Cinquenta Sombras de um Amor Desconhecido
2 Capitulo 2
Notas iniciais
– Mamae, ele morreu? – Vendo a sua mãe arrastando-o para o interior da casa ele não resiste em perguntar.
–Theodore pode deixar de ser bobo, ele apenas desmaiou, pega no celular e liga para o tio José e pede para vir aqui por favor.
– Ele tem um rosto muito bonito mamae. – Ela nota que a sua pequena demonstra compaixão e pena por alguém que ela não conhece.
– Tem razão filha, ele é muito bonito, agora faz um favor e vai buscar a caixa dos primeiros socorros para mim, pode ser?
– Tá bom mamae.
Ela observa-o tentando perceber o que possa ter acontecido com ele, começou por pensar que talvez ele tenha sido vítima de um assalto ou até que tivesse sido atacado por algum animal no bosque, mas percebeu que tamanhos ferimentos tiveram sido provocados de forma intencional, por alto ela tentou perceber que tipo de ferimentos ele possuía e os que ela pude analisar era bastante graves e realmente ele necessitava de assistência médica, deu por si a pensar que espécie de pessoa seria necessário ser para conseguir fazer isso em outra pessoa, tamanha crueldade provocada em alguém tão belo, Phoebe chegou com a caixa de primeiros socorros e logo se sentou junto do irmão observando a sua mãe tentando fazer os possíveis para o ajudar, ela saiu e entrou no banheiro procurando um pano humedecido e voltou para junto dele e começou por passa-lo no rosto, ele estava sujo e suado também e aos poucos os olhos dele foram se abrindo e ela começou por falar.
– Olá, que bom que você acordou, o meu nome é Ana, você apareceu aqui e estou a tentar ajudar, você está muito machucado. – Ao tentar levantar a sua camisa que estava bastante ensopada em sangue ele se levantou e o nervosismo dele era bastante evidente colocando as mãos em frente do seu corpo ele foi se afastando dela.
– Calma, eu não te vou machucar, só queria ajudar você. – Ela o olha bem nos olhos, e não pude deixar de pensar como uma pessoa tão linda como ele, aqueles olhos cinza, agora estava tão assustado e muito nervoso, ele continuava afastado deles mas Phoebe decidiu ajudar.
– Minha mãe não vai machucar você, não precisa ficar assim. – Aquela linda menina de olhos azuis, falava com ele como se não houvesse problema algum, tinha uma voz melodiosa e a sua doçura era contagiante.
– Phoebe não se aproxime, ele está muito nervoso e pode machucar você. – Phoebe tentava perceber o que a mãe falava para ela, porque haveria ele de a machucar, já Ana pedia mentalmente que José chegasse o quanto antes.
– Ele precisa de ajuda mamae, vem Senhor minha mãe só quer ajudar você. – E estendendo a sua pequena mão, ele aceita, confiando nas palavras da menina ele se senta perto deles.
– Eu não queria assustar você não foi a minha intenção, o meu amigo José está vindo para cá para te ajudar ele é médico e você precisa de curativos. – Ele apenas a olha, olhos nos olhos, azul no cinza de forma tão intensa até que a fez falar.
– Como eu falei para você o meu nome é Ana, Anastácia na verdade, e estes são os meus filhos ela chama-se Phoebe e este menino envergonhado é o Theodore, e você como se chama? – Ao tentar dizer ele entender duas coisas, que em parte não sabe bem quem é e que não consegue falar, ele tenta assimilar o que está acontecendo, assimilar os sentimentos incertos e levantando-se ele anda um pouco de um lado para o outro e se volta a sentar, e por um motivo que não consegue explicar ele em outro tempo se sentiu assim tão frágil e quebrado.
– Não tem problema, vai dar tudo certo. – Ele vê um caderno que parecia ser de Phoebe ele pegou no caderno e num lápis e começa escrevendo.
– “Christian!” – E entrega de novo o caderno.
– Como? – Ana o olha confusa, e pegando de novo no caderno ele escreve.
–“ Eu acho que me chamo Christian!” – Ela sorri lhe de forma meiga.
–É um bonito nome o seu, você sabe onde mora? Ou como veio parar aqui? –Ele simplesmente acena que não.
– Tudo bem vamos arranjar forma de ajuda-lo. – Não tardou muito tempo e José apareceu finalmente em casa de Ana ele aparentava estar com muito sono, e realmente era muito tarde e lamentando Ana diz lhe.
– José me desculpa por ligar para você tão tarde, mas é uma urgência não tenho forma de agradecer por ter vindo.
– Não tem problema Ana, mas afinal o que aconteceu? Theodore não se explicou no telefone.
– Você já vai entender. – Ao entrar na sala juntamente com José ele deu de caras com aquele estranho, e pelo que pude perceber a sua aproximação era lhe incomodativa. – Tentando mudar o clima José cumprimenta as crianças.
– Oi pequenos, tudo bem? – Ele era amigo da família precisamente a seis anos, ele era médico tanto de Phoebe como de Theodore, e basicamente as crianças o tratavam como Tio.
– Oi tio José. – As crianças voltam a dar a sua atenção para Christian, e dessa forma José se aproxima de Ana e começa falando mais baixo.
– Bom podia começando por explicar quem é ele, e o que aconteceu, porque ele parece que foi atropelado por um camião em andamento.
– Ele diz que se chama Christian, ele não parece se recordar muito de quem é ou de onde é, ele apareceu aqui, ele está bem machucado por isso achei melhor chamar você.
– Você fez bem, pelo que vejo a situação não está muito famosa não. – Ana se aproxima assim como José e ela dá a conhece-lo.
– Christian, este é o meu amigo José, ele é médico e está aqui para ajudar você.
– Olá Christian é um prazer. – José estende a sua mão num ato de confiança mas não obtêm nada como resposta simplesmente ele limitou-se a olhar.
– Ele deve ter receio em confiar em alguém José, e quando eu tentei ajuda-lo ele pareceu me muito apreensivo quando tentei toca-lo por isso sei lá vai com calma, e ele também não consegue falar pelo menos eu acho isso.
– Isso é curioso, Ana acredito que talvez seja melhor deitar as crianças. – As crianças estavam dormindo no sofá e eles não podiam estar mais adoráveis. – E se puder nos dar um pouco de privacidade eu agradecia, eu vou ter que o examinar bem e pelo que vejo tenho que tentar arranjar uma forma de me comunicar com ele.
– Eles estão exaustos, e claro que vou deixa-los a vontade. – Ele se levanta segurando a mão dela, quase como se pedisse para ficar, apesar de não a conhecer ele sentia que ela transparecia segurança e a voz dela deixava-o calmo.
– Pode ficar tranquilo, José é um bom médico, mas acima de tudo um bom amigo, estarei aqui mesmo ao lado, não se preocupa confie em nós, só estamos a tentar ajudar você. – Ele entende e volta se a sentar e fica encarando José.
– Se não se sentir confortável estando a sós comigo, chamaremos Ana de novo. — José achou que deveria falar com ele antes de examina-lo pelo menos para tentar estabelecer confiança entre os dois e assim foi, José entregou-lhe um bloco e um lápis e começou por explica lo.
– Já que não se consegue comunicar comigo, poderá faze-lo escrevendo dessa forma talvez eu possa compreender o que se passa contigo, por aquilo que Ana me contou você não se recorda muito do que é realmente a sua vida, achas que podes me dizer o que te lembras? – Ele volta a escrever.
–“ Eu não me recordo de muita coisa, eu vi alguns flashs.” – José observa o bloco onde ele escrever e reparou na sua caligrafia era impecável.
– E o que você vê nesse flashs?
–“ Por momentos vejo alguém me batendo, mas por segundos eu sei que vi pessoas sorrindo para mim, mas não faço ideia de quem são”.
– E como está se sentindo nesse momento?
–“ Confuso, e estranho”. – José continua a escrever no seu bloco, para ele quaisquer informações talvez fossem necessárias.
– E de 1 a 10 diga o seu grau de dor?
– “10”
– Significa que está com muitas dores, Christian eu sei que vai ser complicado para você ter que pedir isso na sua situação, não sei em que tipo de situação você esteve mas eu preciso realmente de te examinar, e preciso que colabore comigo porque com os ferimentos com que está acredito que possa ser ainda mais doloroso do que realmente já é, eu vou precisar de desinfectar e tratar cada das suas feridas e necessito que fique em roupa interior. – Ele quase entrou em pânico e tentou se afastar dele e com essa reacção José achou que a melhor forma de o acalmar e fazer com que Christian colabora-se era chamando Ana.
–Ana converse com ele, parece que ele confia em você.
–Eu vou tentar, espero que consiga ajuda-lo, Phoebe não parou de perguntar por ele antes de dormir, se ele estava bem ou não. – Quando ele começou por se despir Ana ficou completamente horrorizada pelo que vi e apesar de tentar não demonstra-lo não conseguiu conter uma lágrima que escapou, José começou por lhe tocar ele ficou tenso e apesar de Ana estar a tentar de tudo para distrai-lo ele continuava cada vez mais tenso e sem pensar ele segurou a mão dela com força, procurando conforto ela correspondeu e ficou ali segurando a mão de um homem que parecia estar acabado e cansado, e quanto mais José observava ele não pude deixar de comentar.
– Christian você foi vítima de tortura, se recorda de algo do género ter acontecido com você? – Ele apenas abanou a sua cabeça dizendo que não.
– Seu corpo contem múltiplas feridas muitas delas no torso, e terei de fazer algumas suturas. – José achou um desafio tentar tratar das feridas que o peitoral de Christian continha, ele pareceu deixar bem claro que aquela era uma zona bem sensível e apesar de se ter debatido várias vezes ele tivera conseguido, ao fim do exame já Christian estava completamente esgotado e adormecido no sofá Ana e José seguem para a cozinha igualmente cansados.
– Acha que ele vai recuperar bem? – Ela estava preocupada com ele, afinal aquilo que ela presenciou não é fácil para uma pessoa aguentar.
– Sim Ana eu acredito que sim, mas vá com ele ao hospital para podermos fazer umas análises e melhorarmos nos tratamentos. – José estava confuso em relação a muita coisa e isso deixou-se notar.
– Está acontecendo alguma coisa?
– Porque pergunta?
– Está com cara de caso José.
– Eu acredito piamente que ele tenha sido alvo de tortura e por vários dias, as suas feridas são demasiado intensas para que tenha sido apenas vitima de um assalto não que eu esteja a dizer que isso não seja possível, basta ele ter sido apanhado sozinho por um grupo e ele realmente poderia ter ficado desse jeito mas ainda assim Ana isso tudo me parece demasiado propositado, ele tem algumas feridas de pontas de cigarro em seu peito que parecem já ter muitos anos e outras demasiado recentes e na minha opinião não acho que um grupo de assaltantes se fosse preocupado com isso, e a sua falta de vocalização penso que se deve ao seu psicológico pois elas não aparentam ter quaisquer anomalias.
– Acha que quem fez isso pode tentar de novo? – Ele olha para Ana e fala o que pensa.
– Ana na minha opinião, eu acho que ele tem sorte em estar vivo, para além de ir ao hospital passe na delegacia e conte o que aconteceu, se ele corre algum tipo de perigo pode colocar você também e não só seus filhos também. – Ana olha para José ainda interiorizando as palavras dele.
– José voe não esta exagerando um pouco?
–Ana vai por mim, a qualquer coisa de errado ai, ele apresenta um quadro leve de desnutrição mas eu posso garantir que ele era alguém que tirava muito tempo para cuidar de si, ele apresenta ter um óptimo físico e claramente se exercitava, duvido que algum dia em sua vida tenha usado drogas, se ele não tivesse desse jeito poderia até dizer que ele é uma pessoa bastante saudável, apresenta ter uma excelente dentição e para não falar do tipo de caligrafia que tem, eu comecei a pensei que talvez ele tenha sido alvo de um ajuste de contas.
– Talvez você tenha razão, eu amanhã bem cedo eu o levo ao hospital e peço para falar com você, e depois vamos na delegacia juntos assim você pode explicar aos policiais o que achou e a razão do seu diagnostico, hoje vou deixa-lo descansar ele deve estar exausto.
– Eu concordo com você, mas em todo o caso tome muito cuidado e tranque tudo, Ana se ele acordar com dores que é o que provavelmente irá acontecer dei-lhe esse comprimidos e veja se ele se alimenta e beba muitos líquidos, eu espero por você amanhã. – Ele deixa os comprimidos no balcão de Ana e vai na sua direcção e abraça-a e ela retribuiu.
– Obrigada por ter vindo José e me desculpe mais um vez e peça desculpa para Ângela também. – Ao acompanhar José a saída ele ainda lhe diz.
– Sabe eu fiquei com a impressão de que eu já o vi antes, a sua cara é me familiar, mas não consigo perceber onde eu já o vi antes.
– Talvez seja só cansaço. – Ela se despede dele mais uma vez. – Obrigada José por me ter ajudado.
– Talvez tenha mesmo razão, não tem de agradecer, se cuide Ana. – Ela ao entrar não esqueceu do conheço de José e certificou se de que toda a casa estava trancada e logo se sentou a observa-lo agora ele parecia estar mais calmo e sereno e aos poucos o sono dela também foi chegando e deixou-se estar naquela poltrona de sala velando por alguém que ainda não conhece mas que ele já fez questão de saber mais dela.
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