Cinderella
72 Pesadelo
Notas iniciais
“Pequena, eu compreendo que esteja magoada, sei que nos últimos dois dias não conversamos como deveríamos ter conversado, eu posso explicar a você, mas preciso que me dê uma oportunidade, eu te amo.”
Terminei de digitar a décima mensagem que enviei a Nessie desde o momento o qual ela havia saído de casa pela manhã, havia desistido de ligar pois ela não atendia minhas ligações, mas até aquele exato momento nem minhas mensagens ela havia lido.
Joguei o celular sobre minha mesa e levei ambas as mãos ao rosto, havia pensado em ir atrás dela assim que ela havia saído, porém Lucy havia me aconselhado a esperar, se Nessie estava aborrecida ir atrás dela naquele momento poderia piorar nossa situação, se Lucy havia me aconselhado a fazer aquilo era porque conhecia Renesmee tão bem quanto a própria mãe, acabei achando melhor seguir os conselhos dela.
— Senhor! Anna entrou em minha sala tirando minha atenção do computador – O Senhor Khalil o aguarda na sala de reuniões! Completou saindo em seguida.
Estreitei as sobrancelhas, não havia nenhuma reunião marcada para aquele horário, desliguei o computador e peguei o celular me levantando em seguida sai da minha sala indo até a sala de reuniões onde Khalil, Edward e Paul me aguardavam.
— Está com uma cara de ressaca! Khalil falou após me ver passar pela porta, rolei os olhos e puxei a cadeira da presidência me sentando.
— Eu bebi um pouco a mais ontem! Respondi.
— Nós bebemos! Edward respondeu com uma cara bem pior do que a minha- E a fúria de Renesmee não caiu somente sobre você.
— É sério? Paul perguntou rindo e tomando um gole do seu café – O presidente desta empresa e o vice presidente foram derrubados pela Cinderella? Em seguida deixou a xicara sobre a mesa – Ela virou a madrasta má?
Khalil riu – Não vamos debater sobre briga de casal agora senhores! Em seguida olhou para Paul – Explique a eles o motivo da reunião.
— A impressa publicou sobre a suspeitas da Holding ter sofrido transferências ilícitas realizadas por Allan e que esse foi o principal motivo de sua morte.
— Eu sabia que cedo ou tarde isso ia explodir.
— Sim, mas Edward conseguiu devolver o valor aos caixas hoje cedo! Khail falou se levantando – Então nossos representantes deixaram claro que foi uma tentativa.
— E você me chamou aqui para me alertar sobre o trabalho que terei em manter os acionistas?
— Sim e não! Paul respondeu.
— Eu sei que consegue sem dificuldades, o motivo real é outro! Khalil respondeu minha pergunta trocando olhares com Paul.
— Conte logo a ele Khalil!
— Contar o que? Perguntei a Edward sem entender o porquê de tanto mistério.
— Jake mesmo depois que encerramos nossa operação William e eu continuamos a vasculhar arquivos das ultimas transações, não faz o menor sentindo essa história de Allan ter feito as transferências e esse cara que foi preso, ele não respondeu a policia quando perguntaram quem o ajudou a entrar aqui – Paul explicou se levantando de sua cadeira e caminhou em volta da mesa.
—Eu continuo tentando compreender vocês! Respondi.
— Apenas aquela transação foi realizada daquele local, o que significa que alguém o mandou realizar a última transferência, ele pode ser o assassino, mas quem o mandou não foi Allan.
— Quem o mandou Paul? Perguntei surpreso diante daquela revelação, eu não estava errado, desde o momento em que Allan havia sido colocado como culpado pelas transações ilícitas que algo não batia, tinha uma grande brecha naquela história.
Paul apoiou ambas as mãos sobre a mesa- Nesse exato momento o meu notebook está em meu escritório ligado com os softwares que William deixou comigo, até a noite saberemos a exata localização das transações e o nome do verdadeiro culpado.
— Jacob essa informação não pode sair daqui, se essa pessoa mandou matar Allan pode tentar algo contra Paul – Khalil falou em um tom de preocupação, preocupação essa que me dominou, Paul era casado com minha irmã.
— Espera Paul e a Rachel?
— Ela está fora da cidade, foi visitar o velho Billy ontem a noite! Ele respondeu.
Sua resposta me deixou aliviado, passamos o restante do dia acertando os próximos passos que seriam dados após Paul descobrir quem era o verdadeiro culpado e encerramos a reunião saindo da sala.
— Minha barra esta muito suja com ela? Perguntei enquanto caminhava ao lado de Edward indo para minha sala.
— Bastante! Ele respondeu e sorriu – Precisava ver esbravejando comigo quando soube que nós dois havíamos nos embebedado.
— Mas você não contou a ela, não é? Perguntei pegando minha mochila.
— É claro que não Jacob, é minha filha, mas aquele ditado antigo sobre não se meter em briga de marido e mulher em certos casos é bom ser seguido, além disso, Bela está uma fera comigo.
Peguei a mochila e joguei sobre o ombro – Estou indo para sua casa conversar com ela.
Edward novamente sorriu – Boa sorte!
— Você está adorando isso! Reclamei saindo da sala sendo seguido por ele e entrei no elevado.
— Sempre sonhei com o dia em que a veria brava com você! Edward respondeu apertando o botão do térreo.
Nos separamos no estacionamento, Edward tinha alguns compromissos em seus outros negócios e eu segui para a casa dos Cullen.
— Jacob! Bella falou de forma gentil me cumprimentando assim que passei pela porta.
— Oi Bells! Respondi – A Nessie ela...
— Está no quarto! Bella respondeu – Senta aí, relaxa um pouco.
Concordei com a cabeça e me sentei no sofá- Numa escala de 1 a 10 qual as chances de ela conversar comigo?
Bela deu um leve sorriso e moveu a cabeça de um lado para o outro pensativa – 3 ! respondeu erguendo as sobrancelhas- Mas eu posso tentar deixar em 4 no máximo 5 mais do que isso não prometo! Ela negou com a cabeça.
Fiz uma careta – Estou mal!
— Isso porque Edward não contou a ela a parte de acreditar que ela tinha um encontro marcado com outro.
Cocei a nuca – Bella eu...
— Jacob, ela é minha filha e eu a amo, mas eu não vou me envolver na relação de vocês dois.
—Bella eu amo a Nessie, eu sei que errei, eu preciso que ela me escute.
— Eu vou tentar! Ela respondeu sorrindo e se levantou do sofá subido as escadas.
Me levantei do sofá e caminhei pela sala levando ambas as mãos ao rosto buscando uma forma de me desculpar, olhei para a escada ao perceber que Bela estava demorando demais, olhei para o relógio e haviam se passado 20 minutos quando Renesmee apareceu na escada.
— Oi! Minha voz saiu embargada.
— Oi! Ela respondeu terminando de descer as escadas – Você quer falar comigo? Ela perguntou com uma expressão calma em seu rosto, porém percebi que ela estava pálida e um pouco abatida, aquilo me preocupou.
— Sim! Respondi dando um pequeno sorriso e caminhei ao seu encontro – Mas, você está bem?
— Estou! Ela respondeu – Vamos conversar no escritório do meu pai, lá podemos falar sem interrupções.
— Certo! Respondi. Nessie deu um leve sorriso e passou por mim, vestia um pijama, a calça folgada e a blusa de mangas compridas solta no corpo, tinha algo de diferente com ela, porém não consegui identificar.
Nessie entrou no escritório e eu entrei logo em seguida fechando a porta – Então o que você quer falar? Ela perguntou cruzando os braços.
Respirei fundo buscando as palavras certas então iniciei – Na tarde em que saiu com a sua irmã e seus amigos eu fui para casa, estava no notebook e vi algumas folhas no meio da sua agenda achei que todas estavam em branco e puxei uma para fazer umas anotações, mas não estavam em branco – Coloquei a mão no bolso da minha calça e retirei o papel branco dobrado e entreguei a ela – Encontrei isso.
Nessie me olhou com uma expressão confusa e pegou o papel da minha mão desfazendo as dobras – É a carta que ajudei Nahuel a escrever, para Emma, na verdade é o rascunho ele ficou com a verdadeira.
Ao ouvir a sua explicação não sabia se me sentia aliviado ou com mais raiva de mim mesmo por não ter confiado nela, o olhar dela saiu do papel e se fixou em mim – Mas o que essa carta tem a ver com nossa conversa?
—Amor, eu...
— Espera! Ela me interrompeu – Jake você achou que essa carta era minha e que eu tinha um encontro?
Baixei a cabeça em silencio concordando.
— Era por isso que vinha agindo daquela forma?
— Ness, eu sei que fui um babaca.
— É você foi! Ela respondeu com um tom de irritação em sua voz – Jake você devia ter me perguntado, você tem ideia de como eu me senti?
— Amor! Respondi dando alguns passos em sua direção – Eu sei, sei que devemos confiar um no outro, sei que você me ama, não justifica, mas meu ciúme me cegou Ness.
— Sabe, mas desconfiou de mim! Ela respondeu se afastando dando as costas para mim, suspirei e fechei os olhos caminhando novamente até ela.
— Me perdoa.
Ela suspirou e lentamente virou o corpo ficando de frente para mim – Jake, se por um lado eu estou chateada com você por outro eu te entendo, eu também sentiria ciúmes se encontrasse algo parecido em suas coisas, mas eu perguntaria a você não tiraria conclusões precipitadas.
— Eu sei anjo, eu reconheço que errei.
— Sim você errou, Jake eu amo você.
— Eu também amo você Ness! Murmurei segurando suas mãos e encostei minha testa na dela olhando em seus olhos – Me perdoa.
— Eu perdoo você Jake! Ela respondeu olhando em meus olhos, sorri beijando suas mãos – Mas eu estou chateada com você! Ela completou.
— Princesa...
— Me da uns dias! Ela falou se afastando – Eu não vou conseguir ficar bem com você enquanto me sentir assim.
Balancei a cabeça concordando e caminhei novamente em sua direção beijando sua testa – Não esqueça que eu amo você.
Nessie concordou com a cabeça, me afastei caminhando até porta, apesar da frustração de não voltar para nossa casa com ela eu precisava respeitar seu tempo, eu realmente não havia a tratado bem e ficar sem ela por alguns dias por mais poucos que fossem seria meu castigo.
— Eu também te amo Jake! Ela falou me fazendo parar, virei o rosto em sua direção e sorri em seguida sai do escritório caminhando em direção a sala, meu celular vibrou em meu bolso, o peguei e atendi a ligação, era Paul.
— Pode falar Paul! Falei enquanto saia da mansão caminhando pelo jardim até meu carro.
— Preciso que venha para cá, peguei o verdadeiro culpado, mas é mais seguro conversarmos pessoalmente.
— Estou indo para ai!
Encerrei a ligação e entrei em meu carro e segui para o apartamento de Paul e Rachel, estacionei diante do prédio e ao sair do carro liberei meus seguranças para jantarem e como eu já era conhecido no prédio entrei cumprimentando o porteiro.
Entrei no elevador apertando o botão do 10° andar, a ansiedade me consumiu, quem poderia ter feito as transações e mandando assassinar Allan?
O som do elevador anunciou que eu havia chegado ao andar do apartamento de Paul, como o prédio tinha um apartamento por andar o elevador ficava de frente para a porta, peguei meu celular e após dar dois passos para fora do elevador senti a pancada em minha cabeça e então apaguei.
Meus olhos se abriram e eu gemi sentindo uma dor forte em minha cabeça, eu estava dentro do apartamento sentando no chão e encostado no sofá, levei uma das mãos ao rosto e me assustei ao ver minhas mãos sujas de sangue, Paul estava ao meu lado e tinha um ferimento em seu abdome.
—PAUL! Gritei desesperado.
— Jake! Ele sussurrou com dificuldade.
— Paul, não se esforça eu vou chamar ajuda!
— Foi o..- Paul tentou falar mas parecia não conseguir.
— Quem machucou você Paul?
Os olhos de Paul se fecharam e ele desmaiou, encostei a cabeça em seu peito e seu coração ainda batia, peguei o celular tentando pedir ajuda, porém a porta do apartamento se abria.
— Não se mexa! O policial falou apontando uma arma em minha direção.
— Ele esta vivo, chamem uma ambulância! Uma policial falava para os demais homens que invadiam a casa um por um.
— Não fui eu! Murmurei – Eu não o machuquei!
— Qual seu nome? O policial perguntou.
— Jacob Black! Respondi.
— Jacob Black, o senhor precisará nos acompanhar até a delegacia, é suspeito por tentativa de homicídio – O homem respondeu enquanto o outro policial segurava meus braços para trás do meu corpo me algemando.
Aquilo só podia ser um grande pesadelo.
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