Cidade dos Lagos
4 Batalha de constrangimentos
Bem eu realmente me enganei, tentei abrir as portas com as chaves que tinha comigo, mas todas elas não deram resultado algum, deviam ser umas vinte pelo menos, eu tinha certeza que eram essas.
Me sento frustrada num dos tres degraus da escada da varanda e percebo quanto tempo passou desde que entrei no parque, imaginava umas duas horas no maximo, olho o ceu escurecendo coberto de nuves tempestuosas e o relogio do meu pulso marcando seis e meia. Realmente não vi o tempo passar.
Me levanto fechando o casaco pois um vento frio começa a soprar repentinamente, tomo a trilha que leva a primeira casa então a chuva que eu realmente desejei que caísse um pouco mais tarde, começa agora, corro colocando em mente a cobertura da varanda da primeira casa. Então vejo luzes o que me remete a calor e eu preciso muito de calor agora, corro até lá com meus coturnos e encontro outra casa, a qual eu nunca pude chegar perto quando era menor, mas agora quem se importa?
Subo na varanda e deixo um rastro de lama atrás de mim, vou ter que me prontificar a limpar isso quando a chuva passar. Bato na porta com certa força e a luz da janela ao lado se acende, eu daria um sorriso agora se não estivesse morrendo de frio.
A porta se abre e dou de cara com o garoto do Black Tie dois.
Então uma batalha de constrangimentos: eu parada molhada e com lama nos pés, ou é o fato de eu estar o encarando fixamente como se ele fosse um sanduíche. Balanço a cabeça levemente, mas não tão leve porque esse movimento se integrou ao meu corpo tremulo.
– Então, eu estava na minha casa, fechada e sem luz, tentando abri-la. Então estava ficando escuro e eu começou a chover, e cá estou eu...
– Então Alex entra. – Ele diz e eu quase caio para trás. Entro calmamente parando sobre o tapete com um pouco de lama sobre ele e ao lado da porta botas sujas. – Não se importa de tirar as botas não é, Carrie me mata se eu sujar o chão dela.
Ao dizer isso me lembro de toda a lama que eu deixei na varanda. E como se ele já me conhecesse e muito bem, tiro minhas botas e as deixo ao lado do outro par. A casa e estranhamente familiar eu nunca estive aqui antes, mas e como se eu conhecesse cada canto. Talvez porque ela seja realmente muito parecida com a casa dos Angret. Os moveis antigos e rústicos e as tapeçarias espalhadas por ai com objetos antigos e caros por todo o lugar.
– Então você parece já saber o meu nome. O que é meio estranho. Mas eu não sei o seu.
– Sou Daniel. – Ele diz fechando a cortina, a observando como se estivesse se certificando que ninguém lá fora veja algo daqui, como se tivesse alguém lá fora. – Daniel Pierce. Você pode esperar aqui, vou te trazer uma toalha certo?
Concordo sorrindo levemente, e tentando controlar o meu tremor. Me lembro do que Jenna disse sobre não conversar com um Pierce de forma alguma. Estou fazendo isso pela segunda vez e não consigo entender o que há de mal com o Daniel o garoto Black tie dois. Falando em Jenna. Meu celular toca e The pretender do Foo Fighters começa a tocar ele deve estar muito molhado, e eu não consigo encontrá-lo em um dos meus quatro bolsos. E me sinto estúpida por causa disso. Ao encontrá-lo o atendo na minha parte favorita da musica, droga.
– Oi Jenna.
Digo calma e casualmente mesmo sabendo que ela vai me matar de qualquer jeito, mesmo que saiba ou não onde eu estou.
– Alexandra Angret terceira onde você está?!
Jenna com certeza não casual muito menos calma, respiro fundo tentando não piorar a tremedeira.
– Eu estou na casa do lago, esperando a chuva passar. Eu consegui entrar, eu liguei os disjuntores que estavam funcionando e consegui acender algumas luzes,eu passo a noite aqui, não se preocupe.
– Eu vou ai te buscar! – Ela exclama parecendo estar com raiva, mas não com tanta como há dez segundos atrás.
–Eu sei que tem uma reunião amanhã e tem que viajar, não precisa se atrasar por minha causa. Vai ficar tudo bem, eu prometo que fecho todas as portas, nenhum urso pardo vai me comer enquanto durmo. – Digo tentando ficar mais calma ainda, e não está funcionando.
– Está bem, mas quando voltarmos pra casa, teremos uma conversa muito seria.
– Está bem. – Digo em concordância. – Tchau Jenna.
– Tchau.
Desligamos, e ai está assinada a minha sentença de morte. Será que devo fazer um testamento deixando os meus CDs do paramore, kings of Leon e Foo Fighters pra as futuras gerações de Angret, filhos de Jenna?
– Alexandra Angret terceira porque está mentindo para sua tia? – Daniel aparece segurando uma toalha. E agora batalha de constrangimentos numero dois: O fato de ele ter me chamado pelo nome completo, Alexandra Angret terceira. Ou por eu estar observando seus olhos verdes quase sem perceber de uma forma constrangedora e estupida.
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