Cinco meses, apenas

1 Capítulo 1- Uma dívida


— Sr Dragneel, você está prestando atenção? — O médico de cabelos loiros chamou a atenção do ser que escrevia em seu celular sem mostrar nenhum respeito com ele.

O rosado levantou a cabeça e direcionou o olhar para o homem a sua frente, que parecia mais um personal trainer com seus músculos proeminente no jaleco branco do que com um renomado médico, mas a aparência não é importante.

— Estou sim, acho que diferente de você, posso fazer duas coisas ao mesmo tempo — Falou grosseiramente

— Então fale o que eu estava explicando, já que você é dois em um. — Debochou o médico perdendo toda sua paciência, que já era pouca, e deixando o profissionalismo de lado

— Que eu tenho cinco meses de vida, e daí? — Dragneel proferiu já irritado com a ousadia desse loiro. É, o dia do rosado não estava sendo um dos melhores — Dr Dreyar, se não se importa preciso ir imediatamente, tenho uma reunião e já estou atrasado. — Completou se recompondo no homem frio e cheio de formalidades que fora criado para ser

— Deixando as formalidades de lado, Natsu. Você sabe que essa é uma conversa muito importante. — Suspirou deixando revelar seu cansaço com o homem que conhecera desde que era um garoto feliz e brincalhão, garoto este que aproveitava a vida ao máximo

— E você sabe que para mim cinco meses, ou anos não faz diferença. — Retrucou ainda com a postura erguida de um homem sem sentimentos — Eu tenho que ir.

— Você é quem sabe, mas seja sensato e não esconda isso de sua família. — Disse por fim, pegando uns papéis em cima da mesa — Vai embora logo, não quero ver mais a sua cara.

— Quanta gentileza para quem está morrendo, não? — Brincou sabendo que esse era o golpe final para acabar com a paciência quase inexistente de Laxus. Mas foi rápido o bastante para desviar de um lápis voador — Ainda não acredito que te aceitaram nesse hospital, pobres almas — Resmungou se levantando da cadeira de couro preta.

Atravessou a porta do consultório de Laxus Dreyar e deu de cara com um corredor bem extenso de paredes brancas, Natsu sempre se pergunta o porquê de um local ser tão sem graça e triste, e essa cor só faz é ajudar nessa sensação nada agradável. Cheiro de antisséptico por toda parte. Nunca que permitiria se internar em um local desses. Balançou a cabeça em negativa e continuou seu trajeto.

Enquanto andava a passadas rápidas a única coisa que passava em sua cabeça era que em cinco meses iria para o mesmo mundo que Lisanna fora há dois anos. Seu celular vibrou no bolso da calça social e ele logo tirou o aparelho de lá. Viu quem ligava para ele, era Mirajane, sua secretária.

Atendeu a chamada, mas possamos dizer que nem chegou a dizer um “oi” direito

— Cadê você, Natsu? Essa é uma das reuniões mais importantes e, olha que maravilha, não estou te vendo aqui. — Sua voz saiu num misto de irritação e ironia com uma pitada de sarcasmo.

— Tive bons motivos, estarei aí em dez mi— A frase de Natsu foi interrompida por um esbarrão com uma loira

O celular tinha caído no chão do hospital, para ser mais específica quase na saída do prédio. O aparelho eletrônico não tinha nenhuma capa de proteção, muito menos película, então quando se encontrou com a cerâmica, também branca do hospital, a tela trincou toda e a bateria saiu do lugar onde deveria ficar. O rosado olhou bem e então dirigiu seu olhar para a loira que respirava ofegante, pois esse esbarrão foi totalmente culpa dela já que a mesma corria desesperada.

Realmente o dia de Natsu não estava sendo bom, primeiro descobre que vai morrer em pouco tempo, depois que está atrasado para uma reunião importantíssima e agora isso?

Nunca viu aquela mulher na vida então deu uma conferida dos pés à cabeça e achou que ela poderia ser bem interessante, quando parou o olhar no busto dela. “Pera, não, isso é muita falta de educação” pensou e logo voltou a se concentrar no que era realmente importante... Ela tinha quebrado seu celular de dois mil reais!

— Ei, você! — Dragneel chamou a atenção dela — sabe quanto custou esse celular? — Perguntou com uma raiva muito óbvia presente em sua voz

Ela apenas balançou a cabeça negando e cogitando seriamente se fugir daquele homem de estranhos cabelos rosa seria a melhor opção, quando decidiu que ia embora mesmo já que não tinha dinheiro, deu um passo para trás olhando diretamente para a saída do hospital, Wendy poderia esperar. Natsu instantaneamente percebeu esse passo dela e pegou em seu pulso, não, ela não iria fugir sem nem ao menos pedir desculpas.

— Terá que pagar, já que a culpa de estarmos nessa situação é totalmente sua. — Falou rude, não tinha tempo a perder

— E-eu não tenho dinheiro comigo no momento, senhor... — Sua voz deu uma leve tremida pelo desespero crescente, ela não tinha dinheiro nem para si mesma, imagina pagar um celular de um desconhecido que (provavelmente) vale uma fortuna.

Não se enganem. A loira deduziu que aquele homem vestido com um terno sob medida de aparência cara era, sem dúvida nenhuma, rico.

— Isso não é problema — Disse com um sorriso lindo, porém sacana no rosto — Só precisa escrever em um papel seu nome e número, então eu te ligo e passo as informações que necessita para depositar o dinheiro na minha conta bancaria — estalou os dedos no final da frase como se o que acabara de falar fosse uma solução e tanto para o problema. Estava gostando de brincar com essa garota.

A loira ficou pálida por um instante, esse cara só podia estar de sacanagem, mas um toque irritante de uma música que não conhecia interrompeu seus pensamentos, o homem de cabelos rosados tirou (pqp) um outro celular do bolso direito de sua calça e atendeu com raiva.

— Mira, já estou indo, se acalma mulher! Houve problemas...

A loira só pode ouvir uns gritos do outro lado da linha e se perguntou o que poderia ser isso... O cara tinha outro celular. Deus só podia estar brincando com a cara dela, por que tirar dinheiro de quem não tem?

— Enfim, loira. Pode não parecer, mas sou um homem bastante ocupado e no momento estou sem tempo. Então pode fazer o favor de agilizar?

A linha de pensamento dela foi cortada novamente e então pegou um pedaço de papel do bloco de anotação que carregava na bolsa e escreveu seu nome “Luce” claro que falso, mas não muito diferente do real e um número qualquer que passou pela sua cabeça.

Não que ela fosse esse tipo de pessoa, mas estava num estado tão crítico que não podia desperdiçar um tostão, e bem, mentir não é uma de suas qualidades. Quando foi entregar o papel, ficou com um leve tremor nas mãos, Natsu percebeu que ela parou de encara-lo ameaçadoramente tentando desviar o olhar.

Notas finais
Um encontro interessante?
Qualquer erro me avise :3
Não mordo. Então se quiser comentar está tudooo beeem, mas só se quiser.