Cinquenta Tons de Violetta
2 Capítulo 2 - Garota Sem Limites
Notas iniciais
Não vi mais Violetta por um bom tempo, apenas ouvia falar e inconscientemente prestava atenção em tudo o que me era informado sobre ela. Começou a estudar em um colégio particular que eu mesmo estudara junto com meu irmão e minha irmã na adolescência. Também ouvira sobre um problema referente a herança deixada por Gustave. Se passou mais de um mês, mas não conseguia tirá-la da minha cabeça e até em uma vez, das únicas três vezes, em que fiz sexo com Ana neste mês a imagem dela me veio à mente e fora o sexo mais prazeroso que eu tive em muito tempo. Ela me vinha a cabeça até mesmo no meu trabalho. Todos os dias, pelo menos duas vezes, eu pensava nela.
Então eis que soube que hoje à noite no Pearl Ball, o baile anual beneficente organizado pelo hospital onde minha mãe trabalha, ela seria convidada. Eu me preparava com meu terno smoking e passei o perfume que Ana tanto gosta, mas ela não pareceu notar, pois estava no banheiro retocando a maquiagem, usando um belo vestido de baile verde esmeralda, com os cabelos jogados para o lado e enormes brincos de esmeralda que eu lhe dei de presente de aniversário dois anos atrás.
— Você está linda – disse a observando vindo de encontro a mim.
— Obrigada. Você também.
Nossos cumprimentos eram frios, pré-programados, parecia que não nos amávamos mais, eu quase não sorria e ela só sorria por educação. Se tornou uma rotina na qual caímos sem querer. Enquanto eu ia para a sala onde Taylor nos aguardava ela foi ver as crianças em seus respectivos quartos e quando dei conta estava imaginando se Violetta realmente iria, pois era um evento mais maduro, mas eu tinha a sensação que a veria esta noite. Quando Ana chegou, fomos junto com Taylor que nos levou até o Museu de Belas Artes de Seattle, que era onde seria o evento. Repórteres estavam logo na entrada, assim como no salão, mas o do salão eram poucos que bem vestidos tentavam se misturar aos convidados mesmo com blocos de notas nas mãos e gravadores na outra.
Em todas as paredes víamos belas obras de arte e esculturas dos mais variados artistas, garçons serviam aperitivos e champanhe. Logo reconheci muitas pessoas, se não todas, esse tipo de evento era aquele em que sempre vemos as mesmas pessoas, mas que também só as encontramos lá, todavia não eram eles com quem eu me importava. Me surpreendi que logo ao chegar a festa, a primeira coisa que fiz, ainda enquanto cumprimentava quem via, era olhar em volta e procurar Violetta. De início não a achei, mas vi sua mãe e padrasto. Então após tentar mais um pouco eu a vi contemplando uma pintura erótica que eu também gostava e datava de Florença do século 18. Mesmo de costas eu sabia que era ela. Os ombros de fora das mangas caídas do vestido bege e longo, com uma saia volumosa, a renda rosa escura em volta do busto do vestido coberto de renda branca e uma apertada fita rosa escura marcava sua cintura muitíssimo fina, que só pude notar nesta roupa. Sua postura ela perfeita, aristocrática e elegante. Não parecia alguém que andava sem calcinha e eu queria ver se hoje ela usava uma.
Senti que ela notou ser observada e se virou muito lentamente, com um sorriso que me fez arrepiar. Um sorriso branco, sincero e no momento em que nossos olhos se encontraram, seu rosto se acendeu com o sorriso mais genuíno que eu já vira. Ela sabia que eu estava ali e que a estava procurando. Seus cabelos estavam presos em um coque trançado na lateral direita de seu rosto, cheio de presilhas feitas de pedras preciosas como o cabelo de uma noiva ou de uma gueixa. Sem me conter, eu também sorri. Sorri me arriscando em dar um sorriso tão sincero em meio a tanta gente, um sorriso que não era para minha esposa, mas ela é tão bela que senti que só éramos nos dois naquele grande salão.
— Você está tão lindo esta noite – disse Ana me beijando.
Anos atrás demonstrações de afeito relacionadas a mim eram estranhas, hoje todos já haviam se acostumado. Eu e Ana somos um casal apaixonado, mas com ela me beijando, continuei a olhar para Violetta, seu sorriso sumiu, mas ela tentou esconder isso se virando de costas para mim e voltando a admirar a pintura. Ana cumprimentou alguém e então Violetta se virou novamente, mas agora sem sorrir, com o rosto sem expressão que me deixa louco então em meio a garçons ela sumiu rapidamente.
— Vamos cumprimentar a todos – Ana me disse, mas fora eu quem a guiara.
Propositalmente fomos para longe de Violetta. Vi minha família e foi lá onde deixei Ana conversando com Mia, que lhe elogiava a roupa. Andei pelo salão em total inconsequência de procurá-la, mas me enganando fingindo que não o fazia. A vi na esquina de um corredor, eu a segui, mas não a vi, porém aquele corredor ia para um único sentido. Andei até chegar em um salão vazio de vida e cheio de estátuas de nus gregos.
Estava ali me esperando. Encostada na parede, ela inclinava os quadris e os balançava em minha direção. Éramos como um ímã e uma placa de metal, ela me magnetizava. De perto, Violetta lembrava-me uma gueixa, seu cabelo tão enfeitado, rosto tão branco, mas os fios castanhos e olhos saiam do padrão asiático. Foi só olhar para aqueles olhos que eu não me controlei, a puxei e lhe beijei como a muito não beijava. Pondo as mãos em minha nuca e se pendurando em meu pescoço, senti suas mãos como garras e seus dedos com afiadas unhas. Me sentia uma presa, ela por si tinha olhos de predador. Havia a chance de sermos pegos. Não estávamos longe, embora não houvesse ninguém, mas a possibilidade de alguém aparecer não só existia como também era grande.
A soltei para pensar melhor e me afastei. Ela continuava impassível, me olhando com os olhos mais bonitos que já vi em toda a minha vida. Foda-se tudo. A segurei pela cintura e lhe puxei para mim novamente, queria mais uma vez beijar aqueles lábios rosados, mas ela empurrou-me o peito com as mãos e seu toque me causava deliciosos arrepios de prazer, que formigavam minha virilha. Aquilo me dificultava, pois queria um beijo seu, mas sabia que não tinha muito tempo. Ela me empurrava e eu tentava capturar seus lábios com o meu, não soltei sua cintura por medo dela fugir, ela fugia muito, e com uma mão tentei segurar seu rosto, mas ela o desviava sempre que estava prestes a lhe beijar.
— Christian.
Era Ana. Eu a soltei e olhei para onde a voz vinha, podia ouvir seu salto batendo no piso, estava vindo a nosso encontro e quando parecia que ela estava ao nosso lado fui puxado pela camisa e beijado subitamente por Violetta. Nossos lábios se encontraram, mas nossas línguas continuaram guardadas. Um estalo de lábios que pareceu ecoar por todo o corredor junto aos sapatos de Ana. A menina andou rápido, mas silenciosamente para o lado oposto de onde Ana vinha. Em total desconcerto, fiquei olhando para onde ela havia ido e desaparecido. Me pergunto porque este prazer que ela tem em sumir da vista de todos?
— Querido – a mão de Ana tocou meu ombro, me virei assustado – V amos, precisamos estar com os outros convidados. Tudo bem?
— Sim, só preciso ligar para uma pessoa.
— Certo, estou lhe esperando.
Ela voltou ao salão principal e assim me dei um tempo para relaxar para então ir atrás, mas ao passar por um vidro vi o batom de Violetta em minha boca. Não era um batom escuro e no local mal iluminado onde estávamos Ana provavelmente não havia visto, mas eu mesmo assim fiquei com medo de ser mentira. Eu limpei o batom com a mão e assim que voltei ao salão principal peguei um guardanapo do primeiro garçom que passou e limpei ainda mais os lábios.
— Você está bem? – Ana me perguntou quando cheguei.
— Sim, somente um pouco cansado.
Elliot e eu começamos a conversar, falar sobre o leilão que iria acontecer, eu folheei o folheto com as obras e objetos do leilão e tentei prestar atenção no que Elliot me dizia para me distrair, mas só conseguia pensar em Violetta e me proibi de olhar para os lados para não tentar-me a procurá-la.
— Gostei deste – Ana me mostrou um quadro que eu nem ao menos vi – Ficaria lindo na sala não acha?
— Sim, compre. Não importa o preço – eu nem vi qual era o quadro que ela me mostrara, mas vi Violetta de relance, com um andar elegante, cabeça erguida. Ela andava olhando para frente, me ignorou completamente. Não sei o porquê, mas ela me deixa doido. Me peguei passando a língua onde pouco tempo atrás ela mordeu, hoje ela não o fez – Quer algo mais? – perguntei a Ana.
— Não. Sua mãe gostou deste vaso, acho que ela vai comprar. Kate achou algo?
— Achei tudo muito artístico demais para mim – ela disse rindo – Não entendo nada de arte, mas gostei deste que você escolheu.
— Vamos, está na hora do leilão – disse meu pai.
Todos fomos conduzidos para uma sala onde mesas redondas foram postas. Eu e minha família sentaríamos na mesa número 22 de acordo com a distribuição das mesas no quadro logo na entrada, onde vinha escrito “Familia Grey”, mas logo do lado, na mesa 21 estava “Familia Benchley”. Não sei se fiquei feliz ou zangado, mas talvez tenha ficado mais zangado, não sinto este mix de emoções desde que conheci Ana. Na mesa já via Nicole junto ao marido e a família dele sentados, mas não vi Violetta.
— Querida, estava lhe procurando – era a voz de minha mãe atrás de mim – Sua mãe me disse que você estava aqui, mas não a achei.
— Estava contemplando algumas obras – olhei discretamente para trás para ver Violetta e minha mãe conversando.
— Tem alguma que tenha gostado?
— Sinceramente tem sim.
— Qual? – minha mãe deu o folheto para ela mostrar-lhe.
— Vamos sentar – Ana disse vendo que eu não me mexia.
Sentamos lado a lado e a minha direita sentou-se Elliot, minha mãe sentou-se ao lado de Ana e então meu pai ao lado dela. Violetta desfilou até o único lugar vago na mesa próxima a nossa, aqueles ombros de fora me tentava, queria beijá-los, mordê-los, sentir novamente o perfume cítrico que ela usava, era um perfume que me lembra uma praia tropical, com sol...
— O que você acha?
— Como? – nem ao menos sabia quem me perguntara.
— Vou comprar este quadro para Violetta – disse minha mãe.
— Sua mãe não pode comprar para ela? – perguntei fingindo indiferença.
— Nicole jamais daria algo para Violetta com este custo.
— Mas e o dinheiro dela?
— Estão fazendo inventário ainda. Quem tem pago o colégio dela é Allan, além de todo o resto.
O jantar foi servido antes do leilão, durante ele, eu observei que Violetta não estava sentada ao lado de sua mãe, ela estava entre Allan e a irmã dele, mas não fiquei olhando muito, não queria que ela soubesse que eu a observava embora qualquer um que olhasse perceberia que Violetta e a mãe travavam uma batalha de olhares raivosos uma para a outra. Não disse mais nada para tentar não demonstrar muito interesse. ”Gostaria de dar este quadro a ela” pensei, mas logo achei a ideia ridícula e inoportuna. O leilão começou e muitas obras belas foram postas à venda, além de algumas realmente estranhas. Minha mãe comprou um vaso, deveria ser o que Ana me disse. Primeiro vieram esculturas então peças, depois quadros.
— É este – disse Ana quando chegou um quadro de Camille Pissarro.
Nem me dei ao trabalho de acompanhar o leilão, eu estava ocupado com a minha curiosidade de saber qual era o quadro que Violetta queria. Foram dois quadros depois, quando a obra Concrete Cabin de Peter Doig apareceu, que eu vi minha mãe chamar a atenção de Ana e mostrar que era aquela. O leiloeiro anunciava os detalhes da obra, como nome, pintor, ano, técnica. Violetta estava atenta a tudo aquilo, principalmente quando o leiloeiro falou o que no mundo dos leilões seria traduzido como “Briguem!”
— Algum lance? Número setenta e oito oferece 2 mil.
Vi então que o número setenta e oito era o de Allan Benchley, mas de imediato Nicole lhe chamou a atenção e eles começaram uma troca de olhares, Violetta estava no meio. Veio outro lance do número trinta e dois. Allan deu outro lance e isso mostrou irritar Nicole. O número trinta e dois fez outro lance. Allan abaixou a placa e mostrou um olhar de desculpas para Violetta que ficou vermelha, creio eu que de raiva.
— Numero setenta e cinco oferece 3,5 mil. Algum lance?
— Sinceramente, Nicole é uma megera – vi que minha mãe segurava a placa com número setenta e cinco – Não é culpa da filha se a mãe tem um gosto horroroso – minha mãe levantou a placa novamente quando deram um lance maior que o dela – Quando Picasso pintar estampa de zebra ela irá gostar.
— Vendido por 4 mil ao número setenta e cinco.
— Nossa. É um presente bem caro – comentou Mia.
— Não me importo que seja caro, contanto que minha afilhada goste – respondeu minha mãe sorrindo para Mia e para Violetta que a observava com um discreto sorriso, como que quisesse esconder que estava sorrindo.
— A outra que não gostou.
Nicole estava com uma expressão muito irritada no rosto, eu quis rir dela, mas me controlei.
— Não é ela quem paga nem as próprias contas.
— Calma, querida – meu pai afagou as mãos dela – Não vale a pena se irritar por ela.
— Eu sei, mas você sabe o porquê. Não gosto dela.
— Se isso vai lhe deixar mais feliz. Ela está muito zangada – disse Mia.
Quando o leilão acabou, foi tocado jazz e algumas pessoas dançaram. Pedi para Ana me acompanhar em uma dança, mas ela se recusou dizendo que estava cansada, já que passou o dia com Phoebe a ajudando a ensaiar os passos de ballet para a apresentação da escola. Os convidados passaram a andar pelo salão, conversando uns com os outros, bebendo vinho e alguns ainda comiam mais petiscos servidos por garçons. Havia os que tinham ido embora e outros cuja noite só começava.
— Veja como um presente de boas-vindas.
— Depois disto terei certeza que sou bem vinda – Violetta respondeu a minha mãe – Bela música não acha?
— Certamente. Por que não chama um rapaz para dançar? – me aproximei no momento errado – Que tal Christian? Ele é um ótimo dançarino.
— Seria divertido – ela sorriu para mim, parecia que ela fizera de propósito em falar da música quando viu que eu estava por perto – Me daria a honra desta dança? – ela me ofereceu a mão.
— Acho que sou eu quem deveria perguntar isso – sorri mesmo assim, mas logo então o escondi – Me daria a honra desta dança? – repeti seu gesto.
— Adoraria – ela respondeu, minha mãe sorriu inocentemente.
Quando ela aceitou minha mão, eu senti um calafrio e só então pensei no que faria. Não me sentia seguro para dançar com Violetta, nossos corpos juntos, não poderia fazer desfeita depois de já ter feito o convite, apesar de que eu mesmo não queria. Vi Ana nos olhando e sorrindo, me senti a pior pessoa do mundo. Minha esposa é linda e sorria ao me ver dançar com a menina que eu beijei escondido em uma sala escura horas atrás. Violetta deveria possuir a mesma altura de Ana, mas sua postura e corpo esguio a fazia parecer mais alta, fora os saltos que ela usava por baixo do vestido, que eu não vi, mas que senti roçar em minha panturrilha. Minha mão em sua cintura queria descer e sentir sua bunda firme e jovem, mas me controlei, embora sentisse que ela empinou os seios para tentar encostá-los em mim.
— Você é dominador?
— Como? – pensei ter ouvido errado.
— Vamos lá, acha que eu não conheço bondage? – ela se calou quando um casal veio perto demais – Mas realmente é uma pergunta estúpida. Claro que Anastasia jamais seria dominadora – o modo como ela falou Anastasia me incomodou.
— Onde você aprendeu essas coisas?
— Conheci na internet, mas já experimentei – minha disciplina na dança falhou levemente quando eu fiz um passo errado – Surpreso? Sinceramente, acha que nunca fui amarrada e vendada?
— Não costumo pensar nas pessoas em uma situação parecida.
— Que pena. Fiquei tão excitada ao pensar que você se imaginou me batendo com aquele chicote.
— Garota – eu endureci minha voz e apertei sua mão – Eu sou casado, entendeu? Minha esposa está nos observando. Você pode até ser afilhada de meus pais e filha do meu padrinho, mas isso não lhe dá a liberdade de fazer o que bem entende.
— Eu não fiz nada que não fosse conduzido primeiramente por você – ela roçou os seios em mim – Na sua casa quem me segurou foi você. Quem me beijou foi você. Hoje foi você quem veio atrás de mim. Eu parei o beijo e lhe empurrei, mas você me segurou e insistiu. Se não estivesse interessado não teria me seguido até aquela sala.
— O que você quer? – eu não me afastei dela, gostei de senti-la se encostar em mim.
— Seria muito clichê se eu dissesse que quero você?
— Por quê?
— Sempre te quis. Você sabe disso.
— Você é uma criança.
— Não, eu não sou mais. Eu era naquele tempo, agora já sou madura o suficiente para você.
— O que o seu pai pensaria disso? – não pude deixar de pensar em Gustave.
— Sinceramente – sua voz mudou – Ele adoraria tê-lo como genro. Mas não fale dele.
— Violetta, por favor. Eu sou casado e isso não irá mudar.
— Pode ser casado, mas sua esposa não tem cumprido com as obrigações dela.
— Não é verdade.
— É sim. Você pode até saber mentir, mas ela entrega. Visivelmente vocês não têm uma foda decente a muito tempo. Ou a culpa é sua ou é dela e eu aposto que você não é do tipo que nega fogo.
— Garota – eu tentei soltá-la, mas ela segurou fortemente minha mão e eu não iria empurrá-la na frente de todos – Você é doida.
— Sempre me disseram isso – a música parou e ela soltou minha mão, mas eu não tirei a minha de sua cintura – Preciso ir, Christian. Estão me esperando.
— Espere. Sua mãe foi embora – disse rapidamente quando me lembrei de ver Nicole e os Benchley saindo.
— Tenho uma carona – ela olhou para alguém atrás de mim – Vamos?
— Sim.
Quando reconheci a voz tirei a mão da cintura de Violetta que ainda estava ali esperando por uma outra dança, mas aquilo era mais importante que uma dança. Eu estava perto de Elena a uma distância que não fico há anos. Acho que pelo menos naquilo Violetta era inocente, ela não tinha como saber de tudo o que aconteceu. Senti um olhar vindo a mim, era Ana que de nossa mesa observava receosa. Ela estava seria, talvez quisesse vir até mim, mas se policiara na tentativa de não deixar a cena mais constrangedora para todos. Violetta sorriu para mim, antes de deixar o salão com Elena e o acompanhante dela, ele deveria ter a minha idade. Respirei fundo e voltei a mesa. Meus pais também haviam notado a aproximação de Elena, não me disseram nada, porém notei seus olhares. Quando soube que Elliot e Kate já haviam ido eu e Ana fizemos o mesmo, mas sem deixar de falar sobre o acontecido.
— Não troquei uma única palavra com ela.
— Ainda bem. Quando a vi ali quis ir até lá, mas sua mãe disse que seria melhor eu ficar sentada ou poderíamos acabar brigando.
— Não havia necessidade, ela só foi chamar Violetta para ir embora.
— Violetta e ela são muito próximas? As vi juntas no enterro de Gustave.
— Na verdade são sim. Elena sempre os visitava em Nova Iorque. Gustave sempre teve um grande apego a ela, apesar de tudo. Minha mãe disse que quando contou sobre o que aconteceu entre nós... – senti Ana se remexer no banco, ela não gostava de lembrar que eu e Elena já tivemos um caso – ...ele apenas respondeu que respeitava a opinião e decisão dela, mas Elena era uma amiga maravilhosa e que já havia feito muito por ele e pela filha – “filha”, não consigo acreditar que a filha de Gustave e a garota que tanto me provoca são a mesma pessoa – Ele não tem culpa. Ela não tem culpa, não fez de propósito e também não podemos impedi-las de se socializarem, mas prefiro evitar Elena para sempre.
— Eu também.
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