Cigana De Luxo!
27 A origem do demônio
“- MAMÃE! POR FAVOR, NÃO ME DEIXE SOZINHO! – Um garotinho gritava enquanto era arrastado para dentro do carro.
– Calma, Bernardo, vai ficar tudo bem. – A bela mulher sorriu. – Vai ter uma vida melhor com seu pai.
– Mas eu quero ficar com você.
A mulher agachou-se, acariciando o rosto do garotinho.
– Você é forte filho... Vai conseguir! Eu sempre vou te amar, não importa o que aconteça. – O garotinho não chorava, apenas mantinha uma tristeza presente no olhar. A mulher lhe segurou as mãos. – Apenas me prometa que nunca vai se esquecer disso...
– Eu prometo. Mas por favor, mamãe eu não quero ir... Por que está me abandonando?
– Desculpe... Mas você não pode mais ficar comigo.
A mulher derramava lágrimas enquanto o menino era levado para dentro do carro. A porta foi fechada, e lá um homem louro o aguardava no carro.
– Mamãe...
Bernardo sentira o carro se movendo enquanto era levado para longe de sua mãe. Virou o rosto para trás, fitando-a pela última vez.
– Esqueça essa vida miserável que vivia com ela. A partir de agora você não tem mais mãe...
Os olhos do garotinho se encheram de lágrimas. Pois a sombra da única mulher que o dera amor se desmanchou com um tiro, lento, amargo. Caído sobre o asfalto molhado, estava a mulher agonizando e ainda aclamando pelo filho, enquanto Bernardo se virou, olhando a expressão satisfeita do homem ao seu lado. E foi a si mesmo que Bernardo prometeu aquele dia, nunca o chamá-lo de pai.“
...
Bernardo atirou. Seus olhos quase ficaram preenchidos com sangue, fazendo o homem limpar o sangue sobre a face e largar a arma. Caminhou até o lado de fora e sentiu o vento forte bater em seu rosto, respirou fundo. Ele cerrou a mão trêmula, enquanto o Filipino apareceu atrás de si.
– Vou levar o corpo.
– Trate com que desapareça. – Disse Bernardo.
– Sim senhor.
Bernardo virou de costas e foi em direção ao carro, enquanto mais uma vez, as lembranças de seu passado triunfaram em sua mente.
...
O livro foi jogado na mesa fazendo um garotinho louro levantar a cabeça rapidamente em um susto. Os outros alunos viraram a cabeça em direção ao professor que o fitava com um olhar reprendedor. O garotinho ajeitou-se na classe, fazendo o professor levantar a mão direta onde portava uma régua de madeira.
– Dormindo na classe novamente, Guilhertina? – O professor levantou o rosto do garoto com a régua fazendo Bernardo o fitar de forma fria e desafiadora. – Acho que a surra da semana passada ainda não lhe serviu!
Bernardo cruzou os braços, fazendo o professor depositar os olhos no caderno do garoto e arrancar a primeira folha. Leu rapidamente e gargalhou, enquanto Bernardo continuou sério.
– O Sr Guilertina quer compartilhar com vocês uma POESIA! – Os garotos gargalharam fazendo o professor ler alto as palavras de Bernardo. – A trincheira rasgada por granadas não provocava medo no soldado desarmado. Procurava uma proteção, talvez concreta, talvez divina. Não sorria, não tremia, não sentia... Pois quando o tiro atingiu seu peito vazio, fechou os olhos, a batalha acabou! Então o céu estrelado se tornou, pela última vez, a proteção do coração do soldado para a guerra sangrenta que passou a acontecer dentro de si.
Os alunos ficaram em silêncio com aquelas palavras, enquanto o professor rasgou o papel indignado, jogando seus pedaços sobre a classe do menino. Bernardo tentou pegá-los, fazendo a régua bater em seus dedos com força quase os quebrando. Ele não disse nada tampouco mostrou alguma expressão dolorosa.
– Pare de escrever bobagens e estude!”
...
Uma garota morena atravessara o portão da própria festa. Tinha o ódio no olhar e a tristeza no coração. Sentia vergonha, angústia, nervosismo... Era como dar voltas em um labirinto todo esse tempo. Sentiu o vento bater sobre a face e andou depressa, onde uma mão a puxou para trás.
– O que houve? – Camila apareceu. – Não vá Jazmin.
– Eu não vou conseguir olhar pra ele depois.
– Mas se acalma e me explica o que aconteceu!
Jazmin abriu a boca para falar, mas não houve tempo, de longe, Bernardo aparecia assim como Ana. O homem parou apenas fitando a cigana de longe.
– Fale com ele Jazmin! – Camila a puxou fazendo Jazmin se esquivar.
– Eu não quero saber o que ele fez..– Jazmin correu.
– JAZMIN VOLTE!
Camila tentou alcançá-la, mas Jazmin entrou no carro que a esperava antes disso. O carro arrancou deixando todos para trás, inclusive Bernardo. Ana fitou a expressão dele, parecia tão indiferente...
– Não vai atrás dela?
Bernardo não respondeu a pergunta de Ana. Pelo contrário, girou os calcanhares, os dando as costas e entrou de volta na festa. Nem Camila, nem Ana entenderam alguma coisa do que havia acontecido, surpreendentemente.
...
“ – Vocês não estão aqui de férias e não estão aqui para ganhar dinheiro. Vocês, incompetentes, estão aqui para aprender somente duas coisas: A matar e a não morrer! Então a partir de agora seus corpos são nossos, aqui não tem liberdade e nem privacidade. E aqui NÃO existe essa merda de direitos humanos! Estão preparados?
– SIM SENHOR!
Os soldados gritaram deixando o general satisfeito. Se olhassem para o meio, mas perto da ultima fileira, iriam enxergar aquele garoto de dezesseis anos — o mais jovem a entrar nas forças armadas – parado e com um olhar superior conhecido. A verdade é que se não fosse por seu pai, ele nem estaria ali e nunca teria se tornado a pessoa que se tornou.”
...
Os olhos de Bernardo se abriram, ele já estava em casa. Na verdade, foi em um piscar de olhos que chegou lá. Subiu as escadas com dificuldade e abriu a porta do quarto, enquanto Sandra aparecera lá de baixo.
– Senhor? – Chamou. Pensou ouvir alguém dentro da casa.
Bernardo estava enjoado, tonto, parecia cair de um precipício. Bebeu um copo de água e caiu no chão, não conseguia se manter em pé. Deitou-se na cama com dificuldade, tremendo, parecia convulsionar... Não demorou para perder os sentidos.
Sandra subira as escadas devagar... O que havia acontecido? Bateu na porta e não houve respostas. Entraria?
– Senhor? – Chamou mais uma vez. Por fim, abriu a porta deparando-se com Bernardo sobre a cama, convulsionando lentamente. – Ó MEU DEUS!
...
Jazmin acordou, estava suando, havia tido um pesadelo horrível. Engoliu seco, tomou um pouco de água e foi até a janela. A lua estava linda, mesmo seu coração estando triste... Não conseguia sorrir mais. Apoiou a cabeça na janela e ficou pensativa, enquanto tentava entender o porque de estar tão angustiada, com um aperto enorme no coração.
...
"- Eu não quero me casar com ela. Não poderia escolher quem a desprezasse mais... – Disse um garoto de vinte anos.
– Não tem esse poder de escolha Bernardo, eu tenho. – Respondeu seu pai.
Bernardo já havia voltado do treinamento militar. Passou quatro anos por lá, sofrendo humilhações e torturas da pior maneira possível. As marcas ainda estão em suas costas. E agora que chega, tem que se casar com uma mulher a quem considera fútil e que mal conhece?
– Estou cansado de suas ordens patéticas!
Disse o jovem, recebendo um tapa no rosto. O homem de terno e postura grossa ajeitou a gravata e assim sentou-se, enquanto Bernardo o fitava.
– Não vamos mais discutir isso. Entendeu?
Bernardo cerrou o punho, mas conseguiu controlar a raiva que pouco a pouco o estava dominando. Saiu da sala sem responder, o dando as costas, enquanto pensava que nunca mais iria ser mandado daquela maneira ou ser humilhado como foi. As pessoas são cruéis e a vida é um poço de mentiras... E se fosse assim, agora Bernardo iria jogar o jogo deles."
...
Seus olhos se abriram rapidamente. O louro sentira seu corpo todo doer assim como sua cabeça, e junto consigo havia alguém com um sorriso amigável que Bernardo já conhecia: Doutor Hugo. Homem moreno de gestos e feições agradáveis. Acabara de medir sua pressão, fazendo algumas anotações na caderneta. Bernardo sentou-se, levando uma das mãos à cabeça dolorida.
– O que aconteceu? – Perguntou.
– Você passou mal amigo. Mas já está melhor... – Sorriu. – Tome esse remédio a cada quatro horas que vai ficar tudo bem.
Falou o doutor, depositando um pote sobre a cômoda. Hugo se retirou, mas antes de atravessar a porta Bernardo se manifestou.
– Já vai?
– Sim. Mas vou avisar antes à senhora Sandra. Estava muito preocupada com você...
Bernardo gargalhou, sentando-se na cama e colocando a camisa de botão.
– Como se eu morresse facilmente.
O doutor Hugo consentiu com a cabeça e saiu deixando Bernardo sozinho. O louro caminhou em direção a janela, fitando o sol já evidente e a lua fraca que se escondia.
O almoço foi como um encontro após um funeral. Camila e Ana fitavam Jazmin discretamente, enquanto a cigana mal comia, apenas brincava com a comida.
– Então Camila, como foi o ensaio para hoje à noite? – Perguntou Ana, tentando descontrair.
– Ótimo... A estreia vai ser maravilhosa.
– Que bom!
As duas sorriram, enquanto a cigana pareceu nem ouvir do que falavam. Na verdade pensava em várias coisas naquele momento, mas o pior de tudo, eram lembranças que não a pertenciam mais. Um futuro incerto.
– Jazmin querida!
Chamou Ana, fazendo com que um cutucão de Camila despertasse Jazmin.
– Sim? – Falou pela primeira vez.
– Se não estiver bem, pode faltar hoje. – Disse Ana, fazendo a cigana balançar a cabeça negativamente.
– Não, eu estou bem.
Sorriu amarelo, o que não convenceu. Mas Ana não iria discutir, sabia que estava sendo difícil, pois de qualquer forma, ela teria que superar aquilo mais cedo ou mais tarde.
A noite chegou rápido, e assim o ânimo das garotas diminuiu. Não apenas de Jazmin por tudo o que havia acontecido, mas Camila, por mais difícil que possa parecer, não estava em um de seus melhores dias.
– O Michel quer me encontrar essa noite!
– E o que você disse? – Perguntou a cigana enquanto abriam o lugar para a espera dos clientes.
– Que não! É óbvio! Mas ele não ouviu, disse que me veria hoje à noite.
A cigana notou a preocupação de Camila, mas de qualquer forma achou aquilo engraçado. Eles viviam um amor impossível em uma situação engraçada. Às vezes se identificavam, mesmo que sua relação com Bernardo estava longe de ser considerado algo mágico.
– Por que está rindo? – Perguntou Camila percebendo o sorriso pensativo da cigana.
– Nada.
As luzes foram ligadas, o local estava bem maior do que quando Jazmin entrara. Definitivamente as “Garotas Martinez” havia crescido muito. Não demorou para o lugar lotar como em todos os finais de semana, ficando lotados de homens, principalmente, querendo ver alguma das garotas dançar.
Camila e Jazmin dificilmente podiam conversar, já que o trabalho ali não era muito fácil. A cigana foi se vestir para a sua dança que aconteceria daqui à uma hora, até que Ana a barrou.
– Jazmin, hoje Daniele vai dançar no seu lugar, sei que não está bem. – A cigana sorriu, definitivamente não estava, dançaria mal se fosse obrigada a subir no palco. – Vá ajudar Camila com as mesas.
– Obrigada Ana!
Enquanto Caminhava em direção a Camila mal notava os olhares que eram lançados sobre ela. Depois da festa de ontem, todos a conheciam como propriedade exclusiva de Bernardo Guilertina. É claro que compreendiam tal escolha. Cada dia que passava a beleza daquela garota se tornava ainda maior.
Aproximou-se de Camila, fazendo a amiga virar e se aproximar.
– Obrigada por vir me ajudar. – Disse Camila se atrapalhando com os copos. — Sirva as mesas sete e dez.
Jazmin concordou com a cabeça seguindo para a mesa sete. Atendeu um homem calmo, quase que mudo de aparência robusta. A cigana o serviu uma champanhe e seguiu para a mesa dez.
– O que? – Assustou-se.
Bernardo estava lá... O que faria? Pensou em atender a mesa normalmente, mas não conseguiria, pensou em fugir, Camila a mataria... Então, só restava trocar de mesa.
Virou de costas e saiu caminhando, enquanto de longe, Bernardo avistara a sombra de um cabelo desaparecer rapidamente. Lembrou-se:
...
“– Sabe quem eu sou menina? — Bernardo entrou no quarto, passando por entre os móveis e indo em direção a Jazmim. Como um caçador que persegue a sua presa.
– Não. Mas se não sair agora eu vou gritar.”
...
Os ternos finos o faziam um homem importante. Arrumou os cabelos antes de entrar e andara normalmente até uma das mesas. É claro que passou despercebido, até porque já estava acostumado a se enturmar.
– Hei você! – Sussurrou para uma garota morena que andava desconfiada. – Jazmin!
– Como sabe o meu... Há é você Michel... – Gargalhou. – Tá elegante hem.
– Aqui eu sou Frederico Galvea!
– Há claro! – Jazmin sorriu. – Vai ter que esperar um pouco, a Camila está um pouco ocupada.
– Espero todo o tempo do mundo por ela!
A cigana sorriu se afastando da mesa e indo até Camila.
– Troca de mesa comigo... – Jazmin trocou suas cadernetas fazendo Camila a olhar indiferente.
– Tá mais, por quê?
– Não importa. – A cigana disse séria. – Tem que se preocupar com um certo garoto que está na mesa!
Camila fitou uma mesa de fundo onde Michel a olhava com um sorriso.
– Não acredito!
Jazmin apenas observou Camila sair bufando e discutindo discretamente com Michel na mesa. Girou os olhos e saiu de perto, acabando de servir o resto das mesas.
Bernardo observava com atenção cada traço do corpo da garota que dançava em sua frente. Por segundos pensou que Jazmin estivesse lá, mas não, não podia confundir as coisas. Balançou a cabeça várias vezes, enquanto Ana sentou ao seu lado.
–Gostou dela Bernardo? – Perguntou Ana observando o olhar do amigo.
– Preciso esquecer uma pessoa. – Disse Bernardo tomando um gole de Uísque.
– Por que?
– Percebi que nunca vou poder fazê-la feliz.
Ana observou Bernardo se levantar, e assim a garota desceu do palco e saiu com ele. Os dois foram em direção a um dos quartos, enquanto Ana continuou sentada.
Seu coração disparou, nunca pensou que você difícil ver aquela cena. Jazmin virou de costas, na queria ver aquilo, tentou ignorar... Por que a surpresa? Ana percebeu que Jazmin estava vendo, mas não podia fazer nada... A cigana caminhou em direção a Camila, que já estava aos beijos com Michel no fundo da boate.
– O que houve?
– Eu o vi... Ele saiu com outra na minha frente. – Disse Jazmin enojada, pegando o copo de Uísque da mão de Michel e tomando um gole.
– Hei! Relaxa...
– Eu vou. – Jazmin fez cara de nojo, fitando o copo. – Que coisa horrível é essa?
Ela saiu rapidamente dali, deixando Camila com Michel, que continuaram juntos. Jazmin atendia as poucas mesas que faltava, pois logo começou os shows. Respirou fundo.
Sentou-se na mesa do bar que era afastado do palco e apoiou a cabeça em uma das mãos. Não demorou até sentir uma mão lhe tocando o ombro.
– O que uma jovem linda como você faz sozinha?
Jazmin se virou, dando de cara com um homem jovem de vinte e cinco anos, esbelto, de cabelos e olhos negros.
– Estou trabalhando. – Disse séria. – Você nem vou perguntar.
O homem sorriu fazendo um sinal para o barman servir dois copos de bebidas.
– Me chamo Saulo, e você?
– Julieta. – Jazmin sorriu, lembrando-se do falso nome que Ana lhe dera.
– O seu verdadeiro nome... Sei que tem um.
A cigana ficou em silêncio, enquanto Saulo bebeu todo o copo de uma vez.
– Jazmin.
– Mais lindo ainda!
Saulo sorriu, erguendo o copo em direção ao rosto de Jazmin fazendo a garota segurar. Olhou para trás... Bernardo provavelmente estaria com aquela garota agora... Respirou fundo. Afinal... O que mudaria se fosse se divertir um pouco?
Jazmin bebeu, sentindo o gosto amargo lhe queimar a garganta.
– Mais dois. – Disse Saulo. – Você não parece bem...
– É porque não estou. – Comentou Jazmin. – Mas isso não importa mais agora.
Saulo a observou, bebendo mais um copo em dois goles. Sorriu.
– Um brinde ao futuro então. Que o passado fique no passado.
O homem ergueu o copo, tomando a bebida de imediato. Jazmin apenas apoiou a cabeça nos braços novamente, fechando os olhos.
– Hei menina... Você está bem?
– Não sei. – Jazmin levantou a cabeça, gargalhando. – Acho que sim...
Após meia hora no bar Jazmin já estava tonta, alterada... Nunca havia bebido, ainda mais daquela forma. Sentia-se bem, parecia que em seu coração não havia mais magoa, ela estava feliz, parecia gritar por dentro.
– Vamos para o quarto...
Saulo se levantou, puxando a mão de Jazmin, fazendo a garota se levantar. Ele a apoiou sobre o corpo e os dois caminharam até a parte de trás...
– Onde estamos indo?
– Para o quarto querida, já disse. – Respondeu Saulo. – Vamos brincar.
Jazmin sentiu a mão de Saulo lhe apalpar a perna, enquanto o mesmo abrira a porta do quarto. A garota se perdeu, não sabia mais onde estava, o que estava fazendo... Tudo parecia rodar em sua cabeça.
– Vem aqui...
Saulo a puxou fazendo seu corpo cair sobre a cama e ele beijar seu pescoço. Jazmin gargalhou, tentando levantar fazendo ele prender seus braços. A mão esquerda de Saulo deslizou por entre suas pernas fazendo Jazmin ter um leve flash de memória... Vira Bernardo. O ódio e a amargura haviam voltado, o que fez a garota sair de baixo de Saulo e ficar em cima, beijando seus lábios.
– Assim vai me deixar louco. – Sussurrou o garoto.
Jazmin tirou a blusa fazendo Saulo beijar seus seios enquanto sua saia subiu até a cintura. Ela gemeu baixo.
Parecia que algo havia possuído seu corpo... Aquela não era Jazmin, não como ela própria se conhecia. Porém, tampouco se importou como sentiu isso naquele momento.
Saulo deitou em cima dela, a fazendo sentir seu pênis pulsando, pressionando a calcinha de Jazmin, enquanto a garota gemia alto. Mordeu os lábios inferiores e esperou ser penetrada por Saulo. Se perdeu, não sabia o que estava acontecendo... Não sentira absolutamente nada.
A figura loura lhe cobriu os olhos, e só o que Jazmin conseguiu enxergar quando foi levantada era Saulo caído no chão desmaiado. Sentiu aquele cheiro quando o casaco lhe cobriu o corpo, era Bernardo...
– O que está fazendo? – Jazmin esperneou, mas isso não fez Bernardo a soltar. Em menos de segundos os dois já estavam entrando no quarto de dentro da boate. – ME SOLTA!
– CALA A BOCA! – Bernardo gritou, parecia transtornado. Seus olhos brilhavam de raiva.
– O que você quer? Já deixou bem claro que nada que tem a ver comigo interessa pra você. – Disse Jazmin, tentando se manter em pé.
– Não é verdade. – Disse Bernardo.
– ENTÃO O QUE É? VOCÊ FICA COM OUTRAS MULHERES E EU NÃO ME IMPORTO!
Bernardo a olhou nos olhos, um pouco surpreendido. Na verdade, não sabia que Jazmin os vira entrar no quarto.
– Então foi por isso?
– Não foi por nada... Foi por mim... Eu não posso mais continuar vivendo assim! – Os olhos da cigana se encheram de lágrimas fazendo Bernardo se aproximar. – Você prometeu... Prometeu que não iria me magoar, e repetiu tudo mais uma vez!
– Eu sei. – Bernardo respirou fundo, levantando seu rosto. – E ontem eu percebi isso. Percebi que eu vou ser sempre assim, não importa o que aconteça. O que vivemos foi bom, mas foi apenas uma fase.
– O que quer dizer? – Perguntou a cigana, se afastando. – Que foi apenas uma... Brincadeira?
– Foi... Uma diversão... Mas não queria que chegasse a esse ponto.
A garota abaixou a cabeça, ficando em silêncio por alguns instantes. Bernardo estava sério, frio, como quando Jazmin o conheceu. Seu coração parecia ser novamente engolido pelo gelo.
– VOCÊ ESTÁ MENTINDO! – Gritou Jazmin, fazendo Bernardo a olhar surpreso. – E TUDO O QUE PASSAMOS? E O INCIDENTE, A DANÇA, AS LÁGRIMAS? VAI ME DIZER QUE NÃO SENTIA NADA POR MIM?
Bernardo observou aquela face, cada expressão daquele rosto angelical. Não queria magoá-la... Vê-la chorar era como dar um próprio tiro em si mesmo. Mas o que faria? Já havia tomado uma decisão... Pois agora tentaria voltar para a pessoa que sempre costumava ser... Para a pessoa que uma garotinha cigana, havia conseguido enterrar por um longo tempo.
– Eu não... Não sinto nada por você.
Ela derramou as lágrimas presas. E a verdade, para os corações arrependidos, era que estava sendo mais difícil para Bernardo falar aquelas palavras do que para Jazmin escutá-las. Confuso... Mas real.
Bernardo se afastou , indo em direção a porta e a abrindo. Porém, perguntas fortes o impediram se colocar o pé pra fora de imediato.
– Então quer dizer que... Tudo o que disse... Tudo o que aconteceu... Todas as coisas... Foram mentiras?
Ele não tinha resposta para aquilo, e de fato, decidiu ignorar. Não havia como responder. Deixou de olhar para trás e bateu a porta em suas costas, deixando a cigana no sofá do quarto abandonado. Perdida, triste... Se fosse há anos atrás se sentiria aliviada, mas agora... Tudo se tornou tão diferente. Bernardo passou a ser a sua felicidade.
– Me desculpe... – Sussurrou Bernardo atrás da porta, ainda ouvindo os soluços de sua cigana.
...
O carro luxuoso estacionou em frente à mansão. A mulher loura que colocou o pé pra fora foi à mesma que havia sido expulsa a mais de um ano de lá. Estava a mesma, porém seus gostos haviam mudado um pouco... Caminhou com suas malas até a porta da frente e tocou a campainha. Respirou fundo, olhou mais uma vez para seu relógio de bolso e esperou a porta ser aberta.
De dentro da casa surgiu Sandra, já na espera.
– Bem — vinda de volta senhora... Rebeca.
Sandra falou com certo desprezo, mas a mulher nem se importou. Deixou suas malas para a empregada e entrou na casa, atirando-se no sofá com um sorriso.
– Estou de volta!
Notas finais
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- Bernardo, por favor, não consegue enxergar? Essa menina mudou você. Ela te fez ser um homem melhor!
- Não diga bobagens Ana!
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- NÃO DEIXE O SEU PASSADO INTERFERIR NO SEU FUTURO! ESTÁ PERDENDO NOVAMENTE A CHANCE DE SER FELIZ!
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- Olhe nos meus olhos e diga que tudo o que passou com aquela cigana acabou! Eu não vou me submeter a isso novamente!
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- Ele quer me provocar? Vai ver o que é provocação...
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- O QUE ELA ESTÁ FAZENDO?
- TIRÁ ELA DE LÁ!
...
Bjs espero que gostem. O próximo cap promete... O que vocês acham que Jazmin vai fazer? :)
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