Cinco Minutos

1 Ultimas Primeiras Conversas


Notas iniciais
Bom, gente, espero que gostem.É minha primeira fic e tô ansiosa pra ver o que acharam.

ANTES:
A garotinha de olhos perolados estava sentada embaixo de uma arvore grande, dentro dos domínios do famoso clã Hyuuga, ao qual ela pertencia.

Com apenas cinco anos de idade, a pequena Hinata era a filha primogênita da ramificação principal de sua família. Não que isso importasse muito, pois, naquela idade, a pequena garotinha ainda não tinha noção da sua responsabilidade. Mas não tardaria a descobrir.

Olhando o céu claro e sem nuvens, Hinata pensava na mãe naquele momento. Ela tinha andado muito doente nesses últimos dias de gravidez. E o que mais a garotinha temia aconteceu, por fim: Hanabi havia nascido. Não que ela temesse o nascimento da irmã em si, mas sim o que aconteceria a mãe naquele momento, já que estava tão frágil. E então ela se foi. Hanabi nasceu e sua mãe morreu. Simples assim.

Ela já tinha ouvido falar da dor de quando uma pessoa querida morre. Ela já tinha imaginado várias vezes. Mas agora ela não precisava mais imaginar. Ela sentia. E, para ela, a dor era enorme. Não deveria haver dor maior que aquela. Seria horrível demais.

Hinata viu seu pai se aproximar, saindo pela entrada da casa principal. Seus olhos estavam frios, como sempre que ele a via. Ela sabia que ele não gostava dela. Era por isso que nunca contestava o que ele dizia, nunca falava nada além de “sim, papai”. Por culpa desse comportamento com ele, Hinata se tornara uma garotinha tímida demais.

Hiashi se aproximou, em silencio até sua filha mais velha. Olhou para ela sentada debaixo de uma árvore, tão insignificante quanto parecia ser. Hinata também o olhou, embora com nenhum pensamento como esse.

-Levante-se. – ele disse autoritário, observando a menina se levantar vagarosamente. – Olhe para aquele lado Hinata. Vê aquele circulo? Quero que acerte essa kunai nele. Quero que acerte no menor circulo. Você não sairá daqui, até acertar. Está me entendendo? – perguntou olhando para filha sem emoção alguma.

-Sim, papai. Eu entendi. – dito isso, Hiashi saiu para dentro de casa e Hinata pegou a kunai.

Era visível o esforço da menina para acertar o objeto no alvo, mas também era visível que ela estava fracassando. Já era fim de tarde e Hinata ainda não havia comido nada e tinha gastado muita energia. Ela caiu no chão, exausta. Respirando pesadamente, a garotinha de olhos perolados ouviu mais uma vez passos em sua direção. E mais uma vez foi a voz de seu pai que lhe falou.

-Ridículo. Você passou a tarde inteira aqui e não conseguiu acertar uma misera kunai no alvo. Patético. Você não merece ser uma Hyuuga. Não merece ser a filha primogênita e descendente do clã principal. Você irá para o poder, sim. Mas posso prever que será a destruição do clã. Você me envergonha, Hinata. – Ele pegou uma Kunai própria e acertou facilmente no local indicado a menina. E então, ele saiu. A respiração de Hinata continuava forte, mas dessa vez não por causa do treinamento. As palavras e opinião do pai feriram horrivelmente o interior da menina. E ela achando que não poderia haver dor mais forte... Com certeza se enganara. E muito.

AGORA:

Hinata olhava pela janela de seu quarto o treinamento de Neji com Hanabi. Tão mais habilidosos que ela. Até mesmo Hanabi, com seus treze anos parecia que ia superar a mais velha, hoje com dezessete. Hinata suspirou. Olhou a faixa branca na testa do primo, que havia tirado a bandana e lembrou-se quando ele contou a historia equivocada ao Naruto na prova chuunin. “Naruto-kun...” Lembrar dele havia deixado o coração da jovem acelerado demais e causado um arrepio de felicidade. O garoto loiro, de grandes olhos azuis havia saído em missão já fazia três meses e Hinata já começara a ficar preocupada. Não. Com certeza, se tivesse havido alguma complicação, Naruto saberia resolver. Ele nunca desiste. E não seria dessa vez que iria acontecer.

Pensou em como seria bom aproximar-se do seu amor de sempre quando ele voltasse e corou imediatamente com a idéia. “Como se ele fosse querer alguma coisa com uma inútil como eu. Uma garota tão fraca... Além disso, ele já gosta de outra pessoa...” Ao lembrar-se disso, Hinata soltou um suspiro forte. Ele nunca seria dela, nem em um milhão de anos. Ele era inalcançável.

O que Hinata não sabia agora era como ela estava enganada a respeito disso. Naruto com certeza era um idiota e não deixaria de agir como um no começo. Mas ele iria perceber lógico, que era Hinata quem mexia com seu coração. Talvez tarde demais, talvez não. Mas o amor vence barreiras e as mais longínquas distâncias impostas pelo destino. E mesmo assim, o que seria dessa historia, sem os dois protagonistas juntos, não é? Afinal, essa é uma fanfic Naruhina.
____________________________________________________________

Já fazia três meses que ele estava fora da vila. A missão tinha demorado muito mais que o previsto por ele e pela Hokage. De acordo com ela, o máximo seria um mês ou um pouco mais. Mas aconteceu que a bendita missão se complicou e lá se foram três meses tentando resolvê-la, perseguindo ninjas, rastreando. Um saco. Felizmente ele era o ninja numero um, imperativo e cabeça-oca. O ninja que derrotou a Akatsuki anos atrás. Que trouxe Sasuke Uchiha, seu melhor amigo e rival de volta, tudo para fazer a Sakura-chan feliz.

E era por isso que ele, Naruto Uzumaki, estava sorrindo. Não importava quantas missões longas a vovó Tsunade passasse. Não importava se demorasse um, dois ou três meses, como fora esse o caso. O que importava, antes de tudo, era a expectativa. Voltar para casa, rever os amigos, conversar e brincar. Paquerar a Sakura, fazê-la sorrir, brigar com Sasuke, irritar o Kakashi-sensei. Era só isso que importava. Porque mesmo longe, ele sabia e sempre soube que aquela era a sua família. E não tinha nada como ter uma família.

Naruto olhou o relógio. Faltava menos de duas horas para ver a vila da folha de novo e ele estava ansioso. Sorriu novamente e acelerou o passo em cima dos galhos.

Sakura Haruno, a médica mais habilidosa da vila da folha, alcançando até mesmo sua própria sensei, a quinta Hokage de Konoha, Tsunade, estava extremamente infeliz nesse momento. Era obvio para quem a via que ainda era inacreditavelmente apaixonada por Sasuke Uchiha, seu colega de equipe. E mesmo tentando esconder loucamente seus sentimentos pelo jovem, não dava mais para se segurar. “Talvez eu deva falar com ele hoje, dizer tudo que sinto... É! Vou fazer isso, tenho que tentar...”

E então foi o que ela fez. Dirigiu-se para a sede principal da ANBU, organização cujo cargo máximo já havia sido alcançado pelo Uchiha. Mesmo depois de pouco tempo que havia voltado para a vila, Sasuke já havia demonstrado que voltara para proteger veementemente sua antiga aldeia. É claro que a maioria ainda não confiava nele, mas mesmo estes estavam cedendo aos poucos.

A garota de cabelos róseos entrou na organização insegura com seus próximos passos. Ao passar pela recepção, uma moça não muito bonita nem muito feia mostrou-lhe o caminho até a sala do rapaz. Ao chegar lá, no entanto, Sakura deparou-se com uma cadeira vazia e uma mesa cheia de papeis. Suspirou novamente. Parece que tinha que adiar a conversa mais uma vez.

Dirigiu-se para a saída do prédio, despedindo-se antes da moça que tinha lhe ajudado com um aceno de mão. A moça retribuiu e a Haruno seguiu em frente. De cabeça baixa, a jovem flor de cerejeiras acabou trombando, acidentalmente com um homem. Quer dizer, não que ela o tivesse visto, mas pelo peito robusto e forte, ela soube imediatamente de que se tratava de um homem.

- Desculpe, eu não queria... – Mas ela não pôde terminar a frase. Isso porque o ao perceber de quem se tratava, corou imediatamente. Sasuke estava parado bem em sua frente, olhando-a sem nenhuma expressão, como era de costume. – Sasuke... E-eu vim falar c-com você, mas não estava na sala, então...

- Ótimo. Encontrei você. Eu estava te procurando. Quero conversar sobre uma coisa. Mas não pode ser aqui.
“Ele estava me procurando... então é por isso que não estava trabalhando. O que será que ele que comigo?” Sakura o olhou, curiosa.

- Tudo bem.

Eles começaram a caminhar então. Lado a lado. A tensão parecia estar impregnada no ar. Nenhum dos dois falava nada. Era impossível para Sakura não pensar no que o rapaz de olhos negros queria. Mas ela sabia o que ela queria. Ela mostraria tudo o que estava sentindo para ele. Não importava as circunstancias.

Eles pararam em frente a uma arvore, em um local perto da entrada de Konoha. A garota nem percebeu o quanto eles haviam andado até perceber onde estavam. “Nossa! Nós andamos tudo isso?”

- Sakura. – ela o olhou sem dizer nada. Apenas pensando no que viria depois. – Eu... Tenho pensado. Em você. – parece até loucura, mas Sasuke Uchiha corou um pouco. – eu tenho pensado... Na época em que fui embora... Quando você me pediu pra ficar. E tenho pensado na época em que estive longe. Eu não sabia o que eu queria... Só sabia que não queria... Morrer. Eu não queria morrer. Porque eu queria ver você. Só mais uma vez, só ver você. Eu não sei o que é isso. Eu só quero estar perto de você.Sentir o seu cheiro e... Beijá-la. Você acha que isso é amor? Mas se amor não for isso, não chega nem perto do que sinto agora. – Sasuke olhou pra a garota de olhos incrivelmente verdes e sorriu de canto, mostrando um pouco sua angustia dos últimos dias.

Já Sakura estava com os olhos ligeiramente arregalados por ser capaz de ouvir tamanha confissão dos lábios do Uchiha. Lábios... Sem pensar muito, a garota de cabelos róseos e corpo curvilíneo jogou-se nos braços do Uchiha desesperadamente, tomando-lhe os lábios, como há muito queria fazer.

Quando se separaram, ofegantes, os olhos negros e verdes encontraram-se e eles viram de verdade o que sentiam, viram claramente o amor estampado. Sakura sorriu feliz e o abraçou novamente.

- Eu também te amo Sasuke. – e beijaram-se novamente. Estavam tão entretidos que nem sentiram a presença de mais alguém naquele momento tão intimo. Um par de olhos extremamente azuis, tomados pela dor os observava agora. Ele não teve coragem de interrompê-los. Virou-se e saiu.

Estava claro para Naruto que aquilo ia eventualmente acontecer com os dois. Afinal, quem não se apaixonaria pela Sakura? Ele sabia desde o dia em que ela pediu para ele seguir o Uchiha e trazê-lo de volta que ela o amava. Então por que ainda tinha tido esperanças? Por que havia se deixado levar por esse sentimento tão estúpido? Mas não pôde evitar...

Sentir esperanças havia sido inevitável. Mas agora ela havia sido completamente esmagada. Naruto então sentiu raiva. Raiva de Sasuke. Raiva de Sakura. Mas, principalmente, raiva de si mesmo. Como ele pôde não conquistá-la? Seria assim tão inútil? Pelo visto era, sim. E agora ele não tinha nem como lutar por ela. Ele havia perdido. Para Sasuke.

Naruto sentiu um chakra estranhamente conhecido e imediatamente pensou ser de algum inimigo invasor. Em um ímpeto de raiva, pegou uma kunai do bolso e atirou com a maior força e velocidade possíveis para acertar o suposto inimigo. O que ele não esperava era ouvir uma voz fina e delicada gemer de dor, ao sentir a kunai atravessar de raspão seu braço, deixando escapar um filete de sangue. Então Naruto percebeu de quem se tratava. Afinal, não era inimigo nenhum. Era Hinata.

-Ah. É você. – ele disse com a voz fria e sem nenhuma pena. – Desculpe pelo braço. Não reconheci seu chakra. Pensei ser só mais um ninja patife insignificante atacando a vila. – disse ele para a Hyuuga. Quando Naruto pensava em Hinata, o que raramente acontecia, pois mal se lembrava dela, ele não pensava nela como uma ninja, apenas como uma garota comum e sem talento, como ele alguns anos atrás. Mas, diferentemente dela, Naruto cresceu e se tornou forte. Hinata não. Pelo menos no seu conceito.

As palavras que ele proferiu, sem perceber, acabaram por extravasar um pouco de sua opinião pela garota de olhos perolados. Mas Hinata percebeu. Percebeu e corou imediatamente com elas. Corou porque se sentiu uma idiota perto dele. Mas, principalmente, ela não só corou. Ela sentiu seu estômago estremecer e o buraco enorme que tinha se instalado em seu interior anos atrás aumentar consideravelmente, ao saber que, como os outros, ele também a achava insignificante. “Por que seria diferente?”, pensou ela, sentindo um nó se formar em sua garganta.

- M-me desculpe. E-eu n-não queria a-atrapalhar. Só me perguntei o q-que estava fazendo a-aqui... Porque estava t-tão triste... E-eu... – Naruto olhou para ela friamente, fazendo a menina parar de falar imediatamente.

-Isso não é da sua conta. Deveria estar treinando mais e se intrometendo menos Hinata, se quiser se tornar uma ninja de verdade. – disse o Uzumaki maldosamente. Estava descontando tudo nela, ele sabia, mas não conseguiu evitar. Jamais seria capaz de dizer tal coisa para Hinata, mesmo que aquela fosse mesmo sua opinião. Ela era muito boa e frágil demais. Talvez dizer a verdade acabasse por quebrá-la de uma vez, então ele era gentil. Menos por agora.

Oh, e ele não sabia como estava certo. A verdade acabou por quebrá-la. A dor que a moça sentiu foi imensa. Ela se esqueceu de como se respirava.

Mas, se Hinata sentiu dor, ela não deixou transparecer. Ela era boa. Se tinha uma coisa em que era boa era nisso. Fingir estar bem, fingir não sentir dor a ponto de estar despedaçando era uma especialidade de Hinata, ela não queria preocupar os outros, se é que alguém se importava.

-E-eu... Eu n-não q-queria m-me intrometer... Desculpe-me. Vou deixá-lo s-sozinho. – Hinata deu uma ultima olhada no loiro e saiu sem dizer mais nada. Triste por ouvir palavras como aquelas dele. Logo dele... A pessoa que mais amava. Uma lágrima escapou de seus olhos. Talvez a dor extravasasse afinal, talvez ela estivesse perdendo a habilidade.

____________________________________________________________

Naruto encontrava-se deitado em sua cama velha. Estava remoendo-se por ter visto os melhores amigos se beijando e pior que isso, era a lembrança de ter falado aquelas coisas horríveis a Hinata. “Droga, ela só estava querendo ajudar...” Embora aquela fosse sua opinião sobre a garota, ele sabia que Hinata não merecia ouvir aquilo. Ela tratava bem a todos e deveria ser bem tratada também.

Uma risada em sua cabeça fez o rapaz se arrepiar. Não era seu pensamento, embora parecesse seu. A raposa de nove caldas riu novamente e Naruto pareceu ser puxado para uma enorme escuridão. Quando abriu os olhos, deu de cara com o demônio.

-Então é isso que pensa sobre a Hyuuga, garoto? Interessante... – a raposa pareceu pensar em voz alta. Por fim mostrou um sorriso que fez todos os ossos de Naruto parecerem ficar moles.

-Por que me trouxe para cá sua raposa estúpida? Sou eu que lhe procuro quando quero e não o contrário! – Naruto explodiu.

- A garota Hyuuga é uma garota interessante... – a raposa ignorou Naruto completamente. — Por alguma razão eu posso sentir... Tudo. Saber tudo que ela pensa. Posso sentir seu cheiro, mais forte e mais excitante que qualquer outro cheiro. – de repente, a raposa transformou-se num homem loiro, alto e forte, olhos extremamente vermelhos. Era como um espelho de Naruto. Seus olhos continham certo desejo pela Hyuuga e Naruto entendeu muito bem o tipo desejo que estava presente naquele demônio. A raposa lambeu os próprios lábios, como se sentisse o gosto de Hinata neles.

A cena deixou o loiro de olhos azuis furioso. Nunca sentira tanta fúria assim de uma só vez. Parecia que se pudesse acabaria com a raposa ali mesmo, mas ele sabia que era só uma ilusão, que estava tudo dentro da sua cabeça. Mesmo assim, ver a raposa lambendo os lábios, desejando claramente a jovem Hyuuga tinha-o enlouquecido.

-Como ousa?! Como ousa falar assim da Hinata? Como se ela fosse uma qualquer, uma... Uma... Ela não é desse tipo. Ela nunca seria sua nem de ning...

- Diga-me, garoto... – a raposa o interrompeu. – Por que ela não ficaria comigo desse jeito – falou, referindo-se ao modo humano em que se encontrava — ou com qualquer um? Qualquer um que for bom, com certeza não vai dizer que ela é uma inútil, como você disse, não acha?
Naruto estremeceu. Ele estava certo. Hinata podia ficar eventualmente com qualquer cara. Mas, e daí? O que ele tinha a ver com isso? Ele não se importava. Ela não importava.

- E por que você acha que eu me importo com quem essa garota ridícula vai namorar? – ele sorriu friamente. – Mas, de uma coisa eu tenho certeza... Por que ela ficaria com um demônio como você, mesmo nessa sua forma humana, sua raposa estúpida? – ele revidou, sorrindo triunfante.
Mas agora foi a vez da raposa sorrir. Os dentes afiados fizeram todos os pelos de Naruto se eriçarem e o sorriso desaparecer.

-Eu acho que você quis dizer... Um demônio como você não é mesmo, garoto?

Notas finais
Deixem reviews! Por favor!