Cinzas

1 Extermínio


Luz? Ela teve de fechar os olhos devido à luz forte apontada para seu rosto. Se perguntando o que seria aquilo e com seu jeito curioso de ser tira as mão que levara ao rosto a pouco, ela olha para luz tentando identificar o que seria aquilo. Seus olhos se deparam com algo totalmente horripilante e no mesmo instante leva novamente suas mãos aos olhos para cobri-los numa tentativa falha de esquecer e não ver mais aquilo, porém em sua mente as imagens se repetiam diversas vezes sem parar. Freneticamente.

Sente sua pele sendo tocada. Imagina ser o que acabara de ver, mas erra o pensar nisso, porém sem saber chuta a pessoa que viera ajuda-la. Ela foge sem olhar para trás, sem compreender tudo o que estava acontecendo. Avista um carro e se põe sentada atrás dele. Chora enquanto as imagens horríveis se repetem em sua mente como bombas explodindo seguidas vezes sem parar como cogumelos gigantes que são vistos a quilômetros de distancia.

Para de chorar e tira suas mãos do rosto, olha para o chão em busca de algo que nem mesmo sabe o que é, talvez, algo que a ajudasse a fugir de algo que nem mesmo ela sabia se a perseguia. Percebe então que não sabe onde está, e que não conhecia aquelas pessoas e nem mesmo aquela coisa que em sua frente estava parada, com aqueles olhos frios e brilhantes, chegara tão perto deste que pudera ver tudo o que naqueles olhos estava guardado. Mas estava claro que se arrependera profundamente disto, sua curiosidade quase a matou, ou não, ela não sabia, mas pensava que sim.

Levanta-se do chão decidida a fugir, pensando estar sendo caçada, seguida por aquela coisa. Ela olha por cima do carro para ver se ainda procuram por ela, mas nada vê. Ele já havia partido e todos aqueles corpos putrefatos que se empilhavam sob seus pés também partiram junto com ele, apenas uma pessoa se encontrava no chão, um homem, aparentemente ferido. Pensa que talvez, aquele homem pudesse ter sido ferido pela coisa que vira antes. Ela decide ajuda-lo e vai até onde ele se encontra.

– Oi, O senhor está bem? – Pergunta.

– Como ainda me pergunta se estou bem? – Grita o homem. – Você me chutou e saiu correndo sem motivos quando eu só iria lhe perguntar... Bem, a mesma coisa que acabara de perguntar; se estava bem.

– Oh! – Assusta-se com a resposta do homem. – Você? Eu o chutei? Então você é aquela coisa monstruosa que eu vi em minha frente...

– O que? A senhora está louca ou bebeu? Quando cheguei aqui se encontrava sozinha. E totalmente assustada, e tampava seu rosto com as mãos. Eu toquei seu braço e você respondeu me chutando. – responde ele tentando se erguer. – Ei! Como assim monstro? Moça, você poderia ser ao menos educada. – Ele a fita com um olhar de negação.

– Não, eu não bebo e nem estou louca! – ela responde enquanto cruza os braços. – então se chegou aqui e me viu sozinha e, alega que não é o tal monstro que eu vi, quer dizer que ele já havia partido. – A duvida se estampa no rosto dos dois. – Bem, desculpe pelo chute eu não sabia que era o senhor e pensei ser o monstro que lhe disse a pouco, mas não espero que acredite já que não o viu.

– Hm. Pedir desculpas é fácil, sua perna não está ferida mesmo.

– Gostaria de um prêmio pela nobreza? Já lhe agradeci se não foi suficiente, pouco importa pra mim.

– Até que cairia bem, mas não, um obrigado já basta.

Ambos dão de ombro e se viram de costas um para o outro — Tchau. – Diz a garota dando passos curtos em sua frente.

– Tchau.

Ambos seguem seus caminhos, infelizmente opostos. E um deles pagaria por sua escolha.

Após dar mais vinte e longos passos ela se vira para o olhar. Ele segue, sem parar ou virar-se para olha-la. Antes de retornar seu olhar para a sua frente ela avista ao longe, um ser diferente, porém já conhecido por ela. Num piscar de olhos ele já está em frente ao homem, que ela não sabia o nome e até então não havia parado para perguntar. Percebe que nem mesmo sabia o próprio nome.

– Cuidado! – ela grita para ajuda-lo.

Ele para e se vira para ver quem grita. Ao se virar vê uma mulher, à no mínimo quarenta passos de si. Ele a reconhece sorri e acena. Percebendo seu desespero o homem fica inquieto. Ele coloca sua mão na orelha, mostrando a ela que não a consegue entender o que ela diz.

– Corra e não olhe para trás. – Ela grita e ele finalmente a ouve, mas não segue seu conselho pensando ser uma brincadeira. Ele se prepara para virar enquanto acena se despedindo dela. Mas antes que se vire o monstro o golpeia com uma espada, esta o perfura desde a clavícula até em baixo do umbigo, um corte vertical perfeito.

O homem sem compreender o que estava ocorrendo e o porquê de estar sentindo tanta dor olha em direção à própria barriga e vê a espada fincada em seu corpo. Seus olhos se arregalam e é notável seu desespero e sua dor. Está evidente o quanto aquilo o fere e como está perplexo com tudo. Porém, apesar de ser a vitima há alguém ainda mais perplexa que ele. A garota. Ela está paralisada, em sua mente vê imagens repetidas de horror que tinha presenciado nos olhos daquele monstro que agora possuía olhos escuros, completamente pretos e sua íris vermelha. Apavorante. A imagem que acabara de presenciar se somara a todas aquelas outras, piores talvez, e ao amontoado de corpos que via sob os pés daquele monstro.

Ela leva novamente suas mãos ao rosto, dessa vez cobrindo apenas sua boca, enquanto o monstro tira a espada do corpo do homem que cai morto no chão.

Emiti um som de desespero enquanto retira suas mãos da boca para poder liberar um grito alto e desesperado. Um grito longo, como um pedido de socorro. Ela se põe de joelhos no chão depois de muito aguentar suas pernas que tremiam de medo. Chorando muito continua a gritar, dessa vez usando toda sua força, o grito sai ainda mais alto.

Ele a observa de longe, e então passa a caminhar em sua direção, junto com ele vêm destruição e escuridão, cheia de obscuridade e ocultismo. Seus olhos de demônio devoram toda paisagem. Eles cruzam olhares e então se fixam olhando um para o outro.

Ela se levanta e agora caminha até ele. Para à, quinze passos do monstro que acabara de matar aquele pobre homem. Suas lagrimas secam e seus olhos se enchem de raiva. Ela contrai os lábios e franze a testa.

O monstro não pisca, nem muda seu olhar de direção. Nada o distrai. Seus olhos estão presos nela e não podem se soltar.

Ficam ali durante um tempo e então ela olha para o carro a sua direita, vê seu lado direito, normal, mas ao se virar completamente para o carro ela vê todo seu rosto. Vê o lado esquerdo e fica apavorada. Seu lado esquerdo está totalmente igual ao do monstro. Incrédula ela olha para o monstro que se mantem imóvel, parado apenas a observando de longe.

Ela volta a olhar para o carro e vê algo pior acontecer. Olhando no reflexo de seu próprio olho esquerdo no carro relembra todas as imagens de destruição que vira dentro dos olhos daquele monstro e então novas imagens invadem sua mente, mas nada pior do que a ultima. Sua própria morte. Quando recobra a consciência olha de imediato para o local onde o monstro estava, mas ele já não estava mais lá. Ela se assusta e dá dois passos para trás, sente um corpo parado atrás de si. Apavorada olha para o carro em busca de ver o reflexo do ser que se encontrava parado atrás dela. Vê sua perna modificando-se por completa, se transformando em monstro. Inclina-se para ver o que estava atrás de si. Assusta-se e arregalam os olhos, suas pernas tremem enquanto seu suor frio escorre em sua testa. O monstro fixava-se atrás dela, seu olhar demoníaco absorvia toda a vida ali presente e em segundos todas as flores do jardim do outro lado do carro haviam secado e morrido. Ela engole seca, sua saliva sabendo que não teria como se defender.

Sente algo perfurar e atravessar seu peito do lado direito de seu corpo, desta vez por uma espada comum. Sente todo o poder daquele ser e ouve sua voz pela primeira vez, que dizia: – Lich.

– O que? – ela diz rouca.

– I’m Lich.

– Seu nome? Oh! Entendo, mas e o meu, qual é? – Ela cai no chão já perdendo sua consciência.

Lich se abaixa e em seu ouvido diz baixinho: – You are the destruction of the current system. You are the destruction of this world. His name is... Light.

“Você é a destruição do sistema atual, você é a destruição deste mundo. Seu nome é... Luz.”

– Ah! Então este é meu nome, Light. Destruição? Como posso ser a destruição se estou morrendo?

– His death will bring the end of the world. – Lich diz com sua voz rouca e assustadora.

“Sua morte trará o fim do mundo”

– Hm... Então que assim seja. – ela diz e então fecha os olhos. Seu corpo pega fogo e as chamas a queimam completamente. Transformando seu corpo em cinzas, essas que se espalham por todo o ar.

Depois um ano exterminou tudo o que não cabia neste mundo.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!