Ciel Bleu
5 Do Tártaro, Dlevin.
Após a primeira taça, peguei Cheryl no colo e a levei até a cama. Ela estava grávida, então não tomou mais do que uma taça de champanhe. Acho que eu bebi a garrafa quase inteira sozinho.
– Então, Cheryl, aqui estamos, no Caribe, em lua de mel. Alguma consideração? – Perguntei, tentado desviar o olhar de seu corpo, tentando esconder a vontade que estava sentindo no momento. – Parece que alguém quer brincar a noite inteira... – Provocou ela. – E se eu te dissesse que não quero brincar hoje? – Perguntou ela, me instigando. Eu amava quando ela fazia isso. Deixava-me louco. – Se você me dissesse isso, teríamos sérios problemas. – Respondi, deitando-a na cama e prendendo-a pelos pulsos. Cheguei perto do pescoço dela e sussurrei: Cherry. Ela amava quando eu fazia aquilo. Ela soltou um suspiro. – Mas eu não quero brincar por hoje. – Disse ela, rindo da minha cara. Oh, aquilo estava começando a ser mais do que eu estava disposto a aguentar. – Você está brincando com fogo, Cherry... – Ameacei. Deuses, aquilo era divino. – É porque eu quero me queimar. – Respondeu ela, beijando meu pescoço. – Você quer que eu te queime? – Perguntei. Cheryl, Cheryl... Eu não sabia se era ela ou a bebida, mas eu estava estranhamente ativo no momento. – Você me ama, Jake? – Perguntou ela, me atiçando mais do que eu julgava ser capaz de aguentar. Cheryl no comando. Uma situação no mínimo excitante. A adrenalina corria em minhas veias, fazendo com que eu parecesse estar à um passo de literalmente estourar. – Você está jogando um jogo perigoso, Cheryl... – Avisei, levantando seu queixo. – Por que é que não deixamos a enrolação para depois? – Pedi, praticamente implorando para que partíssemos para o desfecho daquilo tudo. Eu gostava do meio, mas o fim era o que me atraía. – Você ainda não respondeu. Você me ama? – Perguntou ela, aproximando seu corpo um pouco mais do meu. Oh, não, aquilo era demais. – Você ainda pergunta? – Respondi, a puxando para mais perto ainda. – Pare de brincar comigo, Cheryl... – Não mesmo. Hoje quem brinca com você sou eu. – Disse ela. Ela se levantou, e foi ao banheiro. Um minuto depois, voltou com a lingerie mais linda do mundo, vermelha, ardente como ela. – Então venha e brinque. Me deixe ser seu parque de diversões. – Implorei, somente de cueca, deitado na cama. – Hm, acho que vou deixar você implorar um pouquinho mais. – Ameaçou Cherry. Não brinque comigo, garota... – Pare com isso, Cheryl... – Não estou a fim. – Disse ela. Novamente, eu a prendi pelos pulsos. – Vou repetir: Você está brincando com fogo. – Eu quero me queimar. – Respondeu ela, me beijando. Era agora. Nesse momento. Agarrei-a pela cintura, e a segurei tão perto de mim que era possível sentir sua respiração. – Então você será meu parque de diversões. – Respondi, sem me conter. – Finalmente você entendeu. – Cheryl então relaxou. – Então eu vou dizer, só mais uma vez. Você está brincando com fogo, e quer se queimar. Quer que eu te queime? – Por favor. – Pediu Cheryl. Explosões. Prazer. Amor. Cheryl. Eu. Aquela, com certeza, foi a melhor noite da minha vida. Acho que nós acordamos metade do hotel. Mas e daí? No outro dia, acordei antes de Cheryl. Normalmente era o contrário. Pelo tanto que eu achava que tinha bebido na última noite, eu deveria estar péssimo, mas não estava. Eu nunca tinha ressaca. Sorte? Não, genética. Meu pai é Dionísio, deus do vinho, e minha mãe também adorava uns goles de vez em quando. Liguei para o serviço de quarto, e pedi o café da manhã. Cereal, leite desnatado e café para Cherry, ovos com bacon para mim. Quando Cherry disse ao ginecologista que estava grávida, ele fez um trilhão de testes, e tudo deu negativo. Mas não é recomendável que uma grávida coma coisas tão insalubres, e acho que o champanhe de ontem havia sido demais. Ainda era difícil ver que ela estava grávida. Se fosse prestada muita atenção, era possível ver um pequeno relevo na barriga de Cherry, mas nada aparente. Trouxeram nosso café da manhã, e eu o coloquei sobre a mesa, quando acordei Cherry. – Bom dia, mamãe – Acordei-a, beijando seu rosto. Ela se virou para mim, e espreguiçou-se. – Não posso dormir mais um pouquinho? – Pediu ela, manhosa. – Não mesmo. Não viemos em lua de mel para dormir. Isso nós podemos fazer em casa. Viemos para outra coisa. – Fazer mais bebês? – Perguntou, levantando uma sobrancelha. – Teoricamente. – Ri. – Agora vamos comer. – Seu grosso. Por que não é um pouco mais delicado? – Você não curte o Jake bravo? – Perguntei, fazendo a cara de malvado mais ridícula do mundo. Ela riu. – Não, prefiro acordar com o Jay alegre. – Dá pra parar de me chamar de Jay? – Só se você parar de me chamar de Cherry. – Eu ri. Eu não pararia de chama-la de Cherry nunca. – Tanto faz. Bem, então vou ser bonzinho com você – Anunciei. Ela sentou-se na cama, eu peguei uma bandeja e levei o café dela na cama. Ela me beijou e começou a comer. Bem devagar, porque ela tinha sérios problemas com enjoo, então desde que havia engravidado, se comesse qualquer coisa à uma velocidade maior do que a velocidade “lesma”, ela vomitava. E tanto ela quanto o bebê precisavam de nutrientes, então ela tinha de comer bem devagar. Enquanto comia, ela perguntou:
– Jay, como vai seu olho? – Perguntou ela. Eu não havia contado à ninguém sobre a visita de Eros, e ainda usava as bandagens. Contei para ela sobre tudo. – Eu não confio em Eros. E Hades me dá arrepios. Continue com a bandagem, seria melhor se ninguém soubesse. Vamos falar com Quíron quando voltarmos ao acampamento, sim? – Pode ser. Agora termine de comer. – Cherry terminou de comer após um tempo, e eu comi meu café da manhã também. – Vamos à praia? – O hotel tem praia particular? – Perguntou ela. – Tem. É nela mesma que nós vamos. Abra o frigobar, vamos levar algo para comer. – Cherry abriu o frigobar, pegou alguns refrigerantes, alguns sanduíches, jogou em uma bolsa, colocou seu biquíni, pegou os óculos escuros e me esperou trocar de roupa. Coloquei um short, peguei meus Ray-Ban, chinelos de dedo. – Você está precisando voltar para a academia. – Concluiu Cheryl. – Ah, dê um desconto. Eu nem estou tão mal assim. – É, tá gostoso. – Disse Cherry. Eu ri. Ela me puxou para mais perto. Uau, que fera Cheryl estava me saindo. Mais uma vez? – De novo, Cheryl? – Ainda são 9 horas. Se nós demorarmos duas horas aqui, ainda será suficiente para pegar um sol legal. – Duas horas? Você está louca? Acho que eu gastei fôlego demais ontem... – Só o começo, Jay. Acho bom você conseguir um estoque extra. – Disse ela, me jogando no chão. Cheryl era demais. Mas ainda tínhamos de ir à praia. Terminando tudo e nos vestindo novamente, rumamos à praia. Quando chegamos, um funcionário do hotel nos recebeu e colocou o guarda-sol na areia. – Você vai entrar na água? – Perguntei. Estávamos sozinhos na praia privada. Eu acho que já sabia no que ia dar. Cheryl era uma onça. – Não, deve estar gelada. – Que pena. – Ri. Peguei ela nos braços e corri até o mar. – Me solta, Jake! – Reclamou ela. Mas eu não soltei. Joguei ela no mar. – Eu vou acabar com você! – Ela disse, dando um tapa na minha cara. – Achei ofensivo. – Tentei ficar bravo. – E eu achei ofensivo você me jogar na água. Está gelada. – Reclamou ela. Então ela me beijou, e depois mordeu meu pescoço. – Garoto mau! – Então o mar em nossa volta se tornou bem gelado. – Acho que Poseidon não nos quer aqui. – Seria uma boa ideia obedecer, acho que ele é mais poderoso do que qualquer um desses funcionários do hotel. – Saímos do mar e fomos em direção ao guarda-sol onde estava a comida. Peguei um sanduíche. – Cheryl, qual vai ser o nome do nosso bebê? – Depende. Se for menino vai ser Lucca. Se for menina vai ser Johanna. – Mas eu não gosto de Johanna. – Só lamento. – Que tal Jennifer? – Não, Johanna. Podemos discutir isso depois. – Ela disse, mordendo um sanduíche. Um funcionário do hotel surgiu. – Com licença, senhora, será que poderia me acompanhar? – Pediu ele. – Ahn? Sim, claro. – Será rápido. – Prometeu ele. Sentei-me olhando o horizonte. A praia parecia tão bela por lá. Eu me lembrei de quando estava me tornando um imortal. A dor era terrível. Apolo havia me prevenido disso. Assim como a bênção do Estige, você deve ter uma lembrança para prendê-lo à vida enquanto torna-se um imortal. No caso do Estige, é necessária uma lembrança para que não se morra nas suas águas. Minha lembrança enquanto o ícor dourado tomava conta de meu corpo era a imagem daqueles que me não desistiram de me salvar. Cheryl, Fael, Celine e Jesse. Em especial Cheryl. Tirei meu estilete do bolso. Era aquilo o que tinha me salvado de morrer pelas mãos de Dlevin, era o que tinha salvado à todos nós. Foi um presente de meu pai quando eu completei dezesseis. Acho que todo semideus tem algo quando completa dezesseis. Fael ganhou o arco. Jesse recebeu o soco inglês. O presente de Cheryl havia sido entregue a mim, para que eu a entregasse assim que possível. Era uma adaga com um padrão um bocado estranho, dentada. Seria melhor como uma faca de caça do que como adaga. Porém Cheryl é capaz de usar ambas. A adaga se disfarçava como um alfinete, e era extremamente afiada. Celine não havia recebido presente algum. Na verdade, ela preferia não receber. Ela odiava o pai, não sem motivo. Até pouco tempo atrás, ele havia feito com que Fael fosse incapaz de amar. Ouvi alguém se sentando ao meu lado. – Eu gosto de vocês dois. – A pessoa disse. Era uma mulher, estonteantemente bonita. – Afrodite. Que está fazendo aqui? – Vim lhe dizer algo que está acontecendo. – Ruim? – Péssimo. Dlevin está de volta. – Ela avisou, séria. Eu gelei. Dlevin, vivo? – Mas... Como ele... Eu não o matei? – Matou. Mas algo o trouxe de volta, e Hades está tão confuso sobre isso quanto nós. Existem poucas pessoas que podem abrir as portas da morte, mesmo que para somente um ser. Thanatos, Hades, de certa forma Perséfone... Já perguntamos à todos eles, e eles juram pelo Estige que não fizeram nada. Até porque realmente não fizeram. É possível ver em seus olhos. Algum traidor reabriu as portas. Não víamos isso desde... Não me lembro. Mas não tem pouco tempo. – Por que está me dizendo isso? – O Acampamento Júpiter e o Acampamento Meio-Sangue se reuniram novamente. A guerra está começando. E nós precisamos de soldados. À partir de agora, Jake, você é o Marechal Rouge. – Isso quer dizer que... – Eu sinto muito. Sua lua-de-mel terá que esperar.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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