Cinquenta Tons De Medo - Diário de uma vida dupla
2 Capítulo 2- Primeiro Emprego
Notas iniciais
Rosalie estava dormindo quando entrei, mas nem me atrevi a chama-la. Diferente de Kate, ela sempre foi a mais centrada, me ajudava quando as coisas ficavam confusas.
Dormir não foi tranquilo aquela noite, Christian dominou meus sonhos, ele era de longe um dos caras mais marcantes mesmo com sua prepotência ele tinha algo de misterioso.
A manhã chegou e eu sabia que estava perto do adeus.
Quando cheguei à sala e vi em cima da mesa os documentos de Rosalie, seu passaporte e passagens.
Fiquei ali observando por um longo tempo, a realidade estava batendo.
— Bella, está tudo bem estou te achando tão pálida. — sua a voz suave era o contraste da voz agitada de Kate.
— Está tudo bem sim. — menti. — Ontem eu tive o encontro com o Diabo.
— O que?
— Nada, fui ao meu último evento como acompanhante, e foi com Christian Grey.
— O dono da GI?
— Nossa! Todos sabem quem ele é, mas enfim, ele é arrogante e prepotente, mas também é jovem, lindo e muito sexy.
— Uau, é o tipo de homem que deve fazer as mulheres cair aos seus pés.
— Bem, — Rosalie diferente de Kate não era de se espantar com coisas fúteis ou ficar enciumada achei que deveria ser sincera com ela que eu me abriria a situação. — Eu já o conhecia antes.
— Como? De onde?
— De Forks, o pai dele na época que presidia a companhia salvou a madeireira onde meu pai trabalhava.
— Lembro-me dessa época, muitas pequenas fábricas estavam fechando as portas por conta de grandes companhias estarem entrando no negócio. A GI foi a única que ao invés de comprar as fábricas investiu e entrou com participação nos lucros.
— Foi em uma festa de natal promovida pelo próprio senhor Grey que eu conheci Christian, ele era um rapaz irritante de dezoito anos e eu uma garota idiota de 16, ele quis me beijar.
— E aí? — a pergunta de Rosalie não foi espantosa como seria proferida por Kate, mas vi a curiosidade nos olhos dela.
— Eu não o beijei. — dei de ombros. — ele era abusado, só por ser filho de quem era achava que podia ter tudo, e eu já estava de rolo com Mike.
— Você é uma louca, trocar Christian Grey por Mike Newton!
Rose me jogou uma almofada. Começamos a rir, Kate acordou e chegou logo em seguida.
— Qual é a graça? Também quero rir um pouco.
— Bella está louca! — fiz um sinal com meu dedo em meus lábios, para que ela não falasse, porém foi tarde, ela não viu. — Ela trocou Christian Grey por aquele traste do Mike, eca.
— Sério?! Não creio! De onde Mike surgiu ontem? Vi que você e o Grey saíram cedo de lá.
Olhei para Rosalie indignada ela logo entendeu que falou demais e me deu um sussurro "desculpa", eu joguei de volta a almofada nela.
— Não é de hoje, eu simplesmente lembrei que o conheci anos atrás em Forks, é passado, e, aliás, isso não importa essa noite foi a última vez que o vi e fim de papo.
— Tudo bem, mas quero sair hoje, é nosso último sábado juntas. — Kate disse animada enquanto colocava pó de café na cafeteira, uma das poucas coisas que não estavam encaixotadas.
— Bem depois de estar com este homem e nem aproveitar nada, eu preciso sair também.
— Meninas eu também, pois ontem peguei tudo para minha viagem e sei que vou ficar triste indo embora e deixando vocês.
Um grande abraço triplo seguiu, e eu pude sentir a tensão que se instalava em cada uma de nós, depois desses anos juntas seriam muitas lembranças que levaríamos.
O sábado foi tenso, a cada detalhe que nos lembrava de algo seguia uma sequência de lembranças infinitas que acabava em choro.
Enfim resolvemos que era hora da choradeira cessar e começar os preparativos para uma noite de balada.
— Chamou o Jake? — Rose perguntou.
— Esqueci completamente, vou enviar um SMS. — respondi enquanto saía do banho.
Cabelos escovados, maquiagem totalmente carregada, saltos confortáveis para liberdade de movimentos e vestido vermelho na altura da coxa, minha cor preferida.
Totalmente prontas fomos até a boate mais próxima do campus, ligamos para Jake que disse que nos encontraria lá.
Como sempre entrávamos na boate arrasando. Três louras bem vestidas e preparadas, para se divertir. Jacob era como um irmão mais velho, nós nunca saíamos sem ele, pois assim tínhamos a segurança de nenhum pervertido se aproximar, e como ele nunca estava com ninguém mesmo, restava ficar de babá das louras.
Assim que encontramos um lugar para sentar próximo ao bar, olhei para Kate sugestivamente ela sabia que era a deixa para seguir a pista.
— Meu Deus, vocês já vão me arrumar uma briga hoje? — Jacob falou debochando quando nos viu pegando nas mãos e seguindo a pista.
— Você está aqui exatamente para isso, agora fique quieto aí cuidando de suas amigas ou nos acompanhe.
Ele pegou na mão de Rosalie e nos seguiram. Na pista a música eletrônica embalava, segurei nas mãos de Kate, e começamos a mover nosso corpo de certa forma nada puritana, virei-me deixando minhas costas na direção dela, segurei nas mãos de Jake o puxando para o meio enquanto Rose ficava do outro lado.
Éramos os quatro dando um show a parte. Quando o suor já escorria e sentia meus cabelos grudando em minhas costas e pescoço, senti que era hora de uma bebida.
Como sempre fazíamos, assim que uma deixava a pista, as outras faziam igual, ninguém se separava, era a nossa forma de se proteger sempre, por mais que os outros achassem que nossa forma de dançar ou se vestir era algo sugestivo a uma noite de sexo, o nosso objetivo ao sair era a diversão.
Encostei ao bar sem fôlego tentando conseguir uma bebida quando alguém tocou em meu ombro.
— Bella? — era Mike meu ex-namorado.
— Oi Mike.
— E aí o que vai fazer quando se formar? Vai voltar á Forks?
— Eu me obrigo a estar naquela cidade somente por meu pai, se tudo der certo eu vou arrumar trabalho e nem vou precisar passar as férias por lá.
Mike Também era de Forks, como Jacob e eu, crescemos juntos, somente nos separamos quando eu fui embora com minha mãe antes de ela vir a falecer, quando voltei à cidade acabei namorando Mike.
Jacob nos observou de longe quando deixei que ele me pagasse outra bebida, vi por seu olhar de reprovação que ele não estava gostando do rumo que as coisas estavam levando. Jake sabia que eu não era de ficar com qualquer um, e que Mike era como um escape, aquele que você procura quando está se sentindo sozinha. Coitado dele, mas arriscar a ficar com alguém e depois me arrepender, era melhor acabar a noite aos beijos com o ex. Ele sabia que não teria volta e aceitava isso.
Minha única vontade era de encontrar um homem que fizesse me sentir mulher totalmente em todos os sentidos, Mike não era nada selvagem, ele pelo contrário, fazia o que eu gostava, mas faltava algo.
Como as muitas vezes que ficamos juntos eu estava além do normal na bebida, isso era relevado.
Naquela noite, porém eu não tirava um olhar de minha mente, o olhar penetrante azul intenso de Christian Grey que teimava em ocupar meus pensamentos, alguma coisa me dizia que aquele homem devia ser intenso. Olhar para os olhos azuis de Mike não era a mesma coisa.
Sabia que eu não deveria misturar bebidas, porém acabei fazendo isso.
— Bella, eu acho que é hora de parar não acha? — Jacob chegou ao meu lado e de Mike.
— Cara, ela está bem, já vi Bella beber muito mais. — Mike falou segurando meu braço.
— Também vi Mike, por isso digo que está na hora de parar sabe onde isso vai acabar, e não quero ter que cuidar de ninguém com ressaca e sentimento de culpa amanhã.
— Relaxa, sabe que entre mim e ela não rola esse tipo de clima. — Mike falou desdenhando da preocupação de meu amigo.
— Jacob! — uma voz desconhecida com um sotaque latino chegou.
— Olha um novo amigo! — eu falei encarando o jovem moreno e tão alto quanto Jacob que chegou, as suas feições latinas e seu sotaque davam um charme extra.
— Bella, Mike, esse é José Rodriguez, outro fotógrafo excelente.
José sorriu orgulhoso com o elogio do amigo.
— Me deem licença. — falei quando senti que tudo estava rodando de forma estranha, senti o suor em minha nuca, e o gosto amargo em minha boca, mal cheguei ao banheiro feminino e a pia foi o lugar mais rápido para tudo que estava em meu estômago saísse.
As garotas me encaram com olhar de nojo, mas eu somente deixei que parte do álcool em meu corpo saísse, abri a torneira e molhei minha nuca, observei minha maquiagem borrada, tentava de alguma forma dar um jeito.
— Isabella Swan, o que pensa que está fazendo? — a voz de reprovação de Rosalie ecoou no banheiro quando ela entrou juntamente com Kate.
— Calma eu acho que misturei, eu nem bebi tanto hoje.
— Não, pensa que não vimos? Mike estava com seu joguinho novamente, "vou embebedar Bella e ela acaba em minha cama".
— Ele não faz isso! — rebati.
— Faz, e você deixa, assim como ele deixa você o usar de escape, vamos embora acho que a noite já deu o que tinha que dar.
Queria protestar, mas estava entorpecida minha boca amortecida e meus olhos teimavam em se fechar.
***
A manhã de Domingo não passou, eu praticamente fiquei desmaiada, quando finalmente eu abri meus olhos e senti o gosto amargo em minha boca, levantei sentindo minha cabeça pesar uns dez quilos e fui até o banheiro.
— Bom dia, quer dizer, boa tarde sua bêbada.
Ignorei Kate batendo a porta do banheiro, observar meu reflexo foi a pior parte.
Fui até a cozinha ignorando as risadas de minhas amigas bebi a maior quantidade de líquido que eu conseguia, peguei umas torradas salgadas e forrei meu estômago que estava enfrentando uma guerra, e voltei ao quarto pegando toalha e indo retirar de meu corpo o cheiro da fumaça e da bebida. Depois do banho deitei desejando acordar somente no dia seguinte.
A segunda-feira começou cedo, pulei da cama com tanta fome, que mesmo a etiqueta de Rose em cima de um iogurte natural não me deteve.
Sentei em frente ao computador, para enviar alguns currículos e imprimir outros.
— Já acordou? Eu achei que ia ficar em coma por dias. — Kate passou por mim em direção a cozinha.
— Engraçadinha você, onde está Rose?
— Levantou cedo, disse que tinha muitas coisas a fazer. — Kate respondeu pegando outro iogurte de Rosalie. — E você, o que fará hoje?
— Vou entregar mais alguns currículos, não vejo a hora de trabalhar de verdade.
— Ok, então boa sorte, eu vou tentar implorar mais cartas de recomendação dos professores, se eu não conseguir o trabalho que eu quero, não desejo acabar em um tabloide, pelo menos quero uma função de respeito.
Quando terminava de imprimir os currículos, meu celular tocou. Era de uma editora pouco conhecida chamada Castor.
Marquei a hora da entrevista, desliguei o telefone, parei de imprimir mais currículos imediatamente.
A minha primeira entrevista de emprego eu estava radiante de felicidade, almoçamos o que tinha na geladeira, isso eram alguns sanduíches.
Depois de encontrar a roupa perfeita, fui em direção à Editora Castor, não era um local grande, mas seria muito bom se eu entrasse nela.
Quando o Editor chefe me chamou para entrevista me espantei.
— Boa tarde queira sentar-se Senhorita Swan.
— Sim claro, achei que o Recursos Humanos fosse me entrevistar. — falei ao me sentar em sua frente, olhei na placa em cima de sua mesa: "Josh Avalon, Editor chefe".
— Não minha cara, eu mesmo vou fazer isso, gostei muito de seu currículo e espero que aceite trabalhar conosco, a parte do recurso humanos é selecionar, mas você já foi selecionada.
— Como?
— Seu currículo, sei que é seu primeiro emprego e é recém formada, mas é o que quero, alguém no começo e visionário e creio que poderá dar ótimas avaliações aos livros.
A entrevista foi muito boa, e rápida, e eu estava empregada, nem em sonhos imaginava ser tão fácil.
Votei ao apartamento, e as meninas encheram-me de perguntas.
Eu só estava feliz, mesmo com a mudança programada, eu estava empregada e ainda evitaria uma visita a casa de meu pai.
(***)
Terça feira, O dia da formatura chegou, depois de toda a formalidade da universidade, fomos à última festa da faculdade.
Sentiria falta disso tudo, mas a vida adulta estava finalmente começando.
Chegamos a uma das fraternidades que promoveu a festa, Jacob tirava fotos e todos estavam bastante felizes, não havia divisões a despedida unia todos, até os mais quietos estavam se divertindo.
Mike chegou até mim, mas fiz questão de desviar.
— Bella arrumou trabalho, Rose me contou.
Jacob chegou ao meu lado, me entregando um copo de cerveja, observei seu olhar de advertência.
— É arrumei, viu achei que ia ser difícil e bem no fim foi muito rápido.
— E eu achei o apartamento, basta você e Kate dizerem se vão morar comigo. — Jacob falou tentando fazer a minha atenção se voltar a ele.
— Por mim está tudo certo, vamos ver com a Kate. — respondi desviando o olhar de Mike, que logo se afastou.
— Tudo bem. Morar com garotas, vamos ver onde isso vai dar.
(***)
Quarta-feira. Esse era o dia do voo de Rosalie, eu não acreditava que iria me afastar de uma de minhas amigas.
Chegamos ao aeroporto internacional, o voo dela estava marcado para o meio-dia, porém às dez horas já estávamos todos lá para acompanha-la.
Jacob fez questão de trazer as malas dela no Opala.
— As três louras loucas nunca mais serão as mesmas sem você. — Jake falou abraçando Rosalie.
— Seremos somente as duas louras... Isso não será legal. — disse Kate enquanto Rose tentava disfarçar um sorriso.
— E você Bella? — Rose chegou a minha frente segurando em minha mão.
— Só estou pensando em quem vai manter meus pés no chão agora. — meus olhos estavam marejados, Rose sempre foi a que me mantinha na linha o equilíbrio entre as minhas loucuras e as inconsequências de Kate.
— Estava pensando justamente nisso. — ela respondeu enquanto me abraçava.
— Pode deixar, eu vou cuidar dessas duas. — Jake falou.
— Mande um abraço para Jasper. — Kate disse.
— Eu mando o seu abraço e ainda de quebra digo a ele que você sente saudades.
— Quem falou isso? — Kate rebateu.
— Eu sei que você sofreu quando ele foi embora, mas hoje eu entendo meu irmão, se temos oportunidades temos que aproveitá-las, é isso que estou indo fazer, e digo a mesma coisa para vocês duas, aproveitem todas as oportunidades que a vida lhes trouxer.
Assim que ela entrou para fazer o check-in, eu sabia que era realidade, éramos agora as duas louras e Jacob.
— vamos meninas, temos uma mudança para fazer, vocês vão amar o novo apartamento, e seja o que Deus quiser.
Jacob falou sorrindo segurando nas mãos de cada uma de nós voltando ao Opala.
(***)
Algumas semanas depois.
— Jacob, dá para liberar o banheiro, esqueceu tem só um e tem duas mulheres para se aprontar para trabalho!
— Calma Bella, eu já estou saindo! — ele abriu a porta e um vapor saiu de dentro do banheiro. — Se eu soubesse que morar com mulheres fosse tão complicado. — falou pensativo enquanto saía pisando duro.
— Não reclame, a ideia foi sua de morarmos todos juntos, agora dá licença que vou me atrasar. — falei entrando no banheiro.
— Aquela editora gira ao teu redor, nem sei como encontrou um trabalho tão bom!
Isso era verdade, era um céu, eu tinha minha própria sala, não era pressionada, e nem quando eu chegava atrasada era repreendida. Era o trabalho perfeito.
Assim que entrei em meu escritório e me sentei à mesa o interfone tocou.
— Swan.
— Pode vir a minha sala? — a voz aguda de Josh me fez praticamente saltar da minha mesa, era hoje que eu levaria uma bronca pelos meus seguidos atrasos.
— Olá, deseja falar comigo?
— Swan sente-se, temos uma coisa importante a tratar.
Sentei-me a sua frente, eu já imaginava o discurso da pontualidade sendo proferido quando ele me encarou sorrindo.
— Quer uma oportunidade para crescer em sua carreira aqui na editora?
— O que? — falei espantada ele me pegou de surpresa.
— Foi o que eu disse. Você quer a oportunidade de ouro que eu tenho a lhe oferecer?
— Depende, do que se trata?
— Bem, o fato é que percebeu que nossa editora é de pequeno porte, vivemos pelas publicações de livros didáticos e informativos, não somos de uma linhagem que vai produzir best-sellers, ou até mesmo um autor que será o destaque do ano.
— Sim, eu gosto dessa simplicidade.
— Pois eu não, quero ver a Castor crescer, expandir, se tornar uma editora conhecida, porém todos precisa de um ponta pé inicial.
— Entendo seu ponto de vista, e onde eu me encaixo nisso?
— Vejamos, você não quer somente trabalhar na editoração de material didático o resto de sua vida, certo?
— Não mesmo.
— Uma autora famosa em escrever biografias de celebridades está nos dando a oportunidade única, editar uma de suas biografias de uma figura publica em vida.
— Bem me explique direito, onde eu entro?
— Está na cara, quero que você assuma a edição deste livro, é um marco para sua carreira!
— Isso é maravilhoso!
— Então amanhã será a primeira reunião.
— Amanhã?
Estava tudo indo rápido demais, não que eu reclamasse disso, mas o fato de estar trabalhando somente há algumas semanas e o máximo que eu fiz na Editora foi ler alguns manuscritos. Era estranho Josh confiar tanto em mim desta forma.
— Sim amanhã teremos uma reunião com a escritora, lembre-se é algo muito importante!
— Tudo bem.
Assim que saí da sala lembrei de que não perguntei de quem se tratava a tal biografia, mas no dia seguinte seria a reunião então nem voltei a perguntar.
Direcionei-me até a sala do café, abri o armário em que os funcionários deixavam alguns lanches e procurei a minha sacola, ainda tinha algumas torradas salgadas, servi um café e fiquei ali encostada na bancada.
Essa sala ficava ao fundo do grande conglomerado de biombos em que a maioria dos editores trabalhava. Por mais que fosse uma editora pequena, a Castor era responsável pela edição de muitos dos livros didáticos e apostilas, então normalmente se trabalhava muito, porém eu observei o contraste de minha situação, desde que entrei na editora eu tive minha própria sala e os trabalhos que me forneciam como editora não era o mesmo de todos.
O dia passou como sempre até entediante, quando estava indo embora passei na banca de jornal , o que era algo raro, porque a imagem na revista de negócios exposta na ali me chamou atenção.
Christian Grey estava sendo a revelação da matéria: ‘’Jovens revolucionários’’.
A curiosidade me tomou.
— Vou querer uma destas.
A simpática senhora sorriu e me entregou a revista.
— Esse rapaz tem um futuro brilhante, ele está seguindo os passos do pai e melhor ainda, a mulher que se casar com ele será uma sortuda.
Sorri com a ideia pulsando em minha cabeça, eu já recusei um beijo dele no passado e ainda tive um encontro desastroso, isso conta?
Assim que peguei a revista não resisti a abri no caminho até o apartamento. A matéria em si falava dos progressos que a empresa estava tendo depois que ele assumiu, mostrava um gráfico de contentamento dos associados, que aumentou, e enfim uma rápida entrevista.
A pergunta que me chamou atenção foi: "casamento, quando poderemos saber sobre a futura rainha do império Grey?"
A resposta curta e decidida de Christian me surpreendeu:
"Talvez ela esteja por aí e nem saiba que eu já a escolhi."
Não sei por que mesmo sabendo da forma prepotente que Christian costumava agir essa resposta não me pareceu soberba, ele deveria estar apaixonado por alguém e no fundo senti inveja da sortuda.
Entrei no apartamento e Jake estava sentado observando várias fotos espalhadas em sua mesa, e José seu amigo estava ao seu lado.
— Olá Bella! — o sorriso descontraído de José era contagiante.
— Olá! Vocês já comeram?
— Não, estávamos separando aqui algumas imagens para uma mostra.
— Interessante, acho que vou preparar algo. — falei jogando na poltrona minha bolsa a revista e meu casaco.
— Interessante leitura Bella. — Jake falou sorrindo olhando para a capa da revista de negócios.
— É, eu adquiri um interesse pelos negócios. — sorri tentando parecer divertida.
— Entendo, eu acho que a figura sexy na capa não tem nada a ver, não é mesmo queridinha? — José falou brincalhão.
— Não mesmo, agora me deixem fazer algo para comer, vai jantar conosco José?
Ele imediatamente encarou Jake, que deu de ombros, abriu um sorriso largo e inocente.
— Sim, eu acho que posso passar a prova e ver se você sabe cozinhar.
Busquei pelos armários os ingredientes para fazer alguma massa, o freezer tinha frango, descongelei no micro-ondas enquanto eu picava os legumes para uma receita que aprendi ainda jovem com minha mãe.
— Boa noite meninos e menina! — Kate chegou animada como se visse o próprio pássaro verde do amor em sua frente eu já imaginei que ela teria encontrado o próximo que a faria sofrer e enterrar sua mágoa em potes de sorvete.
— Por que essa garota está tão animada? — Jake levantou-se indo pegar algumas cervejas na cozinha.
— Nada não, estou somente animada.
Jantamos e descobrimos que a animação de Kate realmente era por conta de um rapaz que ela estava começando a conversar, me retirei deixando que os rapazes assumissem a louça e depois de um banho deitei a cabeça cansada no travesseiro.
Desta vez eu não chegaria atrasada, levantei na hora consegui usar o banheiro antes de Jake e caminhei apressadamente até a editora, poucos funcionários haviam chegado, mas assim que entrei em minha sala, Josh abriu a porta sem bater.
— Graças a Deus você chegou cedo hoje!
— Desculpe pelos outros dias.
— Não estou reclamando, é que a escritora já chegou, sei que está adiantada, mas isso é importante demais para ligar a detalhes assim, vamos logo à sala de reuniões!
Deixei minha bolsa em cima da mesa, e segui Josh, a sala de reuniões não era nada excepcional era uma sala comum cheia de arquivos e uma mesa ao centro com cadeiras ao redor dela, era meio apertada.
Assim que abri a porta da sala, uma mulher loira estava sentada folheando alguns papeis, Josh foi imediatamente cumprimentar um homem de alto porte que estava ao lado da mulher.
— Prazer em conhecê-lo pessoalmente. — a voz de Josh soava admiração e meus olhos percorreram pelo terno de grife e a silhueta conhecida, até encontrar aquele par de olhos azuis.
Christian Grey! Era ele em pessoa ali em minha frente, mais uma vez eu teria de encara-lo.
— Senhorita Swan essa é a Tanya Denali escritora de biografias, e esse é...
— Senhor Grey. — interrompi Josh que me encarou frustrado ao perceber que tanto eu como Christian não retiramos nossos olhos um do outro, estendi a minha mão e o aperto firme e decidido dele me fez ter sensações estranhas.
— Prazer em revê-la senhorita Swan.
Ignoramos os olhares de interrogação de ambos ao nosso redor, sentamos e começamos a reunião, basicamente a biografia seria sobre a vida e ascensão do império Grey e como um jovem de apenas vinte e sete anos dobrava um patrimônio em dois anos.
— Mas me explique o que isso pode ser do interesse do público?
Minha boca, ela não media as palavras, mas realmente eu tinha dúvidas quanto a isso.
— Minha cara, há experiências que minha biografia pode trazer relevante a alguns.
— Não é prepotência de sua parte achar que o que fez deva ser considerada válida para uma biografia ainda jovem?
— Senhorita Swan, idade não quer dizer nada na experiência de vida de uma pessoa.
Eu sabia que minha voz não teria nenhum valor na decisão ali, porém eu estava estupefata dessa ideia prepotente da biografia de um homem com tão pouca idade.
— Não sei se as suas experiências são tão promissoras, vejamos você já recebeu um império o que fez foi tocar o barco para fluir.
Interessante como a reunião passou a ser um diálogo entre somente Grey e eu.
— Sim um império, e eu consegui fazê-lo melhor, mas o que a senhorita entende do assunto?
Ali ele me pegou, eu não entendia de nada referente a economia ou empresas, era uma leiga quanto a isso, e fora a revista que comprei sobre ele e dois encontros em uma vida eu não sabia nada de Christian além de que ele tinha um ego enorme e uma prepotência e arrogância de irritar, acho que isso me impulsionava a enfrenta-lo.
— Bem eu não entendo nada, e lógico que estou sendo indiscreta aqui. — as minhas palavras fizeram Josh relaxar na cadeira. — Desculpe-me.
— Não tenho problemas com isso, a minha decisão está tomada e creio que a senhorita Tanya também está decidida, mas gostei de vê-la defendo as suas opiniões mesmo que sejam à base de nenhuma informação.
Ele me jogou no chão, assumiu novamente o controle da situação, eu deveria aprender a ser mais submissa em certas situações e não tentar impor minhas opiniões desta forma, mas fui criada por Reneé, a mulher que me ensinou a não abaixar a cabeça a ninguém.
Assim que a reunião se encerrou Grey foi se despedir, e demorou um pouco mais segurando minha mão.
— Final de semana mais precisamente na sexta-feira, teremos um coquetel simples, somente conhecidos para anunciar a publicação de minha biografia, você poderia me dar a honra de me acompanhar?
Ele me encarou com os belos olhos azuis.
— Senhor Grey eu não presto mais serviços de acompanhante.
— Eu estou te fazendo um convite amigável.
— Tudo bem.
Depois dessa pequena conversa, eu soube que teria de saber mais sobre ele, então assim que entrei em minha sala, peguei nas buscas no computador e comecei a procurar notícias informações qualquer coisa que me desse a luz de quem era Christian Grey.
Um jovem formado em economia com honras aos vinte e cinco anos, e como seu pai havia adquirido uma doença que necessitou se ausentar ele acabou assumindo a frente dos negócios, fazendo com que as empresas aumentassem seus lucros e atividades.
Tudo isso eu sabia, mas queria mais, por exemplo, sua vida pessoal, eu encontrei algumas matérias marcadas com o sobrenome Grey.
‘’ Carrick Grey ficou viúvo com apenas vinte e seis anos, sua esposa faleceu deixando ele e seus dois filhos sem uma figura materna, em uma morte traumática para a família que prefere não se pronunciar. ‘’
‘’ Hoje casa-se Carrick Grey com uma até então desconhecida Helena Lincoln. Ela será a nova rainha do império que vem de geração em geração passando pelas mãos dos Grey. ‘’
‘’ Nasce a primeira princesa da família Grey. ‘’
‘’ Assume hoje o império o jovem empresário Christian Grey, pela tradição da família o filho mais velho que sempre assume, porém Elliot é pouco visto entre os meios de negócios deixando assim a responsabilidade da grande empresa nas mãos do filho do meio Christian. ’’
Eu pude ver pouco, somente o que as colunas sociais divulgavam, então quando eu vi que a hora já se avançava decidi ir para casa, cheguei a meu apartamento e a mesma rotina se seguiu pela semana.
Sexta-feira Josh me liberou mais cedo, segundo ele era para eu ter tempo de me arrumar para o coquetel. Depois que cheguei do trabalho ia começar a procurar a roupa para o evento quando uma entrega chegou.
Ao abrir uma das caixas ela continha um vestido lindo imponente, e continha um bilhete.
“Senhorita Swan, espero que esteja à altura de sua personalidade. Christian Grey.”
Personalidade? Ele sabia com quem estava lidando e que eu tinha forte personalidade, olhei o vestido e ele era muito lindo em vermelho longo e com uma fenda ao lado que chegava a altura das coxas.
Quando Katherine entrou pela porta e avistou o vestido, quase teve um surto psicótico.
Fiquei com receio de usá-lo e se isso acarretaria a algo pessoal, mas alguma me atraía em Christian e eu resolvi entrar em seu jogo.
Kate ajudou-me com o cabelo e maquiagem, eu estava prestes a chamar um táxi quando o porteiro avisou que alguém me aguardava no hall do prédio.
Desci e ao dar de cara com Christian Grey esperando todo arrumado de gala novamente meu fôlego sumiu, este homem era uma tentação, mas algo nele cheirava a perigo.
Desta vez ele não estava dentro do carro, e sim ao lado da porta e a abriu para que eu pudesse entrar.
— Senhor Grey! — exclamei ainda surpresa.
— Senhorita Swan, gostaria de uma carona?
Meus instintos diziam para correr e me afastar enquanto era tempo, mas meu corpo e meu lado mulher mandavam que eu investisse que eu entrasse no jogo.
Entrei no carro, em seguida ele me acompanhou, seu sorriso quase visto raramente era inebriante.
— Quer algo para beber, senhorita Swan?
— Não obrigada.
O caminho foi lento e torturante, ele nada disse por um longo tempo, somente observava meu nervosismo, pensei se isto era um jogo interessante para Christian, me observar de certa forma.
— A senhorita está linda com o vestido, mostra que gostou do presente.
— Sim, meio exagerado, mas lindo. — tentei dar o ar de superior, mas minha voz saiu insegura.
Ele somente sorriu de lado, me deixando totalmente desconcertada, senti minhas bochechas arderem em fogo.
Chegamos ao coquetel e os flashes se voltaram a Grey chegando acompanhado, ele não demonstrou desconforto, mostrando que não ligava estar sendo fotografado comigo. Diferente de nosso primeiro encontro.
Depois de todos cumprimentarem, Christian Grey novamente me surpreendeu ao me tirar para uma dança.
Quando ele pegou em minha mão me direcionando para pista de dança mil tipos de sensações se seguiram.
— Está estonteante senhorita Swan.
— Eu acho que podemos nos tratar pelo primeiro nome não é mesmo Christian?
Ele sorriu com minha sugestão.
— Creio que sim, então ainda tem a mesma opinião sobre minha biografia?
Dei de ombros quando ele deu uma rodopiada no meio da pista.
— Não sei o que falar, eu não conheço esse meio, mas pelo que pesquisei acho que sua vida deve ter exemplos válidos.
O sorriso dele se alargou quando mencionei que havia pesquisado.
— Minha vida pareceu interessante aos seus olhos agora Isabella?
Não entendi qual era a intenção na pergunta, mas deixei passar, a música mais lenta e suave o fez segurar mais firme em minha cintura, meus olhos se encontraram com os dele.
— Se eu lhe pedisse um beijo agora, você aceitaria? — seus lábios estavam muito próximos aos meus, engoli a saliva que desceu rasgando, até que me lembrei de sua colocação e o que significava.
— Por que a pergunta? Acha que por que recusei seu beijo anos atrás hoje eu aceitaria somente por saber de sua posição?
Uma de suas sobrancelhas se levantou um ato sexy que o deixou mais tentador, eu poderia dizer que sim ali agora e que implorava pelo seu beijo, mas eu também tinha meu orgulho e ele o tinha ferido.
— Não que seja ruim isso, mas acho que agora tenho mais atributos que o tal de Mike, ou ele ainda é um dos seus pretendentes?
— Que ousadia Christian, eu não tenho pretendentes e se quer saber isso me deixou enjoada eu achava que você fosse cavalheiro, no entanto não passa de uma criança mimada.
— É você quem aceitou o vestido a carona, isso mostra que...
— Mostra o que? Que posso ser comprada? Poupe-me!
Parei a dança imediatamente, eu podia ser ridícula em fazer essa cena, mas eu ia dar meia volta quando ele segurou meu braço.
— Não estou acostumado a receber não, me desculpe.
— Percebe-se. E minha primeira impressão sobre você fica valendo, ainda é um garoto mimado.
— Poderia me deixar mostrar que não sou assim? — ele sussurrou em meu ouvido, sentir seus lábios tão próximos ao meu ouvido me fez ficar arrepiada, senti meu baixo ventre ter reações as quais eu não tinha há algum tempo.
Eu tinha que admitir ele era arrogante e prepotente, mas era dono de um charme irresistível.
— Preciso ir ao toalete me dê licença.
Saí de seu aperto em meu braço me direcionando ao banheiro feminino, fiquei encarando meu reflexo, as bochechas coradas, o que eu estava fazendo, alguns me chamaria de louca por isso, ele estava claramente jogando seu charme em cima de mim! E quem ligava se era orgulho ferido ou não?
Mas eu sentia perigo ali, e se ele só quisesse provar a si mesmo que seu dinheiro compraria uma mulher que o recusou há alguns anos? Mas eu não era assim, era tentador o dinheiro o vestido o glamour, e daí se ele nunca mais falasse comigo? E daí se ele estivesse somente querendo algo para seu ego masculino?
Eu estava naquele momento desejando Christian, e ele deveria saber disso. Sorri para o espelho lembrando-me de um filme que vi em minha juventude, e tive uma ideia meio pertinente.
Entrei na cabine privada me arrumei preparei minha cartada e voltei ao salão.
Assim que Christian me avistou ele sorriu, mas continuou a conversar com Tanya a escritora. Parte de mim ficou com sentimento de ciúmes pela forma que ele sorria para ela, as mãos de Tanya passaram por seu braço em um movimento que eu como mulher sabia onde ela queria chegar.
Assim que o garçom passou, eu peguei uma taça de champanhe virando em praticamente um gole.
Tanya continuou se aproximando de Christian que por sua vez me deu uma encarada. Eu deveria estar transparecendo o que sentia, pois ele sorriu largamente em seguida ofereceu seu braço a ela a convidando para uma dança.
Fiquei observando de longe e ele não se aproximou muito dela, nem sussurrou em seu ouvido a conversa deles estava divertida, pois Grey gargalhava e sorria.
Tentei desviar o olhar, fui até a varanda observando a noite gelada esfreguei meus braços, estava pensando em voltar para dentro quando senti uma mão em minha cintura.
— Desculpe-me por te abandonar, eu tive que dançar com Tanya. Sabia que ela é muito divertida?
— Eu percebi, e não precisa se desculpar não é como se estivéssemos juntos, somente viemos...
— Não fale assim. Venha está frio aqui fora.
— Antes tenho algo para você.
Eu estava decidida há alguns minutos em minha decisão de impulso, mas agora eu estava na dúvida: será que ele realmente entenderia meu ponto?
Minha mão esquerda estava fechada em punho desde que saí do banheiro, então a coloquei no bolso de seu terno chegando com meus lábios ao seu ouvido.
— Isso á para você.
Soltei o pequeno pedaço de renda dentro de se bolso, me arrependendo imediatamente quando ele colocou a mão lá e percebeu o que eu fiz, seu sorriso malicioso se alargou o deixando mais sexy do que já era.
— O que isso quer dizer Isabella?
— Quer dizer que não estou disposta a dizer não outra vez a você.
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