Cinco Minutos

1 Cinco Minutos


- Está em casa?

- To..

- Ocupado?

- Haa....Não, por quê?

- Estou enfrente ao seu portão, desce pra eu roubar um abraço seu.

Mais uma vez aquela sensação quente, mais uma vez eu me vejo largando tudo que estou fazendo para atender aos caprichos dele. No telefone sua voz soava gentilmente imperativa, ele não me pedia para descer. Ele mandava. Eu obedecia.

Palpitação.

Enquanto ando pelo corredor que leva a saída do prédio eu consigo vê-lo encostado no meu portão, sorrindo. O doce sorriso de um demônio. Mesmo a uma distância considerável eu notava o olhar dele. Fixo. Intenso. Forte. Eu sentia que ele me lia, por inteiro, me sentia um outdoor.

Quando abri o portão ele se aproximou como um felino, seus braços contornaram minha cintura num abraço possessivo, e com uma facilidade impressionante ele me ergue alguns centímetros do chão. Fechando os olhos eu consigo sentir de forma mais intensa seu perfume. Os poucos ele vai me colocando novamente no chão, o abraço se torna mais apertado.

O abraço se afrouxa e como um gato manhoso ele passa o rosto no meu, bochecha com bochecha, nariz com nariz. Uma das mãos faz um carinho suave na minha nuca e seus lábios encostam nos meus. Sinto o gosto doce do veneno que ele tem nos lábios. Veneno que me queima, enfraquece, vicia.

Torpor.

- Tenho que ir.

Aquele calor de minutos atrás se esvai fazendo com que eu sentisse frio, não aquele frio glacial, é mais semelhante com o frio de quando se solta um copo cheio de bebida morna. Ele me abraça novamente, e eu o abraço de volta, de olhos fechados eu tento gravar cada detalhe dele, o cheiro, o calor, o som abafado do coração. Ele se afasta e me olha com aquele olhar de gato vadio e um sorriso de quem está se divertindo. Eu me viro e volto para onde não deveria ter saído, enquanto ando novamente pelo corredor escuto o som da moto se afastando.

Em apenas cinco minutos me senti perto do céu, mas agora eu vejo o que estou cada vez mais perto do inferno preso a um demônio malandro, e como se isso não bastasse ainda há as malditas borboletas novamente soltas no meu estomago.

Por apenas cinco minutos me senti perto do céu, mas agora eu vejo o que estou cada vez mais perto do inferno preso a um demônio malandro, e como se isso não bastasse ainda há as malditas borboletas novamente soltas no meu estomago.

Notas finais
É uma fic bobinha super água-com-açúcar, mas eu gostei!
Que tal um review contando qual o casal que você acha que combina com ela.

;*
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!