! Apenas não demonstre medo! Eu vou fazer o possível para que não lhe aconteça nada! – o Rattata fala para tranquilizar o Silver.
Então eles vão se adentrando pelo gramado e vão enfrentando os Rattatas que surgem em seu caminho. O treino vai indo bem.
Mas durante os dias anteriores, rumores que Rattatas vão sendo feridos devido às batalhas contra Pokémon de treinadores vão se espalhando por todos os Pokémon da região. Alguns deles não estavam nada felizes com isso e se reuniram para dar um basta nisso. Algumas horas depois do início do treinamento, apareceu diante de Ashley, Alfred e Silver uma horda de Rattatas, que os encaravam com um olhar de fúria.
Silver ficou muito assustado, pois nunca ficara diante de tantos Pokémon. Ele ficou paralisado de pavor e só queria sair daí o mais rápido possível.
— Silver! Por favor, se acalme! – pedia Alfred – lembre-se que não deve dar as costas para eles.
Apesar dos apelos do seu companheiro, o instinto lhe falou mais rápido. Por impulso, o Eevee começou a correr para o mais longe da horda. Mas alguns roedores começaram a persegui-lo. O pequeno Pokémon normal corria o mais rápido que pôde, ofegante e com olhos marejados de lágrimas. Ashley apontou a Pokébola para recolhê-lo, mas antes que pudesse ativá-la, um dos Rattatas agarrou o pescoço do Eeevee com os dentes, avançando sobre ele através do movimento Perseguição.
— SILVER! – gritou a garota desesperada!
O Pokémon normal estava tentando se reerguer, mas estava se debatendo de dor. Os outros roedores se aproximaram deles, os cercando. Sem pensar duas vezes, Ashley chama pela Caninana. A Gyarados surge diante dos roedores rosnando, e apenas a presença dela foi o bastante para que os Rattatas ficassem apavorados e batessem em retirada.
— Ashley! O que houve? – Caninana tenta entender a situação.
Mas a garota corre para socorrer o seu Eevee. Ele estava com um profundo ferimento em seu pescoço. Estava perdendo muito sangue.
— Silver! Aguenta firme! – murmurava a treinadora.
Ela faz um curativo de improviso em seu pescoço e o leva para o centro Pokémon de Goldenrod. Quando chega ao recinto, o Eevee estava com respiração fraca, estava se tremendo e o curativo improvisado já estava embebecido de sangue.
Uma equipe médica logo chegou com uma maca e o levaram rapidamente para o centro cirúrgico. Os enfermeiros lutavam contra o tempo para conter o sangramento. Aparelhos indicavam os sinais vitais da pequena criatura. Mas em poucos minutos um desses aparelhos soou um apito contínuo.
PIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII!
Não havia mais nada que eles pudessem fazer. A enfermeira responsável resolveu acionar o serviço funerário e foi dar as más notícias para a treinadora.
Algumas horas depois de Ashley ser informada sobre a morte de Silver, ela se encontrava imóvel sentada em um banco do saguão do centro Pokémon. Seu rosto ainda estava com marcas de lágrimas. Pensamentos ainda atormentavam sua mente. Perguntava-se como deixou isso acontecer. Ele era tão jovem e acabou tendo sua vida abreviada desse jeito. Ela treinou muito com Caninana nessa rota e não havia acontecido nada de grave.
Logo, entraram no recinto uma jovem de pele branca e longos cabelos negros. Ela usava um longo vestido preto e estava com um largo chapéu da mesma cor que tinha um véu de cetim semi-opaco que cobria o seu rosto. Ela estava acompanhada de uma Blissey e uma Mismagius, sendo que a primeira trazia uma pequena caixa. Elas são integrantes do Serviço Funerário Pokémon, que são encarregadas de dar o devido tratamento àqueles Pokémon que se vão durante a jornada.
Com a ajuda de suas parceiras, a jovem ajeita o pequeno corpo na caixa. Após isso, é realizado um simples funeral com a participação de Ashley e seus Pokémon. Todos eles estavam silenciosos e com o semblante triste. Mas Alfred é quem ficou mais transtornado com isso. Ele não conseguiu proteger o Eevee como havia prometido. Sentia-se culpado por essa tragédia.
— Terminaram as despedidas? – perguntou a garota do Serviço Funerário – pois iremos levá-lo para a cidade de Lavander. Você pode ir visitá-lo quando quiser, assim como os outros companheiros seus, não é Ashley? – ela dirigiu o olhar para os olhos da treinadora, que rapidamente abaixou a cabeça em resignação.
— Pois então nós estamos partindo. Espero que não nos vejamos de novo! – dito isso, o time do serviço funerário deixa o centro Pokémon.
Todos eles estavam silenciosos e tristes pelo trágico fim de Silver. Ficaram assim por um bom tempo. Foi André que acabou quebrando o silêncio:
— Sabia que isso não ia acabar bem...
— Me desculpe... – murmurou Alfred, que ainda sentia remorso por se sentir responsável pelo ocorrido.
— Pois é cara! – continuou o Butterfree – mas você tem que entender que tem Pokémon que não é feito para o combate!
— Não precisava ser duro com o Alfred! – disse Francisca em um tom de aborrecida.
— Não! André está certo! – Rattata não queria que seus companheiros começassem a discutirem – eu realmente só queria aprender a me defender e aos meus amigos caso fosse necessário. Mas pelo visto, acho que não será possível que eu seja de utilidade ao grupo.
— Alfred! Não se martirize! – fala Ashley limpando as lágrimas – deveríamos ter colocado Pokémon mais fortes para ajudar no treinamento. Foi minha culpa por não ter previsto aquele ataque massivo de Rattata. Você mesmo havia avisado que eles podem ser perigosos. Mas você não precisa se sentir culpado. Se você quiser não treinar mais, eu não vou te culpar, tudo bem?
Com isso a conversa foi encerrada. A noite chegou e os Pokémon foram confinados em suas respectivas Pokébolas para dormirem. Mas Ashley não conseguia fechar os olhos naquela noite. A lembrança de ver Silver agonizando assombrava sua mente. Temia pelo que pode ocorrer com seus companheiros. Será que é tão descuidada assim?
No dia seguinte, a treinadora saiu do Centro Pokémon. Ela não estava com ânimo para treinamento. Durante a manhã, ela ficou caminhando pela praça na companhia de Francisca. A Bayleef via o semblante melancólico da garota, que permanecia calada durante o dia todo. Quando Ashley senta em um banco para descansar, a Pokémon vegetal se deita ao lado de suas pernas e afaga sua cabeça em suas coxas. Ela exala seus aromas para deixar sua treinadora mais tranquila.
— Ashley, não foi culpa sua! Você não queria que isso acontecesse, não é? Não tinha como prever isso! – sussurrava a Bayleef.
A garota sorriu, acariciando a cabeça de Francisca. Sentiu-se mais leve pelo fato da Bayleef está consolando-a. Às vezes se pergunta se merece ter a amizade de criaturas tão gentis como a de Francisca e de seus outros companheiros.
— Obrigada Francisca!
Mais tarde, Ashley foi para Ecruteak descansar no Centro Pokémon. Liberou seus Pokémon para jantarem, enquanto ela sentava em um banco para comer seu pote de lamen. Todos eles comiam em silêncio.
— Errr... quando vamos voltar a treinar? – André tenta puxar assunto.
— Bem... não sei... – murmurou a treinadora – talvez na semana que vem...
— André! Estamos comendo! Não dá pra deixar essas coisas pra depois! – disse Francisca incomodada.
— É que a Ashley não pode ficar embromando desse jeito! – continuou o Butterfree – sei que foi triste perder o Silver, mas não é bom ficar ai nesse luto.
— André! Acho que tocar nesse assunto só vai piorar as coisas! – alerta Rochelle.
Logo, todos os Pokémon viram a expressão de Ashley se tornar triste novamente.
— Ashley! Me desculpe! – André percebe que foi inconveniente.
Enquanto isso, Alfred escutava a discussão. Ainda não superou o acontecimento do dia anterior. Mas também estava ressentido por conta da Ashley ter dito a ele que não precisaria mais treinar. Estava pensando se Ashley acha que ele não tem condições de ser um combatente. E isso estava abalando sua autoconfiança.
— Ashley, assim que puder, eu gostaria de voltar a treinar!
— Mas Alfred! Isso não pode ser perigoso para você?
— Não precisa esconder! Sei que você deve está achando que não sirvo para batalha! – o Rattata finalmente expõe seus anseios – afinal, foi por minha causa que o Silver... foi por minha culpa que ele se...
— ALFRED, NÃO DIGA ISSO! – a garota se exalta – ninguém aqui acha que você é culpado de alguma coisa. Sou eu a responsável por vocês. Eu que deveria zerar pela segurança de vocês!
— Mas você sabe que eu poderia ter evitado essa tragédia se eu fosse um pouco mais capaz! Mas já que você acha que não sou necessário, então me dê licença... – dito isso ele saiu correndo do Centro Pokémon.
— ALFRED! – Ashley saiu atrás dele.
O rato atravessou a cidade e correu em direção à rota 38. Ele estava transtornado. Sentia-se um fraco, e que por conta disso, presenciou um companheiro morrer. E agora em sua mente, parece que a sua treinadora não confia nele e que a única forma de restabelecer essa confiança e ele ficar mais forte. Ele precisa participar de mais batalhas, de embates sérios que arrisque sua vida, assim como foi daquela vez que eles enfrentaram o time de Silvestre em Azalea.
Ashley também estava correndo pela cidade tentando alcançar seu Pokémon. Mas um certo líder de ginásio, um rapaz de cabelos loiros acompanhado por um Gengar estava a observando atentamente da varanda de sua residência.
— Eu estou sentindo uma sombra da morte pairando sobre essa jovem! – murmurava Morty.
Ele se adentrou no gramado alto. Ficou a procura de um adversário qualquer. Queria mostra para Ashley que poderia vencer um adversário. Mas a primeira criatura que encontrou foi uma enorme Raticate. O pequeno roedor ficou assustado, essa adversária evidentemente seria demais para ele. Mas devido ao repentino pavor, Alfred acabou cometendo um erro. Um fatal erro que ele mesmo havia alertado no dia anterior...
Em poucos minutos, uma ofegante Ashley finalmente alcança a rota 38. Mas logo ela teve uma chocante visão. Uma Raticate estava com as patas sobre um corpo ensanguentado de um Rattata.
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Glossário
Perseguição — Pursuit
Soco Surpresa — Sucker Punch
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Silver o Eevee — Lv 5 — Lv 7
Morto por um Rattata na Rota 34
Alfred o Rattata — Lv 7 — Lv 9
Morto por uma Raticate na Rota 38
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