Cigaretts and Valentines
22 Revenge I
Notas iniciais
Tobias
Meu celular despertou. Eu suspirei, antes de desliga-lo. Eu nem acreditava que era hora de levantar. Eu realmente gostaria de ficar ali, dormindo. Era uma segunda feira, e o fim de semana tinha sido corrido. Na sexta, eu tinha ido com Tris no coquetel de lançamento da nova coleção da Prio's & Co. Não tinha sido chato, mas era cansativo conversar com várias pessoas que eu não fazia ideia de quem eram, e sorrir para fotos, uma atrás da outra.
No sábado, eu tinha ido correr com Zeke, que a uma semana vinha me tratando como se eu fosse um maluco. Ele ainda estava indignado com o meu namoro verdadeiro com Tris. Ele realmente achava que eu estava cometendo um erro enorme. Segundo ele, ela era totalmente maluquinha, era dissimulada e não levava as coisas a sério. Eu tinha dito que era de verdade, mas ele levava essa notícia do mesmo jeito que faria se eu dissesse que ia pintar o cabelo de verde. Ele dizia que eu era maluco, e que estava me metendo onde eu não devia.
"Tobias, você sabe quantas vezes eu já tive que buscar a sua namorada, bêbada por aí, só porque ela não sabia nem mesmo o caminho de casa? Inúmeras vezes. Ela é maluca. Ela gosta de farra, de sair para baladas, gosta de beber. Me fala o que que vocês têm em comum? Nada". Ele me dizia isso, no mínimo, umas três vezes por dia. Eu apenas respondia que as vezes, os opostos se atraiam, e que Tris estava muito bem comportada ultimamente, apesar de todos os protestos dele.
Era verdade isso. Ela não fazia questão nenhuma de ir para baladas, ou sair pra beber. Nem mesmo agora, que estávamos namorando sério, nem antes, quando era tudo armação. Eu havia perguntado para ela sobre isso, e dito que a gente podia conciliar as coisas. Ela havia me dito que não ligava mais para essas coisas, e que ela estava amadurecendo. Ela me disse que estava tentando ver as coisas de uma maneira diferente, mudando de rotina. Ela também dizia que estava gostando dessa vida mais calma, mais tranquila e tudo mais.
Shauna, ao contrário do marido, estava verdadeiramente encantada com o nosso namoro. Segundo ela, nós tínhamos tudo para termos uma família grande e feliz. Ela também agradecia eu estar colocando um pouco de juízo na cabeça de Tris. Ela achava que nós tínhamos tudo a ver, e vivia dizendo que nós éramos um casal perfeito.
Domingo, Tris havia me feito a ajudar com os enfeites de Natal. Ela já havia contratado uma empresa para enfeitar fora da casa, mas dentro, ela fazia questão de enfeitar ela mesma. Estava ficando muito bonito, e ela estava adorando isso. A casa estava ficando muito bonita mesmo. Ela realmente levava o Natal a sério, e parecia muito animada com a ideia da festa.
Eu sorri e me levantei vagarosamente da cama. Tris abriu os olhos e sorriu pra mim.
_Bom dia — eu disse, dando um beijo em sua testa.
_Bom dia — ela respondeu, se espreguiçando na cama. Ela parecia de muito bom humor hoje.
_Tem alguém de bom humor hoje — eu brinquei, jogando o travesseiro nela, que riu, antes de acerta-lo em mim.
_Tem como não estar? Nunca pensei que as coisas estariam dando tão certo pra mim igual estão dando agora — ela disse, também se levantando. Tris tinha que terminar as fotos da campanha de perfumes da Giorgio Armani. A primeira parte ela havia feito no dia seguinte ao dia que nós tínhamos passado juntos, a última parte era hoje. Segundo ela, ela devia estar livre até na hora do almoço. Depois, ela tinha combinado de fazer compras com Shauna. Compras de Natal.
Eu dei a volta na cama e me sentei ao lado dela, depois a beijei nos lábios.
_Posso saber quais coisas são essas que estão dando tão certo pra você?
_Você — ela disse, me beijando também — Minha carreira, meu desenho do meu vestido de noiva... — ela deixou a frase inacabada e eu a beijei novamente. Era difícil me concentrar e me conformar que eu tinha que ir trabalhar, enquanto ela estava aqui.
_Você é quem faz tudo dar certo — eu disse, a ajudando a se levantar da cama. Ela foi direto para a cômoda, para procurar alguma coisa para verti, e eu fui para o closet, atrás de um terno. Coloquei a calça e a camisa, mas não a abotoei.
Voltei para o quarto e me deparei com Tris de lingerie. Eu respirei fundo e me encostei na parede.
_Meu Deus, como você está indecente. — eu disse, e ela se virou para me encarar. Ela deu um sorriso meio safado e me mandou um beijo.
_Você, por acaso, está muito decente né? Essa camisa aberta... esse sorriso. Ai Tobias — ela suspirou — Você vai me deixar pirada, sabia?
Eu ri e fui até ela. Nós nos beijamos novamente. Só paramos quando nenhum de nós tinha mais ar.
_Eu queria ficar o dia todo aqui — eu disse, e ela mordeu o canto da boca.
_Eu também, mas... — ela deixou a frase morrer. Eu entendi. Nós tínhamos que ir trabalhar.
Ela trocou de roupa e eu terminei de fechar a camisa e coloquei o paletó. Nós descemos as escadas e depois ouvimos um discurso de Anna, que se irritou porque nós estávamos sem tempo, e tínhamos que sair correndo, sem tomar o devido café da manhã dela. Nós pedimos desculpas e fomos para o carro bem rapidamente.
Deixei Tris no estúdio e depois me dirigi para a Eaton's. Eu estava feliz também. O pedido de mandato que Zeke tinha redigido contra Eric tinha sido aceito. Ele provavelmente iria ser notificado hoje, e em breve, estaria atrás das grades.
Passei pela porta da empresa e me dirigi para a minha sala, cumprimentando os funcionários com quem eu me deparava. Cumprimentei Albert, que me avisou que Zeke tinha ligado e dito que demoraria um pouco para vir pra cá.
Me sentei na minha cadeira, tentando me conformar com o fato de que eu passaria um bom tempo analisando contratos, embora eu precisasse de Zeke, e seu conhecimento de leis para assina-los. Peguei uma pasta e abri, mas antes olhei para o retrato em cima da minha mesa. Era uma foto minha e de Tris, que ela havia me dado na semana passada.
Zeke chegou eram quase meio dia, com a notícia de que ele havia ido, pessoalmente, entregar a intimação a Eric, e informar que ele teria que se apresentar amanhã, bem cedo, na delegacia. Ele havia me dito que Eric havia surtado, gritado e esperneado, além de ter ameaçado uma vingança. Zeke estava certo que nenhum advogado conseguiria livrar a cara dele, já que as provas eram concretas.
Nós dois comemoramos a boa notícia, e decidimos ir comemorar. Fomos até um restaurante novo, perto da empresa. Zeke estava tão radiante de estar acabando com Eric, que nem se lembrou de implicar com meu relacionamento com Tris.
Nós estávamos na porta da Eaton's, prontos para voltar ao trabalho, quando meu telefone tocou. Era Shauna quem ligava.
_Shauna? — eu perguntei, estranhando o fato de ela ligar pra mim. Comecei a pensar se Zeke não tinha ouvido o telefone tocar ou algo assim.
_To... Tobias, pelo amor de Deus — ela disse, parecendo apavorada. Eu não estava entendendo nada.
_Shana, calma. Respira. Está tudo bem? O que está acontecendo? — eu perguntei, enquanto Zeke me mandava colocar no viva voz. Tinha a possibilidade de ela estar passando mal.
_Tobias, Eric... ele — a voz dela falhou — Ele nos encontrou no shopping. Ele está irado, fora de si. ele está com uma faca encostada no pescoço de Tris. Ele exige a sua presença aqui.
Ela soluçou, e eu prendi a respiração. Zeke pegou o telefone da minha mão, e pegou o endereço do shopping que elas estavam.
Acelerei o carro. Em menos de dez minutos nós estávamos no endereço. Estava um tumulto na porta. Pelo jeito, tinham mandado evacuar o prédio. A polícia estava na porta, controlando a saída das pessoas.
Me aproximei correndo dele.
_Senhor, o prédio está sendo evacuado. Nós...
_É a minha namorada que está sendo feita refém. O maluco está fazendo isso por vingança.
O guarda se surpreendeu com a informação e disse que iria chamar o comandante. Eu me desviei dele e entrei no shopping, indo contra o fluxo de pessoas. O guarda gritava para que eu voltasse. Eu não voltei.
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