Cigarette Smoke

10 Drasticamente em Libras?


Notas iniciais
Voltando! Como estou adiantada aqui vou postar mais ou menos um capítulo à cada dois dias!!

Ele me pede para levá-lo de volta.

Não sei se estou arrependida de ter contado pra ele... Mas pela cara que ele faz, não acho que foi exatamente uma boa ideia.

– Jeremy?

Nada. Ele não expressa nada. O rosto ilegível me deixa mais inquieta. O que será que ele pensa de mim agora? “Ah, a garota além de fumante, pedófila, agora é uma louca neurótica!”

Que ótimo! Devia ter ficado quieta. Devia ter beijado ele! Quem sabe assim teria conseguido distraí-lo um pouquinho...

Paro o carro em frente à casa de Agatha e antes mesmo que eu consiga desligar o motor, Jeremy desce e corre porta a dentro chamando pela mãe. O sigo, prevendo que o portão do inferno foi aberto... Por minha causa, como sempre.

– Mãe! Mãe desça aqui!

Agatha desce as escadas correndo, só de pijama, Christian logo atrás, fazendo sinais perguntando o que está acontecendo.

– Digam que é mentira!

– Dizer o que, filho?

– Digam que ela está mentindo para mim.

Vejo confusão passar pelo rosto dela e logo depois a cara de que ela entendeu tudo errado.

– Filho, era pro seu próprio...

– Não Agatha, contei a ele o porquê estou presa aqui.

– Você o que?

– Ela me contou que o pai dela a prendeu aqui... Mas eu não acredito que ela tenha feito isso!

– Jeremy...

– Não Sarah! Você não pode ter feito aquilo! Você... Você não pode ser tão...

– Tão o que, Jeremy? Tão louca? Tão psicótica?

Começo a ficar triste e irritada ao mesmo tempo. Meus olhos ardem e sei que o que quer que ele diga agora é culpa minha, única e exclusivamente minha.

– Tão parecida comigo.

Nós quatro ficamos em silêncio, absorvendo essas palavras. Jeremy disse isso de uma forma tão ruim, como se fosse uma doença, que eu preferia que ele tivesse dito que sou uma louca psicótica.

Então ele sobe as escadas de dois em dois degraus, tão rápido, que nenhum de nós consegue voltar a si a tempo de impedi-lo.

Um plano começa a se formar na minha cabeça, então automaticamente caminho em direção à porta da cozinha que dá para o quintal onde posso entrar na minha casa.

– Não quer tentar falar com ele?

Olho por cima do ombro e respondo, com a cara mais lavada do universo.

– Quem sabe amanhã.

Passo da cozinha e dessa vez nem paro pra comer. Saio da casa e vou direto me esconder atrás de um arbusto. Daqui, onde estou, posso ver as duas janelas, a do quarto de Jeremy e a outra do quarto dos pais dele. Os quartos não ficam um do lado do outro, na verdade, por coincidência ou não, a janela de Jeremy fica diretamente de frente para a minha.

Espero a luz do quarto de Agatha e Christian se apagar e corro até a trepadeira que fica na parede. É uma das espécies mais fortes que já vi na vida, forte o suficiente para aguentar meu peso (bem, espero que sim).

E para minha sorte, fica bem debaixo da janela de Jeremy, que para ajudar mais ainda tem uma pequena sacada, dessas que nem dá pra ficar de pé, é mais um charme na construção. Coloco o pé na trepadeira e começo a escalar. Subo com cuidado, só que rápido, para não dar tempo da planta reclamar do meu peso.

Consigo chegar até a sacada e pro meu horror o galho onde estou com o pé arrebenta, me dando tempo apenas de agarrar o ferro da sacada e começar a pedir perdão a Deus por todas as coisas ruins que já fiz nessa minha vidinha de merda.

– Ai que droga!

– Sarah?

Estou me segurando precariamente, a ponto de cair para a morte, e ao invés de ficar feliz ao ouvir sua voz, apenas fico envergonhada pela minha posição comprometedora.

– Vá para dentro Jeremy e espere eu fazer minha entrada à lá Peter Pan!

– Se eu for para dentro você cai e morre.

– Isso! Então me deixe cair para a morte!

– Claro que não Ninfa.

Considero gritar e acordar seus pais, quando ele passa os braços pelo meu corpo e me puxa para cima. Da forma como ele fez, eu devia cair perfeitamente em pé, mas as coisas não podiam acabar bem de jeito nenhum e no meu desespero de ser salva, dou impulso na sacada acabando por cairmos os dois no chão do seu quarto.

– Ai, você parecia mais leve quando eu te puxei da morte.

– Era o desespero te dando forças.

Eu caí em cima dele, a cabeça em seu peito arfante, uma perna entre as suas, os braços no chão de cada lado de seu corpo.

Quero me mexer, mas duas coisas me impedem:

1º — Ainda estou com medo.

2º — O cheiro dele é tão bom e estou tão confortável em seu peito (apesar da posição ser a mais desconfortável possível).

Ele coloca as mãos no meu quadril e eu entro em alerta. Então Jeremy me vira, ficando por cima de mim, a perna entre as minhas. Mas ao contrário da posição em que eu estava ele não está nenhum pouquinho em desvantagem.

– Jeremy...

– Você acha que eu não sei o que você está fazendo Sarah?

Está estampado na minha cara que eu não sei do que ele está falando, mas prefiro fingir que sei...

– Hum...

– Eu sei que meus pais pediram para você cuidar de mim...

Ops. Por essa eu não esperava. Como assim? Eu pensava que estivesse abalando no meu papel de garota mais velha que seduz o menino inocente e ingênuo!

– Jeremy?

– É Sarah, só que eu pensava que você só era uma filhinha de papai que estava com muito medo de perder todo seu reinado... Mas me enganei! Você é tão ruim quanto eu!

Não gostei do que ele disse. Achei ofensivo! Como assim esse pirralho catarrento me ofende desse jeito? Logo eu que sou... Completamente merecedora disso. Ah droga!

Estou prestes a xingá-lo de todos os piores nomes que conheço, quando percebo que ele está sorrindo... Esse idiota está sorrindo e parece em completo êxtase! Meu Deus, eu que fumo e ele que fica assim!

– Jeremy?!

– E eu estou feliz com isso! Feliz de ter conhecido você Sarah... É bom saber que não estou sozinho.

– Isso é muito gay.

– Gay?

– É. Você feliz por ter encontrado alguém tão pirado quanto você. Daqui a pouco vai começar a chorar de novo...

Não pude evitar soltar essas palavras, mas não suporto me sentir vulnerável!

– Você acha que sou gay Sarah?

– No momento... Hum... Sim! Super gay!

– Acho que vou ter que te fazer mudar de ideia então...

Ele segura meus braços firmemente no chão e se ajusta para ficar o mais perto possível de mim, começa a se aproximar, fazendo a cara de perversão mais linda que já vi em todos os meus dezoito aninhos... O que me faz pensar: como esse garoto, mais novo do que eu, consegue fazer essa cara sexy e me enlouquecer?

– Jeremy... O que você...

Jeremy está perigosamente perto, seu hálito quente bem na minha boca. Não tenho certeza se ele está esperando que eu me defenda que o mande parar, mas te digo uma coisa: isso não vai acontecer!

Jogo o queixo para cima, nos juntando finalmente. Não sei se ele ficou surpreso, mas enquanto meus olhos estão fechados esperando ele aprofundar o beijo, sinto seus olhos perscrutarem meu rosto.

Então, quando eu resolvo que vou nos separar, sinto uma de suas mãos soltar a minha e descer, calmamente, pelo meu corpo até parar na minha cintura, onde segura com força. Aos poucos começa a se mexer, a boca procurando meios de se juntar mais na minha, de fundir uma na outra. Com a outra mão ele segura meu cabelo solto com força, e as minhas mãos vão, como que por instinto, parar em seu cabelo cacheado.

Não consigo evitar... Não imaginei que beijá-lo seria assim...

Enrolo minhas pernas em sua cintura, desesperada a prolongar tudo isso. Ele solta um gemido sem desgrudar a boca da minha e me ergue do chão num impulso só. Me seguro nele quando caímos na cama.

Paramos um segundo para recuperar o fogo... Quer dizer, o fôlego. Meus olhos estão turvos e meu rosto (junto com o resto do meu corpo) está quente.

– Isso é errado.

– Muito errado.

Ele segura meu rosto e volta a me beijar, dessa vez mais urgente, como se precisasse disso para sobreviver... Minhas mãos passeiam por suas costas, loucas para tocar sua pele. Sem pensar duas vezes enfio-as por baixo de sua camiseta.

– Hum, pensei que eu fosse gay.

– É gay se não parar de falar e voltar a me beijar.

Ele solta um risinho sacana e morde meu lábio. A sensação é tão boa que me aconchego melhor embaixo dele.

– Fica quieta.

Jeremy segura meu quadril na cama, as mãos meio dentro da minha blusa. O lugar onde seus dedos estão encostando fazem minha pele formigar.

– Posso Sarah?

– Pode o que?

Ele me dá um olhar significativo. Fecho os olhos por um segundo, seguro a respiração e concordo, com um movimento de cabeça. Jeremy, então, tira o casaco preto dele e me ajudar a tirar o meu. Puxa a camiseta pela cabeça e o ar que eu estava segurando desaparece dos meus pulmões. Uau. Coloco as mãos espalmadas em sua barriga e não é minha intenção acariciá-la.

– Faz cócegas.

– Desculpe.

– Você está vermelha Sarah.

Ele senta na minha barriga e faz uma linda carinha de sem vergonha. Tenho total consciência de algo encostando em mim, mas tento relevar.

– Pensei que ia me chamar de ninfa.

Um sorriso zombeteiro se forma em seu rosto e ele se curva para me beijar. Começa a puxar a barra da minha regata e num segundo depois arranca do meu corpo. Abaixa os olhos pro meu corpo e sorri novamente.

– Mais sardas.

– Elas descem como uma avalanche até os pés.

– Posso vê-las?

– E vai fazer o que? Arrancar minha calça?

– É uma opção não arrancar?

Ele se senta de novo e abre o primeiro botão, o segundo e quando vai puxar o zíper, batidas na porta. Nossos olhos se encontram por um segundo e no outro já juntei minha blusas e procuro um lugar onde me esconder.

– Droga!

– Xiu!

– Desculpa...

Meus olhos descem pelo seu corpo e param por um segundo na elevação na parte da frente de sua calça. Jeremy segue meus olhos e fica vermelho ao colocar as mãos na frente.

– Dentro do armário, rápido!

Eu entro no meu esconderijo e ele mal se deita na cama Christian entra no quarto. Droga! Não consigo ver muita coisa daqui de dentro e ele se senta de costas pra mim. Consigo pegar somente algumas palavras da conversa deles. “Cuidado”, “Não é fácil”, “Simplesmente” e mais uma que eu não conheço em libras. Meu nome é dito inúmeras vezes.

O tempo está passando e não consigo mais evitar que meus olhos se fechem. Não tenho ideia de que horas são quando Christian finalmente sai do quarto, fechando a porta atrás de si. Estou em dúvida se saio ou não de dentro do armário.

Me encosto na porta, todo o meu peso escorado na madeira. E quando Jeremy abre a porta despenco no chão.

– Precisamos conversar Sarah.

– Precisamos mesmo?

– Sim.

– Droga.

Me arrasto até a cama e me sento. Visto a camiseta e tento controlar a vontade que estou de me jogar nele e beijá-lo.

– Ele queria saber se estou apaixonado por você.

– O que você respondeu?

Não posso evitar uma centelha de esperança que me invade. Mas quão rápido ela aparece...

– Que não.

Mais rápido ainda ela some. Talvez a cara que eu fico o tenha feito se sentir mal. Mas o fato é que ninguém nunca se apaixonou por mim e a mínima esperança de que isso pudesse acontecer, acabou de morrer.

– Legal.

– Sarah, me deixa terminar?

– Tanto faz.

Estou sentada de frente para ele... Então mudo de posição, olhando para o outro lado.

– Eu disse pra ele... Sarah olha para mim, por favor? Assim é melhor. Eu disse pra ele que não, mas que isso está mudando drasticamente.

– Eu não sei falar “drasticamente” em libras.

Jeremy mostra e eu copio. Era essa a palavra que eu não consegui distinguir na conversa e agora é mais uma para eu usar com Christian.

– Não fuja do assunto.

– Não estou...

– Está sim!

Me encolho e o pior é que é verdade, estou fugindo.

– Você ouviu o que eu disse?

– Sim.

– Eu ainda não estou completamente apaixonado por você.

– Não completamente?

– Não.

– Mas está?

– Estou praticamente.

– Legal de novo.

Me levanto e coloco o casaco. Estou feliz de não ter tirado as botas, acho que minha meia está rasgada. Ando até o espelho na parede e vejo meu reflexo desgrenhado.

– Sarah?

Não respondo. Vou até a janela e a abro, preciso encontrar um meio de descer sem me matar ou ir parar no hospital.

Coloco uma perna para fora e me viro para por a outra. Quando olho para ele, Jeremy me encara. Ficamos assim: eu com uma perna pendurada; ele me encarando.

– Não vai me ajudar?

– Se eu for até ai não te deixo ir embora.

– Ótimo. Eu posso descer sozinha.

Começo a colocar a outra perna e para o desespero geral eu escorrego... De novo!

Jeremy chega até mim em três passadas e me trás para cima, me pondo em pé em seu quarto.

– Que saco, pare de me tratar feito uma boneca!

– Sarah.

Olho de cara feia para ele, os cachos caindo em seu rosto, a boca ainda inchada dos nossos beijos.

– Você gosta mesmo de mim Jeremy?

– Gosto.

– Só nos conhecemos a uma semana! Não dá pra se apaixonar por alguém em uma semana! E nem faz uma semana direito! É tipo, cinco dias!

– Eu gosto Sarah! Estou gostando cada vez mais!

– Eu acho Jeremy, que você tem uma visão muito distorcida da palavra “gostar”.

– Então me explica o que é isso que eu sinto por você então! Essa vontade de te ver, vontade de te beijar, de encostar em você... Beijar mais... E outras coisas também.

– Isso se chama tesão Jeremy.

– Ah é? Então eu tenho um tesão enorme por você Sarah.

Sorrio já sabendo o que vou dizer agora.

– É tão grande que posso ver na sua calça.

– Isso ai é meu...

Ele me beija de novo, mas não como da primeira vez; me beija como se quisesse que eu acredite que ele gosta mesmo ou que no mínimo seus sentimentos por mim estão aumentando drasticamente. E, ah cara, como eu acredito!

Notas finais
É isso ai! Beijos e comentem, sim?