Cinco Prazeres - Degustação
1 Primeiro
Cinco Prazeres
I
Primeiro
Pietra entrou em sua casa com um sorriso bobo nos lábios. Estava cansada, mas tinha valido a pena sair do trabalho e ir diretamente para um pub, onde suas amigas a esperavam para comemorar o seu aniversário de vinte anos.
Havia muito tempo que não fazia isso.
Pietra foi uma típica adolescente responsável, que saiu da casa dos pais cedo demais e se arriscou a morar sozinha em um apartamento minúsculo, a fim de conseguir estudar com mais tranquilidade — e ingressar em uma faculdade digna das notas que tirava durante sua vida escolar. Até porque não era toda faculdade que ofertava o curso que ela sonhava; Design de Moda.
Jogou o molho de chaves em um pote de cerâmica e retirou a bolsa pesada do ombro, pendurando-a no cabideiro. Já o material de design colocou com cuidado em cima de um móvel, temendo que os esboços para a nova coleção amassassem.
Espreguiçou-se ali mesmo e acendeu a luz de alguns abajures, indo até a cozinha para beber um copo de água e tentar tirar o gosto de vodka impregnado em sua garganta.
Tinha que confessar, não havia nascido para baladas e festas, principalmente quando atrapalhavam sua rotina. Gostava da sexta-feira justamente porque era o único dia em que podia ficar até de madrugada acordada se dedicando totalmente aos esboços e croquis pessoais, soltando sua imaginação. Para ela, era essencial trabalhar em sua própria coleção e no decorrer da semana nunca tinha tempo para isso, visto que sua chefa era um tanto exigente. Mas Pietra não era o tipo de garota que reclamava, pelo contrário, adorava trabalhar em uma revista de moda e, mesmo que fosse uma simples estagiária, sentia que seu trabalho dava frutos. Sua imaginação estava cada vez mais solta e seu dom para cortes e formatos de roupas cada vez mais afiado.
Além do mais, adorava as meninas do trabalho, tanto as estagiárias quanto as que ocupavam um cargo mais elevado. E adorou a companhia de todas naquela noite, mesmo que tivessem pensado na brilhante ideia de cantar parabéns no meio de um pub, arrancando aplausos de todos que passavam o happy hour ali.
Outro sorriso bobo nasceu em seu rosto, no mesmo momento em que levava um copo de água gelada à boca e sorvia longos goles. Depois de satisfazer sua sede, lembrou-se por um momento de uma conversa estranha que teve com as meninas.
Sobre sua virgindade.
Pietra tinha apenas vinte anos, mas na visão das garotas sua idade era o suficiente para que se iniciasse nos prazeres do sexo, e algumas não se conformavam com sua virgindade. Já ela não se sentia tão estranha quanto a isso. Um pouco atrasada, mas preferia deixar seu bem mais precioso para alguém que realmente o merecesse. É claro que em certas ocasiões se perguntava o motivo de nunca ter deixado um homem tocá-la, embora nunca o encontrasse.
Não era feia. Seu cabelo longo e ondulado cobria boa parte das costas, e os fios eram de um leve tom castanho escuro. Os olhos eram comuns; queria ter olhos claros, talvez isso chamasse mais atenção. Também não era tão alta, tinha um metro e sessenta e três de altura. E sua pele era pálida, algo um tanto comum em Londres.
Respirou fundo e ficou intrigada quando a conversa sobre esse assunto voltou à sua mente. Sempre que as garotas falavam sobre sua virgindade, o que não era raro, costumavam brincar que um dia teriam de fazer um concurso para eleger um candidato para o serviço. Pietra costumava rir nessas ocasiões, mas achou o modo como suas amigas olhavam umas para as outras quando abordaram o assunto naquela noite muito peculiar. Decidiu ignorar aquilo, mesmo que seus instintos lhe dissessem que algo estava errado.
Por mais que fosse costume (e meio que um trato) a ausência de presentes nos aniversários — pois eram muitas estagiárias e garotas na empresa —, ao se despedir de todas, Nicole, uma das mais velhas do grupo, aproximou-se dela e disse em um tom baixo e conspiratório:
“O nosso presente está em seu apartamento. ”
Pietra não entendeu o que a amiga quis dizer, nem fez perguntas adicionais, só franziu o cenho e entrou no táxi. Mas agora que estava em casa, não conseguia se conter. Seus olhos vagaram pelo apartamento em busca de algum embrulho e a expectativa aumentava à medida que procurava o presente.
Andou pela sala, dando mais atenção ao sofá, mas não havia nada lá. Não sabia pelo que buscar, poderia ser um embrulho grande ou uma pequena caixa. Poderia ser...
Seus olhos avistaram um envelope púrpura bastante feminino em cima da mesa de centro, e Pietra não precisou pensar muito para saber que aquilo não estava ali quando saiu de casa. Suas mãos foram em direção à carta e abriram o envelope com rapidez, os olhos castanhos correram as letras — que reconheceu pertencerem a Natasha, a outra estagiária, que possuía uma chave reserva de seu apartamento para alguma emergência.
— Isso não é uma emergência... — Pensou em voz alta, e no mesmo momento Natasha respondeu àquela divagação no começo da carta.
Pietra,
Eu sei que você me deu as chaves do seu querido apartamento para alguma emergência, e agradeço de todo coração a confiança. Contudo, sabe que as nossas prioridades e opiniões muitas vezes se divergem. O que é considerado supérfluo para você, para mim tem grande importância, e vice-versa. Sei que todas as garotas da empresa, incluindo eu e você, fizeram um acordo para não dar presente nenhum nos aniversários. Sempre nos contentamos com pouco, e passar as noites juntas em uma balada ou em um pequeno pub apenas para rir dos ocorridos durante a semana valem a pena cada ano que passamos ali dentro da revista. Mas quero que saiba que esse presente foi algo pensado em conjunto e concordamos que você merecia isso. É a estagiária mais nova ali, é nosso bebê, sentimos obrigação de cuidar de você. Espero que goste do nosso presente. Agora feche este envelope e vá até o quarto.
Feliz Aniversário!
Abaixo, ela conseguiu ler todos os nomes das meninas, assinados. Seu coração deu um salto. O que seria tão diferente a ponto de Natasha invadir seu apartamento e colocar o presente dentro de seu quarto?
Colocou a carta em cima da mesa de qualquer maneira, jogando o envelope púrpura por cima, e correu até o quarto. Não pensou duas vezes e enfiou a mão no interruptor, acendendo a luz do cômodo. O que viu quase a fez cair para trás, tamanho o susto da surpresa.
Não era exatamente um presente, e sim uma pessoa. Uma pessoa que ela não conhecia; um homem. Um homem alto e com o cabelo que batia nos ombros. Estava de costas e parecia estar observando a rua pela janela do quarto, mas no momento em que percebeu a luz se acender, virou-se em direção a Pietra, olhando-a de cima a baixo. Deu-lhe um sorriso extremamente caloroso e simpático, o que não condizia nada com o espécime de homem que ele representava.
Tudo nele gritava sexo, desde o modo de parar com as mãos dentro do bolso e esticar a calça jeans escura, fazendo com que as coxas ficassem mais à mostra, até o modo como mexia no cabelo, jogando-o para trás e fazendo com que uma mecha rebelde caísse no rosto de ângulo quadrado. A barba estava por fazer, mas parecia ser assim de propósito. Pietra não conseguia ver a cor de seus olhos, mas julgava que a coloração do cabelo era de um tom castanho escuro, quase preto. Ele usava uma camisa branca estilo social, com alguns botões abertos, mas nada muito exagerado.
Perfeito. Perfeito para os padrões dela.
— Boa noite. — ele desejou de uma forma calma, sorriu novamente e se aproximou.
Foi aí que ela teve vontade de matar cada garota que assinou aquela carta, porque sabia exatamente o tipo de homem que ele era. Tentou não soar mal-educada quando respondeu ao cumprimento.
— Boa noite... — quase sussurrou, sentindo suas pernas tremerem levemente quando ele se postou em frente a ela. Era ainda mais alto de perto. Pietra era boa em alturas, visto que precisava delas para confeccionar a roupa perfeita, e podia facilmente dar um metro e oitenta e quatro para ele.
— Você é Pietra, não é? — ele perguntou, olhando-a com intensidade.
Ela percebeu naquele momento que os olhos dele eram de um tom esverdeado, escuro. A pele exalava o perfume mais delicioso que o nariz dela havia captado; masculino, forte e de muito bom gosto. Tudo nele a agradava de uma forma nada saudável, pois se quisesse fazer o que pretendia, teria que manter a calma e ignorar tudo aquilo a que já havia dado seu aval. Conseguia imaginar Natasha e as garotas escolhendo-o a dedo. Sabiam exatamente seu gosto. Não sabia se ainda sentia raiva ou gratidão; provavelmente raiva.
Depois de alguns segundos, percebeu que ele ainda a fitava.
— Sim... — ela respondeu, ao que ele estendeu a mão. Pietra não teve como ignorar aquele gesto, e logo sentiu a mão grande apertar a sua com leveza.
— Sou Diego. Vim aqui em nome de suas amigas.
— Sim... amigas... — ela falou um pouco mal-humorada.
Diego sorriu ao perceber isso e passou os olhos por Pietra, pensando seriamente que seria fácil passar uma noite com ela. Era bonita, mais bonita do que as mulheres que costumava acompanhar, mas parecia insegura. O tipo de garota em que era especializado. Ele pigarreou, chamando sua atenção.
Pietra retirou a mão e se afastou um pouco, passando os dedos pelo cabelo e jogando-o para trás. Respirou fundo para conseguir reunir coragem o suficiente e fazer o que deveria fazer. O que era correto fazer.
— Diego... esse é o seu nome mesmo, né? — Ela não sabia se garotos de programa adotavam os nomes reais. — Desculpe, isso foi rude…
Mas ele não parecia muito incomodado com a observação dela.
— Sim, esse é o meu nome. Mulheres costumam mudar para preservar a identidade, mas eu não vejo problema com isso. Gosto de ser chamado pelo meu nome verdadeiro...
Ele sorriu. Não um sorriso caloroso igual ao que lhe dera quando se viram, mas um sorriso jocoso, quase malicioso, como se estivesse dizendo que ela falaria o nome dele em certas ocasiões. Pietra abriu a boca para dizer algo, mas nenhum som saiu.
— Quando começamos? — ele perguntou de forma direta, mas não rude. Pietra piscou algumas vezes e depois se lembrou do motivo pelo qual ele estava ali, em frente a ela, tentando-a de todas as maneiras, encurralando-a apenas por olhá-la. Desviou-se dele e foi para o outro lado do quarto, mexendo sem jeito na ponta do cachecol que estava em seu pescoço.
— Olha, Diego... Sei que a intenção das minhas amigas foi a melhor, e sei que elas devem ter pagado a você uma boa quantia para estar aqui, mas...
— Cinco orgasmos.
Pietra perdeu a linha de raciocínio e olhou-o um pouco confusa.
— Me desculpe, o quê?
— Suas amigas me pagaram o equivalente a cinco orgasmos.
— Ah, eu nunca tinha ouvido que esse tipo de troca existia...
Diego deu de ombros e enfiou as mãos novamente no bolso, apoiando-se na escrivaninha dela.
— Eu prefiro assim. Acho mais justo com a mulher. Não concorda?
— Eu... O quê? Não! Quero dizer, eu não sei... olha... eu sinto muito que você tenha perdido seu tempo aqui e que as meninas tenham perdido o dinheiro delas, mas eu devo recusar o presente... ou você... ou o que quer que isso signifique.
A observação dela não fez nenhum efeito em Diego. Ele apenas arqueou as sobrancelhas grossas e retirou uma mão do bolso, gesticulando-a no ar enquanto respondia.
— Sua amiga Natasha me adiantou sua reação. Disse que você ia recusar... Mas fui pago para não sair daqui enquanto meu trabalho não for concluído.
— Você pode dizer que fez e ir embora. Eu confirmo a elas.
— Não sou desonesto.
Pietra semicerrou os olhos em uma tentativa de assassinato ocular, mas aquilo não surtiu o efeito desejado. Pelo contrário, ele parecia se divertir. Desencostou-se da escrivaninha e caminhou até ela, postando-se de frente novamente.
— Suas amigas me explicaram sua condição... Você é uma garota virgem. Eu sei como deve estar se sentindo. Ou pelo menos tento imaginar. Mas não estou aqui para lhe causar mal-estar. Pelo contrário...
Diego se aproximou dela, as mãos fortes e decididas encontrando os seus pulsos. Apertou-os um pouco, obrigando-a a encará-lo, o que ela fez com um pouco de receio.
— Estou aqui para lhe dar prazer.
Ela não conseguia lidar com aquele tipo de homem. Ele parecia ter saído de seus sonhos eróticos e agora a olhava com um misto de diversão e compreensão. E era direto demais para ser saudável.
— Você já fez isso antes? — ela perguntou.
— Tirar a virgindade de mulheres? Muitas vezes...
— Como mulheres se submetem a isso? É errado! Queremos alguém especial... Desculpe-me pela rudez novamente, mas mulheres normalmente não buscam o cara certo para ter a sua primeira noite?
Aquilo soava tão arcaico que Pietra teve vergonha de si mesma. Mas Diego achou um tanto quanto fofo. Olhou-a com intensidade e tentou responder à pergunta sem dar muita informação do que já havia vivido e quais as reações das outras garotas quando tirava a preciosidade delas.
— Olha... Isso é muito relativo. Você deve imaginar, conheci muitas mulheres. Muitas se arrependem de ter guardado sua virgindade por tanto tempo. — Quando viu que Pietra iria reagir, apertou os pulsos dela novamente. — Não estou falando que isso é bobagem! Estou falando que muitas perderam a virgindade com um homem que consideravam especial... mas depois foram tratadas como lixo. Por diversos motivos.
— Quais motivos?
— Os mais comuns são términos de namoro... A mulher toma raiva e nojo do homem e a ideia de que foi aquele que tirou sua virgindade a deixa incomodada.
Pietra não queria admitir, mas o que ele estava dizendo tinha um pouco de razão. Algumas meninas do trabalho vez ou outra reclamavam disso, xingando os ex-namorados e dizendo que aqueles homens não mereceram ser os primeiros.
— Portanto, estou aqui para tornar sua primeira noite inesquecível. Eu quero que seja...
As mãos dele correram pelos braços delicados dela, fazendo uma onda prazerosa percorrer seu corpo — reação que Pietra apreciou —, mas logo depois se sentiu culpada. Ele estava sendo pago para isso.
— Não é real...
As mãos fortes pararam no meio do braço, os dedos longos quase tocando seus ombros. Ele a olhou com certa confusão e, depois que isso aconteceu, ela percebeu o quão perto Diego estava do seu corpo.
— Como? — perguntou para a garota.
— Nada é real. Você está sendo pago para isso; para me falar que minha noite será especial, para me tocar de maneira que eu me sinta desejada... É falso.
Não queria dizer isso a ele, mas sentia-se na obrigação de fazê-lo. Era o que sentia no momento, e ela era conhecida por sempre expressar o que seu corpo sentia ou o que seus pensamentos lhe diziam. Diego não se incomodou com a observação: esse tipo de reação era comum, principalmente vindo de alguém que não o procurou de forma aberta.
Colocou-se no lugar dela por alguns segundos. Por mais que o pagassem para fazer isso, sempre tentava ser sincero nos gestos e nos elogios. Algumas exigiam mais esforço, mas esse não era o caso de Pietra.
Pelo contrário, ele apreciava, e muito, o que estava a sua frente.
E tratou de deixar isso bem claro.
— Não será falso. Posso provar isso...
Ele se aproximou, abaixando um pouco para conseguir correr o nariz pelo pouco de pele exposta do pescoço dela. Pietra usava um cachecol, o que dificultava seu trabalho, mas isso ele poderia dar um jeito depois. Só precisava de uma reação por parte dela, uma reação positiva.
Pietra fechou os olhos ao sentir um toque mais ousado por parte dele, respirando fundo por sua aproximação repentina. Diego viu isso como uma reação positiva. O nariz correu pelo pescoço dela, no mesmo momento que as mãos habilidosas retiravam o cachecol que usava de uma forma tão calma e leve que só percebeu que o acessório tinha saído de seu pescoço quando sentiu a mão forte correr por sua nuca.
— Mas... não posso...
— Por quê? — ele perguntou, os lábios descendo para a pele do colo e depositando beijos demorados. O corpo de Pietra já reagia ao toque dele de forma alarmante. Estava arrepiada e sentia suas pernas começarem a ficar trêmulas.
— Você... Você é um garoto de programa!
— Sim... Sou um garoto de programa que vai beijá-la até você se sentir a mulher mais desejada desse mundo.
Porque se havia uma coisa em que Diego era bom era fazer essa sensação aflorar em cada mulher que tocava. Os lábios foram subindo até alcançar o queixo, e percebeu que ela queria reagir, mas estava indecisa sobre o que faria. Antes que pudesse refreá-lo de alguma maneira, ele tocou os lábios delicados dela com os seus, sentindo o gosto adocicado que possuíam, assim como estavam trêmulos.
Pietra ficou estática, sem decidir o que fazer, mas seu corpo parecia decidir por si mesmo. Abriu a boca para dar passagem para a língua dele, e Diego não objetou em invadi-la, procurando a língua dela e acariciando-a com isso. As mãos dele pousaram na cintura fina, puxando-a em direção ao corpo forte e fazendo-a colar-se na camisa social branca que ele vestia.
Ela conseguia sentir cada nuance dos músculos das costas dele, onde parou as mãos com relutância, mais como insegurança do que como desejo. Não sabia o que fazer com elas; Diego parecia o tipo de homem que comandava tudo e consequentemente deixava a mulher sem ação, pensamento ou até mesmo gesto coerente.
Pietra podia apostar que aquilo não era inédito para ele.
Com um rápido movimento, Diego pegou-a no colo e foi em direção à cama, onde a colocou com delicadeza. Deitou-se sobre ela, plantando beijos por toda a extensão de sua pele. Pietra sentia pequenos choques de eletricidade nas partes onde os lábios dele a tocavam. Fechou os olhos, tentando enfiar na cabeça os pensamentos coerentes, mas seu cérebro não parecia ter os mesmos planos.
Por sorte havia tomado banho na casa de Natasha antes de sair para o happy hour. Seria desconfortável pedir para que ele parasse tudo para ir ao banheiro, nenhum homem gostava de ser interrompido quando se tinha uma mulher debaixo de si para desfrutar. Mas tinha plena consciência de que Diego não era qualquer homem. Era profissional na arte de fazer o que estava fazendo.
Profissional demais.
As mãos grandes faziam um trabalho meticuloso em matéria de retirar os botões das casas. Pietra sentiu sua blusa de seda azul ser aberta com facilidade, e só depois que ele começou a depositar beijos por toda a pele de sua barriga que percebeu ter sido desnudada em segundos.
Os lábios dele foram em direção aos seios e a barba mal feita deslizou pela pele suave, fazendo-a ter leves arrepios. A língua dele passou levemente no vale dos seios, sentindo o gosto delicioso que ela possuía. A cabeça de Pietra rodou, e não sabia se era o efeito da vodka ainda presente no seu corpo ou se era seu cérebro entrando em colapso.
Estava realmente fazendo aquilo?
— Diego...
Ele olhou para ela, os lábios nunca deixando seus seios. Aquela imagem era quase pornográfica. Diego a olhava como se ela fosse um pedaço de carne. Mas um pedaço de carne raro e delicioso. Parecia um leão prestes a saciar sua fome. Depositou um leve beijo na clavícula dela e levantou o rosto, fitando-a com atenção.
— Não diga meu nome assim, Pietra... Só me faz querer adiantar as coisas.
Ela arfou com as palavras dele, sentindo seu coração bater fortemente dentro do peito. Diego pareceu ouvir o som que fazia.
— Estou indo muito rápido?
— Não...
— Por que me chamou? — Ele deu um sorriso sedutor e ao mesmo tempo malicioso. — Tem medo de que eu faça isso?
Ele retirou o sutiã de renda negra que ela usava com rapidez, expondo os seios que estavam segundos atrás parcialmente cobertos pelo bojo escuro. Pietra engasgou algo sem coerência. Algo ali contrariava as leis da física.
— Como...?
— Eu retirei o fecho? Já tinha tirado antes mesmo de deitá-la na cama. Você não percebeu.
Pietra se sentiu insultada, envergonhada e totalmente exposta. Não pela falta de roupa, mas pela falta de palavras. Não sentiu a hora em que a peça da lingerie ficou mais frouxa ao corpo? Qual o motivo de ele ter deixado o sutiã ali, enquanto mordiscava os seios dela e passava a língua entre eles?
Diego captou as perguntas na mente dela apenas ao olhá-la. Seu sorriso se alargou.
— Acalme-se, garota. Quero experimentá-la vagarosamente. Vou experimentá-la vagarosamente.
Ele se aproximou novamente, beijando o colo dela. Os lábios dessa vez foram decididos até os seios, onde ele tomou um com a boca e sugou levemente, olhando-a com lasciva. Pietra não viu o olhar, estava ocupada demais fechando os olhos e mordendo o lábio inferior para conter um gemido teimoso que queria sair de sua garganta.
Ah! A beleza de uma mulher em êxtase. A doçura da pele dela no momento de deleite. O ângulo perfeito que as costas fazem ao arquear o corpo em direção a ele. Tudo aquilo valia a pena quando se tinha uma preciosidade como Pietra em suas mãos. Eram poucas as mulheres que apreciava na cama, mas Diego tinha certeza de que ela estaria entre a minoria.
As mãos dele foram em direção ao botão da calça social que ela vestia; um tecido fino como a seda da blusa, diferente. Bem diferente. Ele conseguiria deslizar aquele tecido pelas pernas dela com facilidade. Mas antes, queria provar tudo o que tinha direito.
Pietra sentiu a barba dele roçar levemente a barriga dela, no mesmo momento em que sua calça ficou mais larga no corpo. Tentava não pensar muito no que estava fazendo. Era virgem e estava se entregando para um garoto de programa. Estava entregando sua pureza a um garoto de programa.
Fechou os olhos ao sentir sua calça descer lentamente pela pele com uma facilidade absurda. Sem pensar muito, levantou os quadris, ajudando-o no processo. Ajudando-o. Aquilo era absurdo. Diego jogou a calça no chão e se aproximou novamente, depositando beijos na lingerie, sentindo as nuances do sexo dela, a renda da roupa íntima raspando em seus lábios.
Pietra fechou os olhos, deixando os pensamentos racionais um pouco de lado e entregando-se ao momento totalmente pela primeira vez. Estremeceu quando Diego deslizou a lingerie pelas suas pernas, separando-as levemente logo depois.
Não demorou muito para a língua dele encontrá-la.
Ela não queria admitir, mas estava sentindo aquilo pela primeira vez. Quando falava que era virgem, isso incluía tudo. Não havia tido nenhum tipo de experiência sexual. Nenhuma. E agora sentia a língua de Diego, úmida e quente, acariciando justamente a parte mais íntima dela, rodando em seu ponto mais sensível, deixando-a à beira da loucura.
Não conseguiu conter um gemido que insistiu em sair de sua boca. Mordeu o lábio inferior, e logo depois sentiu um dedo de Diego penetrá-la. Era algo novo também.
Como um homem experiente, percebeu no mesmo segundo a garota prender a respiração. Olhou-a com atenção.
— Sente dor?
Ela parecia relutar em responder.
— Um pouco.
O sorriso que ele lhe deu foi reconfortante.
— Isso passará.
Ele remexeu o dedo ali com mais delicadeza, continuando o trabalho que estava fazendo. Parecia pedir com os toques para que ela relaxasse, e Pietra decidiu seguir as ordens, pois sabia que só estaria perdendo, caso reclamasse de tudo.
O dedo dele já não a incomodava, pelo contrário, exercia uma pressão prazerosa que, combinada ao modo como a sugava com lascívia, deixava-a tonta, sem ar.
Ela começou a se empurrar em direção a ele, tentando fechar as pernas. Tudo aquilo Diego reconheceu como os sinais de uma mulher prestes a alcançar o seu máximo. E foi justamente por isso que retirou o dedo de dentro dela com cuidado, lambendo-a uma última vez e parando de fazer tudo.
Pietra o olhou sem entender o gesto.
— O que foi?
— Você estava quase gozando.
— E daí? Eu não tenho cinco orgasmos?
De repente ela não se reconheceu. Fechou a boca e sentiu seu rosto esquentar. Diego teve vontade de soltar uma alta e longa risada, mas nada fez. Mulheres! As reações podiam ser cada vez mais surpreendentes.
— Acha que vou te proporcionar o seu primeiro orgasmo com a língua? Você está louca?
Ela não soube o que responder, mas se sentiu ousada.
— Não creio que conseguirá me proporcionar de outro jeito. Sou virgem, e as estatísticas...
Não conseguiu terminar o raciocínio, Diego estava desabotoando a blusa lentamente, e olhou-a de uma maneira que jogava em sua cara que não fazia parte de estatística nenhuma. Ela sentiu seu rosto esquentar e seu corpo não estava diferente. Ele jogou a blusa para o lado, exibindo o físico perfeito.
Pietra conseguia ver cada músculo no seu devido lugar. O abdômen dele não era muito forte e exagerado, mas conseguia ser definido. Mas curvas ao lado do quadril chamavam mais sua atenção do que o abdômen em si. O peito era largo. Era do gosto dela, e Natasha sabia disso. Às vezes Pietra se esquecia de que Diego havia sido uma encomenda.
Ele se levantou da cama, deixando-a completamente nua e parada ali, congelada. Apenas os olhos dela conseguiam se mover, e faziam isso para acompanhar os gestos das mãos dele, que agora desabotoavam as próprias calças. Em pouco tempo, estava apenas com uma boxer branca, e ela não precisou olhar com muita atenção para saber o quanto ele estava excitado. O volume era alarmante.
Não queria olhar muito também, porque sabia que a coragem se esvairia de seu corpo caso o fizesse.
Ele se aproximou, jogando novamente o corpo em cima do dela. Pietra conseguiu senti-lo dessa vez, o membro dele a pressionava cada vez que se mexia — e parecia se mexer de propósito para provocá-la.
— Pietra... Eu não vou falar que você não vai sentir dor... Provavelmente vai doer. E muito. Mas você pode gritar.
Diego mordiscou levemente o queixo dela. Pietra sentiu que ele começava a se desvencilhar da única barreira que os impediam de se unir completamente: o tecido da sua roupa íntima. Ela o olhou desconfiada.
— Como vou ter um orgasmo se vou sentir dor?
Ela ainda não havia se esquecido da recusa dele quando estava lhe dando prazer. Diego pareceu ler seus pensamentos e deu-lhe uma piscadela.
— Confie em mim.
Ela sentiu a extremidade do membro dele esbarrar em sua entrada e se sentiu tensa no mesmo momento. Sabia que isso piorava tudo, mas era um instinto. Era automático.
— Relaxe. — ele pediu, afundando o membro um pouco.
A respiração dela começou a se acelerar. Estava sendo invadida pela primeira vez. Mas não sentiu dor, provavelmente porque ele não tinha nem começado. Ela o olhou com intensidade, dando aval para que ele continuasse com esse gesto.
Diego se afundou consideravelmente, e dessa vez ela gemeu. De dor. O que era aquilo? Parecia que ele a estava dividindo ao meio! A cólica começou a tomar todos os seus sentidos e ela respirou com dificuldade, fincando as unhas nos ombros largos dele.
— Relaxe...
— COMO?
Ele riu, aproximando o rosto do dela e mordiscando o seu lábio inferior. Olhou-a com atenção.
— Basta me sentir. Sinta-me, Pietra. Tente não pensar muito na dor...
Ela não queria senti-lo, queria matá-lo. Mas aceitou a sugestão. Relaxou as pernas e ele terminou de penetrá-la. Não sentiu tanta dor dessa vez, apenas se concentrou no membro dele pulsando dentro dela. Era um corpo esquisito ali, mas sabia que aquilo dava prazer. Então por que não tentar?
Ficaram bons minutos parados, e ele respeitou o momento dela. Pietra, por sua vez, estava começando a ficar inquieta com Diego ali, invadindo-a e olhando-a ao mesmo tempo. Gesticulou com a cabeça para que ele desse o segundo passo.
Ele afastou o quadril e voltou a encontrá-la, sempre com delicadeza. Ela mordeu o lábio inferior. A dor ainda estava lá.
— Você pode se afastar?
— Assim?
Ele mexeu seu quadril novamente.
— Não! Isso dói! Quero que você saia.
— Não vou sair porque se sair você vai desistir. A dor já deve ter melhorado… Você está se concentrando na coisa errada, Pietra.
Ele tinha razão, a dor não era tão intensa quanto na primeira estocada. Ela piscou algumas vezes e Diego sorriu, vitorioso. Depois, afastou o corpo e passou uma mão entre eles, tocando-a em seu ponto mais sensível. Aquilo a ajudou muito. Agora podia descarregar a tensão no prazer em vez de descarregar na dor.
Diego começou a se mexer ali dentro, tocando-a enquanto o fazia. A dor estava passando e diminuía a cada estocada. Pietra começou a relaxar com isso. Era natural. Era prazeroso. Mas ele estava tão distante...
Ela retirou a mão dele e puxou-o para si. Diego se deitou sobre ela com prazer. Gostava de sentir os seios de uma mulher o comprimindo, assim como as curvas do corpo dela no momento em que a penetrava. As mãos grandes subiram pela cintura, correndo por sua pele e levantando seus braços. Os dedos entrelaçaram-se, os lábios procuraram-se. O quadril dele não parava de mexer, e parecia tomar uma velocidade ousada à medida que ela o aceitava.
Diego beijou toda a extensão do pescoço dela, deliciando-se com o som dos gemidos que Pietra deixava escapar quando a encontrava novamente. Ele achou que seria o momento perfeito para fazer o que pretendia desde o começo.
Enfiou a mão forte por debaixo do quadril dela, levantando-a levemente em direção ao seu corpo. O ângulo mudou, mas não deixou de ficar confortável para ambos, apenas mais prazeroso. Pietra conseguiu senti-lo melhor, como se o membro dele batesse diretamente no ponto sensível do sexo dela.
Fechou os olhos quando ele fechou a mão esquerda na sua, enquanto a direita permanecia embaixo do seu quadril. Diego recomeçou os movimentos e beijou-a, invadindo a boca com sua língua.
E foi assim que eles ficaram por minutos, ela sentindo aquele homem fora do normal tirando o seu bem mais precioso de uma forma inesquecível, ele apreciando cada pedaço da pele dela. Os fios longos do cabelo dele faziam cócegas em seus ombros.
Pietra sentiu o mesmo prazer que experimentara desde que ele a tocou com a língua, mas dessa vez Diego não parou, pelo contrário, buscou fazer com que o prazer apenas aumentasse. Os movimentos aceleraram e não demorou muito para que ela apertasse a mão dele com força.
O corpo esguio se arqueou, as pernas torneadas travaram-se na cintura fortemente, a respiração dela ficou entrecortada e fechou os olhos, abrindo a boca e deixando um gemido de prazer completo escapar dos lábios. Ele chegou ao seu prazer no mesmo momento, e aquilo apenas fez com que Pietra se sentisse ainda mais desejada. Sentir um homem como Diego a consumindo completamente e sendo consumido era sem dúvida a melhor experiência do mundo. Era aquilo, seu primeiro orgasmo, seu primeiro prazer real, sua primeira vez.
E valia a pena. Valia a pena tudo aquilo. Ele valia a pena.
Demorou a voltar ao seu normal. Olhou-o com relutância. Diego ainda estava dentro dela, mas sorriu maliciosamente e beijou o vale de seus seios, sentindo a pele úmida de suor e arrepiada por causa do prazer.
Olhou-a com atenção.
— Agora você pode escolher o modo como vai ter seu outro orgasmo. Seja criativa. Você ainda tem direito a quatro.
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