Cigarette Smoke

3 Apenas Dezoito


Notas iniciais
Ai, ai... Tem alguém ai?

O dia passou bem difícil para mim. Por causa da ansiedade para saber o que Agatha e Christian vão me dizer à noite, fumei mais de quarenta cigarros... E eu já tinha conseguido diminuir esse número para quinze!

Sarah, não entre em pânico!

Já são nove horas da noite e, adivinhe, ainda não estou em casa. Agatha ainda está falando ao telefone, porém essa ligação não estava na agenda (pelo menos não na minha) isso significa que deve ser algo sobre Jeremy.

O outro inspetor, Hector, se bandeou pro quarto dele me deixando de presente o turno de inspecionar os quartos dos alunos.

Ando pelos corredores soando meu apito e batendo nas portas. Algumas vezes garotos saem correndo tentando se vestir e garotas apenas olham, soltando risinhos. Eu entendo, já fiz muito isso.

Agatha finalmente me liga avisando que já podemos ir. Bato na última porta e encontro um grupo de adolescentes por volta dos quinze ou dezesseis anos fazendo o jogo da garrafa. Alguns estão quase pelados e tem um casal fazendo coisas indevidas em uma das camas.

– Já chega!

Solto um berro e anoto mentalmente o nome de cada um deles. A garota que está na cama é a riquinha problemática, Amanda.

Meia hora depois ainda estou dando bronca neles e os mandando para os quartos. Sei que é inútil: eles só vão esperar eu sair da escola para terminar a brincadeirinha de orgia deles.

Mas no momento só quero tomar um banho quente e me preparar para a maratona do sono, então estou pouco ligando pra virgindade desses pivetes.

Encontro Agatha na sala dela assinando alguns papéis, quando me vê suspira e sorri.

– Demorou.

– Orgia no quarto sessenta e nove novamente.

– Ah, quanta ironia.

– Nem me fale.

Atravessamos o gramado para a casa em silêncio, eu tentando não dormir enquanto caminho e ela pensando em algo muito importante — consigo ver isso só pela unha do dedão gritando entre seus dentes.

– A coisa que você vai me pedir pra fazer é realmente difícil, não é?

– Depende pelo ângulo que você olha.

– Ângulos, ângulos! Hupth! Se não for assassinato, eu faço.

– Não tenho tanta certeza de que você vai querer.

Mais ou menos dez minutos depois eu ainda os encaro de boca aberta. Eu não consigo acreditar no que eles me pedem.

– O-o que?

– Isso mesmo Sarah.

– Não, não entendi. Repete.

Christian olha aflito para Agatha. Ele é mudo (digo, literalmente mudo) e tem pouca porcentagem de audição. Parece querer me dizer algo.

– Christian, você sabe que eu te entendo.

Digo isso em voz alta e também em libras. Acho que às vezes ele se esquece que pode conversar comigo.

Ele faz ok e repete o que Agatha acabou de dizer:

“Sarah, queremos que você conquiste o Jemy. Ajude-o a voltar a ser quem ele era. Cuide dele. E acima de tudo, mantenha-o longe de encrenca.”

– Meu Deus, parece até que vocês não me conhecem! Eu sou a encrenca!

“Não, não é”

– Ah, Christian, as criancinhas estão te corrompendo. Te arrastando pro mundinho feliz delas.

Christian é professor de primário numa escola para crianças únicas. Nenhum de nós gosta de dizer diferente ou especial. Elas apenas são únicas de coração, como qualquer outra.

– Sarah, por favor, você é a única pessoa em quem podemos confiar.

– Agatha, isso é loucura. Não tem motivo nenhum pra esse garoto se interessar por mim!

“Porque não?”

– Christian, não faça essa cara de inocente! Eu não tenho atrativos nenhum e, além disso, sou a inspetora do colégio!

“A inspetora de apenas dezoito anos”

– Que é linda o suficiente para ter sido a rainha do baile por três anos seguidos.

Isso meio que me tira o chão. Eu já estou tão acostumada a ser odiada por todos, que já estava me esquecendo dos meus tempos de glória. E de tirania.

– Por favor, não me faça voltar a ser aquela pessoa horrível...

“Sente-se aqui, Sarah”

Ele deu duas batidas no sofá, o lugar entre ele e Agatha.

“Precisamos da sua ajuda. Jeremy precisa”

– Como, se ele mal me conhece?

“Ele passou por algumas coisas nos últimos meses... Realmente precisa de alguém para tirá-lo do buraco”

Eu só consigo pensar em quem é que vai me tirar do buraco.

– Você está me pedindo para não ser egoísta.

“Sim”

– Mas isso é impossível.

“Não é. Você apenas finge que é rebelde, mas nós a conhecemos Sarah, sabemos que você é capaz de qualquer coisa para ajudar quem é importante pra você”

– Eu não tenho ligação nenhuma com esse garoto.

– Mas tem com a gente... E vai ter com ele também depois que o conhecer.

– O que eu ganho com isso?

“Nossa gratidão”

– E sua carta de alforria desse lugar.

Isso soou como música aos meus ouvidos. A chance de sair daqui...

Christian colocou a mão nas minhas costas, me fazendo encostar a cabeça em seu ombro. Agatha me dá um beijo na cabeça e encosta-se a mim. Eles fizeram de propósito para me fazer aceitar essa loucura.

E adivinha? Deu muito certo.

– Está bem, eu faço... Mas se qualquer um de nós dois sair machucado, a culpa é de vocês.

“Isso não vai acontecer”

– Não mesmo.

– Ok.

Eu, sinceramente, não acredito nisso.

Notas finais
Estou achando o Nyah tão paradinho ultimamente....
Comentem ai, se é que tem alguém....