Cinza

1 Capítulo Único.


Notas iniciais
Bom, o nome da fic era pra ser Missing You( uma musica do 2ne1) mas minha amiga(vaca que eu odeio[mentira te amo]) disse que ia ficar escroto, então eu mudei o nome.É minha primeira one original, então peguem leve pf!Boa leitura

A loira deitou em sua cama, olhou para o teto e suspirou. Qual foi a ultima vez que comeu?

Seu estomago reclamava de fome, mas ela não queria sentir. Se sentia fraca. Mal podia ficar de pé. Não era depressão, ela não queria sentir isso. Ela não queria se sentir humana, eles eram os seres mais desprezíveis existentes.

Ela não tinha nem dois anos quando ele se foi. Porque isso tinha de acontecer? Porque ela simplesmente não poderia ser como os outros?

Por onde ela andava todos a olhavam. Olhavam com pena, alguns julgavam, outros chegavam a rir.

Gritou com toda a força que ainda tinha.

Vizinhos? Ela não tinha nenhum. Sua casa era a mais afastada do condomínio. Mesmo que ela colocasse Nirvana no último volume, ninguém escutaria.

Depois da morte de seu pai, sua mãe enlouqueceu. As duas não conversavam, mas compartilhavam de um sofrimento silencioso.

Seu corpo tremia quando ela se levantou de sua cama e pegou uma folha de papel, caneta e um maço de cigarros. Desceu as escadas de sua casa e foi até o jardim dos fundos.

Como na maior parte do ano, estava nublado.

A garota amava o clima de Seattle, a garoa fina, o céu constantemente nublado e o frio constante.

Se sentou debaixo de sua árvore preferida e acendeu um cigarro.

O que iria escrever? Agora – mais do que nunca – teve vontade de escrever. Ela era uma aspirante à escritora. E agora com seus 19 anos trabalhava em seu primeiro livro.

Uma ideia surgiu em sua cabeça. Aquilo nunca lhe tinha ocorrido. Sim, ela sempre quis se comunicar com ele, mas nunca tinha pensado nisso.

Como se tivesse perdido tempo de mais, pegou a folha e quando ia escrever, desistiu.

Afinal, o que iria escrever? Depois de tanto tempo pensando em coisas para dizer à ele, nada lhe vinha à cabeça justo quando precisava.

Contemplou por um tempo o céu cinza que deveria ser azul. Azul.

Como se uma lâmpada se acendesse em sua cabeça, ela pegou a caneta e começou a escrever:

Eu me lembro de seus olhos. Eram azuis. E mesmo tendo menos de dois anos, nunca mais vi olhos tão profundos quantos os seus.

Há tempos queria te dizer isso.

Ela ouviu o som melodioso de um passarinho cantando e voltou a escrever.

"Me lembro também de te ouvir cantar, uma melodia melancólica, um pouco triste, mas que não deixava de ser bonita.

Queria ter te ouvido cantar mais vezes.

Você dizia que seria melhor para mim se você se fosse. Eu não concordo. Já te passou pela cabeça que, talvez tenha sido melhor se você ficasse? Vivesse comigo?

Não sei se você sabe o que aconteceu depois que se foi. Mas pode deixar, eu te conto:

Eu cresci recebendo olhares de pena, pela escola, pelas ruas. E até de desconhecidos. Mamãe sempre foi olhada como a pior vadia do mundo. Eu nunca entendi isso. Tá, ela às vezes é uma péssima mãe, mas é uma mulher forte. Todos deveriam reconhecer isso. Mas ao invés, a tratam como se fosse a culpada.

Como as flores sentem falta do sol no inverno, eu sinto sua falta.

Queria que você compusesse uma música para mim, como compôs para mamãe.

Ela ainda guarda a sua caixa em formato de coração.

Tem um baú no sótão.

Ela nunca me deixou abri-lo. Mas um vez, motivada pela curiosidade, eu o abri.

Estava vazio.

Exceto por um pequeno pedaço de papel escrito memórias.

O mundo precisava de um mártir.

Mas eu só precisava de um pai.

Eu queria que você estivesse aqui. Queria ver seus olhos azuis novamente.

Sua filha."

Quando terminou de escrever, se levantou com a pouca força que ainda tinha e pegou seu isqueiro. Andou lentamente até um rio que passava por sua casa.

Respirou fundo, acendeu o fogo e queimou sua carta. Olhou fascinada para o fogo em suas mãos e logo depois jogou a carta no rio. Olhou-a ir embora, junto de seu pai.

Ficou lá até a chuva começar.

Ela refletiu.

Não se sentiu mais leve, não se sentiu feliz. Nada a faria esquecer-se do que ela não tinha. Nada mudaria. Ela continuou fraca. Ela não tinha mais lágrimas. Tudo o que tinha pra chorar, já tinha chorado.

Nada mudou.

O azul não voltou.

E o cinza ficou.

Notas finais
Obg pela leitura!Deixem coments pf!Beijos!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!