Cinquenta Tons de Violetta
13 Capitulo 13 - Garota de Vidro
Notas iniciais
No dia seguinte seria o dia de estagio de Violetta, dei uma passada no setor financeiro, a vi junto a um estagiario que não sabia o nome, nem me importava, ela parecia a mesma de sempre, a não ser por sua roupa, ela usava um conjunto de saia e blusa azul escuro, totalmente comportada, parecia uma versão mais jovem e mais bonita de Kate Middeton, ou talvez, uma versão mais jovem de sua mãe.Ela fingiu que não me viu, continuou a separar a correspondencia, andei pelo andar, queria só olha-la, ver algo, captar alguma coisa em seus passos, seus atos, seu olhar, qualquer coisa que indicasse que ela precisava de mim; mas ela nem olhou para mim, passou o tempo todo com o rosto abaixado, talvez aquilo já fosse um sinal
–Christian, que bom recebe-lo aqui-era Mike, o canadense que eu contratei como novo diretor financeiro-Deseja algo especifico?
–Não, apenas olhando, gosto de passear pelos andares, ver o trabalho das pessoas
–Espero que esteja satisfeito com meu setor
–Estou sim-olhei para Violetta, ela levava uma pilha de papeis para o corredor, que no fim estava a sala de copias onde um dia nos agarramos-Preciso ir
Não esperei ele se despedir, fui atrás dela, chegando na sala de copias ela se virou e bufou ao me ver, estava cansada, como se não tivesse dormido a noite, agora de perto via que as mangas eram longa demais para ela, embora fosse uma roupa bem moldada
–O que você quer?
–Saber se você está bem
–Me poupe-se virou e voltou a tirar copias
–Fui um idiota, não deveria ter dito aquilo.Nem sobre o que você me disse, nem sobre Elena
–Mas era verdade aquilo sobre Elena, pelo menos me fez deixar de ser idiota
–Ela se preocupa com você
–Se ela tivesse me dito antes eu ate teria aceitado, talvez tivesse, mas não foi assim.Quando soube de nos dois ela me julgou tanto que eu me arrependi de ter ido para a casa dela
–Eu vi aquele homem hoje, e ele não e?
–Por que você se importa?Estou apenas fingindo para que você tenha pena de mim
–Caso não tenha percebido, não estou no auge da minha vida, ainda mais depois do modo como Ana descobriu.Não e muito estranho ela ter aparecido justamente quando estavamos transando
–Não e misterio nenhum, eu vi ela chegando
–Eu sabia-fiquei com raiva, claro, embora já soubesse, ouvir dela era horrivel, ainda mais pela maneira que ela falava, como se fosse algo completamente normal-Nem preciso perguntar o motivo
–Claro que não, você sabe qual e
–Você e impressionante, como pode ser tão egoista
–E a natureza humana.Olhar para o proprio umbigo, afinal, quem vai fazer algo por mim?
–Meus pais, eles te amam como à uma filha
–Eles tiraram minha foto da parede, aquilo me magoou
–Você errou, e eu tambem, eles não podem ficar do nosso lado se fomos os errados da historia
–Preciso ir-pegou os papeis copiados e passou por mim e saiu da salinha
Eu não podia segui-la, tinha que me contentar com aquelas meias-palavras, otimo, meus pais estavam decepcionados comigo, Ana me odiava, Violetta me desprezava
–Não está facil-resmungei
Estava sentado junto as outras expectadoras enquanto acompanhanhava Phoebe em seu ensaio de ballet, em meio a mães e babás que me comiam com os olhos
–Pai, falta muito?-perguntou Ted, tão entediado quanto eu em ver o ensaio de ballet
–Mais dez minutos e vamos onde você quiser
Meu celular tocou, me levantei e fui para outro lugar, do jeito que era observado ali seria impossivel obter privacidade, era o numero desconhecido, que agora sabia ser de Elena, mas não por isso salvei em minha lista de contatos
–O que foi?
–Violetta sumiu
–Ela some as vezes
–Não, ela sumiu mesmo, estou saindo de lá agora, a porta se seu quarto esta quebrada e Scott está com arranhões no rosto e nos braços.Veio com uma conversa de que ela havia fugido sem qualquer motivo, mas eu duvido, não faltavam roupas em seu closet
–Tem certeza de que ela sumiu?-tentava parecer calmo e indiferente, mas por dentro sentia borboletas no estômago
–Certeza não tenho, liguei para a policia, eles foram lá, mas como não tem um mandado não podem entrar na casa-ouvi ela gritar, mas não entendi o que foi por causa da buzina de seu carro
–Elena, fique calma, encoste o carro e fale-a conhecia bem, sabia que ela não costumava dirigir nervosa, pós isso a afetava muito, ate chegou a sofrer um acidente anos atrás
–Certo-passou-se algum tempo, então ela continuou-A policia disse que e normal adolescentes sumirem, ainda mais por causa de novos relacionamentos dos pais.Então disse que Scott era um estuprador e que Violetta já foi vitima dele, mas como ela já cumpriu pena e não tem medida protetiva não podem fazer nada, leva-lo preso seria considerado preconceito por ele ser ex-presidiario-ouvi um soluço-Estou tão preocupada, aquela idiota da mãe dela não liga, ainda disse que a filha costuma fazer isso o tempo todo
–Não se preocupe, vou ver o que está acontecendo
Voltei para junto de Ted, disse que não poderiamos sair pós eu tinha algo importante para fazer.Claro que ele ficou zangado, e com razão, mas eu não podia esperar, principalmente porque minha cabeça inventava inumeras coisas, inumeras coisas que poderiam ter acontecido com Violetta
Os levei para casa, notei uma Mercedes na entrada, mas os gritos das crianças me tiraram a atenção e me dediquei a pegar a chave.Dês de que fui convidado a me retirar eu tocava a campainha, em sinal de respeito a Ana, afinal, se ela não me queria ali, não deveria simplesmente ir entrando, mas naquela ocasião eu estava com pressa e as crianças estavam com fome, então usei minha chave e entrei.Ia a procure de Ana quando vi uma presença totalmente incomoda na sala, o tal Simon Lair, de terno andando pela minha sala olhando meus quadros
–Senhor Grey, não achei que fosse encontra-lo aqui
–Tambem não imaginei que iria encontra-lo aqui senhor Lair-as crianças correram para a cozinha onde provavelmente foram a procura de algo para comerem-Posso saber o que o senhor está fazendo aqui?
–Não sei se e prudente dizer
–Christian, o que você está fazendo aqui?
Me virei e vi uma Ana que a muito tempo não via, era uma Ana que gostava de sair e ir a restaurantes, usando um vestido bege com um cinto vermelho que destacava sua cintura, e sapatos tambem vermelhos que deixavam seus pés irresistiveis, estava com os cabelos soltos, algo que não via a muito tempo, mas não estavam totalmente soltos, parte deles estava presa atrás da cabeça
–Vim trazer as crianças
–Era para você traze-los só mais tarde
–Preciso resolver algo muito importante-olhei dela para Simon-Pelo visto você tem um encontro
–E apenas um jantar de amigos
–Que bom que você esta tratando seus amigos assim
–Não e algo que seja importante, dado as circunstancias atuais
–Já trouxe as crianças, mas amanhã venho pega-los.Preciso ir
Quando vi a Mercedes queria pegar um pé-de-cabra e quebra-lo todo, mas me controlei, ao invês disso só dei um chute no para-choque.Entrei no carro e fui até a casa de Violetta, já do lado de fora vi algo diferente, parecia mais sombria, a luz de seu quarto não estava acessa, a neve já estava derretendo e o visual era frio, mas humido
Bati na porta, quando ela se abriu eu invadi a casa, a empregada gritou, disse que Nicole não estava em casa e que seria melhor se eu voltasse depois, mas eu não iria esperar, precisava saber se Violetta estava bem, subindo as escadas eu dei de cara com alguem que nunca havia visto de perto, mas sabia bem quem era
–Senhor Grey-disse a versão mais velha de Patrick Bateman, conhecido como Scott Harper-Creio que veio procurar Violetta
–Ela está?-cerrei os punhos
Queria enforca-lo usando sua gravata borboleta ou os suspensorio, mas me segurei, ele usava camisa social azul clara então não pude ver os arranhões que Elena me disse que ele tinha, mas vi um perto de sua orelha, era um arranhã profundo e recente, ainda não estava cicatrizando, a pele estava vermelha e em carne viva
–Não, ela foi embora está noite
O empurrei e corri ate o quarto de Violetta, logo notei algo na porta, havia arranhões do lado de fora, mexi na maçaneta, ela estava emperrada, então a porta não podia ser fechada, a porta só ficaria encostada, e qualquer empurrão a abriria.A fechadura da porta havia sido quebrada, e por um amador, um chaveiro não deixaria aqueles arranhões na madeira
Olhei pelo quarto, de primeira nada me chamou a atenção, mas quando olhei para o lado percebi que sua mesa de estudos estava fora do lugar, meio torta e bem perto da porta, e haviam arranhões no piso, pelo visto a mesa de estudos era usada para prender a porta
Abri seu closet, não faltavam roupas nem bolsas, sua mochila com material escolar estava como sempre no chão, ao lado de onde antes ficava sua mesa de estudos
–Então você e Christian Grey-me virei, ele me observava da soleira da porta
–E você e Scott Harper-seu olhar me fez sentir no filme 'Psicopata Americano'
–Acho que já deve saber bastante sobre mim-ele entrou no quarto e olhou em volta, passou a mão pelas roupas de Violetta que estavam penduradas no closet
–Não toque nas roupas dela
–São só roupas-ele voltou ao corredor, ia embora
–O que você fez com Violetta?
–Se que saber se eu a matei e joguei seu corpo no rio.Não, eu não fiz isso-seu exemplo me deixou incomodado, me aproximei dele
–Você acabou com ela, você destruiu sua infância
–Eu já paguei pelo o que eu fiz.Estou em condicional, e não sou burro de mata-la, seria o primeiro suspeito
–Pare de falar que ela esta morta
–Não se preocupe, ela não está
–O que foi isso na porta?
–Não sei, nem havia percebido
–Não havia percebido que a porta estava quebrada?Que o quarto estava sempre aberto?
–Prefiro a porta do quarto dela aberta, assim posso ficar de olho
–Cale a boca-seguro ele pelo colarinho
–Acredite, tambem quero que ela apareça, minhas noites estão sem graça dês de que ela se foi
Dei um soco nele, que caiu em uma mesinha que estava no corredor, onde em cima havia um vaso de flores, o vaso quebrou e cacos de vidro junto com água e flores sujaram o chão, a mesa tombou, mas não quebrou
–Se ela não aparecer, eu volto aqui e te mato
–Eu passei os ultimos onze anos na prisão, um soco seu não doi-disse enquanto se levantava e arrumava a gravata borboleta
–Ela precisa aparecer
–Talvez seja melhor ir atrás dela, quando eu digo que não sei onde ela está e porque não sei mesmo
Andei pela casa a procura da entrada até a garagem, era em uma porta no canto da cozinha, a Range Rover não estava ali, mas isso não queria dizer nada.Empurrei Scott que estava me seguindo para onde quer que eu fosse e sai da casa, entrei no meu carro e fui para casa
Devo ter ficado mais de uma hora andando por todos os lados pensando no que faria, tanto em relação a Violetta, quanto em relação a Ana
Fui até o Quarto de Jogos, era estranho ir lá sem ninguem, era solitario, assim como antes.Peguei um chicote preto com fitas que possuiam pequenas esferas de silicone nas pontas.Acertei uma poltrona de couro preto que havia no comodo, houve um pequeno alivio, mas não era como bater em alguem, havia muito tempo que não ia em clubes de BDSM, mas isso não seria feito está noite, estava muito agitado para isso, então acertei a poltrona mais uma vez
Continuei ate cansar, estava pingando de suor, minha camisa estava grudando no corpo, coloquei o chicote no lugar e fui tomar um banho, dormi na minha cama, foi horrivel, os pesadelos voltaram e eu apenas podia tentar fugir tomando remedios para dormir
No dia seguinte acordei cedo, queria compensar minha saida tão cedo, mas antes liguei para meus pais e informei sobre o que estava acontecendo, já avisando que iria passar o dia com as crianças e que no sabado tive que entrega-los mais cedo por esse motivo, e que hoje queria aproveitar o dia com eles.Cheguei pouco depois do café da manhã, eles correram entusiasmados porque eu os levaria em uma peça de teatro infantil, era dificil achar um programa que fosse satisfatorio para os dois, aquela peça foi uma otima escolha.Não encontrei Ana, perguntei as crianças se eles sabiam que hora ela havia voltado, mas eles disseram que já estavam dormindo
O teatro estava cheio de crianças, me arrependi de não ter levado uma das babás, parecia o tipo de coisa que os homens não vão, então era um dos poucos, não que não houvesse nenhum, mas assim como no ballet eu estava sendo despido na imaginação de muitas das mulheres.Para elas eu deveria parecer um pai recem-divorciado que estava precisando de uma ajuda feminina, sei disso porque varias perguntaram se eu precisava de ajuda
Quase dormi durante a peça, o que me impediu foi a constante som de crianças que não ficavam quietas, e o som da peça em si que precisava vencer o barulho das crianças.Um dos melhores momentos da minha vida foi quando acabou, jurei a mim mesmo que nunca mais iria a uma peça infantil, mas sabia que acabaria indo novamente pelas crianças
Fomos ate o McDonald's onde eles queriam ganhar o brinde que eram bonequinhos com varias profissões diferentes, Ted pediu o atronauta e Phoebe a veterinaria
–Gostaram da peça?-perguntei enquanto apreciava um sundae
–Muito, muito, muito!-falou Phoebe em seu famoso entusiasmo
–Quando vamos novamente?-perguntou Ted, para meu desanimo
–Seria muito chato ver a mesma peça, quem sabe quando houver uma nova
–Mas eu quero ver essa novamente-pediu Phoebe
–Vamos ver
–Quando você vai voltar para casa?-embora Phoebe tivesse feito a pergunta, sabia que Ted tambem queria perguntar a mesma coisa
–Crianças-derrepente o sundae ficou amargo, e eu o afastei-A mãe de vocês e eu estamos tentando algo novo
–Estão se divorciando?
–Não, estamos apenas separados, não vamos nos divorciar, e apenas um momento em que decidimos que sera melhor se ficarmos afastados para pensar em como sermos uma familia mais feliz
–Mas a mamãe está saindo com um senhor-rebateu Ted
–E apenas um amigo, tambem saio com os meus amigos
–Eu falei para você que ele era só um amigo-disse Phoebe a Ted de forma debochada
–Não vamos mais falar disso, vamos ao shopping?
Ao fim do dia estava carregando varias sacolas de lojas infantis, algumas tinham brinquedos, outras roupas e sapatos.Precisei fazer magica para colocar tudo no porta-malas do carro sem amassar nada.Pode parecer que estava comprando meus filhos, mas não era assim, que estava aproveitando o tempo com eles da melhor maneira que podia, não fazia isso antes, estava sempre ocupado demais, mas hoje eu sabia valoriza-los
Quando os deixei em casa Ana não estava, temia pela duvida dela poder estar com o tal Simon, então na segunda-feira acordei com a intenção de falar com ela na editora na metade da manhã.Quando estava a caminho recebi uma ligação de minha mãe avisando que Violetta ainda estava desaparecida, não havia ido para o colegio e seu carro não foi encontrado
–Acha que e melhor chamar a policia?
–Eles disseram que ainda e preciso esperar mais, "Adolescentes somem o tempo todo", e a desculpa deles
–Talvez seja melhor contratar um detetive particular
–Estive pensando nisso, vou me encontrar com um hoje a tarde, mas uma verdade e que se Nicole não ajudar fica dificil
–Mas e a porta?Alguem falou da porta?
–A policia disse que aquilo não e arrombamento, mexer em uma fechadura da propria casa não e crime
O carro parou na porta da editora e eu tive tempo de ver Simon Lair entrando no predio
–Mãe, preciso desligar, depois me conte as novidades
Ela se despediu e eu me apressei em entrar na editora, quando me viram os funcionarios logo perceberam que o encontro destinado a acontecer não seria muito bom, sua secretaria disse que ela estava ocupada e que iria avisa-la de que eu estava ali, coisa que nunca fez, eu sempre entrava na sala de Ana no momento em que eu quisesse, e ela possuia a mesma liberdade com a minha, embora fosse isso que tivesse ocasionada em um flagra.Ao abrir a porta ela estava com a bolsa no braço e Simon passava a mão em seus cabelos, fechei a porta com brutalidade
–Christian, o que e isso?Como pôde entrar aqui assim?
–Sou seu marido, se eu não posso entrar aqui quando quiser, então e porque esta escondendo algo
–Não estou escondendo nada
–Então por que se assustou ao me ver?
–Sua maneira de entrar foi inoportuna e mal educada
–Onde você vai?-perguntei olhando para a bolsa
–Estou indo a um encontro com um escritor
–Você esta escrevendo livros Lair?
–Não Grey, apenas passei para falar com Ana, mas como ela já estava de saida ia acompanha-la ate o carro
–Ela e casada, e é preciso respeitar uma mulher casada
–Eu nunca a faltei com respeito
–E verdade, ele nunca foi desrespeitoso comigo-Ana se virou para Simon-Sinto muito por isso, e uma situação delicada de casal, então se puder nos dar licença
–Claro, vejo que será uma conversa de casal-não posso negar que gostei dele ter nos classificado como casal-Depois nos falamos
–Ok
Ao passar por mim parou, ficamos nos olhando, eramos quase da mesma altura, então nossos olhares ficaram praticamente alinhados, talvez houvesse um raio ligando nossos olhares, assim como nos desenhos, mesmo que fosse algo muito infantil de se pensar.Quando ele saiu se instalou um silencio constrangedor, ficamos calados olhando para o chão ou o teto, tudo menos um para o outro
–Estou com pressa Christian, o que você quer?
–Queria conversar, tomar um café, mas agora fiquei sem vontade
–Então com licença, preciso ir-ela andou em direção a porta
–Não-impedi sua passagem-Me diga, o que esta acontecendo entre vocês dois?
–Apenas amizade
–Ana vocês sairam juntos no sabado, e domingo você não estava em casa quando eu cheguei
–O que eu faço não e mais da sua conta
–Claro que e, você e minha esposa, acha que eu vou deixar isso acontecer
–E o que você fez?
–E diferente
–Por que?
–Eu admito que errei, mas você esta fazendo isso só para tentar ficar por cima
Vi seu movimento, sabia que ela iria me bater, mas eu merecia tanto que não me esforçei em sair do lugar, ate fiquei quieto para que ela acertasse bem onde queria.Meu rosto ardeu, mas como Ana não estava acostumada a bater em nada nem niguem sabia que a mão dela tambem doia, ela abanou a mão como se tivesse queimado
–Estou cansada de fingir que estou calma, você me humilhou.Como acha que me senti com aquilo?
–Eu sinto muito mesmo pelo o que aconteceu.Estou extremamente envergonhado pelo o que fiz
–Você me traiu.Mesmo com as discussões pensei que fossemos felizes
–Somos, mas eu estava sendo constantemente tentado por ela
–Christian você não foi para a Inglaterra
–Como?-senti borboletas no estomago
–Você não foi para a Inglaterra, alem de fazer uma compra muito cara de uma joia na Dior
–Que te disse isso?
–Eu e Kate descobrimos durante a semana.Liguei para o piloto e ele disse que você não usou o avião naquele dia-ela segurou uma lagrima que eu só pude perceber por estar olhando bem em seus olhos-Você só me deu uma bolsa, não recebi nenhuma joia
–Ana, eu fui um idiota, estava confuso, estamos brigando o tempo todo e quase não ficamos juntos
–Isso e motivo para me trair?
–Não, mas no momento eu não pensei, fui idiota
–Você ficou com ela aquele dia quando disse que iria viajar não foi?Você deu a joia para ela?
Não consegui responder, abaixei a cabeça envergonhado, Ana não merecia uma traição, ela me fez uma pessoa melhor, me fez um pai, me fez um marido; e eu estava sendo um completo idiota
–Ana, eu não sei o que dizer
–Por enquanto acho melhor continuarmos separados.Não sei se consigo dividir o mesmo espaço que você
–Como quiser, vou deixar você fazer as coisas ao seu tempo
–Estou atrasada, o escritor já deve estar me esperando
Saimos juntos, mas não trocamos uma palavra ela entrou em seu carro, eu fiquei tentado a segui-la, mas não seria inteligente depois da briga ocorrida, alem do mais, meu rosto estava com a marca saliente de sua mão ainda latejando
Me tranquei em minha sala, não queria exibir a marca vermelha que a mão de Ana deixou em meu rosto.Meu celular tocou, era Mia, não estava com vontade de falar com ninguem, mas talvez fosse noticias de Violetta
–Aconteceu alguma coisa?
–Na verdade sim, ela esta aqui
–Nossa, estou indo
Dentro do carro percebi como estava passando pouco tempo na empresa, talvez estivesse sendo negligente com o que trabalhei tanto para ter.Encontrei uma Mia muito nervosa, muito parecida com a Mia que fazia travessuras na infancia e estava prestes a ser descoberta
–Onde ela esta?
–No quarto de hospedes
–Quando ela chegou?
–Na madrugada de...sexta para sabado
–Ela esteve aqui esse tempo todo?Sabe como nossos pais estavam preocupados?
–Eu sei, por isso chamei você ao invês deles.Estou meio receosa com a reação deles
–Como ela veio parar aqui?
–Chegou de madrugada, tocou a campainha e eu a deixei ficar
–Ela falou o motivo?
–Não e preciso pensar muito para descobrir o motivo
Fomos até a cozinha onde Mia fez café, ou melhor, colocava os refis na maquina automatica de expresso
–Por que não contou a ninguem?
–Ela pediu
–Você não pensou em como estavamos preocupados
–Ela estava muito magoada com todo mundo, sobre Elena.Eu sei que você ficou com raiva dela quando eu disse que Violetta estava na casa da Elena, não deveria ter dito
–Não, eu que não podia ser ignorante-recebi uma xicara de café
–Será que você pode ligar para a mamãe, ela vai encontrar um detetive particular e eu não quero que ela faça isso
–Ligo sim
Claro que minha mãe ficou zangada, quando Mia pegou o telefone percebi que estava levando uma bela bronca
–O que você esta fazendo aqui?-perguntou Violetta da soleira da porta
–Vim ver você, não faz ideia de como meus pais estão preocupados
–Você e muito cinico, não deveria me procurar-ela usava um pijama de cupcakes que pelo estilo deveria ser de Mia
–Mas eu quis.Fui a sua casa, vi seu quarto, fiquei preocupado
–Estou bem como você pode ver
–Eles estão vindo-avisou Mia
Nos três almoçamos juntos uma comida congelada que Mia tinha na geladeira, mas que não parecia congelada pelo sabor acentuado.Meus pais chegaram quando estavamos terminando, minha mãe abraçou Violetta com muita força, ela ainda usava o pijama de Mia
–Não vou voltar para lá
–Certo querida, eu entendo, nem vamos lhe contradizer
–Posso ficar com vocês?
Meus pais se olharam, sabia que eles estavam em uma saia justa, seria um desrespeito a Ana, e a casa de Mia era pequena, ela era casada e eram jovens, talvez a estadia de Violetta fosse meio inoportuna
–Ela vai ficar comigo-merda, eu disse isso mesmo, todos me olharam, pelo visto tambem não acreditando no que eu tinha dito-Ela vai ficar comigo-repetir foi surpreendentemente mais facil
–Não e uma boa ideia-Violetta disse o que todos pensaram
–Christian, vamos ali rapidinho-meus pais foram comigo a outro comodo-O que você esta fazendo?Pensei que quisesse reconquistar Ana
–Eu quero, mas vocês não podem hospeda-la sem causar uma situação desconfortavel
–Se Ana descobrir vai ser pior
–Ela está saindo com outro homem
–Nossa-disse minha mãe espantada-Não achei que isso fosse acontecer
–Mas aconteceu, Ana está zangada comigo, não com vocês, nem quero que ela fique.E eu não posso deixar Violetta desamparada
–Você esta disposto a ter um relacionamento com ela?-perguntou meu pai de olhos arregalados
–Acho que sim, eu provoquei tudo isso, e ela precisa de ajuda, embora não admita
–Não faça isso só porque está querendo provocar ciumes em Ana
–Ela precisa de mim, no momento eu acho que sou o unico que pode ajuda-la
Voltamos para a cozinha, ela estava comendo iogurte
–Você vai ficar comigo
–Tenho direito de escolha?-ergueu a sobracelha provocativa
–Nenhum-retribui com um sorriso
–E melhor você ir trocar de roupa-minha mãe estava tão desconcertada quanto os outros com a maneira como nos olhamos
–Não tenho, vim de pijama, não esse, outro
–Lhe empresto uma roupa
Subiram para o quarto de Mia, quando voltou Violetta vestia uma calça jeans que estava meio apertada nas coxas e uma blusa um pouco apertada no busto e larga na cintura, afinal Mia era miuda, diferente de Violetta que era repleta de curvas delicadas porem extremamente provocantes
–Qualquer coisa me ligue-disse minha mãe, olhando com estranheza eu e Violetta entrando no carro dela, Taylor iria conosco no meu carro
–Antes vamos passar na sua casa, pegar roupas e seu material escolar-estava no passageiro
–Não, não quero ir lá
–Você saiu por causa dele não e?-ela entrou na frente de forma imprudente de outro carro quando eu fiz a pergunta
–Sai porque quis
–Vamos passar lá, se quiser ficar comigo então tem que ir para o colegio.Não se preocupe, não deixarei ele encostar um dedo em você
Acabei por conseguir convence-la, paramos os dois carros na frente da casa, ela saiu e logo pegou a chave, parecia querer fazer aquilo rapido, como puxar um curativo.Ouvimos sua mãe falar conosco, mas corremos escada acima, foi uma surpresa encontrar Scott no quarto, deitado na cama olhando o quarto daquele ponto de vista, ele se assustou com nossa presença e quase deixou cair o copo de bebida
–Finalmente você apareceu
–Saia do meu quarto
Se levantou e passou por nos, proximo o suficiente para tocar nela, mas só não fez porque eu estava ali.Ela foi rapida, amassou todas as roupas na mala, ela não tinha muitas roupas, sapatos foram em outra mala, eu peguei as malas e ela seu material escolar e notebook.Fui na frente, Taylor pegou as malas de minhas mãos e as levou ate meu carro, quando olhei para trás a procura de Violetta vi pela porta aberta que Scott estava segurando seu braço, com o corpo encostado no dela, se aproveitando que ela estava com as mãos ocupadas estava passando a mão em seu rosto.Voltei rapidamente, e ele a soltou quando ouviu meus passos pesados e furioso
–Estou apenas conver...
Não o deixei terminar com um soco nele, cambaleou um pouco, mas como disse, um soco meu não era nada comparado a prisão
–Vai para o carro-disse a Violetta
–Não sei porque você ainda faz isso, ela gosta, se não gostasse não iria se abrir tão facil-segurei o colarinho dele
–Você está doido?
–Admita, ela e bem facil, não foi facil para você?-dei outro soco dele, notei o bafo de bebida alcolica
O joguei no chão, ele ficou ali como um bêbado na calçada, imaginei o que esse idiota teria feito com ela nesse pouco tempo que estiveram morando juntos.Levei Violetta para seu carro e peguei a chave que estava em seu bolso, não era bom ela dirigir, deixamos Taylor colocando seus pertences no carro, já estava no banco do motorista, estava esperando Violetta entrar, ela estava em pé segurando a porta aberta, estava com raiva, seu rosto estava vermelho e ela segurava a porta com tanta força que os seus dedos estavam brancos
–Vamos, não ligue para ele-disse colocando o cinto
O olhar dela foi feroz, cheio de raiva, ela correu, eu rapidamente tirei o cinto e sai do carro, ela foi ate Taylor que não notou sua aproximação repentina, ela pegou algo de dentro do casaco dele, só ai Taylor a percebeu, e eu tambem sabia o que ela iria fazer
Foi rapida, correu para dentro da casa, eu e Taylor fomos atrás, sabiamos o que ela tinha pego e a perspectiva diante de suas intenções era a pior possivel.Scott ainda estava caido no chão, mas agora nem se atrevia a falar nenhuma gracinha
Violetta estava com uma arma apontada na cabeça dele
Fale com o autor