Cinderella - Larry Stylinson
3 What a pleasure, Prince Styles
Harry ficou por instantes paralisado. Ele não tinha a mais vasta ideia de que o garoto que havia lhe dado beijos maravilhosos era o mesmo que sempre o tratava com arrogância e o deixava falando sozinho. Mas depois de parar para analisar, acabou concluindo que tudo se encaixava. As largas coxas, o jeito ácido de falar, a implicância com Chelsea, os dedos delicados, os olhos cor de mar que hipnotizavam qualquer um, os finos cabelos, o gosto de canela e o insistente cheiro de café. Tudo fazia sentido e Harry se via atirado ao chão de uma cafeteria, completamente sozinho e devastado por não ter pensado nisso antes. Ele queria se jogar de uma ponte, penhasco ou no mar, já que o imbecil tinha medo de ondas e quase sempre levava um tombo nessas. Depois de algum bom tempo jogado, resolveu se levantar, tirando forças do inferno para trancar tudo e caminhar de volta para casa, levando um susto ao ver o árabe sentado sob sua cama, brincando com as almofadas.
– Hazzy! Eu fiquei preocupado e resolvi não sair até que voltasse. Nenhum problema, certo? — Questionou com um risinho infantil. É claro que o cacheado sabia do que se tratava e era ainda mais claro que ele ficou ali pela promessa de explicação.
– É ele, Zee. O meu príncipe é o idiota do Tomlinson. Eu queria do fundo do meu coração que ele fosse todo o tempo exatamente como foi sábado, mas parece que ele adora me pirraçar, sabe? Gosta de pisar em mim, me ver rastejar. — Harry parecia estar tirando o mundo de suas costas falando abertamente sobre isso com seu melhor amigo.
Não seria de se estranhar se o mais velho pegasse o telefone discando para a casa dos Tomlinson para arrumar problema e despejar tudo que tinha vontade antes de ver o mais alto chorar. Ele sempre fora assim, protetor, como se o mais novo fosse seu pequeno irmãozinho e merecesse os melhores brinquedos do playground sem ter de disputar com os valentões.
– E você vai rastejar dessa vez? — Questionou tomando os cachos pesados para seu colo, logo os acariciando.
– Até meu último segundo, bro. — Assumiu antes de sentir as pálpebras pesarem e rapidamente ser levado pelo sono.
[...]
– Hazzy. Acorda, princesa. Bela adormecida. HAROLD! — Os gritos permaneceram apesar do cacheado não ter esboçado sequer que acordaria, somente virando para o lado oposto e ignorando completamente o amigo se esgoelando. — Tudo bem, então digo para o Tomlinson que não está e que deve voltar mais tarde.
E como num passe de mágica, um verdadeiro "Bibidi-Bobidi-Bu" fez o garoto se pôr de pé em um segundo, ainda com o rosto marcado do travesseiro. Mas o que ele podia fazer se tocaram no nome certo? Ele podia apenas resmungar contra a cara de anta de Zayn, que gargalhava na cama. O plano de o acordar havia dado certo, apesar de ter deixado o mais novo com um puta mal humor. Esse foi até o banheiro se lembrando de estar tão atordoado a ponto de nem sequer tomar um banho antes de dormir. A água quente contra os cabelos parecia o fazer pensar em quão trouxa e babaca era. Já tinha até mesmo feito uma lista, organizada em ordem alfabética, com todos os palavrões que podia se chamar. Mas ele trataria de fazer isso em um lugar. Um lugar que exalava café e canela, assim como aquela maldita máscara que pendia em seu guarda-roupa. Ele teria feito um pedestal para ela se tivesse tido tempo, mas pretende logo retornar o objeto ao dono.
Tratou de tirar todo o sabão do corpo com rapidez, logo tomando a toalha na cintura para procurar uma roupa para vestir. Pela primeira vez, ele não tinha nada. Nada que fosse suficiente para o garoto dos olhos azuis. Nada que demonstrasse a importância que ele tinha adquirido depois de se tornar a mesma pessoa que sua "Cinderella". Nada que fosse bom o suficiente para uma declaração. Porque é óbvio que ele acabaria por fazer uma declaração. Ele só não sabia como e o que falaria, mas esperava que esse tipo de coisa brotasse na mente na hora.
Zayn o ajudou a decidir o que vestiria no momento mais importante da sua vida até então. Ele aceitou a ajuda do amigo, sem realmente escolha já que sua mente não passava de um borrão sem ideia nenhuma. Ele estava nervoso como o inferno, mas não ia demonstrar isso nem sob ameaça.
Seu coração pareceu sair pela boca e estapea-lo ao que pôs os pés no café. Quem atendia era Jimmy e Steve. No caixa estava a garota de cabelos pretos mesclados em azul que sempre lhe lançava um sorriso e um conselho em especial: "Cuide do Tomlinson, ele é alguém na sua vida." Ele nunca pensou que seria tão estúpido ao perceber que aquele tempo todo era uma dica que o mais velho tinha uma queda por ele. Andou até Lisa, que tinha seu cativante sorriso sempre no rosto, seguido pelos olhos azuis, mais claros que os de Louis, partindo para o cinza.
– Hya, Lisa! — Brincou com a garota batendo as mãos contra a própria coxa. Não para dissipar o suor que se acumulava ali, imagina...
– Harold! Se veio pelo café, temos donnuts deliciosos. Se veio pelo Tomlinson, eu só posso me desculpar. Ele não veio hoje e também não avisou nada, o que me deixa extremanente preocupada. — A mais baixa continuou com seu sorriso até observar o rosto de Harry se comprimir inteiro, como se tivesse dado uma bela lambida em um limão azedo. — Ops, algo errado?
– Lizzy, você tem o endereço do Louis, certo? — Pediu com um risinho sacana no rosto, uma ideia brotando e uma lâmpada poderia saltar de sua cabeça. A outra sorriu cúmplice, logo tomando na mão um papel e escrevendo nesse com um pouco de rapidez.
[...]
A caligrafia o deixava confuso, ele não tinha certeza se era um 5 ou 2, algumas das letras se assemelhavam mais à operações matemáticas, mas mesmo começando a escurecer e já ter entrado em mais de dez ruas erradas, ele perseverou até parar em uma casa, não grande porém confortável aparentemente.
As paredes externas cobertas num azul que lembravam seus olhos e detalhes em branco. Ele já ficava cansado, mas não desistiria até bater na porta e ver aqueles maravilhosos azuis.
Ele tocou a campainha da casa, sendo em minutos respondido, mas tendo de olhar para baixo enfim vendo os olhos que desejava. No corpo errado.
– Uhm, essa é a casa de Louis Tomlinson? — Se dirigiu para a pequena garota loira de no máximo uns 9 anos. Harry deu um pulo pra trás quando outra idêntica apareceu por trás da porta, parecia uma espécie de sonho confuso.
– Daisy, responde. Ugh, está com vergonha de novo! — A que surgiu depois tentou falar com a primeira, que ainda estava na porta olhando para os próprios pezinhos. Parecendo depois se lembrar da presença do mais velho, se virou para o responder. — Sim, ele mora aqui, é nosso irmãozinho. Loooou! Tem alguém pra te ver. — A garota gritou da porta, assustando o cacheado que permanecia quieto.
– Bee, eu estou dando banho em Doris. Quem é? — Harry sentiu aliviar dez vezes ao ouvir pela primeira vez no dia a voz doce que sempre o acalmava, ficando nervoso cinquenta vezes mais ao se lembrar que estava em sua casa e por qual propósito.
– Diga que é Harry. — Pediu, quase decidindo dizer um nome falso e correr dali, mas ele não podia fazer isso, podia?
– Harry! — A pequena gritou de novo ao que no fundo sons estrondosos aconteceram.
Algo devia ter caído e por isso o barulho seguinte fora um urro de frustração do mais velho, em seguida seu grito por "Lottie" quem quer que fosse. Em seguida uma risada de bebê que veio antes de espirros de água. O próximo barulho foi um pé chutando a ponta de algo, como uma mesa ou pé da escada e outro berro de dor. Os últimos pareciam uma tropa se preparando para guerra, mas era o garoto descendo escadas. Durante todo o tempo, Styles mantinha o olhar na pequena garotinha que fazia o mesmo, com seus grandes olhos azuis. A segunda garotinha, porque a primeira saiu correndo assim que o garoto piscou.
A porta fora completamente aberta por um corpo baixo, mas não tanto quanto o anterior. Louis sorriu cansado e levemente ofegante, mandando a menininha entrar.
Seu cabelo estava completamente bagunçado, com algumas mechas molhadas assim como as calças de moletom com gotas mais escuras. A regata branca, parecia ter sido colocada naquele instante porque ainda estava pouco torta, enquanto a pele de seu pescoço estava molhada e a blusa não.
– Que prazer, Prince Styles.. A que devo a honra? — O safado sabia que Styles havia entendido tudo e não deixaria barato!
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