Cinquenta Tons De Medo - Diário de uma vida dupla
10 Capítulo 10-Dopamina
Notas iniciais
Dopamina
Ouvir aquilo foi como uma punhalada nas costas. De tudo que Christian havia feito com sua obsessão isso foi o mais perverso, o cumulo de sua compulsão por controle.
Senti meus pés pesados mesmo assim forcei eles a se virar, dei as costas para porta e ia saindo quando dei de cara com o Diabo em pessoa.
– Ouvindo atrás das portas como sempre Isabella.
– Bom dia para você também Helena.
– Você não vê o que está fazendo não é mesmo?
– O que? Me diga você.
Aquela arrogância e prepotência, eu odiava aquela mulher com todas as minhas forças.
–Christian esta se destruindo e tudo é sua culpa. Ele fica ai preocupado com coisas fúteis e um dia ele ainda vai cair.
– Acho que não sou eu a responsável por tudo de ruim na vida dele.
– Eu o fiz forte, eu o coloquei onde está, no poder e hoje ele está a ponto de perder tudo que conquistou por você.
– Me poupe da lição de moral
Eu ia me desviar quando ela pegou em meu braço, será que isso nunca acaba essa mania de segurarem meu braço , olhei para a mão dela e segui o olhar até me prender no dela.
– Me solte agora! — As palavras duras e firmes saíram de meus lábios, o ódio por tudo que ela representava estavam presos em minha garganta.
– Ai esta o problema de Christian, ele não consegue te domar e jamais conseguirá você não é mulher para ele, o dia que entender isso será tarde e uma tragédia pode acontecer .
– Não vou repetir me solta agora.
Suas mãos deixaram o meu braço, um formigamento presente na minha pele na região me fez perceber que ela o apertava.
–Um dia ele vai fazer algo que não terá volta, eu já vi isso acontecer Isabella sei que me odeia e eu não posso gostar de você sabendo que faz mal a meu garoto.
Ela falando "meu garoto" me embrulhou o estomago segurei a bílis firme encarando seu olhar.
– Eu realmente te odeio Helena.
– Não espero menos, só escute esse conselho, essa situação entre vocês dois vai ficar cada vez pior e quando chegar em um ponto critico não terá mais volta.
Ela se virou e saiu pisando firme e forte quando a biblioteca se abriu Christian e Eliott passaram rindo, foi um alivio, porém por mais que eu odiasse Helena ela tinha razão a situação estava piorando e eu tinha medo de onde poderia chegar.
Depois do jogo dos homens e de um mergulho o nosso almoço foi servido na piscina, continuamos a conversar até que Carrick veio nos convidar para uma bebida na sala principal.
Tomei uma ducha rápida e troquei de roupa me juntando a todos.
Eu achava linda e aconchegante a mansão Grey, o que estragava era a presença de Helena.
Em nosso prédio o qual ganhou meu nome era aconchegante porém o aconchego de uma casa era diferente.
As fotos de família e das crianças me deram um aperto no peito estava inconformada que Christian jamais me daria o prazer de ser mãe.
Depois de Carrick sentar no piano e começar a tocar Christian decidiu que era hora de ir embora eu sabia que o piano fora de sua mãe e isso o incomodava ouvir alguém tocar nele.
Entramos no carro, depois de se despedir de todos nos mantínhamos calados entre nós desde o ocorrido na piscina.
– Bella me desculpe eu...
–Você perdeu o controle como sempre... Christian será sempre assim, você faz uma estupidez e ai pede desculpas e quer que tudo fique bem, quer saber de uma coisa não esta bem e não sei se um dia vai ficar agora dirija quero chegar em casa estou cansada.
Ele dirigiu calado estacionou e assim que entramos no elevador exclusivo ele segurou meus pulsos senti minhas costas contra as paredes, e me encarou nos olhos.
–Você e meu inferno pessoal Isabella!
–Mas que merda Christian! Estamos casados mesmo depois de eu descobrir a merda toda eu aturo todo seu controle e parece que cada dia fica pior eu vou temer olhar pela janela se isso continuar.
– Faço quartos sem janela para você. -Ele sussurrou em meu ouvido.
Tentei o empurrar sem sucesso ele passou a mão por meu rosto.
– As vezes você me irrita tanto, é tão... Indomável...
As portas do elevador se abriram, ele saiu de minha frente, aproveitei a brecha e sai em direção ao quarto, senti que ele me seguia.
Abri a cômoda peguei uma roupa intima e uma camisola, segui ao banheiro sem olhar diretamente para ele.
Retirei minha roupa e a joguei no canto do banheiro, a raiva de tudo acumulado estava presente, a dor de saber que não seria mãe, pelo menos não casada com Christian, Helena e suas suposições, Christian e sua loucura cada vez pior, a água do chuveiro escorria por meu corpo e eu tentava eliminar cada imagem que poluía minha mente. Senti as mãos de Christian me envolvendo.
–Eu quero ficar sozinha e pensar posso?
–Você e minha eu já disse e a quero agora!
–Você é um manipulador. — Seu corpo girou o meu com força.
Sua mão foi a meu pescoço segurando minha cabeça contra a parede.
– Eu só quero que você pare de me desafiar.
– E eu só queria um filho para dar sentindo a essa droga toda, mas pelo visto outra coisa que sua mania por controle me tirou.
Ele me soltou imediatamente e eu senti que as lágrimas escorriam por meu rosto.
– Você... Sabe...
– Sei agora me deixe sozinha para eu relaxar.
Pela primeira vez ele fez algo que lhe pedi me deixando sozinha.
As lágrimas vieram intensas, eu só queria um sentido para tudo aquilo.
Deitei em meu lado da cama, sentido a tensão em meu marido, ele não me tocou, eu fiquei ali encolhida, senti o exato momento em que o colchão se moveu, fechei meus olhos esperando que ele tentasse algo, porém eu somente ouvi a porta se abrir e em seguida bater.
A medida do possível eu tentei dormir, mesmo com todas aquelas dores em meu peito, o sono veio até as três da madrugada quando todos os fantasmas de minha vida me afrontavam, e o que me restava era observar Seattle pelo enorme vidro de meu quarto.
(***)
Assim que o expediente da segunda feira acabou, mandei uma mensagem para Christian, eu não havia passado pela manhã esse compromisso para minha agenda então ele não sabia dele, fiz propositalmente para que eu tentasse conseguir uma permissão de ultima hora.
Venho avisar que ao sair do trabalho irei ao Shopping com Kate para sua despedida da cidade, levarei meu “Vigia” junto.
Depois de alguns minutos veio a resposta, eu nem imaginava a sua reação visto que sempre me surpreendia.
Estava ciente de sua saída no entanto Rick é um segurança e não um “Vigia”, mais sabe de seu horário e não quero ter uma discussão hoje.
Ele estava ciente? Claro, como sempre um passo a frente ele só esperava que eu comentasse com ele.
Decidi jogar também sabia que quando entrava em seu jogo ele ficava mais manso.
As vezes após discussões o sexo de reconciliação é o melhor, maisChegarei na hora marcada.
Não obtive resposta então terminai de arrumar minhas coisas, ao sair da editora Rick estava lá aguardando, bufei já que longe de Christian podia fazer minhas manifestações de indignação.
Eu dirigi meu próprio carro e Rick somente me seguia, como sempre, dirigir me acalmava, e mesmo sabendo estar seguida, eu podia ficar ali inércia em meus pensamentos ouvindo minhas músicas.
Estacionei no shopping, Rick deixava seu carro a uma distância segura, e quando encontrei a mesa onde estavam meus amigos Rick se mantinha longe, bom não precisava de alguém na mesa ouvindo as conversas também.
– Olá Bella! — Jake levantou-se me dando um abraço.- E ai soube que deu um certo clima na sua festa?
– Sem comentários, pior foi ontem na mansão.
– Querida, você consegue ficar perfeita mesmo saindo do trabalho! — José me deu um beijo.
– Ei garotos, onde está Kate?
– Logo ela chega, acho que Rosalie e Eliott vem também, o irmão de Christian estando junto sei que ele tem menos motivo de reclamar.
– Você que pensa Jake, Chris está em um grau de sua loucura que acho que nada alivia.
–Vamos pedir umas bebidas, e não se fala mais em assuntos desagradáveis aqui. — José falou.
Jake pediu umas cervejas, e logo avistamos Kate chegando.
_Olá! — Ela correu em nossa direção. — Vocês todos vieram.
A animação em minha amiga era evidente.
– Kate empolgada para viver na Europa? -Perguntei.
– Muito, Rosalie disse que é maravilhoso, e Eliott disse que vou me adaptar muito bem. Aliás onde esses dois estão? Eles veem também?
– Calma Kate, logo estão por aqui. — José disse.
– Menina espero que tudo de certo mesmo neste seu novo emprego, e que se de muito bem você merece amiga!
– E você minha amiga? Quando vai se livrar deste casamento fajuto?
– Não é fajuto, eu me dou bem com Christian.
– Se dar bem não significa amor, algo que você nunca sentiu por ele, sabe o que eu acho disto e ontem depois do pequeno escândalo deu para ver que ele esta cada vez mais instável.
– Ué você tinha virado totalmente para o lado dele ultimamente.
– Bem, foi antes de ver que ele além de ainda ser o controlador de sempre, ele esta usando de formas cada vez mais violentas, ontem ele usou seu lacaio para bater em um cara, e ai o que vai acontecer se ele acabar usando de violência com você?
–Isso não vai acontecer. — Ai seria o fim, o cumulo de sua obsessão se ele acabasse chegando nesse ponto.
– Meninas hoje é noite para comemorar e não para brigas. — José intervinha, pois este era um assunto que sempre prolongava-se.
– Sem brigas, mas Kate tem muita razão Bella, você mudou muito, cadê aquela menina animada que conheço desde pequena? Ela sumiu, Christian te apagou deixou você sem luz, você vive em função de agrada-lo, sempre ele em primeiro lugar.
– Casamento! — Tentava me justificar.
– Casamento não, prisão, menina, você tem tudo, isto da para perceber, mas não tem o principal amor que trás confiança.
Sabia que meus amigos tinham razão, mas esta era uma vida sem escapatória e sem volta.
– Vocês não conhecem Christian como eu, ele pode ser maravilhoso muitas vezes...
– Não digo que ele não é o cara! Ufa ele é lindo isto nunca discordei amiga, ele é rico poderoso, e aposto que é dono de uma pegada inusitada, mais falta algo entre vocês, o amor, não se vive sem amor.
Kate mal sabia que este não era o único problema, não era somente a falta de amor, e sim a falta de compreensão de Christian e sua possessão, obsessão e maníaco por controle. Tudo era um pacote que compunha aquele homem que era sedutor e tentador de certa forma.
– Chega de falar de mim, como José disse é a noite para comemorar e não para brigas.
– Isto Bella, mais cerveja, pegue para nós Jake. — José disse.
Kate levantou-se junto com Jake e foram buscar mais cervejas.
– Bella, da um desconto para Jake, sabe que ele te ama como irmã, e sabe o que ele pensa sobre Christian e nós dois sabemos que ele tem razão, só você não quer admitir, e deve ter seus motivos, mais não peça para ele aceitar, ele sofre com isto desde que você casou e se tornou outra pessoa.
– Sei José, eu também amo Jake como irmão. — Não queria mais ser o foco do assunto como sempre, então desviei o assunto. — E ai quando vocês vão se resolver de vez?
– Jake assumir? Puff, isso é difícil, sabe que ele torce para dois times e sabe que nunca assumiu nada sério comigo, achava que era pelo pai dele, mais mesmo depois da morte dele ele nunca quis que soubessem sobre nós, apenas você sabe.
– Sei, mas não acha que esta na cara a muito tempo?
– Bem eu não ligo sabe, ele as vezes sai com uma garota ou outra, mais sei que ele sempre volta para mim de uma forma ou de outra.
– Isso é doentio, viver assim.
–Há outras formas doentias de se viver não acha? — Essa foi diretamente para meu caso.
Jake e Kate retornaram nos tirando das fofocas. Nos calamos imediatamente e eu fiquei com as palavras de José martelando na minha mente, eu também vivia de uma forma doentia.
–Já pensou que esta mudança vai te colocar mais próxima de Jasper?
Olhei para Kate e vi seus olhos brilharem.
– Bella isso novamente? Faz tantos anos acho que minhas esperanças se esvaziaram.
– Não acredito nisso, Jasper desde que foi embora não conseguiu nenhum relacionamento duradouro e nem você, as vezes o destino brinca de forma engraçada.
–Queridinha vai com fé, até eu que não acompanho essa novela desde o começo sei que vocês ainda vão ficar juntos. — José falou.
–Sabe o problema é que Jasper sempre vai colocar sua carreira em primeiro lugar. No casamento de Bella tudo voltou como uma bomba ficamos juntos novamente e continuamos a nos falar por e mails porém isso nunca da certo.
Kate amava Jasper e isso a fazia sofrer muito, José amava Jacob e também sofria. Qual sentido se tem buscar amor se mesmo quando ele esta presente se tem sofrimento?
Depois de algumas cervejas, papo furado, finalmente Rosalie e Eliott chegaram.
– E ai povo bonito, prontos para badalar a cidade?
Eliott chegou animado.
– Como assim badalar? — Falei dando um beijo em Rosalie.
–Ué achou que ficaríamos somente aqui parados tomando cerveja? — Ela falou me encarando.
Lembrei da hora, eu não poderia estender mais meu tempo fora e pior sair sem avisar Christiam de onde iria, isso era a pior parte.
– Meninas, vamos tirar fotos pela cidade, assim recordamos esta noite!-Jake saltou de sua cadeira eufórico.
– Amei a ideia claro. — Kate falou animada.
– Bella, Eliott, Rose. — A voz reconfortante e animada de Mia me deixou um pouco aliviada, mais uma aliada e parente isso colocaria esse passeio na lista de um passeio com amigos e familiares. Christian deveria levar em consideração.
–Pequena piolho que faz aqui?
Eliott abraçava a irmã.
– Sai da faculdade e liguei para casa iria convidar vocês para uma saída e ai papai disse que haviam saído com Bella e Kate, então liguei para Christian ele sempre sabe onde ela esta e pronto estou aqui.
Saímos todos do Shopping em direção ao centro de Seattle, uma estatua ridícula que eu amava quando cheguei aqui, tiramos foto fazendo poses ridículas.
Subi em um muro com a ajuda de José e Kate com a ajuda de Jake e tiramos uma foto juntas.
A animação estava a toda, rindo a toa e Jake fazendo questão de lembrar de momentos em que morávamos nos três juntos, mesmo que por pouco tempo foi marcante.
Me senti bem livre ao máximo que eu conseguia eu estava revivendo minha juventude não muito distante.
Chegamos próximo ao nosso antigo campus.
– Se eu soubesse que viriam aqui perto ficava aqui esperando.
–Pare de ser resmungona sua pulguinha, vamos entrar na boate. — Eliott falou. — Lembrar meus tempos de universitário...
–Todos da universidade veem a esse lugar ralé? — Rosalie falou.
– Não desdenhe, Rose éramos as três louras arrasando sempre lembra? — Kate falou animada.
– Eu vim só uma vez com uma amiga ano passado. — Mia disse envergonhada ao lado de Eliott.
–Pois hoje vai entrar com seu irmão mais velho.
– Coitada Amor, ela nem vai ter chance de pegar ninguém.
– Isso mesmo é o plano. -Eliott sorriu para Rose, e recebeu um cutucão de Mia.
– Vamos entrar! Esta decidido. – José disse.
Seria a gota da água, avistei Rick meu segurança ao longe, eu não poderia abusar.
– Tudo bem para vocês se eu for embora? — disse.
– Nada disso entre. — Kate me puxou pela mão.
– Vamos Bella, as três loiras na Boate, despedida perfeita.
– Bella vocé está com a gente, meu irmão não vai poder falar nada, eu sou grande cuido de você melhor que aquele babaca que esta nos seguindo o tempo todo.
Sorri para Eliott.
–Tudo bem eu entro.
Lá dentro muitas fotos foram tiradas e não deixamos de beber, e digo que foi muito, chegando ao ponto de deixar de me preocupar com a hora.
–Vamos uma dança igual aos velhos tempos. — Jaek puxou nos três para a pista quando uma das musicas eletrônicas que costumávamos dançar tocou.
Peguei a mão de José e o carreguei para pista, vi que Eliott puxou sua irmã.
Minhas mãos foram para o alto de minha cabeça, e comecei a mover meu corpo, fazia muito tempo que não fazia isso, então demorou meus músculos e articulações se acostumarem ao ritmo.
Mais assim que a musica embalou em um ritmo mais frenético eu deixei-me levar pelo embalo da batida e meus cabelos batiam em minhas costas, enquanto meus pés saltavam do chão, Jake segurou em minha cintura e eu comecei com movimentos mais sexys.
Puxei Rosalie e comecei a mover meu corpo contra o dela, Kate entrou no meio da nossa famosa dança que costumava provocar muitos na pista.
Meu quadril a anos que fora da cama com Christian ele se movia dessa forma, foi quando lembrei-me dele.
Eliott me puxou agora e eu tentei continuar solta com os movimentos, estava dançando com meu cunhado e lembrei que mesmo ele causava ciumes em Christian, a tensão me tomou.
–Tenho que pegar uma bebida. — Gritei e acho que José e Rosalie conseguiram me ouvir.
Fui até o bar quando senti alguém segurar meu braço.
– Senhora Grey, o patrão ligou e disse que devo leva-la embora.
Olhei para a pista e meus amigos olharam o que estava acontecendo e vieram em minha direção.
– Ei você é pago para vigiar e não para ser babá!
Kate estava revoltada.
– Calma Kateu. — Observei em meu celular que estava sem bateria, explicando assim a ligação de Christian a Rick.
–Ei cara relaxa, eu sou irmão do seu patrão, então sou patrão também, deixe que estamos cuidando dela.
Rick saiu em direção a porta certamente iria ligar para Christian novamente.
– Tudo bem, já nos divertimos bastante Christian esta preocupado somente, meu celular acabou a bateria, e já esta tarde, vou embora mesmo.
Minhas pernas estavam sem muito controle motor, minha cabeça zunia com as luzes musica e o excesso de álcool em meu corpo
–Tem certeza Bella se quiser eu ligo para meu irmão. — Mia veio ao meu lado preocupada.
– Não precisa Mia, eu chegarei em casa rapidinho, sai da boate, uma saliência no meio do caminho me fez quase chegar com meus joelhos no chão se Rick não tivesse sido mais rapido e me segurado.
– Senhora Grey acho melhor eu dirigir, deixo meu carro aqui.
– E ai Rick, agora serviço de babá completou... Há, que merda quebrei meu salto!
– Senhora. — Sua mãos foi a minha cintura equilibrando meu corpo tentando manter a estabilidade ao andar.
– Ei cuidado! Propriedade do Senhor Grey!
Rick não riu de minha piada e me ajudou a entrar no carro.
– Rick estamos a três anos e meio juntos, e você ainda é um chato, uma babá muito chata! E eu nem sei se seu nome é Rick, que tipo de nome é esse? James é um babaca sabia que flertei com ele antes de namorar Christian?
– Senhora, cuidado com suas palavras.
– Sério, ele era gatinho, mais depois de anos sem ao menos saber seus nomes verdadeiros acho que ódeio todos vocês com esses ternos ridículos iguais, e esse fone nos ouvidos, ridículos.
– Senhora Grey por favor...
– Ah vai a merda com essa preocupação vocês são todos uns .... Ah esqueci a palavra ... Lacra... Ai merda minha língua esta enrolada... Lacaios acho que e isso....
Estava completamente avoada e bêbada, mal percebi que já estávamos na garagem do prédio, meu corpo custava obedecer as ações certas.
Desci com a ajuda de Rick, no elevador eu encarei a luz e cima do espelho por um tempo, ela me pareceu ser algo interessante naquele momento, então comecei a rir de algo ser tão iluminado e lindo.
Quando as portas abriram-se Christian me esperava e sua cara não era das melhores.
–Humm... Meu maridinho esta bravinho, não fique assim sua babá cuidou de mim direitinho.
– Isabella como você me chega em casa neste estado? E se alguém da imprensa visse.
– Ahhh sei sua maior preocupação é a imprensa, sei, meu querido não preocupe-se eu só estava com meus amigos.
– Amigos que deixam claro não gostar de mim, e sempre colocam coisas em sua cabeça, principalmente Kate, e Jacob.
– Deixe disto seu chato, ela já vai embora!
Christian estava próximo a mim.
– E o que fazia na boate? Não era para ser somente uma despedida no shopping?
– Decidimos tirar umas fotos e ai acabamos na frente da Boate. Seus irmãos estavam juntos e agora pare de ser um idiota possessivo.
Ele segurou meu braço com força me fazendo ficar em pé a sua frente mesmo bêbada eu conseguia ver a fúria ali presente.
– Isabella porque me desafia desse jeito?
– Porque eu não sua propriedade. Porque você é um idiota controlador e isso esta me sufocando.
Quando falei assim os olhos dele estavam em chamas, e neste instante sua mão levantou-se e senti meu rosto queimar, aquela dor fumegante, seguida de um barulho, demorei a processar o que tinha acabado de acontecer.
Neste instante a bebida estava agindo em meu corpo, eu levantei minha mão e igualmente dei um tapa no rosto dele.
– Seu idiota, você me bateu, eu aguento tudo de você Christian, as merdas da sua vida seus traumas. — Quando eu fui para cima dele com acusações Rick retirou-se sabia que a coisa ficaria séria e como bom segurança deu a privacidade a nós dois. — Aguento ser vigiada, aguento você controlando meus passos, aguento tudo até seus limites, mas isto Christian, você me bateu!
– E você em Isabella, você sempre soube que seria assim, aceitou e também acabou de me dar um tapa, estamos quites.
– Quites? Seu babaca filho de uma mãe, eu só aceitei esta merda de casamento por pressão, você sabe que não me deu escolha, vivo a quatro anos nesta porcaria de vida .
– Não seja hipócrita, você tem tudo. Não te falta nada, você somente trabalha porque quer, e ainda reclama de sua vida, saiba que há muitas mulheres que dariam tudo por metade do que você tem.
– Se você acha que tenho tudo, está enganado, me falta o principal, não confunda Prazer com amor, e Prazer eu tenho, me falta o amor, Eu não te amo, e o pior, é que você sabe disso.
Nesse instante eu vi o maior olhar de fúria de Christian de todos os tempos
– O que eu faço com você merda? — Sentia a pressão de seus dedos em meu braço, agora tudo iria ficar pior.
A poltrona da sala arrastou para trás assim que senti minhas costas batendo contra ela.
– Christian!.
– Cala a Boca Bella. — Ele virou-se e eu escutei o exato momento em que porta retratos estavam sendo quebrados no chão.
Um medo me invadiu, ele estava explodindo, foi então uma sequencia de objetos jogados no chão.
Senti seu hálito quando ele se aproximou de mim.
–Eu te amo, e você é minha, sabe disso, agora não importa se você não me ama, entendeu?
Seus dedos pressionaram minha mandíbula com força, eu tentei desviar de seus lábios quando ele se afastou eu cuspi em seu rosto.
Sua mão se ergueu, eu já estava quase sentindo mais um tapa, quando ele fechou em punho e deixou ela cair sobre o braço da poltrona.
Eu me encolhi, mais a fúria não se acalmava ele estava violento, o pior estágio, a pior reação havia chegado. Ele segurou em meu cabelo e encarou meu olhos.
– Você é uma vadia. Esta louca para arrumar um idiota qualquer e me trocar se não te vigiasse isso já teria acontecido.
– Você é um idiota se pensa de mim algo tão baixo.
– Vocês são todas umas vadias. Mulheres, elas querem nos domar, para depois nos trair, você não é diferente Isabella.
As palavras doíam mais que a agressão física, ele me soltou me deixando ali encolhida e temendo mais agressões.
–Olha eu vou dormir, e não ouse vir ao meu quarto prefiro a dor de dormir sozinha do que dormir com você no dia em que me agrediu. Por hoje me poupe de você.
Entrei em meu quarto batendo a porta nem quis saber alguma resposta dele, sabia que aquela coragem só veio por conta da bebida.
Estava quebrada por dentro, eu aguentava todo tipo de humilhação, mas isto? Levar um tapa, depois ele me agrediu, quebrou coisas, ele realmente estava piorando.
Sempre ouvi que não se podia deixar acontecer uma vez pois seria a primeira de muitas e conhecendo Christian sabia que isto cabia muito a ele, sabia que este foi o primeiro passo para algo pior em meu casamento.
Imagens de minha mãe invadiam a minha mente, eu sabia exatamente o que ela passou, porém ela tinha uma filha que a segurava, eu não tinha nada, porque eu aguentava isso? Nem ao menos um filho ele me deu e isso por um lado era bom.
Deitei a cabeça no travesseiro, deixei que as lágrimas pesadas escorressem, em minha mente mais lembranças de minha mãe:
“Filha nunca deixe que nenhum homem a maltrate, seja forte.”
Sequei as lagrimas com as costas das mãos e estava decidida, eu não podia aguentar mais deste casamento fajuto, minhas amigas estariam na Europa a partir de agora, meu pai seria o ultimo a me apoiar em uma separação, ele amava Christian. Ainda mais depois de que eu ganhei o chalé, onde atualmente é a sua residência.
Eu sabia que suas ameaças eram reais, ele tinha dinheiro, poder e influência , só me restava um plano. Algo que me ajudasse a se livrar dessa merda toda.
Deitar a cabeça no travesseiro e rolar de um lado a outro, foi como a minha noite se seguiu, um plano se formava em minha mente, a pior parte era envolver pessoas que amo.
Estava sozinha, mas se ia levar a diante este plano tinha de me acostumar a estar sozinha.
Fale com o autor