Cidade dos Lagos

1 Final de ferias & sanduíches


O verão está acabando e a melhor época do ano está começando, ela poderia ser melhor ainda se as aulas não começassem daqui a algumas poucas duas semanas e meia, de qualquer forma, nada de calor, de calçadas tão quentes que poderiam se fritar ovos nelas, nem dias em que não conseguia ficar dentro de casa e que o ar condicionado quase pifava por estar ligado no máximo 24 horas por dia.

Depois de dois dias trancafiada dentro de meu enorme quarto, me recuperando da viagem de duas horas de avião de minha antiga casa para cá, uma pequena e rica cidade no norte Nova Iorque, eu resolvi colocar os pés para fora. Jenna disse que isso é um completo exagero, já que uma viagem de duas horas de avião não mata ninguém, muito menos exige um repouso de dois dias, mas eu estive muito bem, com meus livros, fones, meu celular o carregador dele durante esse tempo. Ah claro você deve pensar que eu tive que sair algum momento para ir ao banheiro. Ai que você se engana. Não sei se é em todas, mas isso não é uma casa é praticamente uma mansão, há um banheiro em cada quarto, então nada de problemas nessa questão.

Jenna parece estar realmente feliz a me ver fora do quarto, disse que está contente por eu querer vê-la. Bem então acho que não devo dizer a ela que o real motivo de eu sair de lá é que depois desse tempo, a fome, finalmente me venceu então eu tive que escapulir de lá de uma vez para comer alguma coisa. Eu sou o tipo de pessoa que realmente engana, posso ser magra, mas quando vejo alguma coisa que eu goste tipo sanduíches de atum, deus não há quem me segure de comer pelo menos uns dez.

Coloco os pães fatiados a minha frente, quatro, um ao lado do outro, Jenna está sentada a minha frente do outro lado do balcão de mármore e madeira em uma cadeira alta de forro vermelho vivo, dando a falsa impressão de ela ter pelo menos um e setenta, não tem. Seus cabelos alaranjados estão jogados sobre os ombros curtos de uma forma graciosa, sendo iluminados pela luz do sol adentrando a cozinha pelas amplas e altas janelas.

– Então o que acha de darmos uma volta pela cidade? – Ela me pergunta caçando uma maça verde da cesta de vime vermelha e a lavando na pia sem sair do lugar. – Comprar algumas coisas para o seu quarto, roupas novas para a escola e um vestido também. – Jenna parece fazer uma lista mental para si mesmo então se volta a mim mordendo delicadamente a maça.

– O que quer dizer com um vestido também? – Pergunto pescando um pepino do pote de conserva com um garfo.

– Nada, por quê?

– Porque ele não entrou junto com roupas da escola? – Me volto a ela com a sobrancelha direita e o garfo com um pepino cravado nele levantados em duvida a encarando.

– Ah isso... Então eu sei que você não está mais acostumada com isso, mas eu queria que você fosse a uma festa comigo... – Minha tia ruiva parece escolher as palavras com cuidado.

– Jenna eu te disse que eu não... – Mordo o pepino com força.

– Olha eu prometo que se acontecer alguma coisa, nos voltamos para casa no exato momento. — Ela sorri levemente, mas sinto a força que ela está utilizando para isso.

– Mas porque você quer que eu vá? – Indago mais calma me sentando e ficando tão falsamente alta quanto ela.

– Todo mundo que é alguém nessa cidade vai, por favor, eu quero você comigo, e você pode conhecer algumas pessoas que vão estudar com você.

– Isso não me deixou mais animada para ir Jenna. Tenha certeza. – Passo maionese com a faca deslizando ela pelos pães. – Eu vou pensar no seu caso e até o final do dia eu te digo se vou ou não certo?

Falo de uma forma superior que chega a ser engraçada guardando todo em seu devido lugar, Jenna sorri. Empilho um pão sobre o outro e caminho para fora da cozinha pelo longo corredor com três portas durante sua extensão todas para a esquerda. Subo para o meu quarto e em pouco tempo o meu café da manhã ou almoço, é triturado e eu já estou com fome de novo.

Mas para me poupar de mais um encontro com Jenna e seus planos de passeio super animados coloco um agasalho e vou correr, atravesso o jardim e os dois homens com tesouras aparando o canteiro. Com meus fones no ouvido e minha melhor seleção de musicas indie no ultimo volume. Corro pela calçada bem nivelada, a rua vazia as arvores com folhas caindo levemente sendo levadas pelo vento, as enormes casas de enormes quintais com carros do ano altos.

Olho ao redor, o céu está levemente nublado o ar está pesado e úmido, e eu gosto assim, fecho os olhos por dois segundos logo continuo meu caminho num ritmo muito bom. Todo aqui está exatamente igual a quando estive aqui da ultima vez, talvez tivesse mais glamour como Jenna costuma dizer, mas de qualquer forma está igualmente familiar.

Cheguei ao portal do bosque municipal, paro encarando o arco de ferro com videiras enrolando como cobras e aquela sensação estranha me atacando mais uma vez, então a fome me trouxe de volta. Quero mais sanduíches. Penso comigo mesmo, começo a caminhar de volta para casa, ver o parque me fez perder toda a vontade de correr.

Tenho vontade de ver as luzes da casa refletindo no lago, o cheiro das ervas cultivadas na parte de trás de casa na clarabóia de vidro reluzente e perolado, os moveis antigos e bem cuidados. Ela deve estar fechada há anos, desde a morte de meus pais, desde que a vovó morreu. Eu sinto falta de lá, não que a casa de Jenna seja ruim, eu passei muito tempo lá também, mas eu realmente gostaria de voltar pelo menos uma vez lá.

Notas finais
Preciso muito de opiniões, por favor C: