Cinquenta Tons De Um Casamento
5 Capítulo 5 Acelerando...
Notas iniciais
Estou dirigindo tranquilamente pela rodovia.. O meu Audi R8 pode atingir uma velocidade muito mais rápida do que a que eu estou, mas não me importo. Eu só quero dirigir sentindo o vento no meu rosto e escutando Crazy in Love da Byoncé, afinal eu também tenho meu lado glamuroso. Sigo para o Escala, faz tempo que não vou lá e quero pegar alguns "brinquedinhos” no quarto de jogos para fazer uma surpresa para o Christian. Decidimos manter o quarto de jogos no Escala por causa das crianças e de vez em quando vamos nos divertir nele. Estou ansiosa por está noite hoje comemoramos 9 anos de casados, é uma data muito especial.
Começo a me lembrar da noite anterior e do jeito apaixonado que eu e Christian fizemos amor. Será que eu nunca vou me cansar deste homem? Lembro-me de como ele me abraçou na noite passada e disse que me amava e que eu era sua vida, e do jeito que fizemos amor na varanda até o dia amanhecer. Sinto-me realizada ao lado do meu marido, ele faz eu me senti a mulher mais feliz do mundo.
Continuo o meu caminho revivendo cada detalhe daquela noite...
Ao chegar ao Escala estaciono na mesma vaga de sempre e sigo para o elevador onde digito a senha. Enquanto o elevador sobe não posso deixar de sorrir ao lembrar os momentos que eu e Christian passamos aqui, se os espelhos deste elevador falassem...
Chego à cobertura e sigo para sala passando pela entrada, a casa está vazia mais impecável.
Apresso-me para chegar ao quarto de jogos afinal não tenho muito tempo restante, logo será noite e tenho que me arrumar para o jantar. Tudo já foi preparado, jantaremos a bordo do barco do Christian “o Grace”, será uma noite só nossa e extremamente romântica.
Vou até a cozinha beber um pouco de água e enquanto faço isso olho de relance para o piano e vejo algo estranho acima dele, chego mais perto e percebo que o objeto estranho na realidade é a jaqueta do Christian. O que ele está fazendo aqui?
Oh meu Deus o Christian teve a mesma ideia que eu.
—Christian... Você está aí?- pergunto.
Ninguém responde.
— Christian sou eu, a Ana. Você está aí?
Silencio novamente.
Ando em direção ao quarto de jogos passando pela biblioteca e o escritório. O Christian não está em nenhum deles. Passo pelo meu antigo quarto branco de submissa que se tornou o quarto de hóspedes. Percebo algumas peças de roupa na Cama, provavelmente eu devo ter esquecido elas aqui na última vez. Sigo para a sala de jogos, ele só pode está lá. Giro a maçaneta e percebo que ela não está trancada, ele estava aqui, eu sabia. Lentamente vou abrindo a porta pronta para fazer uma surpresa, mas ao abri- la quem se surpreende sou eu.
Meus olhos simplesmente se negam a ver aquela cena, era doloroso demais, e eu começo a sentir a bile na minha garganta, aquilo era o pior dos meus pesadelos se tornando realidade.
Christian estava incrivelmente lindo com o cabelo desgrenhado, o seu peito nu exibia um tórax bem definido coberto por gotas de suor. Vestido com o Jens rasgado ele estava com um chicote na mão. E um sorriso lascivo no rosto.
Acima dele presa a uma corda estava o lindo corpo de uma mulher, vendada e amordaçada, seu cabelo castanho da mesma cor dos meus denunciava quem ela era. Ela era a 16° submissa de Christian Grey.
Não... Não pode ser!
Fico paralisada ao ver aquela cena. Quero sair correndo mais as minhas pernas simplesmente se recusam a me obedecer. Eu preciso sair daqui antes que o Christian me veja...
Christian continua com a sua depravação ao bater na garota, que geme toda vez que o chicote atinge seu corpo. Enquanto agita o chicote em cima do corpo da mulher Christian xinga ela e sorrir de modo perverso. Ele mantém a todo tempo uma postura rígida e superior, eu conhecia essa postura, era sua postura de dominador.
Não posso acreditar que o meu Christian está fazendo aquilo, meu coração nega a crer que o meu amor está me traindo, acabando com o nosso casamento só por uma foda depravada e sádica. Eu vou odiar ele pra sempre por causa disso.
Parecendo ler meus pensamento Christian se vira na minha direção me olhando com o olhar mais doloroso que já vi na vida, e sem dizer nada lágrimas começam a correr pelo seu rosto. Eu nunca pude imaginar tanta dor em uma só pessoa, parecia pesado demais para qualquer um suportar. Mas ele é que tinha acabado com tudo, ele foi que decidiu ir atrás de uma garota parecida comigo e com sua mãe para foder e realizar todos os seus doentes desejos sexuais. A culpa era dele, apenas dele.
E porque agora ele olha desse jeito pra mim como se o mundo dele fosse acabar ele tinha decidido que seria assim, agora ele teria que aguentar as consequências.
—Ana... — Com um gemido de dor ele fala o meu nome.
Era o bastante, eu não posso mais ficar aqui. Como se entendessem a minha necessidade as minhas pernas voltam a me obedecer e eu saio correndo dali. A última coisa que escuto é um grito visceral vindo da sala de jogos. Christian sabia que eu estava o deixando.
Corro em direção ao elevador alheia a tudo que está em minha volta, eu só quero correr, correr do Escala, correr pra bem longe dali... Correr do Christian.
Entro no carro e em disparada dirijo por Seattle, sem saber pra onde vou ou que vou fazer, simplesmente dirijo o meu Audi acelerando... Acelerando... Acelerando... E acelerando um pouco mais.
O ponteiro já passa dos 150 km/h, mais eu não ligo pros perigos de se dirigir tão rápido assim, eu só quero esquecer toda cena que eu acabei de presenciar.
O vento sopra no meu rosto enxugando as minhas lágrimas que não param de descer, tenho certeza que eu nunca corri tanto com um carro na vida. Isso é bom, isso me faz sentir livre.
Como o Christian pôde fazer isso comigo, depois de todos esses anos juntos e de tudo que passamos. E todas aquelas juras de amor? E todos os momentos felizes que vivemos.? Isso não era o bastante para ele? EU NÃO ERA O BASTANTE PRA ELE!
E tudo que eu fiz por ele? E todo trauma de uma infância triste que eu o fiz superar? E todo amor que eu devotei a ele e a nossa família? E os nossos filhos...
Meus filhos! Penso assustada
Piso no freio imediatamente, e por causa da parada brusca o carro começa a derrapar.
Minhas Crianças...
Penso em pânico, estou arriscando a minha vida dirigindo assim, eu tenho que voltar, voltar para os meus filhos, o desespero me atinge. E então tudo fica escuro e a última imagem que passa em minha cabeça é de Ella, Teddy e o Christian sorrindo pra mim.
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