Cigarro e Flor de Cerejeira
5 Emprego.
Notas iniciais
Olha que demais! Agora vocês também vão poder aprender como se faz um Cherry Blossomtini!~ Vivaaa~~
Eu nunca tomei, mas aposto que é bom! Vamos lá~
2 1/4 partes de Sake Gekkeikan
3/4 parte de Cointreau [é um licor]
3/4 parte de suco de cranberry
1/4 parte de suco de limão fresco
2 raspas de laranja azeda
Lembrando que é uma bebida alcóolica, ou seja, se você for menor de idade... POR QUE DIABOS ESTÁ LENDO ESSA FANFIC? SAFADINHOS!
Não me responsabilizo pelos efeitos do álcool no seu corpo. É sério.
A música cantada pela Ayame é Faces Like Mine, da Emilie Autumn. O link da música está aqui:
http://www.youtube.com/watch?v=vslOvyG5bA0&feature=related
Enjoy!
Orihara Izaya não gostava nem um pouco de ver os outros felizes, vivendo suas vidas de forma ordenada e constante.
E era isso o que estava acontecendo comigo naquela época.
Orihara-san não queria me atacar diretamente.
Então ele virou-se para uma pessoa que lhe proporcionaria o dobro de diversão.
Foi num dia em que não vi Heiwajima-san no trabalho.
Liguei para seu celular, mas sempre dava caixa postal.
Achei estranho. Minha vontade era de sair do bar atrás dele.
Mas eu não queria perder um emprego tão importante, que me proporcionava horas junto da pessoa que eu amava.
Agora, pensando bem, eu deveria ter ido.
Quando terminou meu expediente, recebi uma ligação.
Heiwajima-san estava na delegacia.
Corri tão rápido que minha pressão baixou ao chegar no local.
- Onde está Heiwajima Shizuo-san? – perguntei, ofegante, antes de desmaiar.
Chovia forte quando saímos da delegacia, horas mais tarde.
Tudo tinha sido um mal entendido.
Perguntei sobre o que aconteceu.
- Izaya. – foi a única coisa que Heiwajima-san conseguiu pronunciar.
Naquele dia, odiei as bolas daquele desgraçado mais do que tudo na vida.
Apertei as mãos com força, quase sentindo a pele rasgar contra minhas unhas compridas.
A chuva caía sobre nós dois. Meu cabelo se desmantelava.
Heiwajima-san sussurrou algo que não ouvi.
Mas continha “promessa” entre suas palavras.
- Ah, Shizuo-san. – um homem moreno de terno e bem apessoado chamou, segurando um guarda-chuva.
Descobri que aquele era um velho conhecido de Heiwajima-san, Tanaka Tom.
Durante o ginasial todo, Tanaka-san ajudou-o a controlar sua raiva e deu muitos conselhos.
Como Heiwajima-san acabara de perder seu emprego, Tanaka-san decidiu estender sua mão mais uma vez.
Ele queria que Heiwajima-san o ajudasse com seu trabalho de coletor de débitos.
Algo que foi rapidamente aceito.
Era um trabalho que envolvia o submundo de Ikebukuro.
E eu logicamente também me jogaria nessas trevas.
Tudo para ficar ao lado de Heiwajima-san.
Tanaka-san era um homem bom, apesar de seu trabalho não muito agradável.
Ele deu de presente para Heiwajima-san um par de óculos escuros com lentes violeta.
Não preciso mencionar que meu nariz sangrou no momento em que os colocou.
Heiwajima-san também desenvolveu um vício não muito agradável.
Ele começou a fumar.
- Você não devia fazer isso, faz mal para a sua saúde. – eu disse.
Ele olhou para mim.
Mordi o lábio inferior, temendo que ele fosse me xingar ou até mesmo me dar um soco por isso.
Ele deu mais uma tragada no cigarro.
Silêncio.
Eu suspirei e estendi uma garrafa de leite.
- Só não se esqueça de tomar leite todos os dias. – avisei.
Heiwajima-san sorriu.
Com o tempo, percebi que não me incomodava o fato de Heiwajima-san fumar.
Geralmente a fumaça dos cigarros me provocava tosse ou enjôo.
Mas não a de Heiwajima-san.
De alguma forma, aquele cheiro me acalmava.
Eu não sabia se era a marca do cigarro, ou simplesmente a pessoa que o fumava.
Mas isso, como tantas coisas, não tinha importância.
O fato de Heiwajima-san perder o emprego me rendeu problemas também.
Eu já não gostava mais de cantar naquele bar, e faltava várias noites seguidas.
Mesmo que Orihara Izaya tivesse sumido de Ikebukuro, o caos que se instaurou na minha vida fazia parecer com que ele ainda estivesse aqui.
O gerente do bar implorou para que eu não fizesse isso quando lhe entreguei minha carta de demissão. Me ofereceu aumentos, horários flexíveis, tudo.
Mas eu recusei.
Quando ele finalmente se conformou e me perguntou “por que”, eu disse:
- Porque não há mais nada aqui que mantenha o meu sorriso.
Heiwajima-san ficou tão bravo com a minha decisão que, pela primeira vez, me xingou.
- Você é idiota ou o quê? Por que diabos foi largar o emprego? Que merda!
Permaneci em silêncio enquanto ele dizia todos os palavrões que conhecia.
Por um lado, fiquei muito triste por ter desapontado a pessoa mais especial da minha vida.
Por outro, eu não me importava. Eu só queria ficar ao lado dele.
Eu não precisava de emprego, nem de dinheiro.
Eu só precisava de Heiwajima-san, e tudo ficaria bem.
Meu amor era tão irracional.
Naquela noite, dormi no apartamento de Kishitani-kun e Celty.
Enquanto minha melhor amiga digitava freneticamente sua bronca no notebook, fiquei pensativa.
Tanaka Tom, pelo seu trabalho de coletor de débitos, visitava várias pessoas.
Mas também freqüentava várias boates e, principalmente, Hostess Clubs.
Imaginar Heiwajima-san num local apinhado de mulheres não me deixou nem um pouco mais calma.
Levantei da cadeira onde estava, pegando meu casaco.
“O que foi?”
- Vamos sair.
“Para onde?”
- Para Kabuki Chou.
“O que você vai fazer lá?”
- Não pergunte, apenas me leve, Secchan.
Subimos na sua moto preta, e partimos sem dizer nada a Kishitani-kun.
Os faróis e luzes da cidade refletiam no visor do meu capacete.
Meus braços apertavam a cintura fina de Celty.
Eu só queria ver Heiwajima-san.
Não foi difícil encontrar o Hostess Club onde Tanaka Tom e Heiwajima Shizuo estavam.
Perguntamos para uma moça de vestido curto se tinha visto os dois andando por ali.
E ela logo nos indicou um Club chamado “Y’s”.
Perguntei para Celty se ela preferia ficar do lado de fora, me esperando, e ela aceitou.
Eu sabia que aquilo tudo era demais para uma estrangeira.
Entrei no Hostess Club e avistei Heiwajima-san e Tanaka-san sentados num sofá.
Eles conversavam com um homem de terno.
Havia duas garotas sentadas ao lado do homem, uma com Tanaka-san e duas perto de Heiwajima-san.
Mordi o lábio inferior com força.
Aquelas duas vagabundas se inclinavam para cima dele. Cabelos tingidos, tão falsos quantos seus peitos. Decotes enormes. Maquiagem excessiva.
Heiwajima-san fumava um cigarro e não tinha nenhuma expressão através de seus óculos violeta.
As garotas faziam de tudo para chamar sua atenção. Tocavam seu ombro e seu braço insistentemente.
Uma delas tocou sua perna.
Agora já bastava.
Eu não disse a vocês, mas no terceiro ano na Academia Raira, em mais um Valentine’s Day, eu fiz algo extremamente egoísta.
O sinal do intervalo tocou, e eu fui para a sala onde Kishitani-kun e Heiwajima-san estudavam.
Não havia ninguém. Eles provavelmente já tinham subido para o terraço.
Fui até a mesa de Heiwajima-san.
Debaixo dela, um amontoado de fitas e embrulhos coloridos estava entocado.
Presentes superficiais de garotas superficiais.
Elas nem conheciam Heiwajima-san direito.
Não o conheciam como eu conhecia.
Amores superficiais.
Ele não precisava de toda essa nojeira.
Furtivamente, tirei todos os embrulhos. Havia bem uns dez.
Escondi todos na minha mala da escola.
Heiwajima-san só precisava do meu chocolate.
Ele só teria o meu chocolate.
Naquela tarde, no terraço do meu prédio, queimei todos os presentes.
O cheiro de plástico e chocolate queimado me deixou enjoada.
Mas queimei tudo até virar uma pilha ridícula de carvão preto.
Eu cantarolava uma música enquanto assistia aquilo tudo.
No dia seguinte, Kishitani-kun perguntou se Heiwajima-san havia ganhado vários chocolates.
Ele disse que só o meu.
Kishitani-kun fez uma brincadeira, dizendo que seu amigo já não era mais tão popular.
Sorri, mas não por causa da brincadeira.
Eu já sabia que não havia mais volta para mim.
Admito que estava insana por Heiwajima-san.
Meu amor era incontrolável.
Eu não desejava nada em troca.
A única coisa que eu queria era ficar junto dele.
Eu me esforçaria para isso.
Corri até o pianista do Hostess Club.
Bati algumas notas altas de ienes sobre seu piano. Pedi uma música.
Felizmente, ele era americano e sabia tocá-la.
A melodia começou suave.
Assim como a minha voz.
You say you're curious
Can't leave a thing to your imagination
I wish you'd close your eyes
But oh you seem so serious
I should enjoy the sweet interrogation
You start to hypnotize me
I should not be telling you
I'm flattered by your interest
Who am I talking to
Could be the demon with a mask
Why should I trust in you?
I don't feel safe
I never did
But what else can I do
But what you ask
Minha voz começou a ficar mais e mais alta.
Logo, várias pessoas do Club pararam de conversar e começaram a olhar para mim.
As garotas junto de Heiwajima-san riram, apontando.
Provavelmente diziam “quem é aquela ridícula de cabelo rosa?”
Heiwajima-san olhou em minha direção.
Eu ia mostrar quem era a “ridícula de cabelo rosa”.
Think of your darkest night
Think of your soul alone
If you can bear the sight
Think of the love you've never known
Yes, it's unusual
To live your life this way
All I can say
Maybe that's why you don't see
Faces like mine every day
Minha voz ecoava por todo o recinto.
Provavelmente até Celty conseguia ouvi-la, do lado de fora.
Who will forget me?
No one knows I've done wrong
Won't you believe me?
'Cause I won't last that long
No, I
I wanna be quiet now
All alone
Back to my shadow
I'm gonna hide behind
The trouble in my mind
Eu olhava nos olhos de Heiwajima-san.
Um sorriso marcava meus lábios.
As garotas, sérias, me observavam com atenção.
Mas não, eu não erraria nenhuma nota.
Naquele momento, eu era perfeita.
Eu era a mulher perfeita.
Think of your darkest night
Think of your soul alone
If you can bear the sight
Think of the love you've never known
Yes, it's unusual
To live your life this way
All I can say
Maybe that's why you don't see
Faces like mine every day
Every day
O pianista tocou a última nota.
Aplausos instantâneos.
Alguns assovios.
Vários homens se levantaram.
Fui cercada.
Entre vários pedidos de encontros e drinks, o gerente falou comigo.
Vi Heiwajima-san abrindo caminho com sua enorme força por entre todos.
Quando chegou perto de mim, me encarou.
Olhei para ele.
Ele agarrou meu pulso e me arrastou para fora da confusão, me levando para um sofá.
Vários homens protestaram.
- O que pensa que está fazendo aqui? – ele perguntou, nervoso.
- Cantando.
- Você por acaso sabe que merda de lugar é esse?
- Sei sim. É um Hostess Club.
- Então por que diabos está aqui?
- Porque acabei de encontrar um emprego. – eu sorri, mostrando-lhe um bolo de notas que acabara de ganhar do gerente.
Heiwajima-san bufou, inconformado.
Acendeu seu cigarro de forma desajeitada.
Tanaka-san aproximou-se e entendeu exatamente o que acontecera. Suspirou.
Eu faria de tudo para ficar ao lado de Heiwajima-san.
Mas seria do meu jeito.
Rejeitei convites de uma dezena de homens para drinks, jantares e até passar o resto da noite num hotel.
Eu era uma cantora, não uma prostituta fétida como as que me olhavam com tanto ódio.
Desejei uma boa noite para Heiwajima-san e Tanaka-san.
Saí de lá com a cabeça erguida.
- Desculpe a demora. – eu disse para Celty.
“Sem problemas. Aconteceu algo?”
- Sim, várias coisas. Te conto no caminho.
Subi na garupa da moto, coloquei o capacete, e rodamos Ikebukuro até o apartamento de Kishitani-kun.
A cidade parecia ainda mais bonita às 3 horas da manhã.
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