Cigaretts and Valentines
20 Where Are They?
Notas iniciais
Shauna
_Bom dia, bom dia, bom dia — Zeke entrou cantando no quarto, com uma bandeja de café da manhã. — Dormiu bem, Shau?
_Dormi sim, meu amor — eu respondi, enquanto ele colocava a bandeja em cima da cama e se sentava ao meu lado. Zeke estava sendo um milhão de vezes mais carinhoso do que ele era normalmente. Ele estava assim desde de que eu tinha contado que estava grávida. — E você, como dormiu?
_Muito bem — ele disse, prendendo uma mecha do meu cabelo atrás da orelha.
Ele já estava de terno, o que significava que devia ser hora dele sair para ir trabalhar.
_Você já está indo? — eu perguntei, mordendo um pedaço de torrada.
_Hum... já. Você precisa de mais alguma coisa? — ele continuou antes que eu pudesse responder — Eu já guardei todas as minhas bagunças que estavam pela casa, já deixei a lista de compras pronta, para a Johanna ir ao supermercado depois. Já pesquisei na internet o que grávidas podem comer, então, já deixei as receitas na cozinha. Peguei tudo o que eu achei que você fosse precisar para hoje, e tirei do alto, para que você não tenha que subir em lugar nenhum. Deixei recado na lavanderia, e marquei para ir buscar a roupa hoje a tarde e...
_Zeke, meu amor — eu disse, com um sorriso no rosto — Eu fico muito agradecida com toda a sua preocupação e todo o seu carinho, você sabe que eu te amo né? Mas eu só estou gravida. E não deram nem dois meses ainda. Calma, respira, tá legal?
Zeke, ao estilo dele, era um príncipe. Ele não era do tipo que levava as coisas muito a sério, nem do tipo que tirava a bagunça da sala, mas era um príncipe. A cada dia, eu tinha mais certeza que o amava para toda a minha vida.
_Grávida, não enferma, to ligado — ele disse, e eu comecei a rir. Eu havia dito isso a ele ontem, quando ele se recusou a me deixar pegar uma caixa no chão, só porque eu estava grávida.
_É isso ai — eu disse, tomando um gole de café.
_Amor, eu tenho mesmo que ir, mas se precisar de qualquer coisa, qualquer coisa mesmo, me liga, que eu venho correndo.
_Pode deixar, eu ligo — eu disse, dando um beijo nele.
_Fiquem bem. Você e o nosso bebê. — ele disse, me dando mais um beijo e saindo pela porta logo em seguida.
_Se cuida, Zeke — eu gritei. Zeke era meio estabanado as vezes. Ele tropeçava em tudo, esbarrava em tudo. Eu sempre recomendava que ele se cuidasse e prestasse mais atenção nas coisas.
Terminei meu café, e em seguida fui ao banheiro, tomar banho e fazer minha higiene pessoal. Quando terminei, coloquei uma roupa, peguei a bandeja em cima da cama e fui para a cozinha, onde estava Johanna.
_Shauna, você vai mesmo comer essas coisas no almoço — ela perguntou, assim que me viu, e apontou para uns papeis em cima do balcão. Dei uma olhada neles. Eu definitivamente não ia comer aquelas gororobas.
_Não, definitivamente, não vou comer. Zeke está pirado — eu disse, rindo — Faça alguma coisa mais leve, mas normal. Nada dessas invenções. Mas se Zeke perguntar, eu comi essas receitas, tá legal?
Fui para a sale, liguei a TV e o notebook e depois peguei o meu celular. Entrei no instagram. Minha surpresa foi enorme quando eu vi que Tris tinha postado uma foto. Ela não era muito fã de redes sociais, e raramente postava alguma coisa. Era a foto de um nascer do sol, postado a duas horas atrás. O que que essa menina estava fazendo acordada as seis da manhã? Ela dormia tarde e acordava mais tarde ainda. Com certeza ela tinha ido dormir as seis.
Mandei um e-mail, confirmando minha presença e de Zeke no coquetel para o lançamento da nova coleção da Prior's & Co, na sexta. Depois, mandei um e-mail para Susan, convidando-a para o evento também. Era bom ela se misturar e conhecer pessoas importantes.
Dei uma lida rápida nas notícias do dia, e depois, quando cansei do computador, peguei o controle da TV e procurei um filme para assistir. Eram quase nove e meia quando o meu celular tocou. Era Zeke.
_Oi amor — eu disse, rindo.
_Oi Shau. Tudo certo? Precisando de alguma coisa? — ele perguntou.
_Tudo certo, não preciso de nada não. Aconteceu alguma coisa? Você me parece irritado.
_Liga para a maluca da sua amiga, e manda ela me devolver o Quatro. Ele não apareceu na empresa, não está em casa, o celular está desligado... ele só pode estar na casa dela. Eu preciso da assinatura dele, urgente, ou não vou poder enviar hoje o pedido para o mandato de busca e apreensão contra Eric. E ele me disse que isso era urgente.
_Eu vou ligar pra ela, e já te ligo de volta. Espere um instante.
Desliguei e em seguida disquei o número de Tris. Caiu na caixa postal direto. Ela devia estar dormindo. Era bem a cara dela desligar o telefone enquanto estava dormindo, só pra depois ter a desculpa que não tinha visto a ligação.
Peguei a chave do carro e sai, ao mesmo tempo que ligava para Zeke, e contava que ela não atendia, e que eu estava indo na casa dela agora. Ele disse que me encontraria lá.
Eu poderia ter ligado na casa dos Prior, mas eu sabia que correria o risco de Nita atender, e ela acordar Beatrice Não era uma boa ideia. Na verdade, acorda-la nunca era uma boa ideia, mas se fosse Nita, ia ser pior ainda.
Quase quinze minutos depois, eu estacionei o carro de frente a mansão dos Prior. Zeke já estava lá fora, me esperando. Ele andava de um lado para o outro, inquieto. Eu sabia que colocar Eric atrás das grades significava muito pra ele, já que Zeke odiava Eric com todas as suas forças.
_Essa menina está enlouquecendo ele, eu tenho certeza — ele disse, enquanto eu tocava a campainha. — Onde já se viu, agora ele deixa de trabalhar pra ficar com ela. Do jeito que ela é, é bem capaz dela ter inventado uma doença que pode se agravar se ele for trabalhar.
_Zeke, relaxa. Tobias não ia acreditar num negócio desses — eu disse, rindo.
_Você não viu o jeito que ele está. Faz qualquer coisa que ela pedir. Tá me dando medo. Certeza que ela ameaçou terminar o namoro.
Natalie abriu a porta alguns segundos depois. Eu tinha certeza que Zeke estava errado. Beatrice não faria isso, ela parecia gostar muito de Tobias pra fazer isso. E Tobias não era o tipo que aceitava chantagem.
_Shauna, Zeke, que grande surpresa! — ela exclamou, e nos abraçou — Beatrice nos contou a novidade, parabéns pelo bebê! Devo acrescentar que eu estou encantada e louca pra conhecer esse bebê que está vindo!
_Obrigado — Zeke disse, e eu sorri.
_Entrem, por favor — ela nos deu espaço para passar e fechou a porta assim que entramos — Ao que devo essa ilustre visita? Aconteceu alguma coisa? É alguma data especial que eu esqueci?
_Não... nada disso. Vim atrás de Beatrice, ela está? — eu perguntei.
_Tobias está aqui? — Zeke perguntou.
_Hum... A porta do quarto dela está fechada, Beatrice deve estar dormindo. Ela odeia acordar cedo, vocês sabem. Já Tobias... ontem, quando fomos deitar, ele não estava aqui não. Nem creio que ele tenha vindo pra cá depois. Fomos dormir tarde.
Zeke suspirou e eu comecei a rir
_Mas subam lá e a acorde. Ela deve saber onde ele deve estar, já que não se desgrudam mais. Eu nunca vi ela gostar tanto de alguém como gosta dele — ela disse, sorrindo — E é bom que ela acorde, pois eu preciso falar com ela sobre sexta e... — ela parou no meio da frase, nos fez sinal para subir e foi em direção a cozinha. Eu e Zeke subimos a escada.
O quarto dela era a quarta porta do lado esquerdo.
_Tris? — eu chamei, batendo na porta. Nada. Nenhuma resposta.
Zeke girou a maçaneta e a porta abriu. Tris não estava lá. O quarto estava vazio. Um pouco bagunçado, com um edredom jogado na cadeira e alguns papeis amaçados, que estavam no lixo, alguns em cima da escrivaninha, a luz do abajur ainda estava acesa, mas nem sinal dela.
Zeke estava tentando ligar para Tobias novamente. Eu me aproximei da escrivaninha. Ela tinha voltado a desenhar. Os traços de um vestido de noiva inacabado estavam no papel. Ela não desenhava faziam três anos. Eu só rezava para que isso não fosse sinal que os problemas de três anos atrás estavam voltando.
_Eu desisto de encontrar esses malucos — Zeke disse, suspirando alto — Beatrice pirou com a cabeça dele. Eu disse que ia ser perigoso isso. Ela fez uma lavagem cerebral nele. Ere perdeu todo o juízo que ele tinha.
_Zeke — eu disse, sorrindo — eles estão apaixonados. Não tem mais nada que a gente possa fazer.
_Não... apaixonados não. Tobias não é assim, ele...
_Zeke, acorda. Tobias nunca faltou a um dia de trabalho, ele nem mesmo se atrasava, e olha que ele é o chefe, pode chegar na hora que quiser. Olhe agora, ele sumiu, ou melhor, eles sumiram, é bem provável que esteja juntos. Quantas vezes ele se atrasou só esse mês? E olha pra isso. — eu disse, entregando os desenhos pra ele. Ela estava desenhando o vestido dela de noiva, eu tinha certeza.
_Meu Deus — ele disse, rindo de descrença e passando a mão pelo cabelo. — Os dois são malucos. Shauna, nós realmente fomos cupido desse relacionamento. A culpa disso tudo é nossa.
_Não é culpa nossa, Zeke. Nós provavelmente só adiantamos o serviço que o destino faria. Nós juntamos duas pessoas, e isso deu certo.
_É que eles são tão diferentes... eu nunca achei que eles iam se apaixonar mesmo. Eu estranhava o jeito que ele olha pra ela, e o jeito que ele cuida dela, mas pra mim, eles era amigos.
_Eu tenho certeza que era amor, desde o começo, quase. Eles só não tinham admitido isso ainda. Acho que nem eles deviam ter percebido. A ficha deles deve ter caído só agora.
_O jeito agora é esperar eles aparecerem e mandar eles explicarem — ele disse, e nós saímos do quarto.
Eu estava realmente muito feliz. Tris merecia alguém que gostasse dela, que cuidasse dela. Alguém pra dividir a vida. Eu tinha certeza que eles ainda iam ser muito felizes.
Fale com o autor