Cidade dos Espíritos - Fragmento das Sombras
2 A Ação Começa
Capítulo 2-1
Lloyd pensou um pouco e chegou a uma conclusão.
– Eu não quero causar confusão com os orcs. Acho melhor invadir o local durante a noite sem ser visto.
– Muito bem... — Disse Wart — É melhor nos prepararmos.
– Como assim? Você não pode ir comigo!
– Sinto muito, mas eu tenho que ir. Você já sabe muito sobre os orcs. Tenho que garantir que é totalmente confiável.
Lloyd pensou.
– Mas eu não posso ser visto com um orc!
– Eu dou um jeito nisso.
Wart foi até uma tenda. Após alguns minutos, voltou com outras roupas. Estava usando um par de botas, calças jeans, uma blusa de manga longa, um par de luvas marrons, um lenço cobrindo sua boca e uma faixa em sua testa. Wart era praticamente um par de olhos e roupas.
– ...Você acha que isso vai funcionar? — Perguntou Lloyd.
– Não se preocupe. Ninguém pode dizer que eu sou um orc usando esse disfarce. — Disse Wart, com a voz abafada pelo lenço.
– Mas sua estatura continua baixa.
– Ei, eu tenho um metro e quinze! Sou maior do que muitas crianças humanas.
– ...Tudo bem. Então vamos.
Capítulo 2-2
Era noite. Toda a população do reino estava em suas casas, dormindo. Lloyd e Wart se aproximaram do templo lentamente, caminhando pelas beiradas.
– O portão está logo ali. Vamos! — Disse Lloyd.
– Espere! — Disse Wart. Devido ao seu lenço, soou como "Effperi" — E quanto aos guardas?
– Não temos guardas na entrada do templo. Eu vou te mostrar porque.
Os dois se aproximaram do portão. Lloyd o abriu sem fazer barulho. Ao entrar no templo, Wart entendeu porque não haviam seguranças. O templo era praticamente um grande salão decorado, porém sem nada de interessante.
– Estranho... Onde vocês guardam as coisas importantes?
– Esse templo tem um segredo que só os seus generais conhecem. Veja.
Lloyd se aproximou da parede no fundo. Em seguida, verificou os tijolos. Um deles estava levemente solto. Ao puxá-lo, a parede se ergueu, revelando uma porta secreta.
– ...Uau! — Disse Wart impressionado.
– É aqui onde ficam as coisas importantes. Ninguém sabe disso.
Naquele instante, Wart se virou para o portão e levou um susto, avisando Lloyd. Quando Lloyd se virou, viu que havia um soldado no portão, que saiu correndo ao percebê-los.
– Alguém nos viu! Ele provavelmente vai avisar alguém. Vamos logo! — Disse Lloyd.
Capítulo 2-3
Lloyd e Wart entraram na sala secreta. Era um local escuro, onde haviam várias caixas.
– Então é aqui que guardam itens secretos? — Perguntou Wart.
– Mais ou menos. É quase como se fosse um depósito. E lá está o que queremos!
No fundo da sala havia algo que parecia ser um espelho coberto por um lençol amarelo. Lloyd se aproximou e puxou o lençol, revelando-o.
– ...Esse espelho! Só pode ser o portal que levou minha irmã para outra dimensão!
– Tem certeza?
– Sim. A parte de baixo foi quebrada por Alexia. Eu posso tirar um pedaço dali.
Lloyd se abaixou e, com o cabo de sua espada, começou a bater na parte de baixo do espelho a fim de quebrar um pedaço.
– Pronto! Agora podemos ir!
Lloyd pegou um pedaço do espelho que cabia na palma de sua mão e guardou no bolso de sua calça. Foi quando a porta do depósito se abriu.
– Essa não! — Gritou Wart.
– O que fazem aqui...?! Lloyd!!
Era Alexia.
– ...Alexia. Por favor, saia da minha frente.
– Lloyd, todo mundo estava preocupado, e... Quem é esse?!
Wart olhou para Alexia.
– Eu não tenho tempo pra falar com você. Me dê licença, Alexia! — Disse Lloyd.
– ...Lloyd, eu não estou entendendo... O que você quer com o espelho? Lembra o quanto problema ele causou para sua irmã, e para...
Lloyd sacou sua espada e a apontou para Alexia.
– Não ouse mencionar o nome daquela garota! Eu a odeio!
Alexia se assustou.
– L...Lloyd?
Lloyd baixou sua espada.
– Eu não tenho mais ligação com esse reino. Eu não sou nada mais além de uma sombra do que eu era.
– ...Isso não é verdade. Lloyd, você sabe que aconteceu com sua irmã foi um terrível acidente...
– Não foi acidente! Ela foi morta, Alexia! Sua vida lhe foi tirada... E a minha também!
Wart encostou seu pé na parede e colocou as mãos em seus bolsos, apenas observando a cena.
– Você ainda não respondeu minha pergunta, Lloyd... O que quer com o espelho?
– ...Eu não posso te responder. Pela última vez, saia. Da. Minha. Frente!
Lloyd segurou sua espada e ameaçou atacar Alexia, que ainda estava confusa. Wart começou a entrar em alerta.
– ...Eu não estou te reconhecendo, Lloyd. Você parece tomado por uma fúria incontrolável... É pela Saki?
O simples nome de Saki fez com que Lloyd ficasse ainda mais irritado.
– ...Eu já perdi minha paciência! Wart, vamos embora!
Wart não sabia o que fazer.
– Mas... Como vamos passar por ela? — Perguntou Wart.
Alexia olhou para Wart.
– Espere um pouco... Eu estou o reconhecendo... Você é um orc? Lloyd, você se aliou a um orc?
– Sim, Alexia... Esse orc me ouviu. Mais do que você ou Reika!
Lloyd correu na direção de Alexia com sua espada. Alexia rapidamente se abaixou e o atingiu com uma rasteira. Quando Lloyd caiu no chão, o lenço azul de seu pescoço se soltou. Alexia o agarrou e o colocou contra a parede.
– W...Wart... — Disse Lloyd — Pegue... O meu lenço... Eu não posso perdê-lo!
Wart não entendeu. Por que ele queria tanto o lenço? Mesmo assim, correu até ele e o pegou.
– Lloyd! Eu não quero te machucar! Só quero que você volte aos seus sentidos!
Quando Alexia terminou de falar, foi atingida na cabeça. Ela não viu, mas Wart tinha encontrado um pedaço de madeira que se soltou de uma das caixas. Alexia caiu.
– Muito bem! Vamos logo! — Disse Lloyd.
Lloyd e Wart correram, deixando Alexia para trás.
Capítulo 2-4
O portão do acampamento orc se abriu. Lloyd e Wart entraram.
– Olhem! Eles voltaram! — Gritou um dos orcs.
O general, que estava em meio à um grupo, se aproximou.
– Vocês voltaram sãos e salvos... Conseguiram?
– Missão cumprida! — Disse Wart — O fragmento está com o Lloyd.
Lloyd pegou o pedaço do espelho no bolso de sua calça.
– Isso deve servir. — Disse o General — Vamos levá-lo ao nosso alquimista.
O general os guiou até uma tenda roxa no acampamento. Lá haviam várias mesas com frascos de poções. Um orc os recebeu.
– Esse é o alquimista de nosso acampamento, Trevor.
– Prazer em conhecê-los... Em que posso ajudá-los? — Perguntou o alquimista.
Lloyd pegou o pedaço de espelho e mostrou para ele.
– Eu preciso que você ative o portal contido nesse fragmento.
O alquimista pegou o fragmento.
– ...Muito bem... Eu posso criar um feitiço para transformá-lo em um amuleto. Peço que esperem até essa noite.
Lloyd concordou. Os três se retiraram. Do lado de fora, Wart parou Lloyd.
– ...Lloyd. Eu sei que você está determinado a se vingar. Mas está mesmo pronto para partir para outra dimensão?
– Eu não tenho mais nada a perder, Wart. Minha única família se foi.
Wart decidiu não falar mais nada. A noite chegou. Lloyd e Wart voltaram para a tenda do alquimista. Lá estava ele, segurando um pingente vermelho.
– Com isso você pode viajar para a dimensão contida nesse espelho, Lloyd.
Lloyd pegou o pingente e o colocou.
– Eu fiz dois pingentes, um pra você e um para seu amigo orc.
O alquimista entregou outro pingente vermelho para Wart.
– Vocês podem se comunicar com isso.
– Perfeito! — Disse Wart — Dessa forma podemos manter contato, Lloyd.
Lloyd pegou sua espada e a entregou para Wart.
– Eu não sei onde vou parar, então é melhor deixar isso com você.
–Tem certeza?
– Sim. Pode ser perigoso se eu aparecer armado em algum local. Se estiver em perigo, vou saber o que fazer.
Wart pegou a espada de Lloyd.
– Você está pronto? — Perguntou o alquimista.
– Sim, estou!
O pingente começou a brilhar, assustando Lloyd. Em seguida, ele desapareceu em uma luz vermelha.
Capítulo 2-5
Lloyd abriu os olhos. Estava na sala de uma casa. Havia um grande sofá, uma estante com uma TV e uma mesa de centro, onde um pequeno rádio repousava.
– Ugh... Isso não é muito agradável... Onde estou?
Após se levantar, tentou se localizar. De repente, ele ouviu um estranho ruído. O rádio na mesa se ligou sozinho.
– Mas... Mas o quê?!
O rádio começou a falar.
– E agora, vamos curtir mais uma música que é sucesso na nossa programação! Com vocês: Hell Frozen Rain!
In your mind's eye
There's a memory hard to find,
Blinded by Sorrow
And her cold voice sings a melody
Hear her sing:
"Hell Frozen Rain Falls down!"
Lloyd não entendeu ao certo o que aquilo queria dizer. Por um instante ficou apenas parado. A música continuava.
She can't hear your voice
She can't hear you call
You have burned your choice
If you're here,
Can you prove you're really here?
There is a moment in time
When all the cards that you've played divide
You feel the temperature dive
And all your demons inside come crashing through
In your mind's eye
There's a memory hard to find,
Blinded by Sorrow
Naquele instante, o rádio emitiu uma estática. Em seguida, se desligou.
– O que foi isso...?
Lloyd estava confuso. Rapidamente, pegou o rádio e o examinou. Mas ele não ligava mais.
– ...Ok, chega! Eu tenho que descobrir onde estou... E encontrar meu alvo!
Lloyd colocou o rádio de volta na mesa. Em seguida, caminhou até a porta e saiu da casa.
O local em questão era uma rodovia. Aparentemente, Lloyd estava na pista para alguma cidade à distância. A casa onde ele aterrissou pertencia à hotel de estrada, onde haviam várias casas onde as pessoas podiam passar a noite.
– Droga... Não dá pra ver nada com essa névoa!
Capítulo 2-6
Lloyd caminhou pela pista, enquanto tentava enxergar onde estava indo. Havia uma densa névoa o cercando.
– ...Não vai dar! Eu tenho que parar.
Lloyd avistou um ponto de ônibus, onde haviam cinco bancos para as pessoas que aguardavam. Não havia ninguém, então ele se aproximou e sentou-se no primeiro banco.
– Eu vou ter que esperar essa névoa se dissipar. Não consigo ver nada.
De repente, Lloyd observou no horizonte e viu uma silhueta se aproximando lentamente.
– ...Quem é?
A silhueta foi tomando forma. Era uma mulher de vestido preto. Ela carregava o que parecia ser um bebê envolto em uma coberta em seus braços.
– Ah, é só uma mãe com seu filho. — Comentou Lloyd.
A mulher se aproximou. Lloyd a observou, mas... Ela estava de cabeça baixa, e seu longo cabelo preto cobria seu rosto.
– ...Olá! — Disse Lloyd.
A mulher não respondeu. Apenas sentou-se no terceiro banco.
– Não está meio tarde pra andar com seu bebê assim? Essa névoa não deve fazer bem à ele... — Comentou Lloyd.
Novamente, a mulher não respondeu.
– ...Ei, eu estou falando com você!
De repente, Lloyd ouviu algo vindo de longe. Ao observar a estrada, notou o que parecia ser uma luz amarela vindo de dentro da névoa. Após alguns instantes, ela se apagou.
– O que é aquilo...?
Assim que se virou de volta para a mulher, Lloyd levou um susto tão grande que o fez se levantar: A mulher havia desaparecido. Apenas o "embrulho" que ela segurava em seus braços repousava no banco.
– Mas... Mas onde ela foi...?!
O embrulho começou a se mexer...
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