Cinnamon The Gunner
1 Introdução
Ele parou a areia da ampulheta com seus olhos.
Ele soube a posição do inimigo assim que entrou na mansão. Como o próprio anjo da morte, ele levantou suas armas. O feitiço da areia não duraria mais do que um segundo do tempo convencional, mas para o pistoleiro na sua juventude, poderia durar tempo suficiente para derrotar o inimigo. O problema é que ele já não era mais tão jovem. As suas mãos não eram tão fortes e rápidas com seus pensamentos agora. Elas eram pesadas e quase um fardo, e ele sentia-se como um pássaro que após voar por anos e anos, descobre que suas asas se transformaram em pedra. A sua visão ainda era boa o suficiente e seu corpo ainda era forte, mas ele sabia que ele tinha acabado de passar o nível de \"maduro\" e estava perto demais do \"senil\".
O Tempo vem para todos.
Tendo isso em mente, ele decide procurar um aprendiz. Depois daquela missão, ele encontraria um jovem rapaz, velho o suficiente para segurar armas e com os olhos de um falcão; um garoto com a inteligência necessária para ser um Profeta e o poder necessário para fazer justiça com as próprias mãos. Mas primeiro, ele tinha de terminar isso aqui. A última vez.
Sem hesitar, ele mira e atira com as duas armas. O Tempo flui novamente, e a pistola na mão do duque queima num brilho vermelho. Assustado tanto com a explosão quanto com as habilidades do pistoleiro, ele recua. O Profeta anda através do hall lentamente, mas o Duque Etenn está assustado demais para se mover. Quando o Profeta o alcança e olha diretamente nos seus olhos, ele sabe o que está por vir.
\' I-Isso é impossível! Não tinha como você saber onde eu estava e me desarmar daquela distância! Que tipo de monstro é você?!?!? \'
\' Um que não rouba do próprio povo. Você devia saber que o Tempo vem para todos. O seu, por exemplo, acabou de chegar. Faça suas preces, se tiver alguma. \'
\' P-pare, por favor! Você vai ser um assassino se fizer isso! Não será melhor do que eu! \'
O Profeta o vigia, silenciosamente. Depois de alguns segundos, ele abre a boca.
\' Isso não vai soar muito bem no seu túmulo, devo dizer. \'
As armas atiram. Um som sólido é produzido quando o duque atinge o chão, e depois, puro silêncio. O pistoleiro se afasta do corpo e se move em direção à entrada principal sem fazer barulho algum. Já na escadaria na frente da mansão, ele grita a plenos pulmões.
\' POVO DE ZELACIA, SOIS LIVRES! \'
Depois disso, ele entra na floresta e desaparece na noite sem fim.
*****
Encarando o céu vespertino, o Profeta aproveita a viagem. Ele conseguiu encontrar um dirigente de carroça que não fazia perguntas pelo amanhecer e seguiu em direção ao oeste. Ele pagava bem, então o dirigente não se importava muito. Com o barulho calmo da carroça sendo a única coisa quebrando o silêncio, ele foi capaz de descansar. A estrada trouxe memórias; ele reconheceu a atmosfera. Ele não estava longe de sua terra natal agora, o vilarejo onde ele vivia antes do Profeta o escolher.
Apesar das memórias ruins daquela época, ele não sentia um gosto amargo na boca. Ele estava com vontade de voltar, para ser honesto. Claro, ele saiu como um menino com um nome e ódio no coração; agora ele era uma entidade sem um nome fora um título que não combinava de verdade. Profetas deveriam dizer o futuro, mas ele fazia o futuro acontecer. E ele sabia que o único nome correto para ele estava perto do que o Duque de Zelacia sugeriu: Justiça.
A carroça parou. Ele levantou a cabeça e viu um lugar que não tinha mudado nada em duas décadas e meia. O lugar que ele tinha deixado para trás para encontrar liberdade; não do lugar em si, mas de si mesmo. E agora, ele mostraria o caminho para outro jovem como ele fora um dia, por que o Tempo vem para todos.
Até mesmo para a própria Justiça.
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