Cinquenta Tons De Vermelho

3 Capítulo 3:Moonlight Club


Notas iniciais
Voltei!
Saudades de mim?Acho que não muita,hehe.
Desculpe a demora,acho que a combinação bloqueio criativo+preguiça+facebook+TribeTwelve não ajudou muito.
Mas aqui está um capítulo beeem grande pra compensar!

Alucard a aguardava com um sorriso quase igual ao do Coringa. Seus olhos faiscavam a ponto de quase brilharem no escuro, o que contrastava com suas vestes completamente negras.

Ela sacou a arma e atirou nele, manchando a roupa do vampiro.

Ele apenas gargalhou.

-Então está realmente usando a calcinha que separei.

E ele se refez e trocou sua roupa banhada em sangue por uma limpa previamente separada. Claro que ostentava um sorriso ainda maior na face¹.

O Rolls Royce Phantom preto da Organização Hellsing andava um pouco acima da velocidade permitida. Alucard dirigia como um verdadeiro inglês: loucamente². Qualquer estrangeiro se agarraria ao banco ou ao painel e rezaria para não morrer, mas Integra não era estrangeira. Estava acostumada ao jeito suicida de dirigir dos ingleses, ela mesma guiava desta forma.

Todavia, a calcinha preta a incomodava. Assim que ela começou a andar a roupa de baixo foi entrando na abertura entre os glúteos, e, por mais que ela a ajustasse continuava a incomodar. Por sorte encontrou uma bolsa tipo carteira de couro preta que serviria de coldre, guardou algumas balas para sua arma e uma calcinha extra dentro e a levou consigo.

Alucard estava elegante num terno preto e camisa vermelha sem gravata. Seus cabelos lisos e negros estavam atados num rabo-de-cavalo baixo, e pela primeira vez a sua companheira podia ver seu rosto por inteiro. Ainda tinha um leve sorriso no rosto e por enquanto, afora a calcinha fio-dental de renda que incomodava Integra, não tinha feito nenhuma piada ou gracinha. A suave música de Mozart preenchia o silêncio, entretanto ela sentiu certa necessidade de conversar.

-Onde estamos indo?-Ela perguntou depois de quase meia hora de viagem.

-É uma surpresa. Acho que nunca ouviu falar de um lugar como esse antes, sua existência é completamente sigilosa desde que foi criado, muito antes de eu nascer.

-Já levou a Celas lá?

Ele olhou para ela com cara de deboche e riu.

-Se eu a tivesse levado, ela estaria até agora encolhida num canto em posição fetal, balançando para frente e para trás e murmurando coisas ininteligíveis, além de suar frio.

-Posso perguntar o que acontece lá?

-Não. Essa é a segunda regra. O que acontece lá, fica lá.

-E qual a primeira?

-Nunca falar sobre lá, nem o nome, nem onde fica. Nem mesmo para outro conhecedor do lugar.

-Então posso deduzir que acontecem coisas de todo tipo nesse lugar e nada é estranho ou errado?

-Pode.

-Estamos indo para o Clube da Luta, Las Vegas ou é a Área 51?

Ele apenas riu. Tomou a estrada para fora de Londres em direção a uma cidade próxima da city, e foram mais quinze minutos até que chegassem ao centro. Entrou em algumas ruas e Integra percebeu que estavam saindo de uma área dominada por novos ricos e indo aos bairros dos que já nasceram ricos. Existiam prédios imponentes, com estátuas caras de bichos em mármore adornando suas fachadas.

Ele guiou para dentro, do subsolo de um edifício e estacionou o carro numa vaga perto do elevador. Havia muitos outros carros de luxo estacionados, entre eles, uma Mercedes azul escura, um BMW preto e uma Ferrari também preta. Integra sentia um cheiro muito forte vindo deles, parecido com o de Walter, mas com o odor de perfume barato adicionado.

-Humanos. -Disse Alucard enquanto procurava algo no porta-luvas.

-É permitido trazê-los aqui?

-Sim. Desde que suas memórias sobre este lugar sejam apagadas depois. Os que sobreviverem, é claro.

-É permitido matar aqui?

-Sim, como lhe disse aqui tudo é permitido.

-Eles trouxeram prostitutas?

-Provavelmente. -Ele pegou uma plaquinha de identificação de carro e pôs no retrovisor com a sigla "M.L.C" voltada para quem fosse olhar de fora. Desceram do automóvel e a jovem pôde notar que todos os outros carros também tinham essa plaquinha.

Entraram no elevador onde um ascensorista loiro de olhos castanhos os recepcionou. Alucard tirou um anel do bolso da calça e mostrou a ele, que abriu o painel do elevador. Dentro havia os botões P, 1, 2, 3, 4 e 5.

-Primeiro andar, por favor. -O ascensorista pressionou o botão e o elevador começou a subir. Demoraram cerca de dois minutos e meio para chegar. Quando chegaram Integra perguntou o porque da demora e Alucard respondeu que na verdade o primeiro andar era o vigésimo primeiro daquele prédio de vinte e cinco andares.

Saíram de dentro da máquina e entraram numa espécie de hall pequeno com quatro metros quadrados, pintado de cor de areia, com quadros com cenas macabras adornando as paredes e plantas que não tinham folhas e pareciam apenas galhos secos fincados em vasos. Havia uma porta e dois seguranças do tipo "gorila", um branco e o outro negro, ambos de terno e gravata, mas com tatuagens nos rostos e mãos e, provavelmente, no resto do corpo. Era um tipo de tatuagem diferente, entretanto. Da cor da pele deles, porém era brilhante e ao invés de ter desenhos eram apenas escritos, com uma letra muito rebuscada num idioma que parecia ser latim.

Ambos usavam óculos escuros apesar de ser tarde da noite e estarem dentro de um prédio, mas pareciam encarar Integra com a maior desconfiança.

Alucard mostrou o anel de novo e disse que eles estavam juntos. Contudo, quando a vampira passou por eles teve uma péssima impressão de que continuavam olhando.

Entraram numa sala ampla, com paredes pintadas de um vermelho tão vivo que parecia sangue. Havia um bar à direita com uma bartender ruiva com seios enormes e uma pele muito branca sarnenta e banquinhos onde os pedidos poderiam ser feitos, além de cadeiras e mesas onde alguns vampiros elegantemente vestidos apreciavam suas bebidas e um pianista tocando música erudita. Atrás do músico havia janelas de uma parede à outra e do teto até o chão. Embora apenas o balcão fosse iluminado a diretora da Hellsing enxergava todos os detalhes.

Sentaram-se no balcão e Alucard pediu dois "Empalamentos".

Integra ficou assustada.

-É a especialidade deles. — Disse seu servo.

Quando a bartender terminou de misturar alguns líquidos pôs a mistura em duas taças de Martini, que empurrou ao casal.

Integra apenas olhou a mistura âmbar.

-É um whisky especial, mais forte que o normal, misturado com uma gota de sangue e especiarias. É o único jeito de um vampiro beber algo além de sangue. Uma tacinha destas custa muito mais do que uma dúzia de garrafas de whisky de uma grande marca. Confie em mim: você vai precisar tomar isto para encarar o que vem a seguir, a atmosfera deste andar é só uma máscara para o que tem lá em cima. Prepare-se para conhecer o verdadeiro rosto de um vampiro quando tem liberdade para fazer o que quer.

Ela ficou assustada. Se fosse outra pessoa falando, Celas principalmente, ela riria e diria que era bobagem. Mas era o próprio conde Drácula! Um vampiro com mais de 500 anos dizendo isso, alguém que matou pessoas completamente inocentes por puro capricho e agora dizia que ela precisava se preparar psicologicamente.

Tomou a bebida em um único gole.

Tinha a impressão que revirou três garrafas inteiras em sua garganta, ao mesmo tempo, que desceram como uma bomba de hidrogênio. A Draculina se sentia, pela primeira vez, bêbada.

-Não se preocupe, o efeito passa em alguns minutos. Vamos subir.

Cambaleando, Integra se levantou com a ajuda de Alucard, tentando se equilibrar no salto-alto. Logo retomou o equilíbrio e começou a andar sozinha razoavelmente bem e seu servo pôde largar seu braço. Voltaram ao pequeno hall de entrada, sendo seguidos pelos olhares dos outros vampiros.

Passaram pelos seguranças, que pareciam emanar uma sensação de ódio por eles, entraram no elevador de novo e subiram ao primeiro andar. Desta vez não havia seguranças de cada lado da única porta, não havia iluminação e todo o ambiente, apesar de ter exatamente o mesmo tamanho do hall do andar de baixo, parecia ser minúsculo.

Alucard ficou bem em frente à porta, Integra logo atrás dele.

-Pronta?

-Sim.

Abriu a porta e entraram. Era um ambiente escuro, com fumaça gelada espessa por todos os cantos. Corpos estavam espalhados por todos os lados, com seus braços e gargantas dilacerados. O cheiro de diversos estágios de putrefação empesteava o lugar. Havia muitas pessoas vivas, algumas pareciam se divertir alheias aos mortos, outras urravam de dor.

O salão todo parecia o camarim do Marilyn Manson após um show no inferno, com direito a vampiros banhados em sangue estuprando prostitutas e meninas de família sequestradas, além de acessórios como chicotes e coleiras espalhados por todo o lugar. Havia, entre midians e vampiros mesmo, cerca de cem sanguessugas e mais de duzentos humanos, a maioria morta e outros tantos ghouls.

-O que é este lugar?-Disse Integra com nojo e uma raiva crescente.

-É o que chamamos de Moonlight Club³. É um lugar onde os vampiros se reúnem, muitas vezes com "convidados" especiais que normalmente não saem vivos, para fazerem sexo e se alimentarem sem as restrições do mundo lá fora, aqui são inventadas todo o tipo de perversões imagináveis e inimagináveis. Sem precisar se preocupar com limpeza, em esconder os cadáveres ou com a formação de ghouls, muito menos a lei.

-E não fazem isso o tempo todo, sem se preocupar com as consequências?

-Apenas freaks são assim. Aberrações de laboratório que acham ser melhores do que os criados pelo próprio Demônio. Não, vampiros de verdade são precavidos, apenas os bebês são doidos de sair por aí correndo se achando o tal, vampiros de verdade são muito inteligentes, escondem os corpos, tentam viver de acordo com a lei o máximo o possível. Eles até compartilham suas técnicas para que não haja formação de ghouls. Mas aqui estão livres disto, livres de leis e de ética. Não que nos reste muito desta.

-E quem limpa este lugar?

-Os ghouls são destruídos pela luz solar, por isso as janelas enormes. Quem faz o serviço de puxá-las de manhã são os dois seguranças que você viu lá embaixo, eles também matam os que tentam se esconder. A maioria desteta esse serviço, pois muitas vezes eles encontram crianças e adolescentes pré-puberes³ que não tiveram nem chance. As famílias ficam devastadas, pois o corpo não pode ser desovado em qualquer lugar, portanto eles queimam e pulverizam os ossos, assim os restos não podem ser encontrados pela polícia.

O cérebro de Integra voltou a funcionar, mesmo com o cheiro de morte preenchendo suas narinas. Então aquele era o destino das crianças e adolescentes desaparecidos cujos corpos nunca eram encontrados? Aqueles malditos mal davam a oportunidade para os familiares de enterrar seus filhos e parentes! A raiva contida contaminava seu ser, quase a fazendo explodir e tirar a arma de sua bolsa. Se tivesse mais balas acabaria com aquela festa de sadismo e necrofilia em menos de um minuto.

Um gritinho infantil percorreu o salão e chegou ao ouvido de Sir Hellsing tão baixinho que ela achou que talvez fosse sua imaginação. Porém, quando percebeu que era de verdade e olhou à sua direita viu uma menininha, de no máximo cinco anos, cabelos castanhos claros, cacheados e olhinhos azuis escuros gritando de medo. Estava deitada de bruços, agarrando-se ao lençol, sua roupinha cor-de-rosa estava intacta, porém ensanguentada.

Um vampiro de olhos muito vermelhos e brilhantes ocupava-se de tentar rasgá-la e se alimentar ou estuprar a infanta. A companheira de Alucard sentiu o ódio e o desprezo por aquele ser crescer e percorrer seu organismo. Em um milésimo de segundo a vontade de matá-lo empestava sua mente.

Sentiu algo frio encostar em seu braço esquerdo. Era a Casull de Alucard, carregada, pronta para o uso. Sem pensar ela tirou a arma da mão dele e atirou na cabeça do algoz da pequenina. O vampiro caiu morto por cima do abdômen da menina, que gritou estridentemente, a ponto de chamar a atenção do salão inteiro. Integra pegou a garotinha no colo, deixando a arma na mão esquerda à mostra.

Alucard sorriu. Jantaria muito bem aquela noite.

Demorou dois segundos para que um dos vampiros entendesse que a loira havia matado deliberadamente um de seus iguais, talvez até tenha ido lá com a intenção de matar todos ali. Ou pior: que nem vampira fosse, que na verdade fosse uma caçadora, chamada por um daqueles malditos seguranças humanos.

O Rei da não-vida apenas observou um vampiro correr em direção de sua companheira. Um idealista talvez, um daqueles que acreditavam na "irmandade dos vampiros", que pregava a superioridade deles sobre os humanos. Tolice.

Integra apontou a arma para a cabeça dele e fez um buraco nela, espirrando sangue por todo o canto. Mesmo o vampiro sendo muito mais velho do que ela, ainda era Draculina do mais poderoso vampiro que se tinha notícia. E isso ainda significava muita coisa.

Muitos vampiros se levantaram, parando o que quer que estivessem fazendo.

Foram, com raiva e rancor, em direção à Integra, que tentava não desperdiçar nenhuma munição. Colocou a garotinha na cama atrás delas e disparou as últimas duas balas, atirando a arma no chão logo em seguida. Rasgou o vestido até cintura. Agora seria na base das presas. Pegou a garganta do sanguessuga mais próximo, afundou os dedos nela e arrancou sua traqueia, jogando o infeliz para o outro lado.

Deu uma sequência de socos que deslocou crânios, ossos e atirou a cabeça de um aos pés de Alucard, que a esmagou. Seu sorriso era tão largo que precisava ser medido em quilômetros. Aquele exercício servia apenas para ajudá-la a mensurar sua força, agora que não era mais humana. Provavelmente ela brigaria com ele depois, contudo ficaria agradecida após perceber que se não tomasse cuidado mataria um humano com facilidade.

Alguns dos revoltados tentaram atacar Alucard, mas caíam mortos, com suas gargantas jorrando sangue, que o vampiro absorvia gota por gota. Evitaria desperdiçar balas com eles, até porque já fazia um tempo que não se exercitava.

Olhou de relance para a Draculina. A imagem de sua amada arrancando um dos braços de um dos vampiros ficaria para sempre registrado em sua mente, jamais pensou que ela poderia fazer isso. Mas antes que pudesse observar melhor como ela se saía um dos revoltados pulou em cima dele, segundos antes de ser jogado completamente morto num sofá num canto.

Tudo acabou em cerca de dois minutos, Integra tentava obter informações da menina enquanto Alucard ocupava-se de absorver o sangue espalhado pelo chão e pelas paredes.

Apesar de seus esforços, a vampira não conseguia extrair qualquer informação da garotinha. A coitadinha tremia e tinha o medo estampado em seu rosto, além de emitir gritinhos quando Integra tentava encostar nela. Estava completamente aterrorizada. Então Integra percebeu estar empapada de sangue devido à forma com que lidou com as investidas, seu companheiro podia ser mais violento, porém era hábil na arte de não se sujar entre um golpe e outro. Por mais absurda que poderia parecer esta ideia, seria melhor ele falar com a menina.

Alucard pegou uma cadeira e sentou-se frente a frente com a menininha, passou a mão enluvada nos cabelos finos e cacheados e arrancou-lhe um sorrisinho nervoso. Integra tentava se limpar, sem o menor sucesso, com alguns lençóis limpos que encontrou. Andou pelo salão e descobriu um espelho de mão num canto, quando viu seu reflexo quase gritou.

Estava com o rosto todo ensanguentado, seus cabelos completamente emaranhados e seus olhos estavam tão vermelhos quanto os de Alucard. Não havia nenhum traço que indicasse que ela, um dia, fora humana. Mas seu companheiro estava totalmente livre de uma única gota do tão delicioso líquido e sem um fiozinho de cabelo fora do lugar, fez uma nota mental: perguntar que tipo de gel que ele usava e se ele era patrocinado pela Omo.

Ele conseguiu algumas informações da menina, tais como onde morava, qual era seu nome e o de sua mãe, como ela era, contudo ela não se lembrava de como veio parar no Moonlight Club. Pegou-a no colo prometendo levá-la para casa, quando chegassem e entregasse a menina à mãe deveria lembrar-se de apagar as memórias dessa noite das duas.

-Integra, é melhor irmos embora. Temos de levar a garotinha para a casa dela.

Olhou para a mestra. Estava linda. O rasgo do vestido deixava à mostra suas pernas grossas e partes das coxas malhadas, além da pele macia e leitosa contrastando com as manchas rubras que a tingiam. Ela tentava pentear os cabelos com os dedos, que estavam tão belos quanto na noite anterior quando dormia em seus braços.

Fazia-o totalmente distraída, num raríssimo momento em que se sentia vaidosa e só percebeu que ele havia falado alguma coisa depois uns segundos.

-Temos de ir. Vamos levar a garotinha para a casa dela.

-Ah, sim. Vamos.

Saíram do salão quase totalmente livre de sangue, entraram no elevador. O ascensorista arregalou os olhos quando os viu entrar com uma criança tão pequena ainda viva e sem um arranhão, todavia nem ligou para o estado de Sir Hellsing.

Entraram no Rolls Royce, Alucard na direção e sua mestra e a menina no banco de trás. Integra encontrou uma garrafinha de água esquecida embaixo do banco do carona e um rolo de papel higiênico que estava no chão. Fez uma segunda nota mental: mandar Walter limpar o carro assim que possível, talvez houvesse mais objetos que, através de um buraco negro ou o esquecimento, foram parar lá.

Enquanto ela tentava se limpar o máximo o possível, a garotinha se mostrava totalmente inquieta. Muito provavelmente nunca tinha andado num carro tão luxuoso na sua vida, olhava para o painel brilhante cheio de figuras com perceptível curiosidade, talvez se não fosse tão pequena a deixaria dar uma volta no banco da frente. Também olhava com admiração os outros carros no estacionamento, que viriam a ser, meses depois, alvo de uma reportagem sobre carros de luxo abandonados num estacionamento de um prédio comercial de um bairro classe alta.

Sir Hellsing passou o braço envolta dos ombros pequeninos da menina, que fez do corpo da jovem de travesseiro e adormeceu. A Draculina deitou-a cuidadosamente e usou o paletó de Alucard para cobri-la.

-E agora?-Ela perguntou.

-Como "e agora?"? Agora nós levamos a menina para casa dela. Depois podemos ir namorar em algum lugar se você não quiser voltar para a mansão.

-Simples assim?

-Simples assim. Por que as perguntas?

-Sinto-me perdida.

Ele riu.

-Você? Perdida? Sir Hellsing se sente perdida! Hoje chove canivete!

-E eu não posso me sentir perdida? Caramba, Alucard! Eu estava acostumada a levantar fingir que tomava meu café, me arrumar, passar horas trabalhando sem cessar, fingir que almoçava, voltar ao trabalho, não jantar direito e quase passar a noite em claro lendo, relendo e assinando papeis, dando permissões, avaliando casos e brigando com inúteis e incompetentes, não a ser como você! Que destrói ao invés de manter! Que mata ao invés de proteger! No fundo quer que eu me torne o monstro que se tornou!

Ele parou o carro o mais suavemente que conseguiu e tirou o cinto de segurança.

-Nunca, jamais repita isso!

-Então por que me trouxe aqui?!

-Porque não quero que machuque ninguém! Sabia que a sua força, mesmo sendo uma vampira muito jovem, foi drasticamente aumentada? Ou que ficou mais rápida, ou que não tem lá muito autocontrole sobre seus instintos? Não quero que machuque ninguém, pois não quero que você sofra mental ou fisicamente. Quando se mata um humano uma parte de nossas almas se esvai, essa é a nossa sina! Não quero que o que aconteceu comigo quando me transformei! Matei os meus amigos, meus inimigos, o restante da minha família, o meu povo, tudo isso porque não tive ninguém ao meu lado que fosse um vampiro mais velho cuidando de mim como você e Victoria têm! Por isso a trouxe aqui, leva-se tempo até você adquirir um certo controle sobre sua força, não é tão simples como muita gente pensa. Que matasse vampiros num local apropriado, se acostumasse com as novas habilidades antes de interagir com humanos, principalmente os desprevenidos da Távola Redonda. Estou fazendo com você o que fiz com Celas, o que fiz com minhas Draculinas mais importantes sentimentalmente.

-Eu só acho que não seria necessária tanta brutalidade. Temos campos de treinamento, sabia?

-Que não serviriam para nada! Eu sou extremamente forte para brincar de lutinha com você, Celas ficaria em estado de choque durante um bom tempo ao descobrir que te transformei, depois se negaria a treinar luta com você e Walter pode ser um ótimo oponente, mas ainda assim é humano. A não ser que você estivesse a fim de mandar alguns soldados para o outro lado, não achava que os campos de treinamento fossem uma boa opção.

-Mas você tinha escolha!

-Que escolha? Nenhum ataque de vampiros ou ghouls ocorreu nos últimos dias e precisávamos bons oponentes para você o quanto antes! Além disso, salvamos uma vida. Se não estivéssemos lá com certeza ela já teria virado uma vampirinha.

Fez-se um silêncio descomunal.

Ele tinha razão. Estava tentado ser o guia dela. Estava tentando protegê-la do descontrole total e do remorso de um possível massacre.

-Vamos levá-la para casa. -Integra disse por fim.

Levaram cerca de vinte minutos para chegar à casa de menina. Alucard entrou por uma janela e a recolocou na cama. Não seria necessário apagar mente dela, de manhã ela acordaria e pensaria que tudo fora um sonho. Durante a viagem de volta a Londres passaram por um grande lago, Integra mandou para e saíram do carro. Encostaram as costas nele começaram a conversar.

-Porque você fez isso?

-Porque tenho de cuidar de você. E porque quero cuidar de você. Não necessariamente nesta ordem. Quero voltar a cuidar de você como fazia quando você era criança, quando te ensinei a dar o nó na gravata e prender com um crucifixo, quando te ensinei a atirar e quando eu te ajudei quando menstruou pela primeira vez. De longe, esse é meu episódio favorito do nosso estranho amor.

-Desde então comecei a achar que você tinha tendências à pedofilia.

Ele riu.

-Não importa com quem eu me relacione sexualmente, Integra. Sempre serei um pedófilo. Até hoje não conheci e posso dizer sinceramente que não conheço ninguém vivo mais ou menos da minha idade. Muito menos mais velho. Mas você já é adulta, pelo menos do ponto de vista judicial, pode fazer o que bem entender sem dar justificativas a ninguém desde que não fira a lei.

Desta vez foi ela quem riu.

-Isto é, se você aprovar.

Ele sorriu.

-Minha mãe sempre dizia para ouvirmos os mais velhos não importando nossa idade.

-E, de acordo com você, o que devo fazer agora?

Ele pegou a mão dela.

-Aproveitar o resto da noite para dar uns amassos, voltar para a mansão e dormir nua comigo no seu caixão.

-Porque não no seu?

-O que eu te dei é mais espaçoso, cabe nós dois, no meu caberia apenas um.

-E apertadinho não é mais gostoso?-Ele a puxou para seus braços.

-Eu não disse que o seu é espaçoso, eu disse que é mais espaçoso que o meu e também não disse que ficaríamos exatamente confortáveis. -Ele a beijou com força e desejo, passou a mão esquerda pela cintura dela e a mão direita foi buscar a nuca.

Integra o abraçou, apertando-o contra os seios. Desabotoou a camisa dele, expondo seu peito nu. Alucard soltou a jovem e tirou a camisa, rompendo o beijo. Sua boca estava vermelha.

-Está com a boca sangrando. -Ela disse.

-Eu sei. Sempre será assim, sempre vamos machucar um ao outro. -Passou o polegar na boca dela, apoiando o queixo da amada com o indicador.

Ela pôs a mão no lábio inferior e constatou que havia dois buracos ali.

-Vai ser sempre assim enquanto estivermos juntos. Não importando se for um simples selinho ou sexo selvagem. Sempre vamos nos morder e arranhar até o sangue do outro verter. É algo quase natural. Venha. — Convidou-a para seu abraço, retomando a posição de antes. Beijou sua boca e desceu por seu pescoço até chegar a sua clavícula, onde mordeu a arrancou algumas gotinhas de sangue.

Integra temeu a dor de ser mordida por alguns milésimos de segundo. Até sentir que ele já tinha cravado as presas e que, na verdade, aquilo era realmente prazeroso e a deixava levemente excitada. Alucard deslizou suas mãos por entre a pele fria de sua mestra e vestido rasgado, levando este ao chão. Desceu sua boca começou a brincar com um dos mamilos. Integra soltou um gemidinho.

Quando ele se dirigia ao outro mamilo ela ergueu a sua cabeça, trazendo sua boca à altura da dela. Beijou-o com força e foi descendo, entre arranhões e mordidas, até a calça dele. Tirou seu cinto e sentiu a mão de Alucard acariciar lhe a cabeça, pronto para ensinar os movimentos e a velocidade corretos.

Um vento morno passou, logo depois veio o barulho da sirene da polícia. Integra levantou-se rapidamente com sua roupa e a camisa de Alucard em mãos.

-O que foi?-Ele perguntou.

-Polícia. Você não ouviu?

-Isso é a dez quilômetros daqui!

-E daí? Podem nos pegar e eu não quero ser presa, principalmente porque estou coberta de sangue.

-Agora você está se comportando feito uma adolescente com medo de ser presa e ter de ligar para seus pais pedindo para ir soltá-la e explicar o que aconteceu. -Ela deu a camisa para ele e começou a se vestir. -Mesmo que você fosse adolescente eu é quem responderia por você, já que é órfã de ambos os pais.

-E você seria acusado de pedofilia. Sei que não liga para isso, mas não tem documento algum, já pensou no que isso se tornaria?

-Eu tenho meu passaporte húngaro4.

-De 1885, o Império Austro-Húngaro ainda existia nessa época.

-Ah, não foi tanto tempo assim.

-Para seus padrões de tempo.

-Que agora também são seus. Integra, pouco mais de cem anos não é nada, passa muito rápido. Como a infância.

Terminaram de se vestir e entraram no carro. A viagem seguiu silenciosa, Alucard com a mão na parte interna da coxa de sua companheira. Estacionou o carro no lugar de sempre, dando a impressão de que ele nunca saiu de lá. Subiram ao quarto de Integra, onde ela insistiu em tomar um banho rápido, e ele despiu-se no escuro, quando saiu de toalha ela tentava não olhar para ele totalmente nu, nunca tinha visto um homem completamente pelado nem quando transaram na noite anterior, e nem tinha curiosidade.

Ele virou o rosto para si.

-Tem certeza de que não quer continuar? Porque ele quer.

Ela sorriu.

-Talvez amanhã. Estou exausta. — Abraçou-a, fazendo sua cabeça apoiar-se em seus ombros e fazendo a toalha escorregar. Balançaram por um tempo, até que ela bocejasse. Carregou-a para o caixão e a colocou dentro dele, deitando-se ao seu lado. Nele só cabiam os dois porque estavam abraçados, tinha certo espaço para virar, mas só daria para dormir de conchinha. Fechou a tampa do ataúde e também os olhos, sentindo que recobrava parte de sua alma.

Notas finais
Notas de rodapé.
1:Um sorriso mais ou menos assim(desmotivacional em inglês):http://fc03.deviantart.net/fs71/f/2011/300/2/c/alucard_motivation_by_happynomnom13-d4e3an2.jpg
2:Pra quem acha que estou exagerando,assista ao clipe de "Open Your Eyes" da banda Snow Patrol.
3:"Moonlight" significa "luz da Lua" em inglês, e também era o nome de um seriado sobre um vampiro detetive e uma jornalista(se eu não me engano).
4:Pra quem não sabe, a Transilvânia pertencia ao Império Austro-Húngaro,mais precisamente à Hungria até 24 de dezembro de 1918,pouco depois da dissolução do mesmo,e foi integrada à Romênia,a quem pertence desde então.