Cinco Minutos
12 Cinco Minutos
Notas iniciais
Sim, finalmente voltei com mais um capítulo dessa história... Eu realmente acho que vocês vão gostar desse.. Eu gostei muito de escrevê-lo.
Ahh! E finalmente está explicado por que o nome dessa historia é Cinco Minutos...
Bom, então está aí! Espero que gostem!
A noite estava bonita. O céu estava escuro e nublado, mas ainda estava muito bonito. Ele olhava pela janela, observando o movimento ainda intenso de sete horas da noite. Mas, ainda assim, apesar de olhar as pessoas, Naruto não as via realmente.
Ele estava pensando no que a Kyuubi dissera. Seu grande amor estava morrendo, então. Agora ele sabia que se tratava da verdade. Por que outra razão a raposa demoníaca o ajudaria afinal, senão pensando em si mesma? Agora tudo fazia sentido. Toda a angustia. Então era verdade.
Naruto lembrou-se de Sakura. Seu sorriso... Ele sempre havia amado a Haruno. Sempre tinha feito de tudo para fazê-la feliz. Ele arriscou tudo por ela. Ele arriscou sua vida... Ele arriscou perdê-la, tudo para fazê-la feliz. E ele a perdeu. Para Sasuke. Mas Naruto não se importava com isso. Ela estava feliz, não é? Estava com seu grande amor de toda a vida... Então por que razões ela estava morrendo? E como ele estava ajudando nisso? Eram muitas perguntas... E nenhuma resposta.
Naruto suspirou. Um vento forte denunciou a chuva que estava por vir. As gotas caíram fortes e de repente, pegando o Uzumaki de surpresa. Naruto se afastou da janela, mas não a fechou, passando a observar a rua um pouco mais distante, para não se molhar. O vento continuou forte, trazendo o cheiro da chuva com ele e, por algum motivo, trazendo também as lágrimas do Uzumaki. Como as gotas lá fora, Naruto chorava forte. As mãos estavam fechadas fortemente. De vez em quando ele arfava e soluçava, tentando levar ar de alguma maneira para os pulmões.
Chuva... Por alguma razão estranha ele passara a amar cada vez mais a chuva, principalmente o cheiro. (Nota: Pessoal, lembrem-se, a Hinata tem cheiro de chuva e flores para o Naruto). Mas hoje não. Hoje parecia... Trágica. Hoje, o cheiro parecia diferente... Distante. Para Naruto parecia inalcançável. E era por isso que ele estava chorando. Chorando tão forte, por uma coisa tão estúpida que parecia ser o cheiro da chuva.
– Eu devo estar enlouquecendo... — disse ele, para si mesmo, porém sem conseguir se controlar, soluçando cada vez mais forte, sentindo cada vez mais dor. Por que era tudo aquilo, afinal? Por que doía tanto somente pensar em perder isso?
Naruto sorriu em meio ao choro. Não foi um sorriso bonito. Era mais um sorriso triste e quebrado, exatamente igual a ele. Porque era assim que estava se sentindo. Cada dia parecia mais triste, mais quebrado, menos Naruto. E, naqueles dias, tudo havia piorado. A angústia, a dor, tudo. A cada dia ele ficava mais tenso, mais aflito. Era como se o tempo estivesse mesmo acabando.
Naruto suspirou. Deitou-se na cama, virado para o mesmo lado da janela. A chuva continuava forte, mas ele não havia fechado a janela. Queria que ela durasse para sempre. Ele olhou o relógio... Faltavam cinco minutos para as oito horas. “Cinco minutos...” Ele pensou. Cinco minutos... Era um número que, estranhamente, fazia Naruto se sentir nauseado.
Resolveu esquecer e olhar novamente pela janela. A chuva estava parando. Olhou para o relógio novamente. Faltavam três minutos para as oito. Mas a chuva ainda não tinha parado. Olhou novamente para o relógio. Um minuto. A chuva estava fraca, quase parando. Oito horas. A chuva cessou.
– Cinco minutos... — falou Naruto em um sussurro. A chuva havia parado nos exatos cinco minutos que faltavam para as oito horas. Naruto estremeceu. — Eu devo estar ficando louco... — disse ele, olhando uma ultima vez para janela e virando-se para o outro lado.
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Papéis estavam espalhados por toda mesa e alguns estavam pelo chão também. Não havia ordem alguma entre eles. Mas Tsunade não dava a mínima. Estava trabalhando há tempo demais naquele escritório e sabia onde cada documento estava “guardado”. Assim como Shizune, que a auxiliava.
– Tsunade-sama? — chamou a moça, que estava para em frente à Hokage, observando-a ler alguns papéis.
– O que foi Shizune? — perguntou a Hokage, sem olhá-la.
– O que vai fazer em relação ao tratado de paz com o país do Relâmpago? Temos que enviar a solicitação de paz o mais rápido possível. A senhora sabe como eles são impacientes. — disse ela, olhando para a quinta Hokage um pouco preocupada. — Os nossos melhores ninjas estão em missão e, bem, não é uma missão em que possamos falhar. — Shizune falou, sendo prontamente respondida por Tsunade.
– Ora Shizune. Alguns de nossos melhores. Naruto continua aqui, assim como a Sakura. — falou a Hokage, ainda analisando os papéis. — E ainda temos a Hinata, como uma de nossas melhores ninjas rastreadoras. — disse ela, aparentemente sem preocupação.
– Mas, Tsunade-sama... Não acha perigoso enviar Hinata para essa missão? Afinal, doze anos atrás eles tentaram obter os segredos dos Hyuuga seqüestrando-a. — contrapôs Shizune, realmente preocupada com o fato.
– Sim, realmente estive pensando nisso... Mas não há como enviar outra pessoa. Eu pensei no Neji, mas eu ando mandando ele em muitas missões ultimamente. Pensei em lhe dar um ou dois dias de folga. E o Hiashi saiu em missão há poucas horas. Então eles estão fora de questão. Só me resta a Hinata, que por acaso não é nenhum pouco fraca Shizune, ela é uma de nossas melhores. Além disso, se eu for mandar outro ninja rastreador, como o Kiba, por exemplo, isso só nos causará problemas, já que planejo enviar o Naruto na missão. — disse a Hokage, suspirando logo em seguida.
– O que quer dizer? — perguntou a assistente, curiosa.
– Bom, andei conversando com a Sakura esses dias. O Kiba e o Naruto não estão se dando muito bem, sabe. — disse ela. — Sakura não me contou muito bem os detalhes, mas estava estranhamente feliz com o fato. — falou a loira, olhando para Shizune com curiosidade no olhar. — O que me faz pensar se ela também não está tendo problemas com ele. — disse ela, olhando novamente para os papeis.
– Entendo. Mas a Hinata e o Naruto também não estão tendo problemas? Fiquei sabendo que no baile os dois brigaram... — disse Shizune, um pouco mais preocupada. — O que, aliás, me pegou de total surpresa. Nunca imaginei a Hinata discutindo... Ainda mais com o Naruto. — comentou a moça, um pouco curiosa com o caso.
– Sim... Também ouvi falar nisso. Mas você não acha que ela vai discutir de novo com o Naruto, acha? A Hinata é muito calma. Uma coisa é ela perder a cabeça uma vez, outra coisa é ela perder a cabeça duas vezes. Além disso, todo mundo sabe que a Hinata ama o Naruto. Ela não vai sair por aí brigando com ele toda hora. — constatou Tsunade.
– Mas, Tsunade-sama... A senhora não acha que levar Hinata seria um pouco precipitado? Temos outros ninjas rastreadores de alto nível em Konoha.
– Sim, mas ainda assim Hinata é a melhor opção que temos. Além do mais, ela está bem mais forte que antes Shizune. Sem contar com o Naruto, que nunca vai deixar algo acontecer com ela. Ele nunca abandona um amigo. Você se lembra do Sasuke. — disse ela, assinando o papel e passando para outro.
– E como. Não há como não lembrar. — disse Shizune, concordando com a cabeça. — Mas a senhora não acha que possa dar alguma coisa errada, não é? — perguntou novamente, ainda preocupada com a Hyuuga.
– Bom, dar alguma coisa errada sempre dá. Ainda há alguns ninjas do país do Relâmpago que não querem aceitar nossa aliança, você sabe. Aqueles que ainda guardam rancor de Hiashi, por ter matado o líder deles. — disse Tsunade, sem aparentar estar preocupada.
– Sim, e isso é mais um motivo para não mandar Hinata nesse time. — disse Shizune, agora praticamente implorando. — A senhora sabe por que Hiashi-sama matou o líder deles.
– Sim. Eles tentaram seqüestrar a Hinata. — disse a Senju, suspirando e finalmente olhando para Shizune. — Não perca seu tempo tentando me convencer, Shizune. Já decidi mandar a garota. Mas você sabe muito bem que Hinata é forte. Além disso, como já falei, Naruto estará do lado dela.
– Bom, então espero que tenha feito a escolha certa. — disse a moça, sentando-se na cadeira e ajudando a organizar alguns papeis.
– Eu também. — disse Tsunade, analisando mais alguns documentos. — Agora me passe esse documento. — disse, apontando.
– Esse aqui? — perguntou Shizune.
– É, esse mesmo.
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Já amanhecia. Sakura acordava preguiçosamente com o despertador do relógio de pulso. Mas aquela não era sua casa. E aquela não era sua cama. O cheiro daquele lugar era estranhamente familiar e a cama dura sempre fizera parte do cotidiano da rosada. Mas Sakura demorou um pouco para reconhecer o local. Depois de um tempo se espreguiçando foi que ela percebeu onde estava: era o Hospital.
– Droga, eu só dormi duas horas. — disse Sakura para si mesma. Estava completamente exausta. — Vamos, Sakura, acorde! — falou, batendo fracamente em suas próprias bochechas. Ela se levantou da cama e dirigiu-se para a cafeteria, comprando um cappuccino e bebendo imediatamente.
– Com licença. — alguém disse se aproximando de Sakura.
– Sim? — a Haruno se virou rapidamente e constatou logo que era um oficial da ANBU.
– Sakura Haruno, a Hokage solicita sua presença no escritório dela, imediatamente. — disse a pessoa para Sakura.
– Ah, tudo bem. Obrigada. — disse ela e se virou, sabendo muito bem que o integrante da ANBU havia desaparecido. Bebeu rapidamente o cappuccino e se dirigiu para a saída do Hospital, em direção ao escritório da Hokage.
O cappuccino não parecia estar fazendo efeito. Talvez porque aquelas duas horas foram o máximo de sono tranqüilo que era tivera em um dia e meio. Sakura deu um enorme bocejo.
– Se for uma missão, eu juro que vou desmaiar de tão cansada. — ela sussurrou meio grogue, enquanto andava vagarosamente para o prédio da Hokage.
Depois de alguns minutos andando, Sakura finalmente chegava ao prédio. Olhou desgostosamente para as escadas e começou a subir. Chegando finalmente em cima, Sakura percorreu o longo corredor, que dava para o escritório da Hokage. Bateu na porta.
– Entre. — disse uma voz abafada, que a rosada reconheceu como sendo de Tsunade. Ela girou a maçaneta e abriu a porta, entrando.
–Tsunade-sama... Mandou que me chamassem? — perguntou a garota, tentando parecer o mais disposta possível.
– Sim, pedi que a chamassem aqui. Você está péssima. — disse Tsunade, olhando para Sakura com uma sobrancelha erguida. — Aconteceu alguma coisa? — perguntou a mais velha, olhando para a outra preocupada.
– Não, só estou um pouco cansada. Não dormi muito bem, sabe. Estive de plantão. — disse a Haruno, dando mais um bocejo.
– Eu entendo. — Tsunade olhou mais uma vez para Sakura preocupadamente, antes de falar porque chamara a Haruno ao seu escritório. — Eu a chamei aqui porque tenho uma missão pra você. — disse Tsunade. Sakura pareceu um pouco mais desperta.
– Missão? O que eu tenho que fazer? — perguntou Sakura, olhando para Tsunade. Ela estava um pouco chateada: como ela iria fazer uma missão naquele estado? Ela não deixou transparecer, no entanto.
– É uma missão Rank S. — Sakura ficou mais rígida. Uma missão Rank S? — Será feita por três pessoas. Você é claro, o Naruto e a Hinata.
– O que nós devemos fazer? — perguntou ela, novamente.
– Nessa missão, vocês devem entregar um Tratado de Paz entre Konoha e A Vila da Nuvem. É de extrema importância, já que Konoha e a Nuvem estão em crise desde doze anos atrás, quando eles tentaram roubar os segredos dos Hyuuga. Você deve saber da história. — Sakura assentiu.
– Sim. Eles tentaram seqüestrar a Hinata, não é mesmo? — perguntou a rosada, ficando preocupada de repente. — A senhora não acha que levar a Hinata nessa missão seria um pouco... Arriscado? — perguntou ela, olhando para a Hokage.
– Bom, teremos que correr esse risco. A Hinata já é grandinha e forte o bastante para se defender sozinha. Além disso, você sabe que o Naruto nunca deixaria nada acontecer com ela.
– Bem, sim, isso é mais do que comprovado. Ainda mais agora, que o Naruto está apaixonado por ela.
– Apaixonado? Não era você quem ele amava? — perguntou a Hokage, um pouco mais do que surpresa.
– Na verdade, creio que ele nunca tenha me amado. Acho que sempre confundiu os sentimentos. Acho que o que sempre sentiu por mim não passava de amor de irmão.
– Bom, se você diz. Mas então, porque ele e a Hinata brigaram na festa? — perguntou Tsunade, completamente confusa.
– Ah, isso. Bom, eles estavam mortos de ciúme um do outro. Pelo menos foi o que eu entendi. O Naruto estava cego de ciúme do Kiba, que por acaso também gosta da Hinata. Daí começou a dizer umas coisas para a Hinata, que explodiu e brigou com ele. Mas acho que a culpa mesmo é do Kiba, que começou tudo na minha festa.
– Festa? Que festa? — perguntou Tsunade. A cada palavra proferida por Sakura, ela ficava ainda mais confusa.
– Bom, por onde eu começo?
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Hinata acordou vagarosamente. Olhou o dia lá fora. O sol estava alto, como se fosse meio dia. Mas Hinata sabia que ainda era cedo. O relógio ao lado da cama ainda marcava nove horas da manhã. Nove horas?!
– Ai meu Deus! — ela exclamou, levantando-se rapidamente e jogando o cobertor para o lado. — Ai meu Deus! Ai meu Deus! Ai meu Deus! — ela exclamou novamente e de novo e mais uma vez, entrando rapidamente no banheiro e fazendo sua higiene matinal o mais rápido possível.
Ela estava atrasada. O treino com seu pai era as oito, o que significava que estava uma hora atrasada.
Hinata vestiu sua roupa e penteou o cabelo o mais rápido que pôde. Quando terminou, abriu a porta de supetão e correu escada abaixo, quase esbarrando em um empregado que subia para fazer a limpeza do andar superior.
– Desculpe! — ela gritou já no pé da escada, correndo para a área de treinamento velozmente.
Arfando, a Hyuuga primogênita chegou finalmente à área de treinamento. Colocou as mãos nos joelhos e, um pouco agachada, ela tentou respirar mais calmamente.
– Hinata-sama... Você está bem? — era Neji. Ele treinava solitário no campo dos Hyuuga e olhou para Hinata um pouco preocupado, quando esta chegou arfando.
– Sim... — ela finalmente levantou o olhar, vendo que Neji estava sozinho. — Onde ele está? Ai meu Deus, ele cansou de esperar e se foi, não é? Agora, além de tudo que ele pensa, ele deve pensar que também sou irresponsável. — disse ela rapidamente, sentindo seu estômago doer só de imaginar o que seu pai iria falar. — Ele vai me matar... — disse a Hyuuga, colocando uma das mãos na testa e respirando fundo.
– Hinata-sama, pode me dizer sobre o quê está falando? — disse Neji, ainda confuso com a prima.
– Meu pai. Estou uma hora atrasada para o treino. — disse Hinata, agora olhando para Neji como se ele tivesse falado alguma coisa muito errada.
– Hinata-sama... Hiashi-sama saiu em missão ontem à tarde. Você o viu sair. — disse Neji, olhando preocupado para a prima e vendo Hinata ficar extremamente vermelha.
– Eu... Eu me esqueci completamente. — disse Hinata. O que estava acontecendo com ela? — Eu... Eu devo estar...
Neji cerrou os olhos, vendo a prima abaixar os dela.
– Isso é culpa dele. — disse Neji interrompendo-a, um pouco irritado. Hinata andava estranha desde o baile e ele sabia muito bem por que. — Você anda distraída e é por culpa dele. Eu sei disso. — disse Neji. Ele sabia que Hinata estava distraída pensando nele, relembrando as palavras que ele dissera, se martirizando.
– Nã-não... Eu... Eu só estou... — gaguejou ela, olhando para o chão, tentando arranjar alguma desculpa plausível para a sua desatenção. — Eu só estou um pouco distraída, mas d-d-daqui a pouco vou estar em p-p-plena forma.
Neji a olhou. Não, não estaria. Ele sabia disso. Não enquanto Naruto não pedisse perdão, não enquanto ele não a amasse.
Ele olhou preocupadamente para sua prima, a quem quase matou anos atrás. Hinata estava mudada fisicamente, mas nunca deixara de ser a Hinata ingênua e boa de sempre. E era por isso que Neji nunca se perdoara por ter feito aquilo. Ela era boa demais. E agora ele não pensava em mais nada que não protegê-la. Porque ela era sua irmãzinha. E ele odiava quando machucavam sua irmãzinha. Especialmente nesse caso, em que não podia fazer nada que não amaldiçoar Naruto por fazê-la sofrer.
– Hinata-sama... — ele a chamou e ela o olhou tristemente. — Desculpe-me por não poder fazer nada. Se pudesse eu o obrigaria a amá-la. — disse ele, olhando profundamente nos olhos de Hinata. E ela soube que ele o faria mesmo se pudesse. Hinata suspirou.
– Eu sei nii-san. — disse ela, quase chorando. — Mas não se preocupe, não é sua culpa nem de ninguém. Ele simplesmente não pode me amar. Não se pode fazer nada. — Hinata suspirou, prendendo o choro.
Num impulso, Neji a abraçou. Hinata não devia sofrer assim. Mas, ironicamente, ela era a pessoa que mais sofria. Por seu pai, por sua mãe, por Naruto... Por ele.
– Desculpe irmãzinha, eu prometo que vou protegê-la, mesmo que dessa vez eu não possa. — disse ele em meio ao abraço. Hinata ficou surpresa pelo abraço e pelas palavras ditas por ele. Era a primeira vez que ele a chamava de irmãzinha. Ela, então, desistiu e deixou que as lágrimas caíssem, retribuindo fortemente o abraço de seu irmão.
– Obrigada... Nii-san... — disse ela, soluçando. Eles ficaram algum tempo abraçados daquela forma até que Hinata se acalmasse. Neji sorriu para ela, o que Hinata prontamente retribuiu, mesmo que ainda não estivesse tão bem assim.
Ao longe, um pássaro vermelho fogo os rodeava. De repente, o animal desceu rapidamente entre os primos, olhando para Hinata curiosamente. Hinata nunca havia visto um pássaro tão bonito. Depois de algum tempo o admirando, a garota finalmente reparou que a ave trazia um pergaminho em uma das patas. Hinata se abaixou e o pegou.
– É para mim. — disse, olhando para Neji, que estava curioso. — É da Hokage-sama. — concluiu ela, enquanto terminava de ler o pergaminho. — Estou sendo imediatamente chamada em seu escritório. — Hinata suspirou. — Bem, parece que estou sendo convocada para uma missão. — disse ela, nenhum pouco animada. — Eu estou indo lá, então. — disse para Neji, que assentiu. — Até mais tarde, nii-san. — despediu-se ela, indo em direção ao portão principal, para a saída do clã e dirigindo-se para o escritório da Hokage.
[...]
Depois de algum tempo caminhando, Hinata finalmente chegava ao prédio da Hokage. Por alguma razão ela estava relutante em entrar. Estava com um mau pressentimento sobre essa missão.
– Eu devo estar ficando louca. — disse ela, subindo as escadas devagar. Primeiro a coisa com o treino com seu pai, agora esse pressentimento estúpido. Hinata deveria estar ficando louca. — Só pode... — ela falou consigo mesma, balançando a cabeça negativamente. Quando subiu as escadas, Hinata atravessou o longo corredor e finalmente alcançou a sala de Tsunade.
Bateu na porta e esperou sua autorização para entrar. Quando esta veio, Hinata entrou rapidamente na sala.
– Desculpe a dem... — ela ia falando, mas quando entrou, deu de cara com a pessoa que menos queria ver nesses últimos dias. Ou mais. Mas não era Tsunade. Não, não era. Era ele.
Naruto estava de pé, no meio da sala, esperando a terceira pessoa da missão a que fora convocado, a qual, por alguma razão, não lhe fora revelado o nome. Ele se virou rápido quando a porta finalmente se abriu e terceira pessoa chegou. Era ela.
– Não se preocupe Hinata. — disse Sakura. Só agora que Hinata a tinha percebido. Por alguma razão seu estômago revirou. E ela soube imediatamente o que era. Ciúmes. Então ela também estaria na missão com ela e Naruto. Ela se sentiu mal de repente. Hinata sabia que seria mais um martírio pelo qual deveria passar, mais um sofrimento pelo qual Naruto a faria sofrer. Por que ela sabia que o Uzumaki iria excluí-la completamente. Ele já tinha deixado muito claro o que pensava sobre ela. E, com Sakura na missão, a pessoa que ele mais amava, tudo se tornava mil vezes pior.
Naruto a olhou nos olhos e estremeceu. Ela estava pior do que ele se lembrava. Mais pálida mais magra. E o pior de tudo eram seus olhos. O lindo perolado dos olhos de Hinata estava desbotado e sem brilho. Parecia como se ela estivesse... Morta. Naruto se arrepiou com o pensamento. E o pior de tudo era saber que tinha sido sua culpa. Todas aquelas coisas que ele dissera para Hinata estavam o matando. Ele estava lutando contra si mesmo para não se jogar aos pés dela e lhe pedir perdão. Naruto suspirou. Desviou os olhos dos de Hinata e olhou para sua boca. Estava com um vermelho convidativo. Pelo menos essa parte dela nunca mudava, mesmo que Hinata ficasse muito doente. Ele lutou novamente contra si mesmo, dessa vez contra o impulso de beijá-la.
Tsunade observou a cena com um sorriso. Sakura estava certa quando disse sobre Naruto estar apaixonado pela Hyuuga. Ele a encarava já fazia algum tempo. Infelizmente teria que ser ela a quebrar o clima, afinal teria que falar sobre a missão para os dois. A Hokage pigarreou.
– Com licença. — disse Tsunade, ainda relutante em quebrar aquele olhar dos dois. Naruto e Hinata a olharam. Parecia que tinham esquecido onde estavam. — Eu odeio quebrar, hã, o clima... — os dois coraram. — Mas eu realmente preciso falar sobre a missão.
– Desculpe Tsunade-sama. — disse Hinata, prontamente.
– Claro, claro, não tem problema. — Tsunade suspirou. — Bom, eu os chamei para convocá-los, isto já está mais que obvio. Vocês são os ninjas mais apropriados para completá-la. Hinata, como uma das melhores ninjas rastreadoras da nossa vila. Sakura, a melhor ninja médica que temos. E Naruto, que hã... Bem, é um ninja.
– EI! — exclamou Naruto, ofendido.
– Eu estou brincando seu idiota. Você é o ninja mais forte do mundo. Todos sabem disso. — Tsunade disse, revirando os olhos. — Enfim, eu já informei à Sakura sobre isso. Ela será a líder da missão. Seu papel é simples: Vocês devem entregar um relatório de paz ao líder do país do trovão. Isso é tudo. Mas devo dizer que não é tão fácil. Há ninjas que não querem essa aliança entre Konoha e a Nuvem. Vocês devem ficar preparados. Por isso classifiquei essa missão como rank S.
– Não devia ter colocado um nível tão alto, vai ser muito fácil. — disse Naruto, olhando para Tsunade entediado.
– Hum, Tsunade-sama... — Hinata chamou Tsunade, mas todos olharam para ela. — Eu... Não sei se devo aceitar essa missão... — Hinata nunca disse nada a ninguém, mas ficou bastante traumatizada com os ninjas da vila da Nuvem. Bom, quando se é seqüestrada duas vezes, nada mais que o normal que se sinta assim.
– Eu entendo sua preocupação Hinata, mas acho, realmente, que você está mais forte e mais preparada do que das outras vezes. Eles não serão páreo para você. — disse Tsunade, olhando Hinata com afeto. Era normal a garota ficar preocupada, mas ela tinha que superar isso. Ela já tinha superado muitas barreiras. Nada mais normal do que superar mais uma.
– Do que estão falando? — perguntou Naruto, olhando de Hinata para Tsunade. — Por que ela não pode ser convocada para essa missão?
– Você é o ninja mais desinformado que eu conheço Naruto. — disse Sakura, com um olhar de reprovação. — Há doze anos a Hinata foi seqüestrada pelo líder do país do trovão. Ele desejava roubar os segredos do byakugan. Nada mais óbvio do que tentar seqüestrar a primogênita da ramificação principal do clã, afinal, ela ainda era uma criança indefesa. É claro que Hiashi-sama o matou.
– Ah, claro, eu me lembro disso. O Neji me contou nas finais do exame chuunin. — disse Naruto.
– Muito bem. Mas não foi só isso. — disse Tsunade, olhando para Naruto. — Você se lembra quando o Orochimaru invadiu a vila, é claro. — ela viu Naruto assentir. — Pois bem, enquanto você perseguia o Sasuke, a Hinata estava desacordada, pois havia passado mal, já que ainda estava sobre os efeitos da luta contra o Neji. Alguns ninjas da vila da nuvem, disfarçados de ninjas médicos, seqüestraram a Hinata. É claro que Hiashi-sama também os matou. Não houve nenhum rancor entre Konoha e a Nuvem dessa vez, pois aqueles ninjas não estavam vinculados com o líder deles e sim agindo por conta própria. Ainda assim, as nossas relações foram ainda mais abaladas. Por isso o receio de ir da Hinata, pois eles ainda guardam rancor de Hiashi.
Naruto olhou chocado para Tsunade. Então, enquanto ele perseguia Sasuke, Hinata fora seqüestrada? Ele nunca pensou em perguntar nada do tipo para ela. Sobre como ela estava quando a invasão ocorreu, já que estava ferida. Nunca nem lhe passou pela cabeça. Como ele tinha sido... Egoísta.
– Bem, mas agora não há nada com o que se preocupar, não é? — disse Sakura. — Afinal, nós nunca deixaríamos algo acontecer com você, Hinata. — disse Sakura, o que aos ouvidos de Hinata, pareceu um pouco presunçoso, como se ela não fosse capaz de se defender sozinha.
– Eu agradeço Sakura-san. — disse ela, um pouco dura, incapaz de revidar o que lhe pareceu um insulto. Sakura percebeu como ela tinha entendido sua frase.
– Não foi isso que eu quis... — ela tentou explicar, mas Tsunade a interrompeu.
– Ok, ok. Todas as informações necessárias já foram dadas. Vocês devem sair às duas horas da tarde. Acho que dá tempo de se prepararem.
– Sim. — responderam todos.
– Vocês podem ir. — disse Tsunade. Os três se dirigiram para a porta e saíram. Primeiro Sakura, depois Naruto e depois Hinata.
– Bom, eu vou preparar meu equipamento e dormir um pouco. Estou morta de cansada, estava em plantão. — disse Sakura, sorrindo para os dois. — Até mais pessoal. — disse ela e saiu rapidamente pelo corredor.
– Até mais. — disse Naruto, despedindo-se dela. Após isso, ficaram somente ele e Hinata no corredor. — Então... Hinata... — ele chamou e ela o olhou friamente. Naruto engoliu em seco. — Co-como você está? — perguntou ele, desviando o olhar do dela. Dessa vez ele não conseguiu segurar os olhos nos dela muito tempo.
– Estou ótima. — disse ela, curta e grossa. — Bom, eu tenho que ir para casa, arrumar minhas coisas. Até mais, então. — ela disse, virando-se, mas Naruto a segurou pelo pulso.
– Espera. Eu... — ele tentou não gaguejar, mas foi em vão. — Q-q-queria me desculpar... Pelo que eu disse n-n-n-naquele baile... Eu falei sem pensar... — disse Naruto, olhando para o chão. Ele estava novamente lutando para não se ajoelhar no chão e começar a implorar o perdão de Hinata. Mas, sendo Hinata quem era talvez ele não precisasse. Ela sempre o perdoava certo? Errado.
Para sua completa surpresa, Hinata apenas soltou seu pulso da mão de Naruto com força, como que pedindo para que ele não a tocasse. O gesto fez alguma coisa dentro e Naruto se partir.
– Eu não entendo por que você está se desculpando. — disse ela e Naruto olhou para ela confuso. — Geralmente, quando as pessoas falam o que realmente pensam, elas não tendem a pedir desculpa. Eu não acho que você esteja pedindo desculpas pelo que disse e sim por dizer aquilo para mim. Você, eu, todo mundo sabe que você realmente pensa aquilo de mim, certo Naruto-kun? — ela disse, terminando a frase com o “Naruto-kun” mais irônico que podia falar. Naruto apenas a olhou surpreso, sem conseguir uma resposta para aquilo.
– Isso fica mais que óbvio por todas as vezes que você já me pediu perdão. Você nunca percebeu, não é? Acho que frase que você mais fala para mim é “Hinata, me desculpe.”. — disse ela e Naruto a olhava com os olhos arregalados, surpreso, sem resposta... — E eu, como a boazinha que sou sempre perdôo. Mas, quer saber Naruto-kun, acho que você conseguiu fazer com que eu parasse e pensasse no meu modo de ser tão ridículo. — ela praticamente cuspiu as palavras na cara dele. Naruto deu um passo para trás, como se ela tivesse lhe acertado um soco no estômago. Mas Hinata não havia parado por aí.
– Acredite você ou não, eu já tinha percebido. Meu pai não me deixa esquecer. Mas, por alguma razão, quando você me expôs o que acha sobre mim, eu realmente percebi. A ficha finalmente caiu. Eu percebi o quão ridícula, sem graça e patética eu sou. E eu realmente te agradeço por isso. — disse ela, sarcástica. Naruto nunca havia visto Hinata dizendo o que realmente sentia ou pensava e ficou surpreso quando ela expôs toda mágoa que ele havia causado nela. Ele sentiu o coração bater mais rápido.
Hinata riu. Não era um sorriso bonito.
– Isso realmente me fez pensar. — disse ela. Como tendo um estalo na memória, ela arregalou os olhos e balançou as mãos no ar, rindo, freneticamente. — Hey, você sabe qual é o meu maior sonho? — Naruto sentiu o coração bater ainda mais rápido, com medo do Hinata poderia dizer. — Reconhecimento. Sério, você pode acreditar nisso? — disse Hinata, com lágrimas nos olhos. Se alguém visse de fora, pensaria que eram de tanto rir. Mas Naruto sabia que era um choro de tristeza. Uma tristeza profunda. — E agora eu sei por que eu não consegui isso. Como conseguiria? Eu sou um desastre. — ela disse, agora chorando compulsivamente, passando as mãos pelos olhos, tremendo pelos soluços.
Naruto sentiu-se completamente quebrado pela imagem de Hinata que via agora. Fora ele quem causara tanta dor nela. Fora ele quem a magoara daquele jeito. Ela estava visivelmente destruída. Tudo por culpa dele. Ele olhou para ela sentindo o coração se despedaçar. E, num impulso, ele a abraçou. Forte. Como se ele fosse quebrar se não o fizesse.
Mas Hinata, ao contrário do que dizia a lógica, não o afastou. Ela o abraçou de volta, chorando fortemente em sua camisa, molhando-a. Sentindo-se segura pelos braços fortes dele envolvendo sua cintura. Eles ficaram muito tempo daquela forma, até que o choro dela finalmente cessou. Sentindo-se mais calma, Hinata separou-se dele, ainda bastante magoada é claro.
– Eu... Bem, agradeço por isso. — ela disse para ele, que iria sorrir para ela, se ela não tivesse completado. — Mas não precisa sentir pena de mim. — disse ela, e o sorriso que estava se formando nos lábios de Naruto desapareceu completamente. — Eu não preciso disso, já estou despedaçada o bastante. — disse e se virou indo embora e deixando Naruto completamente chocado. Aquela ultima parte o deixou completamente desnorteado. “Já estou despedaçada o bastante.” Essa frase ecoou em sua mente milhares de vezes, destruindo ainda mais seu coração. Naruto olhou por onde Hinata tinha ido e finalmente seguiu pelo mesmo caminho, também indo embora.
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Sakura esperava pacientemente no portão de entrada de Konoha. Ainda era uma e meia da tarde, então ela teria que esperar mais um pouco. Agora, depois de dormir umas poucas horas, ela aparentava estar bem melhor, mas não totalmente em forma. Mas, mesmo assim, as poucas horas de sono, por menos que tivessem sido, tinham dado novas energias à Haruno.
Sakura olhou o céu. Estava escuro. Por alguma razão, mesmo que ainda fosse primavera, Konoha estava apresentando um período de tempestades. Sakura sempre gostava da chuva, mas só quando estava em casa, enrolada em um cobertor grosso, de preferência bem agarradinha com Sasuke. Mas não hoje. Chuvas em missões tornavam-nas complicadas e cansativas e sempre parecia dar algo errado quando chovia. Era como um mau agouro.
Sakura suspirou. Olhou mais uma vez e direção à Konoha, esperando ver se alguém da equipe convocada chegava. Esperava ver Hinata, pelo menos, já que Naruto sempre se mostrava irresponsável o bastante para nunca chegar na hora certa.
Pensou na Hyuuga. Ela sabia que Hinata não gostava dela. Bom, talvez até gostasse, mas sabia que não era a pessoa preferida de Hinata. Sabia que ela sentia ciúmes de si. Como Naruto, ela ainda devia achar que este era apaixonado pela Haruno. Era incrível como nem Naruto nem Hinata se tocavam sobre os sentimentos que um tinha pelo outro. Era algo que Sakura não podia compreender. Talvez sim da parte de Hinata, que sempre se depreciou e sempre teve muito pouca auto-estima para achar que Naruto algum dia se apaixonaria por ela. Mas Naruto era outro caso. Talvez fosse porque o loiro fosse muito desligado, ou algo do tipo. Mas até os cegos percebiam que existia um sentimento forte entre os dois. Era simplesmente impossível não notar.
Sakura suspirou novamente. Já faltavam cinco minutos para dar duas horas da tarde. Olhou para Konoha novamente, dessa vez vendo uma cabeleira azulada e esvoaçante pelo vento pré-chuva. Hinata vinha devagar. Escolhera chegar o mais tarde possível, para que não precisasse encarar os outros dois integrantes por muito tempo. Mas parecia que não havia chegado tarde o bastante. Ao chegar mais perto, Hinata pôde observar que somente Sakura estava no local. Naruto provavelmente chegaria atrasado, como era típico do loiro.
– Boa tarde, Sakura-san. — desejou ela. Sakura sorriu e retribuiu o cumprimento. Hinata deu a ela um fraco sorriso de retribuição e depois se afastou indo se encostar-se a uma árvore mais longe dali. Ela não estava se sentindo nenhum pouco bem. Respirou fundo, tentando se acalmar.
– Você está bem, Hinata? — perguntou Sakura à outra. Hinata sorriu fracamente e balançou a cabeça afirmativamente. — Você não está mentindo, está? — é claro que estava. Dava para ver só pela cor que estava sua pele. Hinata estava mais pálida do que nunca. Sakura olhou para ela preocupadamente.
– SAKURA-CHAN! — ela ouviu a voz conhecida de seu colega de time ao longe, chamando-a. Naruto corria rápido em direção ao local de encontro. Quando chegou, botou a mão no peito, arfando. — Eu cheguei muito atrasado? — perguntou o loiro, olhando para a rosada meio culpado.
– Não, Naruto. Não se preocupe. Você chegou na hora certa. — disse Sakura, sem olhá-lo, ainda olhando para Hinata de forma preocupada. Foi só aí que Naruto a notou. Ele sentiu o coração bater mais rápido com a imagem de Hinata. Ela estava encostada em uma arvore. De olhos fechados, respirando lentamente, como se sentisse dor. Ele se lembrou, então, das palavras dela no prédio da Hokage, a quantidade de mágoa que ela tinha guardada dentro de si. E tudo por culpa dele. Naruto sentiu seu estômago revirar desconfortavelmente.
– Bem, eu acho que agora nós já podemos ir. — disse Sakura, olhando para os dois. — Nós devemos chegar lá em um dia e meio mais ou menos, talvez em dois, considerando-se que devemos parar à noite. Além disso, está para chover. — disse a rosada, olhando instintivamente para o céu. — Vamos logo. — disse, dirigindo-se à saída e sendo acompanhada de perto por Naruto e Hinata.
[...]
A noite já estava no auge. Estava totalmente escuro e eles não enxergavam nada em meio aquele monte de árvores. A floresta parecia estar piorando ainda mais a noite nublada.
– A gente deve montar as barracas na clareira mais próxima. Já está bastante escuro e é perigoso ficar aqui à essa hora. Hinata, será que você pode encontrar algo? — pediu Sakura. Hinata assentiu. Ela estava praticamente desmaiando de tão indisposta que se encontrava, de tão doente que estava se sentindo. Mas ela não deixaria transparecer. Não para ele. Ele não poderia dizer mais coisas contra ela.
– Sim, Sakura-san... — ela falou, fracamente. Hinata ativou o byakugan e sentiu suas energias se esvaírem cada vez mais rápido. — Tem uma à mais ou menos quinhentos metros daqui. — disse Hinata, desativando o seu kekkei genkai o mais rápido que pôde depois da informação.
– Bom, então vamos logo. Ainda temos que montar nossas barracas. — disse a rosada, apertando o passo, assim como os outros dois.
Naruto andou mais rápido. Ele também estava se sentindo mal. Não como Hinata estava, mas com um mau pressentimento. Ele estava com um nó na garganta desde que tinham saído naquela missão. Algo de muito ruim estava prestes a acontecer, ele sentia.
– Ô, Naruto! — Sakura chamou, pela terceira vez. O loiro parou bruscamente, quase esbarrando em Sakura, que havia parado em seu caminho.
– O que foi? Por que você parou? — perguntou ele, olhando confuso para Sakura.
– O que há com você? Está mais distraído do que nunca. Nós já chegamos, olhe. — Sakura apontou para baixo, já que estava em cima da árvore. — Vocês dois estão muito estranhos. — disse acusatória, apontando para Naruto e para Hinata. — Muito, muito estranhos.
– Não é nada, Sakura-chan. Vamos logo montar essas barracas, que eu estou cansado. — disse o Uzumaki, evitando olhar para ela. Sakura o olhou e logo depois para Hinata. Ela também estava olhando para a própria mochila, tentando encontrar a própria barraca.
– Muito, muito estranhos. — disse ela, sussurrando para si mesma dessa vez. Ela balançou a cabeça negativamente, pegando ela mesma a própria mochila.
[...]
Amanhecia. Sakura levantava vagarosamente, espreguiçando-se. Hoje eles finalmente chegariam à vila da Nuvem, entregariam o relatório e voltariam para a vila. Seria tudo muito tranqüilo. Tudo iria dar certo. Pelo menos era o que ela esperava.
Olhando através do plástico da barraca, Sakura podia dizer que ainda não era manhã totalmente. Mas já estava claro o bastante para que seguissem com a missão. Pensando nisso, Sakura abriu o zíper da barraca para sair acordar os outros, para que começassem a se preparar para partir.
Agachada, Sakura engatinhou para sair da barraca. Qual não foi sua surpresa quando, já de pé, ela deu de cara com um homem sorrindo para si? Ela quase gritou de surpresa ao saber que não estava sozinha. O homem sorriu para ela, acertando-lhe um soco no estômago, segurando-a e logo depois tapando sua boca. Com lágrimas nos olhos pela dor, Sakura mal teve tempo de pensar direito. Só tinha certeza de uma coisa: Ela tinha que acordar os outros, para que ele pudessem ajudá-la.
Pensando rápido, Sakura mordeu com força a mão de seu adversário, que soltou a mão instintivamente, olhando-a com ódio.
– NARUTO! — ela gritou. Aproveitando a deixa do seu oponente, Sakura deu-lhe um soco ao estilo Tsunade e correu para trás da barraca do Uzumaki, chutando-a com força para que ele pudesse acordar.
No entanto, em vez do loiro aparecer, quem acordou com o grito da Haruno foi Hinata, que saiu da barraca assustada, deparando-se com o inimigo. Ela ativou o byakugan e vasculhou, à procura de outros.
– Sakura-san! Não é somente um! São três, um para cada um de nós! — disse Hinata, para Sakura, que assentiu nervosamente. Foi só aí que Naruto apareceu fora da barraca. Ele tinha escutado os gritos de Hinata de sua barraca, então já saiu preparado.
– Por favor, garotas, sigam o plano! — disse o Uzumaki, pensando rápido. — Quando eu contar até três: UM! — ele gritou. Plano? Que plano? Hinata não sabia de plano algum! Naruto estava louco ou o quê? — DOIS! — “Droga, Naruto! Como nós deveríamos seguir o plano?” pensou Sakura, desesperada. — TRÊS! — o loiro terminou a contagem. Após isso, jogou uma bomba de fumaça. Ele já tinha memorizado a posição de cada uma das meninas. Foi em direção à Sakura, que estava mais próxima e logo depois para Hinata, segurando-as cada uma em um braço e correndo para longe dali, para que pudesse pensar em um plano decente. Ele tinha sentido o chakra deles.
Já mais afastado dos oponentes, Naruto os escondeu atrás de uns arbustos. Mais calmas, as meninas agora sentiam os chakras dos oponentes com os quais teriam que lutar. Eles eram bem fortes.
– Você tem alguma idéia de quem eles sejam? — perguntou Naruto, para Sakura, que havia sentado chão, procurando pensar em uma forma de acabar com os oponentes.
– Não faço a mínima... — ela ia dizendo, mas Hinata a interrompeu.
– São ninjas do país do trovão. — disse Hinata. — E-e-eu vi a bandana deles... — completou ela, fracamente. Ela ainda estava péssima desde ontem, mas agora tinha que se mostrar forte para combater os inimigos.
– Da Nuvem? — exclamou Naruto, irritado. — Então eles já devem saber o que nós estamos levando. — disse o loiro, ainda olhando para Hinata. — Você viu quantos são não é?
– São três. — disse a Hyuuga. — Eu tenho certeza. — completou ela, olhando para um Naruto desconfiado.
– Então, um pra cada um. — disse Naruto. Não pareciam ser oponentes fáceis, mas ele e as garotas já haviam lutado com oponentes bem mais fortes. O problema era que Hinata nunca havia lutado num estado tão ruim quanto o que se encontrava agora. Mas o Uzumaki não sabia disso. — Bom, acho que vai ser isso então. Vamos ter que lutar. — ele disse, olhando nos olhos de Hinata e depois de Sakura. — Eles são fortes, mas nada com que não tenhamos lidado ainda. — completou ele.
– Sim, nós podemos dar conta deles. — disse Sakura, confiante, olhando para os seus amigos. — Mas vai ter que ser cada um por si... — ela disse, mas ficou confusa com o olhar de Naruto. Ele sorria maliciosamente para ela. — O que você está olhando, Naruto? — perguntou a garota, um pouco medrosa. Ele estava aprontando algo.
– Bom, eu estava pensando, Sakura-chan... Que tal tornarmos essas lutas mais interessantes? — perguntou ele. — Eu aposto com você que em cinco minutos eu consigo acabar com o meu inimigo. — disse o loiro, convencido.
– Seu idiota, eu não sou o Sasuke, que está sempre competindo com você! — disse a rosada ríspida, embora seu tom fosse baixo.
– Você está com medo de perder Sakura-chan? — provocou Naruto.
– Como se atreve? — perguntou ela indignada. — Se é assim que você quer, então eu aceito a aposta. Só temos cinco minutos para terminar com a luta. Quem terminar antes dos cinco vence e se os dois terminarem igualmente, seja antes ou depois de cinco minutos terem se passado, dá empate. Entendeu?
–Tudo bem. Então, vamos lá. — disse Naruto. Logo depois ele olhou para a Hyuuga. — Hinata, será que você poderia cronometrar esse seu relógio para cinco minutos? — Hinata fez o que Naruto pediu. Não estava na aposta e nem pretendia entrar. Resolveu somente cronometrar logo o relógio e acabar com isso. — Ótimo. Quando eu disser três vocês aperta o botão de contagem, está bem? Certo, então Um... Dois... Três! Vamos! — disse ele e os três saíram do esconderijo.
00h4min58s
Os ninjas inimigos atacaram os integrantes do time assim que eles saíram de seu esconderijo. Naruto lutou contra um homem forte, que carregava uma espada com “dentes” e tinha um sorriso que nunca lhe saía do rosto. Seus cabelos eram castanho-avermelhados e seus olhos eram amarelos.
Hinata lutou contra um homem de cabelos negros e longos, o mesmo que tinha atacado Sakura mais cedo. Ele tinha olhos violeta incrivelmente frios. Era alto, quase do mesmo tamanho de Naruto, embora fosse um pouco mais magro, mas, mesmo assim, musculoso. Ele usava uma máscara que deixava somente seus olhos aparecendo. Olhava para Hinata com desprezo. Ele também carregava uma espada.
Sakura lutava contra uma mulher de estatura muito parecida com a de Hinata, só que com cabelos loiros e olhos extremamente castanhos e sorriso diabólico. Ela parecia confiante que iria ser uma luta muito fácil, olhando para Sakura como se ela fosse muito inferior a si mesma.
00h3min10s
Hinata não estava tendo dificuldades com o seu oponente. Muito pelo contrário. Até que estava se saindo bem numa luta equilibrada. Seu oponente, raivoso, sacou a espada num ato desesperado de conter os ataques da kunoichi, mas Hinata, com até um pouco de delicadeza, lançou uma pequena quantidade de chakra da ponta de seus dedos e jogou-a longe. Agora, eles lutavam sem armas.
Naruto também não estava tendo dificuldades contra o se ninja. Achava que aquela aposta ia ser vencida facilmente, pois se podia dizer que ele estava até um pouco entediado. Afinal, não eram oponentes tão fortes. Eram só mais ninjas comuns. “Cuidado, garoto... Alguma coisa pode quebrar essa sua confiança...” Ouviu a voz da raposa de nove caldas dentro de sua cabeça. Olhou de Hinata para Sakura e imediatamente entendeu o que o demônio quis dizer. Lembrou-se imediatamente do sonho de muito tempo atrás:
Flashback On:
– Não sou eu que estou causando essa dor, seu garoto tolo! — disse a raposa, começando a ficar irritada. — Nunca pensei que sua tolice chegasse a tamanho extremo, mas parece que me enganei. Você precisa entender. Precisa saber e descobrir, senão, será tarde demais. Ela está morrendo. Nas sombras. E nem mesmo ela se importa com isso. Você precisa salvá-la, antes que seja muito tarde. Se não conseguir, as conseqüências serão as piores... Ela vai morrer... E será você quem vai dar o golpe final.
Flashback Off.
Sakura era a única que estava tendo um pouco de dificuldades contra a sua oponente. A cada ataque que a rosada dava, a outra desviava e lançava um muito pior. Hinata, assim como ela, começava a apresentar problemas com seu oponente também, que parecia estar ficando cada vez mais forte conforme a luta se prolongava.
–M-mas, nós estávamos... Empatados... — disse ela sem entender. Sentia seu chakra se esvair cada vez mais, ficando ainda mais indisposta do que estava se sentindo antes.
–Você é mesmo tão idiota quando aparenta. O meu poder é o seu poder, e eu agüento duas de você facilmente. Cada vez que a toco, que me encosto a você, uma parte do seu poder passa para mim. Não posso dizer que seja um chakra extraordinário. Mas posso dizer que dá para o gasto. — ao dizer isso, deu um chute forte no estomago de Hinata, fazendo-a cair a alguns metros dali.
00h2min20s
Naruto escutou Hinata cair e se preocupou. Seu oponente já estava praticamente morto no chão. Afinal, eles não eram mesmo tão fortes assim. Quando ia seguir e ajudar a Hyuuga, escutou outro baque surdo e se virou. Ao fazer isso, viu Sakura cair também, alguns metros longe de sua oponente. Correu em direção a ela.
–Sakura-chan você está bem? — perguntou ele. De alguma forma, ele conseguia sentir que algo de muito ruim estava prestes a acontecer. Sentiu-se tão mal de repente, que quase vomitou ao lado da amiga. A angústia estava mais forte do que ele se lembrava.
–Eu... Estou... Bem... — disse a Haruno e ela falava a verdade. Tinha se distraído ao ouvir Hinata cair, mas ela, depois de um tempo, estava conseguindo controlar bem a luta. A oponente, que antes parecia forte demais, virou só mais uma ninja patife comum. — Só me distraí... Vá ajudar a Hinata, ela precisa mais do que eu... — disse Sakura, levantando-se em seguida.
–Você está ferida! — disse Naruto alarmado. Será que era isso? Será que era ali que ia acontecer tudo? Se fosse, ele tinha que impedir a qualquer custo.
– É só um arranhão, não se preocupe. — ela usou um pouco de chakra e rapidamente curou o pequeno ferimento. — Viu? Nada demais. — Sakura viu ninja correr até ela. Mas estava atenta. Quando chegou perto o suficiente, deu-lhe um soco ao estilo Tsunade, e esta voou longe. Não podia mais se distrair. — Naruto você tem que parar de me distrair! Tem que ir ajudar a Hinata, ela está precisando! — ao dizer isso, Naruto olhou para outra companheira. Hinata estava caída no chão. De longe, notava-se uma grande mancha de sangue em seu casaco, bem no braço direito. Mesmo assim, ofegante e com muita dificuldade, ela se levantou.
– Eu... Não posso. — disse o loiro olhando para o chão. Uma parte de si dizia que era extremamente importante ir ajudar a morena. No entanto, ele não conseguia se mexer. O medo de Sakura morrer e ser culpa sua o aterrorizava.
– Como assim não pode seu idiota? — gritou ela. Hinata recebeu outro ataque e caiu ainda mais sofregamente.
– Eu... Simplesmente não posso deixar você aqui. Você não entende. Se você se machucar de alguma forma, vai ser culpa minha. Eu sei disso, eu sempre soube.
– Se eu me machucar? Você ficou louco de vez? Você não está vendo que a Hinata está neste exato momento se machucando? Você não está vendo que ela pode morrer? — gritou Sakura para Naruto.
A oponente de Sakura estava se levantando com dificuldade. Mesmo assim parecia furiosa pelo golpe que havia levado. Mas Sakura não estava nem ligando. Estava furiosa com Naruto.
– Eu não me importo... — ele sussurrou como se doesse dizer aquilo. — Não me importa se ela morrer... Não me importa se eu morrer... Você não pode se machucar... É você quem eu amo e eu não posso te deixar morrer... Não pode ser minha culpa. — ele sussurrou, com as lágrimas invadindo seus olhos. Algo estava para dar muito errado, ele podia sentir. Sakura o olhou, aterrorizada. Como ele podia dizer uma coisa daquelas? Não era ela quem ele amava. Era Hinata.
00h00min47s
Hinata estava de pé. De alguma forma tinha conseguido jogar o oponente longe. Queria parar, mas não podia. Estava cansada, ofegante e sentia dores muito fortes em todo o corpo. Seu chakra estava no fim, ela sentia.
De repente, gritos podiam ser ouvidos. Mas não eram gritos de dor. Pareciam mais duas pessoas discutindo. Naruto e Sakura. Hinata prestou atenção neles enquanto seu oponente estava fora de vista.
– Se eu me machucar? Você ficou louco de vez? Você não está vendo que a Hinata está neste exato momento se machucando? Você não está vendo que ela pode morrer? — gritou Sakura para Naruto. — ela escutou claramente Sakura dizer irritada para Naruto.
–Eu não me importo... – ele sussurrou como se doesse dizer aquilo. — Não me importa se ela morrer... Não me importa se eu morrer... Você não pode se machucar... É você quem eu amo e eu não posso te deixar morrer... Não pode ser minha culpa. — dessa vez ela não pôde escutar tão bem, pois Naruto havia dito muito baixo. Mas, com seu byakugan ela pôde ler perfeitamente seus lábios. É claro que ela desejou não ter feito isso.
Seu coração parou. Todo cansaço, toda exaustão daquela batalha, sumiram de repente. Ela não sentia dor. Não sentia nada. Estava toda dormente. Depois do baile, ela e Naruto não tinham se falado direito, tinham até brigado. E ela ficou destruída com isso. Mas nada podia ser comparado com aquela dor. Ela podia suportar aquilo. Todas aquelas palavras, todos aqueles insultos. Mas isso? Isso ela não podia suportar.
Ele não se importava se ela morresse? Não se importava com a vida dela? Não se importava se nunca mais a visse? Não, ele não ligava. Hinata de repente sentiu-se ofegar. A dor finalmente estava começando a se alastrar e ela não sentia mais o corpo dormente. Tudo estava desmoronando. A pessoa a quem ela mais amava no mundo não se importava com ela. As lágrimas vieram rapidamente e, antes que ela pudesse notar, já estava soluçando.
E então, Hinata percebeu. Ninguém ligava. Seu pai, sua família, quem ela mais amava no mundo. Ninguém ligava se ela estava viva ou morta. Ela era totalmente descartável. Não era útil para nada e nem para ninguém. Não era amada por ninguém. Então, por que ela ainda ligava? Por que ela ainda continuava levantando, sobrevivendo a toda aquela dor? Então ela percebeu: ela também não se importava. Ela estava vivendo por nada, por ninguém. Por que estava vivendo então? A morte não poderia ser tão ruim. O coração pára. Os sentimentos somem. Os pensamentos somem. O buraco em seu interior agora era um poço sem fundo. Mas, e se ela morresse? Aquilo iria acabar não é? Aquela dor...
Ela olhou para o seu rival. Ele finalmente se levantava. Estava com a espada em mãos outra vez. Vindo em sua direção, com a espada em punhos. Ele correu, quase com fúria olhando nos olhos dela, dizendo implicitamente que ela iria morrer.
“Por favor, só acabe logo com isso...” Pensou ela, fechando os olhos.
00h00min00s
A espada atravessou seu peito e Hinata arfou. O sangue lhe invadiu a boca. Ela gritou. Um grito de pura dor. O homem tirou a espada de seu peito rapidamente e Hinata caiu no chão, agonizando, como um peixe fora d’água. Ela sentia sua vista embaçada. Tentou respirar lentamente, diminuir a dor, mas parecia ser impossível. Ouviu um estranho bip, que parecia vir dela mesma.
Alguns segundos antes:
Naruto nunca havia dito tamanha mentira em toda sua vida. Dizer que não se importava com Hinata? Como foi que sequer pensou aquilo?
– Seu estúpido como pode sequer dizer isso? — Sakura falou estava tão furiosa que quando sua oponente veio para cima novamente, desferiu-lhe uma serie de socos que a fez, finalmente, perder a consciência no chão. — Vá ajudá-la agor... — ela não pode terminar a frase. Pois assim que se virou para dizer isso a Naruto, perdeu a fala completamente. — Não, não! HINATA! NÃO!!
Naruto virou-se para ver o que estava acontecendo. O rival de Hinata corria rapidamente para cima dela com uma espada em mãos. Hinata estava de olhos fechados, só parada, esperando o golpe. O coração de Naruto acelerou-se. O que ela estava fazendo? Correu para onde ela estava, mas parecia que a cada passo ele distanciava mais um quilometro dela. Quando pareceu finalmente estar chegando perto, era tarde demais. A lâmina atravessou seu peito como uma faca atravessa um queijo. O grito que ela deu pareceu penetrar em todos os seus ossos. Uma dor imensa e aguda pareceu rasgar o peito do Uzumaki. Um vento frio e pesado passou por ele. Ele viu o homem pegar a lamina e fugir, mas não conseguiu ir atrás dele. Só existia ele e Hinata, que estava morrendo bem a sua frente.
Como um baque, Naruto percebeu finalmente que não podia simplesmente ficar parado e olhar. Ela estava morrendo e ele tinha que ajudá-la. Correu mais uma vez, parecendo chegar rápido dessa vez. Assim que chegou, ajoelhou-se perto dela. Viu que ele mesmo estava tremendo, mas sabia o que fazer. Colocou a mão no ferimento, tentando pará-lo, para que ela não perdesse muito sangue.
–Sakura-chan! Sakura-chan! — ele percebeu que a voz estava diferente. Estava chorando.
–Estou bem aqui Naruto. — disse Sakura, as lagrimas escorrendo por suas bochechas, a mão na boca, tentando inutilmente parar os soluços.
– Naruto-kun... — Hinata sussurrou e Naruto olhou completamente destruído para ela. — Naruto-kun...
– Estou aqui, estou aqui... Shii, não se esforce Hinata, por favor... — ele praticamente implorou para ela. Ela já estava machucada o suficiente. Hinata riu. Era como um sorriso... Conformado. Parecia que ela sabia que ia morrer. Naruto só conseguiu ficar mais desesperado.
– Eu nunca disse a você... — ela disse, sorrindo fracamente. Ela tentou se levantar um pouco, olhar para ele nos olhos. Naruto fez isso por ela. Ele colocou-a sentada, dando o devido apoio para que ela não desabasse no chão. Hinata sorriu para ele ternamente. — Eu nunca imaginei isso... Mas... Se eu dissesse que... — ela tossiu um pouco de sangue. Naruto olhou para ela preocupado, quase pedindo para que ela parasse. Mas ele queria saber o que ela tinha a dizer. -... Eu amo você... — ele olhou para ela de olhos arregalados, sentindo o coração bater muito rápido. Mais lágrimas invadiram seus olhos. -... Você iria... Querer me beijar... — Hinata riu, um pouco. -... Porque eu perdi muito sangue? — ela perguntou e Naruto olhou para ela, o rosto totalmente distorcido, tentando conter o choro mais forte que estava vindo. — Venha aqui... — ela pediu e ele se aproximou um pouco, sem saber o que fazer. Mas Hinata sabia. Ela beijou seus lábios e finalmente se deixou cair em seus braços, como se estivesse muito cansada. E ela estava.
– Hinata... Por que fez isso? Por que se deixou atingir? — ele perguntou, desesperadamente. Ele estava tremendo.
– Você ainda... Não entendeu? — ela sussurrou, tossindo um pouco mais de sangue. Ela sabia que o tempo estava acabando. — Eu não posso viver... Num mundo em que você... Não se importe com a minha vida... Eu posso suportar tudo, menos isso... — ela disse dessa vez sendo vencida pela exaustão e finalmente desmaiando.
– Sakura-chan! Ajude! Ela não pode morrer, ela simplesmente não pode! — disse ele, desesperado, olhando para Hinata desacordada e ficando ainda mais desamparado.
– Ela só desmaiou por enquanto. Mas nós temos que levá-la para Konoha. Não tenho chakra o suficiente aqui para curá-la. Vamos, não podemos demorar demais. Ela está perdendo cada vez mais sangue. — disse Sakura, observando Naruto levantar com Hinata em seu colo, ainda tapando o ferimento com a mão.
Bip, Bip, Bip.
–O que é esse barulho, Naruto? — perguntou Sakura, parecia alguma coisa apitando. Já estava tocando a algum tempo, mas só agora eles pareceram notar.
Naruto lembrou-se da aposta então. Pegou o braço de Hinata que estava com o relógio e viu. A tela piscava e fazia um barulho irritante. Não sabiam quem tinha ganhado e não se importavam. Tinham que levar Hinata o mais rápido possível para a vila da folha. Olhou de novo e sentiu um frio estranho no estomago. 00h00min00s. O tempo havia se esgotado.
– O tempo se esgotou... — ele disse, olhando de olhos arregalados para o relógio, como se houvesse algo muito errado com ele.
– Sim... Os cinco minutos... — disse Sakura, olhando para Naruto, não entendendo por que ele estava preocupado com uma coisa como aquela.
– Não... Você não entendeu... O tempo acabou como ela disse que ia acabar. — disse Naruto, olhando para uma Sakura confusa. — Há algum tempo eu tive um sonho... Com a raposa de nove caudas. Ela disse que o tempo estava acabando, que a pessoa que eu mais amava estava prestes a morrer. Durante muito tempo eu pensei que fosse você, mas... — ele olhou novamente para Hinata. — Não era. — a voz dele estava embargada, o choro vindo mais forte agora. — Era ela. Sempre foi ela. É ela quem eu amo... Não você. Como eu não percebi isso? — disse ele, como se fosse a coisa mis obvia. E era mesmo.
– Então finalmente você percebeu. — disse ela, olhando para Naruto de forma cansada. Ele apenas olhou para ela, confuso. — Todos já haviam percebido. Eu não te contei... Mas aquela festa que eu dei era um plano para juntar vocês dois... Mas deu tudo errado. — disse ela. — Você fez tudo errado, Naruto... — disse ela, esfregando os olhos com os pulsos. Naruto suspirou. Ele sabia muito bem que tinha feito tudo errado. Ele tinha confundido tudo. Dizer que não se importava com ela havia destruído tudo de vez. Agora ele sabia que não era um ataque físico que faria com que ele a matasse, agora ele sabia que foram suas palavras o golpe final.
– Nós temos que ir. — ele disse, olhando para os olhos fechados de Hinata. — Rápido. Porque ela não vai morrer. Ela não pode morrer. Eu não vou deixar. — disse ele, olhando mais profundamente para Hinata. — Porque agora eu sei... Eu sei que eu te amo, Hinata.
Notas finais
A fic está chegando ao seu final! Buaa! Eu realmente estou gostando muito de escrevê-la, mas se é assim que tem que ser... Snif..
Bom, para todos que gostaram, mandem reviews! Para aqueles que não gostaram.. Mandem também!!
A gente se vê na próxima guys, um beijo!
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