Cinza

1 único


A cidade que Zoro vivia era cinzenta, às vezes ia até o cais e observava o mar assustadoramente prateado sob um céu nublado. Não havia verão e primavera, passava a maior parte do ano usando luvas e casacos de golas altas. Por trás da escola havia um bosque e a terra era coberta pelas folhas secas das árvores. Mas, ultimamente, a cidade tão apática estava ganhando cores.

A razão de tudo começar a ser bonito por ser exatamente assim era o seu amigo Sanji. Nos últimos tempos, seu corpo ficou estranho e ele compreendeu que era a presença de Sanji que o incomodava. No entanto, através do amigo, Zoro viu que as folhas secas e mortas do bosque eram bonitas, ainda mais quando os dois se rolavam no chão por causa de uma discussão idiota, que sempre fazia seus amigos rirem ou uma certa ruiva perder a paciência e socar a cabeça de ambos. Era normal matarem aula no bosque e às vezes brincavam até de pique-pega, Zoro se esforçava para tocá-lo o máximo possível.

No cais, ouvia as gaivotas e muitas vezes descia para ir até o mar, molhando suas galochas. Nessas horas, pensava em Sanji novamente e sentia sua boca secar por não conseguir suprimir algo que crescia muito depressa. Volta e meia corria no bosque, assim como também corria na areia batida da praia, mas não sabia pra onde, ele só queria correr.

Quando ia dormir, Zoro colocava uma fita pra tocar e eram sempre as mesmas músicas melancólicas que falavam sobre uma pessoa ter irado as estrelas do céu ou comer um prato servido de forma tão miserável e rude exatamente como sua vida era depois que seu amor foi embora. Ele não sabia o que era amor, muito menos se foi embora. Pelo menos, Sanji servia a comida sorrindo para todos, até para ele.

Com o passar do tempo e com a ajuda dessas músicas, compreendeu que o frio no peito era amor e para admitir, deixou seu orgulho de lado. Não conseguia se enganar, mas estava apaixonado por aquele idiota que o aborrecia quase todo momento. De repente, admitindo conseguiria suprimir, mas não foi o caso.

Um dia como todos os outros, de céu nublado, frio e o mar prateado, Zoro perseguia Sanji para lhe dar uma porrada, mas o idiota sorria tão espontaneamente que sua raiva passou assim que o teve em seus braços. Zoro pensou por que o frio no peito não ia embora com a mesma facilidade que seu ódio do momento se foi e, quando se deu conta, deu um beijo no seu amigo.

E foi correspondido.

Os olhos de ambos estavam fechados, mas ouviam as gaivotas e as ondas do mar, o frio que sentiam fez com que se unissem e o ritmo aumentou.

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