Cigaretts and Valentines
41 Two Months
Notas iniciais
Tris
_Shau — eu chamei, fazendo ela e sua barriga de oito meses se deslocarem até onde eu estava. Oito meses de gravidez, o que significava um mês até o bebê nascer e dois meses até a data do meu casamento. Eu estava surtando. Eu realmente estava surtando.
Hoje era a última prova do vestido. Todos os ajustes tinham sido feitos, ele estava do jeito que eu havia imaginado e desenhado, mas uma insegurança estava batendo. Será que estava bom o suficiente?
_Ah meu Deus, Tris — Shauna disse, quando me viu. Ela bateu algumas palmas e quase começou a fazer uma dança da animação — Que lindo. Você está linda. Caramba, tá tudo muito perfeito. Maravilhoso. Por tudo que é mais sagrado... Isso está perfeito.
Eu soltei todo o ar que eu estava prendendo. Shauna não teria exagerado em elogios se ela não tivesse gostado realmente.
_Shau, você tem certeza que está bom? Você acha que precisa mudar alguma coisa? Acho que ainda dá tempo... Você acha que precisa de algum retoque, ou acha que alguma coisa está demais e...
_Tris, cala a boca, por favor. Tá tudo perfeito. Lindo. Você está proibida de mexer em qualquer coisa que seja — ela respirou fundo — Agora, pelo amor do deus do casamento, vê se come direito e mantém o peso, porque se você continuar nessa crise de ansiedade, um dia comendo demais, outro dia não conseguindo comer, e ficar ganhando e perdendo peso, vamos ter que vir aqui todas as semanas, pra apertar e alargar o vestido. Então, SE CONTROLA, ou eu vou ser obrigada a mandar alguém vigiar suas refeições e te fazer comer direito, e esse alguém vai ser a Anna, e você sabe o jeito que ela é.
_Eu vou tentar me controlar, prometo — eu disse, quase rindo. Eu realmente estava descontrolada. Tinha dias que eu me empanturrava de doce, e tinha dias que eu não conseguia comer nada. Realmente estava difícil manter o peso dessa forma.
_Ótimo! — Shauna exclamou — Tris, você está tão linda. A noiva mais linda que eu já vi. É bem capaz do Tobias esquecer como se fala e não conseguir pronunciar o "sim" quando chegar a hora.
_Tobias nunca perde a fala — eu resmunguei, me olhando no espelho.
_Corrigindo: eu só vi ele perder a fala uma vez até hoje, e foi no dia que ele te pediu em casamento. Então, não duvide se ele entrar em choque ou alguma coisa assim — ela disse, e eu me lembrei disso. Na verdade, eu me lembrava desse dia como se fosse ontem — Bem, mas isso não importa agora. Na hora a gente faz ele balançar a cabeça afirmativamente e dá tudo certo... Vamos voltar para a lista do que ainda falta fazer, pra gente fazer enquanto eu ainda consigo andar, ok?
Shauna pegou um papel e uma caneta dentro de sua bolsa. Era a lista de coisas que nós ainda tínhamos que fazer. Ela insistia que isso tudo tinha que estar pronto em um mês, para que ela pudesse ajudar, já que depois, com o bebê, ia ficar difícil.
_Tris, vamos passar na gráfica quando sairmos daqui. Os convites estão prontos, e eu acho bom darmos uma olhada antes que eles enviem. Só para garantir.
_A senhorita é quem manda — eu disse, dando uma última olhada no espelho.
_Depois, a gente pode ir até... Tris, acho que o resto está certo já — ela releu a lista — É, o resto eu já risquei. Já decidimos as comidas, as bebidas, o bolo, os doces, as lembrancinhas, a música e tudo mais... Nossa, como eu sou uma madrinha eficiente — ela disse, dando um sorriso.
_Você é a mais eficiente de todas, Shau — eu disse, sorrindo pra ela. Eu tirei o vestido de noiva cuidadosamente, com a ajuda das costureiras. Me troquei rapidamente e nós duas nos despedimos.
Eu dirigi até a gráfica sem prestar muita atenção no trânsito. Eu pensava em como tudo estava se encaminhando para o rumo certo. Eu pensava que em dois meses, eu estaria andando rumo à um altar, vestida de noiva. E eu pensava em quanto eu estava feliz por ter Tobias. Eu queria, daqui a setenta anos, olhar para o lado e ver os olhos azul escuro dele.
_Tris, você escutou o que eu falei? — A voz de Shauna me jogou de volta no mundo real.
_Hã... não, desculpa — eu disse, e ela riu — Foi mal, eu me distraí.
_Tudo bem — ela sorriu — Eu disse que estou com fome. Nós poderíamos parar em algum lugar para comer e depois ir à gráfica.
_Hum... tudo bem — eu disse, olhando em volta e procurando algum restaurante.
Momentos depois, eu parava o carro no estacionamento do Mc Donalds. Shauna tinha me mandado parar porque agora ela estava com vontade de comer um Big Tasty com batata frita grande. Eu havia argumento, dizendo que ela não devia comer essas coisas, e que ela mesma havia me mandado comer coisas saudáveis à uma meia hora atrás. Nada adiantou.
_Só não conta pro Zeke que nós almoçamos no Mc Donalds. Ele é surtado com a minha alimentação — ela disse, mordendo uma batata — Vamos manter isso entre nós, tá legal?
Eu concordei, rindo. Zeke realmente estava se desdobrando para fazer Shauna comer só coisas leves e saudáveis. O telefone dela tocou.
_Parece que ele adivinha quando eu estou fazendo coisa errada — ela resmungou, antes de atender. Eu ouvi, segurando o riso, Shauna afirmar para Zeke que nós estávamos num restaurante vegetariano. Ela falava o nome de alguns vegetais e dizia que estavam maravilhosos, que Zeke teria que trazê-la nesse restaurante qualquer dia desses. Ela desligou o telefone — Esse cheiro de hambúrguer está me deixando com água na boca. Zeke sempre escolhe as piores horas para ligar.
Eu ri novamente. Um tempo depois, nós saíamos de lá e íamos rumo à gráfica.
***
Quando cheguei em casa, no fim da tarde, depois de verificar os convites e mandar entrega-los, eu me joguei no sofá. Eu estava exausta. O casamento estava acabando comigo, de uma forma boa, é claro.
Eu andava ansiosa, irritadiça, com problemas para dormir e comer, sem contar que os dias pareciam não passar. Nunca pensei que eu diria isso, mas eu queria me casar logo. Eu queria poder dizer que Tobias era meu oficialmente.
Thor chegou alguns segundos depois. Ele já estava crescidinho, mas continuava o cachorro mais fofo do universo. Ele pulou no sofá e se deitou nos meus pés. A televisão estava ligada num canal de noticiários. Eu adormeci minutos depois.
Acordei com alguém me dando um beijo no rosto. Tobias, com certeza. Abri os olhos, só para dar de cara com os olhos profundos dele.
_Eu não queria te acordar — ele disse, se sentando no chão, próximo de mim.
_Não tem problema — eu respondi, dando um beijo nele.
_Como foi seu dia? — ele perguntou, passando a mão nos meus cabelos.
_Ótimo. O vestido de noiva está perfeito e já mandei entregar os convites — eu disse, sorrindo — E o seu?
_Bom também — ele fez uma pausa — Nós vamos ter visitas para o jantar — ele sorriu.
_Quem? — eu perguntei.
_Meus pais, e meus avós, que chegaram de San Diego e estão loucos para te conhecer. Vovó fez questão de vir dois meses antes do casamento, porque ela quer ter certeza que está tudo certo. Segundo o meu avô, que foi na Eaton's hoje, ela quer se certificar que você não vai dar pra trás, já que ela acha que você é a noiva perfeita, mesmo sem te conhecer.
Eu comecei a rir. Eu nunca daria para trás.
_Eu vou amar conhecer seus avós — eu disse. Tobias sempre pagava muito bem deles, e cada vez, me dava mais vontade de conhece-los. Essa seria uma ótima oportunidade — Acho que vou tomar um banho, correndo. Não quero estragar a impressão que sua avó tem de mim, deixando-a me ver assim, toda amassada e com cara de quem estava dormindo.
_Você está linda — ele disse, no meu ouvido.
Eram quase oito e meia quando a campainha tocou. Tobias ainda estava no banho, o que significava que eu teria que abrir a porta, receber os convidados e torcer para que eu não estragasse tudo com o meu nervosismo. Os avós pareciam ser as pessoas da família que Tobias mais gostava. Eu não queria mesmo causar uma má impressão.
Abri a porta com um sorriso no rosto.
Cumprimentei Marcus e Evelyn, seguido de um casal simpático. Angelina e Tom. Eles sorriram pra mim.
_É um prazer conhece-los — eu disse, sinceramente — Tobias fala muito dos senhores.
_É um prazer conhecer você também, Beatrice. Você é mais bonita ainda pessoalmente — Angelina disse pra mim. Eu sorri pra ela.
_Entrem, e fiquem a vontade, por favor. Tobias já deve estar terminando de tomar banho.
Nós nos sentamos no sofá, e logo o assunto fluiu. Angelina e Tom contavam histórias sobre Tobias quando pequeno, e me perguntavam algumas coisas sobre mim. Quando Tobias apareceu na sala, eu tinha a impressão que já conhecia os avós dele à anos. Eles me deixavam bem a vontade e pareciam gostar de mim sinceramente.
Eu me senti parte da família, ao conversar com eles.
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