Toshio fechou os olhos. A luz de Sirena o estava cegando aos poucos. Ele sabia que não teria mais muito tempo de vida.

Porém, algo estranho aconteceu. Ele ouviu um barulho muito alto. Aos poucos, a luz foi desaparecendo, e ele abriu seus olhos.

Sirena estava imóvel. A luz havia desaparecido de suas mãos. Aos poucos, ela caiu de frente para Toshio, que a abraçou.

– Ei... Mas o quê...? — Perguntou Toshio confuso.

Foi quando ele viu o que aconteceu: Havia um buraco de bala nas costas de Sirena. Ao olhar para frente, viu Saki ofegante, segurando a arma. Fumaça saía do cano do revólver.

– Saki...? — Disse Toshio assustado.

Toshio carregou Sirena e a repousou no chão, em meio ao gramado da praça.

– ...Saki... — Disse Sirena, em voz baixa.

Saki jogou a arma longe. Em seguida, correu até Sirena.

– ...Eu... Não sei... O quê... Estava... Fazendo... — Disse Sirena.

– Não fale! — Disse Toshio — Você tem que poupar sua eneriga!

Sirena deu um leve sorriso.

– Tudo bem... Acho que... Meu tempo aqui... Acabou...

Saki fechou os olhos. Lágrimas começaram a escorrer.

– Saki... Agora eu entendo... A verdadeira razão... Por que eu te chamei... Pro meu templo...

Saki não entendeu.

– ...Eu precisava de alguém... Que pudese me parar... Quando eu perdesse a razão...

Saki baixou a cabeça e continuou a chorar em silêncio. Toshio segurou a mão direita de Sirena com suas duas mãos.

– ...Não se preocupe... Mesmo sendo apenas um ser humano comum, eu posso sentir que você é uma boa pessoa.

Sirena riu.

– ...Obrigada...

Sirena olhou para o céu. As nuvens estavam se dispersando. Pequenos raios de sol começavam a surgir.

– ...Vejam...

Saki e Toshio olharam para o céu.

– ...É o céu... Nos avisando... Que a escuridão... Se foi.

Sirena fechou os olhos. Saki gritou. Seu grito ecoou pela praça.

A vida da sacerdotisa Sirena havia chegado ao fim.

Saki sentou-se à beira de uma árvore e baixou sua cabeça, enquanto cobria seu rosto. Seu pingente começou a brilhar. Era sinal de que suas amigas estavam entrando em contato.

– ...Péssima hora dessas garotas. — Disse Toshio.

Saki atendeu, mas continuou em sua posição.

– ...Saki?! O que aconteceu?! — Perguntou Reika assustada.

– Ah... A... A sacerdotisa?! — Gritou Alexia ao ver Sirena deitada no chão.

Toshio se aproximou.

– ...Saki... Deixe que eu explico tudo pra elas.

Toshio explicou à Alexia e Reika tudo que aconteceu, desde que chegaram na praça. Nos mínimos detalhes, ele narrou desde que encontraram Sirena até o momento em que ela deixou esse mundo.

– ...Isso... Isso é terrível... — Disse Alexia.

Reika ficou em silêncio. Ela nem sequer sabia o que dizer. Foi quando Saki se levantou. Seus olhos estavam vermelhos devido às lágrimas.

– ...Saki... Eu sinto muito que você teve que fazer isso... — Disse Alexia.

– Você foi muito corajosa... — Comentou Reika.

– Mas e agora? — Perguntou Toshio — O que vai ser... Dela?

Reika e Alexia pensaram.

– ...A população do nosso reino vai querer saber o que aconteceu com a sacerdotisa. — Disse Alexia.

– Nós podemos tentar inventar uma história, mas... Isso comprometeria todas nós. — Disse Reika.

Saki baixou a cabeça e respirou fundo. Em seguida, ela sugeriu que contassem a verdade.

– ...Mas, Saki... Se contarmos a verdade... A população vai te classificar como assassina! — Disse Alexia.

– Sirena era adorada por todos. A sua vida vai virar um inferno! — Completou Reika.

Foi quando Saki completou a sua idéia.

– Como... Como assim? Você... Você quer ficar nessa dimensão? — Disse Reika — Mas Saki...

– Eu entendo... — Disse Alexia — Se dissermos que você foi enviada para esse mundo para procurar a sacerdotisa, e que após matá-la você está impedida de voltar pra casa como punição... A história meio que se completa.

Toshio se aproximou de Saki.

– ...Saki... Tem certeza que quer fazer isso?

Saki esfregou os olhos e acenou positivamente. Alexia e Reika pareciam tristes.

– ...Vai ser complicado ficar sem você por aqui, Saki. — Disse Alexia.

– Nós vamos sentir muito a sua falta... — Completou Reika.

Reika e Alexia prometeram manter a idéia de Saki, e em seguida se despediram. Toshio se aproximou.

Saki e Toshio estavam na beira da estrada. A cidade já estava longe deles. Saki colocava algumas pedras em volta do chão. Toshio segurava uma pá, enquanto Saki tinha uma rosa em suas mãos.

– ...Saki... Eu sei que é difícil pra você, mas lembre-se do que Sirena disse... Você sempre faz as escolhas certas. Eu tenho certeza que antes de morrer ela nos confirmou que ficou feliz em ter você ao lado dela.

Saki acenou positivamente. Em seguida, se ajoelhou e colocou a rosa em meio ao círculo de pedras. Toshio observou seu carro parado do outro lado da pista.

– ...De acordo com Sirena, minha família buscou refúgio na nossa casa de férias. Então... Acho que é pra lá que eu vou...

Saki se levantou. Toshio jogou a pá pra longe. Em seguida observou o rosto da garota, ainda triste.

– ...Saki...

Toshio correu em direção à Saki e a abraçou.

– ...Se não fosse por você, talvez eu nem estaria vivo agora. Talvez eu teria me perdido nas trevas daquela cidade... E por isso... Eu não posso te abandonar!

Após o abraço, Toshio olhou fixamente para Saki.

– A casa de férias da minha família é grande, e nós temos um quarto sobrando... Por isso, eu quero que a partir de hoje, você seja parte da minha família!

Saki não sabia o que dizer.

– Você nunca mais vai voltar para sua verdadeira casa... Mas eu tenho certeza que você é capaz de começar uma nova vida aqui!

Novamente, os dois se abraçaram. As nuvens no céu finalmente se espalharam. A escuridão que antes dominava a cidade, dava lugar à luz do dia.

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